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12.01.2010

Ótima notícia hoje no "Estadão" sobre a modernização dos trens do Metrô em São Paulo, inclusive com a previsão de ampliação das novidades em todas as estações da rede. Embora nosso Metrô seja novo e sem cobertura em toda a cidade, pelo menos é limpo, bem equipado e... eu já disse limpo? Ok, sei que anda bem lotado ultimamente e com um traçado para as novas linhas mais 'político' do que realmente útil para quem realmente precisa deste meio de transporte, mas parece que desta vez, com vista nos investimentos para a Copa/2014, as promessas de melhorias no sistema e a integração total com a rede de ônibus (iniciada, justiça seja feita, na gestão da prefeita Marta Suplicy) seguirão o exemplo de grandes metrópoles como Berlim, Madri, Nova York e Paris.

Por falar em Paris acabei de chegar de uma temporada de quase 3 meses por lá onde meu meio de transporte era basicamente metrô/ônibus e entendo perfeitamente quando nossos governantes usam as grandes metrópoles como exemplo para se copiar. A complexidade do mapa ferroviário urbano destas cidades mais a utilização deste meio de transporte por  todas as classes sociais é realmente um grande exemplo a ser seguido. No caso paulistano não há desculpas para esta modernização tardar, já que a sintonia política entre governador e prefeito mais os financiamentos e acordos internacionais facilitam bastante as coisas.

Como mostrou a reportagem do "Estadão", a Estação Sacomã (acima) foi a primeira a testar o novo layout das plataformas 'blindadas', novidade também que os usuários parisienses já conhecem há um certo tempo com a nova linha 14 Saint-Lazare/Olympiades (abaixo by Viralata) com a novidade que os trens são conduzidos automaticamente, ou seja não existe condutor,  o que torna uma atração quase infantil sentar no primeiro vagão com a vista do tunel.

Plataforma (acima) da estação Bibliotèque François Miterrand - onde costumava descer para frequentar o moderníssimo complexo de biblioteca e rede Mk2 de cinemas - que como a paulistana Sacomã têm portas de vidro que separam os passageiros (me recuso a usar o termo 'usuário' que acho horrível!) dos vãos dos trilhos. Os avisos internos das chegadas nas estações são feitos em francês-inglês-italiano o que não impede que exércitos de turistas se percam nesta cidade substerrânea. Abaixo o imponente hall da estação.


O que ainda está pela metade é a total integração de toda rede de transporte por um cartão só, coisa prometida e ainda vencida pela lenta burocracia. Em Paris o antigo cartão, "Carte Orange", foi substituído por um moderno "Carte Nominative Transport" (abaixo), onde você carrega nas estações por 10, 20 ou 30 dias com preços variados dependendo da rede que você costuma usar, ou seja, quanto mais longe você mora, mas caro você paga. Para se ter uma ideia eu utilizava mais as regiões centrais 1 e 2 de ônibus/metrô e carregava um mês pelo valor de uns 60 euros. Seu chip de identificação praticamente impossibilita fraudes e tentativas de utilização em zonas diferentes das que você pagou para usar.


Como nem tudo é futurista e 'avant-garde' existem estações que teimam em modernizar-se, no caso da Bastilha com sua plataforma aberta e levemente inclinada com vista para o rio e seus barcos atracados é de um charme à toda prova. Claro que os azulejos desenhados ilustrando a famosa batalha que deu inicio a Revolução Francesa são uma boa e culta distração para aguardar o trem.



postado por Caetano, às 01:42

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26.12.2009

Jamie Foxx, sempre com cara de: "onde é que eu vou guardar mais um Oscar?", interpreta um homeless esquizofrênico de Los Angeles, virtuose violoncelista e totalmente 'trend'. Parece que saiu de um desfile de Vivienne Westwood ou vai entrar em um do Galliano.

De Paris - Hoje assisti "O Solista/The Soloist" com a maior vontade de gostar. Ora, não é sempre que um filme consegue reunir tantos atrativos como a história REAL de um 'homeless' (aqui na França são tratados pela abreviação S.D.F. ou seja: Sem Domicílio Fixo) louquinho da silva que toca concertos de Beethoven para violoncelo, o mesmo diretor do chic "Desejo e Reparação", John Wright mais Susannah Grant roteirista de "Erin Brockovich" e 'last but not least' as interpretações sempre intensas de Jamie Foxx e Robert Downey Jr..

Qual o problema então com esse time de ouro? Bem, o problema é que Wright é cafona e indeciso! Cafona porque não se faz um filme em pleno século XXI em que a música clássica (Concertos de Beethoven, no caso) é o 'leitmotiv' para a redenção usando imagens como o voo de uma pomba ou uma psicodélica 'viagem' pela corrente sangüínea e artérias do coração, francamente! Indeciso porque dilui todos os conflitos do filme tratando com mão pesada temas tão dissonantes como: exclusão social, casamento falido, esquizofrenia, imprensa, virtuose, solidão, política e música clássica!

Depois de "Chaplin", seu 'filme testamento', Downey Jr. tem se transformado num ator que sempre parece interpretar 'criticando' seus personagens, um maneirismo irritante 'à la' Al Pacino, cheio de ironia e uma tensão psicológica que não cabe nem em filmes de Bergman, quem viu o que ele fez com "Homem de Ferro" sabe do que estou falando. Já com Foxx o problema é outro, ele precisava de um diretor mais seguro para não ficar todo tempo, a cada quadro, com cara de "onde é que eu vou guardar mais um Oscar?".
 
Enfim, uma chatice que obviamente só vale para despertar nos neófitos a curiosidade em descobrir Beethoven. Se o filme não te interessou fique pelo menos então com este VERDADEIRO time de ouro (Barenboim, Yo-Yo Ma e Pearlman) que sem nenhuma canastrice interpretam um "Triple Concert for piano, violino e violoncelo", enjoy:


postado por Caetano, às 22:09

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17.12.2009
De Paris - É sempre assim, depois do estardalhaço que a imprensa faz com notícias quentes a mesma vai esfriando até sumir do mapa. Não importa se a manchete é um caso em andamento, o que importa mesmo é a cobertura imediata.
Casos recentes como do garoto
Sean (abaixo com o seu pai David) filho de brasileira com um americano, e a sua guarda definitiva depois da morte da mãe causou uma comoção 'entre-américas' como há muito não se via.

Hoje no "Estadão" Hillary celebra a decisão da justiça e parece que o caso chega discretamente ao seu fim, servindo como referência para a Justiça em outras situações semelhantes. Vale a pena ler no excelente blog "Diário do Oriente Médio", do não menos excelente Gustavo Chacra sua opinião sobre o caso e uma comparação com a decisão da justiça americana sobre outra manchete esquecida: lembram-se de Elián, aquele menino cubano cuja mãe morreu tentando fugir com ele da ilha clandestinamente num barco em direção a Miami e a justiça americana devolveu o moleque de volta à Cuba? Chacra, conclui:
- "Elian tem 16 anos e vive em Cuba. Verdade, aos 18, por estar em uma ditadura, não terá a opção de ir para Miami. Mas Sean terá, porque os EUA são uma democracia. Nada a ver com a Argentina de Videla ou a Cuba dos Castro."
...


Outra manchete esquecida, para o nosso bem, foi a história sem pé nem cabeça daquela brasileira desmiolada, Paula de Oliveira, que com seu auto-flagelo (ao lado o resultado da 'arte') fez um escândalo internacional ao dizer-se vítima de neo-nazistas na Suiça. O pastelão imenso envolveu todo o comissariado petista que descredenciava todo o staff da polícia em Zurique e exigia resposta imediata da Comunidade Européia. De Lula a Suplicy (óbvio!) não passou pela cabeça de ninguém ouvir primeiro o outro lado dos fatos e ao verem-se numa saia-justa internacional 'ordens supremas' gelaram o caso na mídia.

O Blog do Vamp me lembra hoje que Paula de Oliveira foi condenada na Suiça, também aqui na "Folha Online" uma retrospectiva do caso.
Uma coisa bem estranha foi o destaque das primeiras manchetes do caso em TODA a mídia onde Paula era tratada como "a advogada brasileira" e logo com a desconfiaça da farsa ela se transforma "na pernambucana" doente e psicologicamente abalada.
Para muitos veículos o caso não era mais uma injustiça internacional e sim um desvio de comportamento 'local'. Tst, tst, tst...
Como dizia minha avó, um olho no peixe e outro no gato não faz mal a ninguém!
...

E quase esquecida mesmo ficará a condenação do "Estadão" pelos 'tzares del bigodón', digo quase já que a única lembrança que teremos deste triste ato é o 'counter' no cabeçalho das páginas do jornal. Hoje por exemplo, 17 de dezembro de 2009, marca 139 dias sob censura. O silêncio constrangedor da sociedade culta e bem informada será objeto de análises futuras quando os ares democráticos voltarem com mais força no Brasil.

postado por Caetano, às 13:04

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19.11.2009

De Paris - Sabe aquele tipo de filme que te faz amar música erudita. Bem, pode ser que 'amar' seja um pouco demais mas com certeza você já assistiu dezenas de filmes em que sai assobiando a música e quer loucamente comprar/baixar aquela ária, concerto ou ópera.

Citando rápido alguns filmes que me provocaram essa curiosidade lembro de
"Diva" de Jean-Jacques Beineix, lançado no começo dos anos 80, portanto pré-cd, onde um garoto apaixonado por uma diva de ópera (Wilhelmenia Wiggins Fernández, soprano americana que o diretor ouviu pela primeira vez em Paris e a escolheu para o papel) faz uma gravação clandestina (em fita cassete, se você têm menos de 20 anos pesquise no google o que era isso) de um concerto onde a famosa ária "Ebben? Ne andrò lontana" da ópera "La Wally" de Alfredo Catalani é o 'leitmotiv' para um filme policial-existencialista, como um bom francês que se preze.
Ainda lembrando os franceses o 'pós-moderno'
Luc Besson cria uma diva-alien em "O Quinto Elemento" numa divertida versão 'dance' da melancólica ária da loucura “Il dolce suono mi colpi de la tua voce" de "Lucia di Lammermmour" de Donizetti, que embora possa causar urticária nos puristas a mim me levou a conhecer esta ópera e acrescentar esta ária em "Zap: O Resumo da Ópera" que dirigi com Marcelo Tas e era com certeza um dos momentos mais lindos do espetáculo (que claro, causamos também mais irritação ao adaptar a ária para um terceto de sopranos-loucas. Heresia tripla que ignoramos solenemente!)

Os concertos e sinfonias também estão muitíssimo bem representados na minha memória, o que seria por exemplo da adaptação de
Visconti para "Morte em Veneza" sem o 'adagietto' da Quinta Sinfônia de Mahler? O filme me fez ler o livro de Thomas Mann e também comprar e ouvir a ópera de Britten, que infelizmente é 'menor' que ambos. Talvez se a 'viadagem' de Britten fosse mais exuberante, como a de Visconti, a ópera seria menos chata e enrustida.
'Coqueluche' sem igual foi a venda da trilha sonora do filme
"Shine" de Scott Hicks com o genial Geoffrey Rush (Oscar em 1997 pelo papel) interpretando o maluquíssimo pianista australiano David Helfgott e sua obsessão com o Concerto para Piano nº3 de Rachmaninoff. Aliás não só a trilha, a gravação de Helfgott foi oportunamente reeditada e sua tiragem rapidamente esgotada (evidentemente eu tenho a minha).
...

Sempre linda Mélanie Laurent crível de Shoshanna a Violinista num piscar de olhos

Se eu continuar não sobrará assunto para absolutamente mais nada por aqui, mas este longo devaneio foi para falar que assisti aqui em Paris "Le Concert", do romeno Radu Mihaileanu, que faz uma ode ao Concerto para Violino e Orquestra in D major/Op 35 de Tchaikovsky com os excelentes atores Aleksei Guskov e a neo-musa francesa Mélanie Laurent (graças a sua Shoshanna de "Bastardos e Inglórios" do Tarantino, lógico, já que para nós brasileiros ela não passava de uma simples coadjuvante no 'altmaniano' "Paris").
O filme conta a história de músicos russos (romenos e de outras partes do leste) que depois de cassados e exilados pelo regime de Brezhnev trabalham em subempregos (motorista de ambulância, faxineiro, carregadores, etc.) e num 'golpe de paixão' e trambique acabam se passando pela Orquestra do Bolshoi com Concerto marcado em Paris no Théâtre du Châtelet (sim, o mesmo teatro onde estou trabalhando)!!!
O filme ganhou neste ano o Prêmio do Público no Festival do Canadá, embora alterne o drama com momentos caricatos de puro pastelão tenho certeza que este prêmio foi uma homenagem do público a música de Tchaicovsky. É impossível não se emocionar com este Concerto que com certeza mereceria estar no 'shuffle' de qualquer Ipod desta moçada moderna e 'blasé' parisiense, brasileira, russa, novaiorquina, chilena, ...

postado por Caetano, às 20:57

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21.10.2009

Me sinto como um personagem de Ítalo Calvino:

"Estou ficando convencido de que o mundo quer dizer-me alguma coisa, mandar-me mensagens, avisos, sinais (...) Há dias em que tudo que vejo me parece carregado de significados - mensagens que me seria difícil comunicar a outros ou traduzir em palavras, mas que justamente por isso me parecem decisivas. São anúncios ou presságios que dizem respeito a mim e ao mundo simultaneamente: no que concerne a mim, não se trata de acontecimentos exteriores da existência, e sim daquilo que ocorre dentro, no íntimo; no que concerne ao mundo, não se trata de nenhum fato particular, e sim do modo de ser de tudo. Vocês compreenderão minha dificuldade em falar disso de outra maneira que não por alusões."

E será no teatro que eu decifrarei este mistério, aguardem "Travesties" de Tom Stoppard sob a minha direção com a Cia. de Ópera Seca.
...

Se joga:

- Se um Viajante numa Noite de Inverno/Ítalo Calvino - Cia. das Letras

postado por Caetano, às 23:02

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12.10.2009

Faz uns dias que terminei de ler a biografia do Paulo Coelho, "O Mago", um catatau de 600 e poucas páginas escrita pelo competente Fernando Morais. É o seguinte, quem não gosta de Coelho - como eu - continuará não gostando só que agora por vários motivos, e quem gosta terminará por beatificá-lo.
Que Paulo Coelho é um fenômeno em vendas, marketing e mistério ninguém duvida mas ao ter os seus diários (mais de 400 cadernos desde a adolescência) como base de sua biografia revelando suas picaretagens, fraquezas e outros que tais sua vida ficou bem menos 'mágica' e muito mais ordinária do que eu imaginava.

Claro que existem passagens tocantes e cruéis, como suas internações (a força, pelos pais) em clínicas psiquiátricas e sessões de eletrochoque ou as prisões e sessões de tortura realizadas pelo DOI-CODI na época da ditadura. Entendi muito da sua personalidade ao saber de sua obsessão em se tornar um escritor lido no mundo inteiro, basicamente o livro é construído página por página na realização deste desejo e quando ele se realiza o multi-famoso escritor ainda continua infeliz pois embora seja lido no mundo inteiro não é respeitado como um "grande escritor" (principalmente no seu País).

Existe um ditado judaíco que diz: "peça e obterás", Paulo pediu o sucesso fácil, fez pacto com o demônio, trapaceou, foi soberbo, vingativo e malandro. Talvez se seu pedido tivesse sido diferente...
Se você - como eu - não leu e não gosta da literatura 'coelhiana' mas tem curiosidade em saber como se formam fenômenos terá prazer em ler esta biografia e tirar as suas próprias conclusões. Para encerrar de uma forma elegante - e menos polêmica - transcrevo a observação que Umberto Eco teve ao ler os livros de Coelho:
-
"Meu livro preferido de Paulo Coelho é "Veronika"*. Tocou-me profundamente. Confesso que não gosto muito de "O Alquimista", porque temos pontos de vista diferentes. Paulo escreve para crentes, eu escrevo para pessoas que não crêem."

* Em "Verônika" Paulo usa o alter ego de uma mulher para falar sobre sua experiência nas clínicas psiquiátricas.
...

Se Joga:
"O Mago", Biografia de Paulo Coelho por Fernado Morais

postado por Caetano, às 16:58

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02.10.2009

A revista "Bravo" deste mês de outubro faz um perfil sobre a minha carreira e minha nova empreitada em assumir a direção da Cia. de Ópera Seca junto com o seu fundador Gerald Thomas. A seção da revista é Primeira Fila em "Nossa Aposta".
Leia abaixo a matéria na versão
online.
...

Caetano Vilela - Nossa Aposta
Depois de virar referência entre os iluminadores do país, o ator paulistano se torna codiretor da Cia. de Ópera Seca, o grupo de Gerald Thomas

Por Gabriela Mellão/Foto João Wainer

Caetano Vilela ao lado da foto de Gerald Thomas. O iluminador tem 15 tatuagens; uma delas traz o lema da cidade de São Paulo: "Não sou conduzido, conduzo"

Ele se sente como quem pinta um quadro ou escreve um conto. No entanto, não usa pincéis nem softwares de texto. Prefere recorrer à luz. O paulistano Caetano Vilela é hoje um dos mais talentosos iluminadores do país. Especializado em montagens líricas, já assinou 53 produções do gênero. Construiu sua reputação sobretudo depois que virou o responsável por iluminar as encenações do prestigioso Festival Amazonas de Ópera, em Manaus.

Desde que assumiu a função, há 11 anos, deixou praticamente de lado as peças teatrais - universo em que se formou não só como iluminador, mas também como ator (participou das trupes de Ulysses Cruz, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas). No primeiro semestre de 2010, porém, deverá fazer um retorno ousado às origens. Capitaneando a Cia. de Ópera Seca, fundada por Gerald, vai dirigir e iluminar Travesties, comédia de viés político escrita pelo britânico Tom Stoppard. Será a primeira vez que o encenador carioca entregará seu grupo a outro profissional. "Caetano sugeriu dividir comigo o comando da Ópera Seca", conta Gerald, que diz atravessar uma fase de profunda crise existencial. "A sugestão chegou em boa hora. Ele dispõe de grande inteligência e criatividade. Não sei explicar como alguém se torna um gênio. Sei apenas que Caetano é genial."


De início, no festival amazonense, o artista limitava-se a conceber a iluminação dos espetáculos. Foi somente depois de 2001 que passou também a atuar como diretor. Nessa dupla condição, destacou-se com Ça Ira, ópera do inglês Roger Waters, ex-líder da banda Pink Floyd. "Quando me debruço sobre uma montagem", afirma Vilela, "não penso propriamente em iluminar os atores ou os cantores. A primeira coisa que busco descobrir é onde se desenrola a ação - em que atmosfera o elenco estará mergulhado. A partir daí, tento elaborar uma narrativa com a luz. Desejo que a plateia compreenda o espetáculo por meio da iluminação. Talvez seja essa a chave do meu trabalho: aquilo que chamo de 'dramaturgia da luz', algo difícil de traduzir em palavras. Ao contrário de um cenógrafo, que lida muito com o concreto, o iluminador lida principalmente com o abstrato. Acredito que, por isso, eu tenha uma memória e um raciocínio bastante visuais." Tal raciocínio costuma acompanhá-lo até mesmo fora do palco. Certa vez, ficou 45 minutos de pé em um restaurante com mesas vagas à espera de um espaço numa área mais bem iluminada.

Filho de comerciantes, Vilela começou a vida como office boy e, até os 17 anos (atualmente está com 41), nunca escutara ópera. Perambulando pelos sebos da praça da Sé, em São Paulo, ouviu um trecho de Lakmé, do francês Léo Delibes (1836-1891), e se enfeitiçou. Logo perguntou a um vendedor que música era aquela. O clique para a profissão, porém, veio mais tarde, em 1990, quando viu Suor Angelica, do italiano Giacomo Puccini (1858-1924), dirigida por Bia Lessa e protagonizada pela soprano Céline Imbert. "O cenário e a luz não realistas me impressionaram. Pensei: 'Meu Deus, pode-se fazer isso com um espetáculo lírico?!'."

Decidiu, então, rejeitar definitivamente o sonho dos pais, que o queriam à frente dos negócios familiares, e adotou como lema pessoal o da cidade de São Paulo: Non ducor, duco, frase em latim que significa "Não sou conduzido, conduzo". Levou a divisa tão a sério que acabou por estampá-la nas costas. É uma das 15 tatuagens que possui e que lhe conferem um ar de roqueiro. Ele, aliás, se confessa fã das guitarras. "Nas horas livres, o que escuto mesmo é rock'n'roll."

 

...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 19:41

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10.09.2009

No século 19 Alexis Tocqueville viaja pelos EUA e nos dá o clássico "A Democracia na América" , 174 anos depois o jornalista e editor Tiago Lethbridge, faz um trabalho de dar inveja ao francês Tocqueville e recheia a quinzenal "Exame" com um especial sobre a recuperação da "nova economia americana".

Tenho acompanhado as reportagens do Tiago na revista há tempos, mas com certeza este trabalho hercúleo que o levou à vários Estados americanos para descobrir como está acontecendo a retomada da economia pós-crise, foi o seu maior desafio até agora.
Tocqueville tinha 26 anos quando iniciou sua jornada americana, Tiago está com 30 e também é da mesma geração da moçada que frequenta os centros de tecnologia de Palo Alto, segundo sua reportagem é lá que está a 'salvação' da América, ou alguém duvida depois de exemplos como: Apple, Intel, Yahoo!, Cisco, Facebook, etc...?

Lendo esta edição especial, tão bem escrita e pesquisada, só aumenta a minha frustração em não ter seguido a carreira de jornalismo. Agora quem está com inveja sou eu, parabéns Tiago, novos desafios virão!

postado por Caetano, às 00:06

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29.08.2009


Vanusa é a vanguarda da vanguarda!!! Esta interpretação exclusiva do Hino Nacional põe no chão toda e qualquer tentativa da interpretação contemporânea. Se você acha que não conseguirá assistir até o final destes antológicos 5min30, espere até lá pelos 2min28 e será recompensado!


P.S.: Antes o video estava 'incorporado' neste post, mas como foi desativado o serviço por pedido da 'justiça'. Vanusa declarou estar com labirintite e por isso deu o fiasco. Sei... quem ficou com labirintite foi eu em assistir isso.
Você mesmo pode seguir o link e ver/ouvir a vergonha:

http://www.youtube.com/watch?v=6w9MpztV4gk

postado por Caetano, às 20:45

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29.08.2009

Ser vítima de assaltantes é revoltante, quando o delito envolve invasão de propriedade, ameaça armada e 'rapa' daqueles bens familiares então a revolta vira trauma, não importa a classe social da vítima. Mas é claro que se a 'classe' for um pouquinho mais elevada toda a atenção das autoridades estará voltada para resolver o crime o mais rápido possível para amenizar as queixas de falência e incompetência da orgãos responsáveis.

Foi o que aconteceu com o empresário Guilherme Afif Domingos (DEM-SP), secretário do governo Serra na pasta do Emprego e Relações de Trabalho, conforme mostrou hoje na Folha de S.Paulo em reportagem assinada por Mônica Bergamo: "Ladrões invadem e roubam casa de secretário de Serra" e abaixo da manchete da edição impressa: "...ocorrência mobilizou a cúpula da polícia paulista".

Quero acreditar que as declarações do secretário tenham sido emitidas ainda pela emoção do choque, caso contrário acho que há um descompasso entre Afif Domingos e os beneficiários de sua pasta, nós trabalhadores. Ao ser perguntado sobre o que os bandidos levaram de sua casa saiu-se com essa, como nos informa Bergamo (na edição impressa e online para assinantes):
- "Armados, os assaltantes recolheram relógio, joias "do dia a dia usadas por minha mulher" e dinheiro vivo, "aquela reserva que a gente já guarda em casa para o ladrão", diz o secretário (...)"

Não entendi!
Deixando as "joias do dia a dia" para lá, das diversas orientações que qualquer delegacia dá em casos de assaltos como: não reagir, etc., nunca soube que existisse uma em que se devesse ter "uma reserva de dinheiro vivo" para bandidos. Seria de bom tom, já que o caso vasou, saber QUANTO foi levado em dinheiro, daí poderemos concluir que tido de 'ladrão' o secretário/empresário espera que o infortúnio o visite.

postado por Caetano, às 19:17

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25.08.2009

31/07/2005

CARTA AOS PETISTAS 2

Meninos e meninas,

Recebo uma enxurrada de e-mails pedindo para confirmar a autoria da CARTA AOS PETISTAS, publicada nesse blog em 18 de Julho último.

A maioria de petistas ou ex-petistas me criticando ou me dando os parabéns (retrato nítido da atual oligofrenia do presidente Lula) pelo excesso de sinceridade.

Ora companheiros, é exatamente isso que precisamos no momento: toneladas de sinceridade. Duela a quien duela, como dizia o playboyzinho Fernando Collor.

Aliás, é disso que precisa o nobre parlamentar José Dirceu, na sua tão aguardade aparição na CPI esta semana. Vai lá, Zé, seja homem, solte a língua e a franga. Afinal você não tem mais nada a perder.

Abaixo, a republicação da CARTA. Quem for reenviá-la, favor colar o link do blog para não ser necessária a minha reconfirmação de autoria.




CARTA AOS PETISTAS
Por não ser petista, sempre fui considerado "de direita" ou "tucano" pelos meus amigos do falecido Partido dos Trabalhadores.

Vejam, nunca fui "contra" o PT. Antes dessa fase arrogante mercadântica-genoínica, tinha respeito pelo partido e até cheguei a votar nos "cumpanheiro". A produtora de televisão que ajudei a fundar no início da década de 80, a Olhar Eletrônico, fez o primeiro programa de TV do PT. Do qual aliás, eu não participei.

Desde o início, sempre tive diferenças intransponíveis com o Partido dos Trabalhadores. Vou citar duas.

Primeira: nunca engoli o comportamento homossexual dos petistas. Explico: assim como os viados, os petistas olham para quem não é petista com desdém e falam: deixa pra lá, um dia você assume e vira um dos nossos.

Segunda: o nome do partido. Por que "dos Trabalhadores"? Nunca entendi. Qual a intenção?

Quem é ou não é "trabalhador"? Se o PT defende os interesses "dos Trabalhadores", os demais partidos defendem o interesse de quem? Dos vagabundos?

E o pior, em sua maioria, os dirigentes e fundadores do PT nunca trabalharam. Pelo menos, quando eu os conheci, na década de 80, ninguém trabalhava. Como não eram eleitos para nada, o trabalho dos caras era ser "dirigentes do partido". Isso mesmo, basta conferir o currículum vitae deles.

Repare no choro do Zé Genoníno quando foi ejetado da presidência do partido. Depois de confessar seus pecadinhos, fez beicinho para a câmera e disse que no dia seguinte ia ter que descobrir quem era ele. Ia ter "que sobreviver" sem o partido. Isso é: procurar emprego. São palavras dele, não minhas.

Lula é outro que se perdeu por não pegar no batente por mais de 20, talvez 30 anos... Digam-me, qual foi a última vez, antes de virar presidente, que Luis Ignácio teve rotina de trabalhador? Só quando metalúrgico em São Bernardo. Num breve mandato de deputado, ele fugiu da raia. E voltou pro salarinho de dirigente de partido. Pra rotina mole de atirar pedra em vidraça.

Meus amigos petistas espumavam quando eu apontava esse pequeno detalhe no curriculum vitae do Lula. O herói-mor do Partido dos Trabalhadores não trabalhava!!!

Peço muita calma nessa hora. Sem nenhum revanchismo, analisem a enrascada em que nosso presidente se meteu e me respondam. Isso não é sintoma de quem estava há muito tempo sem malhar, acordar cedo e ir para o trabalho. Ou mesmo sem formar equipes e administrar os rumos de um pequeno negócio, como uma padaria ou de um mísero botequim?

Para mim, os vastos anos de férias na oposição, movidos a cachaça e conversa mole são a causa da presente crise. E não o cuecão cheio de dólares ou o Marcos Valério. A preguiça histórica é o que justifica o surto psicótico em que vive nosso presidente e seu partido. É o que justifica essa ilusão em Paris... misturando champanhe com churrasco ao lado do presidente da França... outro que tá mais enrolado que espaguete.

Eu não torço pelo pior. Apesar de tudo, respeito e até apoio o esforço do Lula para passar isso tudo a limpo. Mesmo, de verdade.

Mas pelamordedeus, não me venham com essa história de que todo mundo é bandido, todo mundo rouba, todo mundo sonega, todo mundo tem caixa 2... Vocês, do PT, foram escolhidos justamente porque um dia conseguiram convencer a maioria da população (eu sempre estive fora desse transe) de que vocês eram diferentes. Não me venham agora querer recomeçar o filme do início jogando todos na lama.

Eu trabalho desde os 15 anos. Nunca carreguei dinheiro em mala. Nunca fui amigo dessa gente.

Pra terminar uma sugestão para tirar o PT da crise. Juntem todos os "dirigentes", "conselheiros", "tesoureiros", "intelectuais" e demais cargos de palpiteiros da realidade numa grande plenária. Juntos, todos, tomem um banho gelado, olhem-se no espelho, comprem o jornal, peguem os classificados e vão procurar um emprego para sentir a realidade brasileira. Vai lhes fazer muito bem. E quem sabe depois de alguns anos pegando no batente, vocês possam finalmente, fundar de verdade um partido de trabalhadores.


Assinado: Marcelo Tas (publicado no www.blogdotas.com.br)

postado por Caetano, às 01:26

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09.08.2009



09/08/2009

 
( figura da hora )

ATOR, DIRETOR E ILUMINADOR, CAETANO VILELA ASSUME A DIREÇÃO DE NOVO ESPETÁCULO DA CIA. DA ÓPERA SECA, DE GERALD THOMAS



Caetano Vilela em ação no teatro São Pedro, onde dirigiu um espetáculo em junho passado

na contramão

por Leticia de Castro / foto Jefferson Coppola

Ele é um sujeito inquieto e um tanto ambivalente. Ganhou dois prêmios como iluminador de teatro. Em sua casa, as lâmpadas pendiam do teto por um fio até há bem pouco tempo.

Caetano Vilela, 40, dirigiu mais de 50 óperas. Nas horas livres, só ouve rock. Considera-se um ser urbano, morou mais de 20 anos no centro de São Paulo. Agora, está construindo uma casa na serra da Cantareira, para onde vai se mudar em busca de tranquilidade.

"Não confio em pessoas muito decididas e lineares. O artista é um ser contraditório por natureza", diz o ator, diretor e iluminador de teatro, que desponta como um dos grandes nomes da ópera no país.

Acaba de assumir a direção da Companhia da Ópera Seca, criada por Gerald Thomas em 1986. A primeira empreitada começa na próxima semana com os ensaios de "Travesties", adaptação do texto do dramaturgo britânico Tom Stoppard.

Será seu primeiro grande trabalho como diretor de teatro e também a primeira vez que outra pessoa assume a companhia. "Já era mais que hora de diversificar", afirma Gerald. "E ele é o mais indicado pra colocar ideias novas ali."

O polêmico diretor é só elogios a Caetano. "Ele é simplesmente genial", derrama-se. "Passamos grande parte do tempo das nossas vidas confidenciando fraquezas, verdades, seguranças e inseguranças, ideias etc."

"Travesties" mostra um encontro fictício entre três personalidades do século 20: o escritor James Joyce (1882-1941), o líder comunista Vladimir Lênin (1870-1924) e o poeta dadaísta Tristan Tzara (1896-1963). No texto, o trio -que na vida real chegou a morar na mesma cidade, mas nunca se conheceu- se reúne durante a Primeira Guerra Mundial. Discute a função política do artista e o papel da arte em regimes totalitários.

"Tudo o que faço tem uma conotação política", diz Caetano. "Não sou de levantar bandeiras, mas o artista tem que refletir o seu tempo."

Em dezembro, ele faz sua estreia em uma produção europeia. Assina a iluminação do musical "A Noviça Rebelde", que ficará em cartaz no teatro do Chatelet, em Paris, com direção do renomado Emilio Saggi, diretor que ele conheceu em Manaus.

Santíssima Trindade
A possibilidade de transitar entre ópera, teatro, direção, atuação e iluminação é resultado de mais de 20 anos de uma carreira iniciada no grupo Boi Voador.

Passou ainda pelo que chama de "Santíssima Trindade" do teatro paulistano. Trabalhou com José Celso Martinez Corrêa, do grupo Oficina, na montagem de "Ham-let". Depois, foi a vez de Antunes Filho. "A primeira coisa que ele me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia. Porque eu não sabia andar, não sabia falar, não sabia nada."

Para pagar as contas, foi garçom de um restaurante e gerente de casa noturna. Ficava da meia noite até 7h no clube. Às 10h, tinha que estar no teatro. "Era o máximo! Mas depois de dois anos e meio não conseguia mais."

Exausto, Caetano deu um tempo no teatro e abriu uma produtora de eventos com uma amiga. Foi quando conheceu Gerald Thomas, fechando a "Trindade". Nessa época, o iluminador da companhia estava se desligando do grupo e abriu espaço para Caetano, que ficou três anos na função. "Criava luz, era ator, diretor adjunto. Fazia de tudo."

O artista passou a se dedicar às óperas após um convite do diretor Iacov Hillel. Nos últimos 11 anos, iluminou mais de 50 espetáculos e fez a direção cênica de alguns deles.

Mesmo em montagens eruditas, ele não perde a oportunidade de misturar o universo pop. Em "La Cenerentola", de Rossini, em 2007, Caetano homenageou Michael Jackson, colocando o coro para dançar a coreografia de "Thriller".

No ano passado, montou "Ça Ira", ópera de Roger Waters, líder do Pink Floyd, e conseguiu levar o músico a Manaus para acompanhar os ensaios e a apresentação. "Foi a experiência mais incrível da minha carreira."

Roqueiro de formação e de coração, Caetano teve o primeiro contato com a música erudita por acaso, em uma loja de discos na praça da Sé. Tinha 15 anos e trabalhava como office-boy. "Entrei na loja e estava tocando 'Lakmé' [ópera de Léo Delibes]. Fiquei encantado", lembra.

O disco era caro. O vendedor falou de uma rádio especializada em ópera, que virou ponto obrigatório no dial do então adolescente.

Além do centro
Filho de comerciantes do Brás, Caetano é o único artista da família. Quando percebeu que não iria assumir os negócios, tomou rumo próprio. Saiu de casa aos 22 anos para dividir um apartamento na avenida São Luís com quatro colegas do teatro.

"O centro sempre foi o meu QG. Todos os teatros e salas de ensaio estão lá", diz. Agora, se prepara para abrir mão do caos criativo da cidade. Vendeu seu apartamento na rua Nestor Pestana e comprou um terreno na Cantareira. "Ninguém está acreditando que vou sair", conta. "Se eu sentir falta, volto. Não dependo mais do centro para criar."

Apesar do desejo de isolamento, Caetano não se desconecta. Há quatro anos criou um blog (www.caetanovilela.blogspot.com). Também está no Twitter, no Facebook, no Myspace e no Orkut. Gosta de repetir uma frase do Marcelo Tas: "A internet dá coerência". Em meio ao caos cibernético, ele se entende.

"A primeira coisa que o Antunes Filho me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia"


postado por Caetano, às 06:14

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30.07.2009

São Paulo, quinta-feira, 30 de julho de 2009



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JUCA KFOURI

Deixem Jesus em paz


Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro


MEU PAI , na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou.
Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.
De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.
Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.
Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.
E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.
Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.
E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.
Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.
É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...
Ora bolas!
Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.
Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus...

blogdojuca@uol.com.br


postado por Caetano, às 19:10

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18.07.2009


Obama com os negros, muito mais que uma questão de pele

De Madrid
- Nenhum presidente branco, índio, mestiço ou metalúrgico da América Latina seria capaz de um discurso tão contundente como o foi o 'über' democrata Barack Obama nesta quinta feira na NAACP (National Association for the Advancement of Colored People) embora com nome pomposo os integrantes do "avanço para as pessoas de cor" é uma associação influente que 'atazana' a vida dos políticos cobrando subsídios e exigindo direitos para os negros, ops, afro-americanos. Pois os integrantes saíram do encontro 'bejes' depois de 45 minutos, Obama disse coisas como:
-
"Temos de dizer aos nossos filhos afro-americanos que se eles vivem em bairros pobres vão enfrentar dificuldades que em outros bairros não enfrentariam , mas que isso não é motivo para ir mal nos estudos ou abandonar a escola"

- "Quero que eles aspirem ser cientistas, engenheiros, médicos e professores, não somente jogadores de basquete ou cantores de rap"


- "Minha vida bem que poderia me levar para o pior, mas eu tive o apoio da minha mãe que sempre me ensinou sobre a importância da educação (...) Aos pais não basta mandar os filhos à escola e abandoná-los quando chegam em casa (...) hoje para os negros a educação é a melhor arma para completar a obra iniciada por Martin Luther King e todos que lutaram pelos direitos humanos"


- "Basta de desculpas! Ninguém escreve o teu destino, somente você mesmo. Chega de desculpas para o fracasso!"


E para mim o melhor:
- O Governo por si só não conduzirá nossos filhos a Terra Prometida. Sim, o Governo tem que ser uma força para promover oportunidades e igualdades, mas em última instância somos nós mesmos que temos de fazer o nosso dia a dia (...) parem de olhar o Governo como fonte de recursos com a ilusão de cobrar um dívida que o povo norte-americano já pagou com juros."

E ainda falou sobre preconceito e racismo diretamente para a 'mulher afro-americana', muçulmanos, latinos e nossos
"gay brothers and sisters"!
O discurso foi político, estratégico e um recado para o influente
'lobby negro', que se tinha ressalvas com Obama (parte da NAACP apoiaram Hillary Clinton na campanha presidencial) agora tem certeza de que este governo será de todos para todos e sem 'privilégios extras' para negros apenas porque o presidente é negro. Recado dado!

ENQUANTO ISSO

Difícil ouvir nosso presidente num discurso semelhante numa favela qualquer para que
"nossos filhos aspirem ser professores e não somente jogadores de futebol e dançarinos de funk", o único lobby realmente 'profissional' e que comanda o Congresso é o 'lobby religioso', que a bem da verdade nem 'luta pela sua classe' e sim por mordomias e benefícios próprios, como canais de televisão, isenção de impostos, etc.
Quanto a 'dívida de raça' o Brasil prova mais uma vez que não sabe lidar com as 'minorias' a exemplo da 'questão dos quilombolas' que exigem o pagamento de metade do território nacional pelas injustiças do passado. Dívida 'ancestral' que não é do povo brasileiro, mas que mesmo assim já tem pago
"com juros há muito tempo".
E alguém ouviu falar mais alguma coisa do ministério da Integração Racial (título nazi-fascista) depois que a ex-ministra 'afro-brasileira'
Matilde Ribeiro levianamente (não existe outro termo) gastava dinheiro público em benefícios particulares?

É justo dizer que toda esta política social começou de forma atabalhoada no governo
FHC e que Lula 'profissionalizou' (e capitalizou) como ninguém. Sim, muitos que não tinham absolutamente nada, hoje tem alguma coisa e, claro, somos brasileiros e portanto mais acomodados e menos intempestuosos.
Mas vamos combinar que o discurso 'dos derrotados e excluídos' já está velho e ultrapassado, e que
"temos de parar de olhar o Governo como fonte de recursos e que somos nós mesmos (e não nenhum presidente) que temos de fazer o nosso dia a dia"!

EU TAMBÉM SOU MINORIA

Se não, vejamos, estou pensando em entrar com alguma ação contra o governo da Holanda! Sim, porque veja bem, minha avó materna era uma índia cafuso (índio + negro africano, lembram da aula?) pernambucana dos olhos azuis (isso mesmo, a cor de olhos 'culpada pela crise' mundial, segundo Lula), mamãe me disse que a mãe dela (sua avó) também tinha os olhos azuis e sua pela era muito mais escura que a da minha avó. Portanto somando as datas dos meus antepassados junto com o parentesco com tribos desconhecidas chego ao período da curta invasão holandesa em Pernambuco no século XVII. Suponho que tribos foram dizimadas, índias estupradas e as riquezas dos meus parentes distantes dilapidada, daí, eu exijo os "meus direitos", quero pelo menos um terreninho no Nordeste brasileiro do menor tamanho que possui José Sarney em qualquer território nacional.

Para não levar as coisas até as últimas instâncias eu me contento com o óleo sobre tela "Plantação no Brasil" (ao lado) pintado pelo holandês Frans Post em missão de 'reconhecimento' no Brasil, o quadro está aqui em Madrid no Museu Thyssen-Bornemisza e ficaria muito bem na minha casa nova. Recado dado!

postado por Caetano, às 23:58

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15.07.2009

De Barcelona - O "Liceu Ópera Barcelona" é um Teatro super antigo (1837) e tradicionalíssimo que foi totalmente destruído por um incêndio (1994) e inteiramente reconstruído (1999) nos moldes originais. Seguindo plantas e fotos antigas conseguiram deixar a platéia praticamente igual antigamente, já os saguões de acesso e a parte externa foi modernizada num estilo indefinido que causa uma certa estranheza principalmente depois que se entra na sala. Bom, mas o mais importante é que mesmo com a reforma suas atividades nunca pararam, e com a reconstrução a velha sala ganhou um anexo onde fica toda a parte administrativa, café, livraria, acervo, camarins, etc..., coisa que todos os artistas solicitavam há tempos e nisso foram 'atendidos' na desgraça!

A ópera que reabriu o Liceu em 1999 foi
"Turandot", dirigida por Núria Espert, uma atriz muito conhecida e respeitada por aqui (num 'nível' Fernanda Montenegro), que novamente remonta a ópera que Puccini não conseguiu terminar. Ele morreu antes e coube a Franco Alfano dar um final a ela, quando montamos em Manaus no ano passado, regida pelo maestro Marcelo de Jesus e dirigida por Emílio di Biasi, o final foi do compositor italiano Luciano Bério, que deu uma versão em 2001 (bastante questionada) para o drama da 'princesa de gelo' chinesa.

Aliás a escolha de "Turandot" é bem simbólica, para quem não conhece a história 'resumo grosseiramente' assim: uma princesa, casta e pura, na China Imperial só se casará se os seus pretendentes acertarem três enigmas propostos por ela. Quem erra morre! Depois de centenas de príncipes e plebeus são mortos eis que surge Calaf, um príncipe tártaro destronado (só em ópera mesmo para surgirem personagens assim, hehehe!), que vai acertando os enigmas até chegar no terceiro e último: "qual é o gelo que te incendeia, se por escravo te aceitas, faz-te rei?", e o jovem tártaro depois de hesitar por um instante responde: "És tu o gelo que me incendeia Turandot!"

Calaf tem uma das árias mais célebres do mundo erudito: "Nessum Dorma" que ele canta quando cai a noite em Pequim e pede para que "Ninguém durma". Numa leitura contextualizada e menos romântica a escolha desta ópera para reabrir uma sala, também célebre, que foi devorada pelas chamas é mais do que uma celebração a maior das Artes que é o TEATRO. Se o fogo destruiu o prédio, "ninguém durmiu" desanimado e fez da ARTE o verdadeiro "gelo que incendeia".
...


Assisti como convidado um rápido ensaio com piano do 1º Ato (estréia na semana que vem), não sei qual foi o final que essa montagem optou, mas sei que terá uma encenação bem tradicional e cara, eu digo: beeeem cara!
Saquei umas fotos escondido na platéia,
'enjoy':

...

Leia também no "Viralata", mais sobre meus dias na Espanha:
- Uma cidade precisa de "mas amor" e nada mais
- Gaudí (ou: quando a Arquitetura se transforma em Obra de Arte)

postado por Caetano, às 21:51

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14.07.2009

De Barcelona - Nunca vi tanto turista perdido em toda a minha vida, e olha que eu viajo bastante, claro que o charme cosmopolita de Barcelona conta muito para poder reunir tanta gente, de tantos lugares diferentes, num verão tão quente e um pouco mais úmido que Madri. Com um pouco de paciência qualquer um (exceto, claro, os orientais!) pode decifrar os mapas de linhas de metrô e das 'ramblas' pela cidade mas devo confessar que a sinalização de Madri é bem mais fácil 'de se achar'. Mesmo assim em ambas as cidades o povo é simpático, atencioso e não passa pela cabeça destratar qualquer estrangeiro. Ainda mais com todas as lojas em 'rebajas' (promoção) de verão.

De tudo um pouco

Vi de tudo: brasileiros (ilegais) bêbados assediando moças no metrô ostensivamente, muitas mulheres com seus
'hijabs' enrolados pelas cabeças, outras de 'burka', famílias nórdicas com queimaduras de 2º grau na pele por causa do sol, um senhor do Bhutan tocando um estranho e hipnotizante instrumento de corda no metrô, um outro senhor espanhol - também no metrô - ao lado de uma caixa de som (potentíssima) cantava no karaokê "Detalhes"/Roberto Carlos em catalão (!!!), centenas de atores, clowns e 'estátuas vivas' pelas ramblas tentando ganhar um trocado da gringaida.
E mais; michês brasileiros (70% do 'mercado', pasmem!) é a coisa mais comum no
'circuito gay' das duas cidades, putas negras (sei que há, mas não vi nenhuma branca por onde passei), 'tias' ricas e centenas de famílias brancas, sempre com um 'pequeno tadzio' para enlouquecer a bicharada...

Pois bem, ainda não provei a tal 'Orchata de chufa' (bebida feita de uma raiz, tipo castanha) que o meu xará Veloso imortalizou em "Vaca Profana" ("...No mais as ramblas do planeta, Orchata de chufa si us plau") mas posso dizer que:
- "(...)
Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi (...)
Mas eu também sei ser careta
De perto ninguém é normal
Às vezes segue em linha reta
A vida, que é meu bem, meu mal
"

E por falar nisso, "si us plau" é "por favor" em catalão,
'vale'?
...

Em Barcelona estou hospedado no meio do burburinho das 'ramblas', no "Petit Palace Opera - evidente - Garden" por aqui ficam muitos artistas que cantam no
"Teatro do Liceu" (que falarei em breve) e todos os quartos tem um notebook além de serem 'temáticos', pintados com trechos de partituras de compositores eruditos. O meu por exemplo (abaixo) é todo e internet de graça "Los Hugonotes" de Meyerbeer, ópera que traz como tema a "Noite de S.Bartolomeu", em que centenas de 'hugonotes' franceses foram massacrados pelos católicos.
Mesmo com um tema destes durmo como um anjo!

...

Leia também no "Viralata": "Sagrada Família": Nem subi!

postado por Caetano, às 18:19

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11.07.2009

Alden Ehrenreich, focado à esquerda, é ou não é uma reencarnação de DiCaprio? Pena que a sua estréia no cinema se deu com um filme tão ruim

De Madri
- Não estreou ainda no Brasil o último filme de
Francis Ford Coppola que abriu neste ano a mostra paralela do Festival de Cannes, trata-se de "Tetro" filmado em preto e branco na Argentina com o 'alternativo' Vicent Gallo como protagonista (mais chato do que nunca), vi ontem aqui em Madri. O trocadilho é óbvio mas não dá para fugir, o filme é numa palavra: tétrico!

Sabe-se que Coppola já atingiu um nível que não precisa provar mais nada para produtores e estúdios e que também tem horror a entregar esboços dos roteiros que vai filmar. Foi assim com
"Apocalipse Now", por exemplo, que fez um esboço do projeto e filmou outro enlouquecendo a todos, de produtores a atores. O que mais aproxima "Tetro" de sua obra (em termos de 'desacertos') é "O Fundo do Coração", que faliu o estudio depois de um investimento milionário. Pois bem, tanto um quanto outro encontra sua maior falha no roteiro e uma certa pretensão estilística do diretor que resulta em filmes ruins.

Agora como Coppola pode se perder tendo no elenco também
Klaus Maria Brandauer, Maribel Verdu, Rodrigo de La Serna e Carmen Maura é um mistério. A única coisa boa (ou curiosa) é a estréia de Alden Ehrenreich, um garoto que é 'look alike' Leonardo DiCaprio mais novo, parece até reencarnação, não conseguia tirar os olhos dele, incrível. E como Leo, Alden é um ótimo ator também mas infelizmente não salva o filme!
A história toda gira num círculo ancestral de filho em busca do pai, com 'surpresas' e reviravoltas operísticas (demasiado) de um amadorismo constrangedor.

Quando estrear 'vale a pena perder' e ficar com a boa imagem do homem que dirigiu a saga 'mafiosa', "Drácula", "Cotton Club", "Peggy Sue", "O Selvagem da Motocicleta", ...

postado por Caetano, às 12:06

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05.07.2009

Acabei de ler "O Clube do Filme" de David Gilmour (não, não é o músico do Pink Floyd!), escritor canadense que para 'salvar' o seu filho adolescente de uma crise rebelde contra a escola (na verdade, sua dificuldade em se adaptar ao ensino tradicional) desenvolve um 'método' mais radical que o 'construtivismo de Piaget'.

Pois não é que Gilmour resolve 'educar' o jovem Jesse simplesmente com filmes! Alguns anos assistindo filmes incríveis, ou não tão incríveis assim ("O Massacre da Serra Elétrica", "Showgirls", etc...), sempre tirando alguma 'lição' das produções.
Cineastas como Kurosawa, Truffaut, Woddy Allen, Hitchcock e dezenas de outros foram a 'base ética' para Jesse entender o mundo como ele é; se a escola fez falta e se as lições que ele tirou nestes anos todos acompanhado do seu pai (e dos filmes) foram válidas, você descobre lendo o livro.

Só digo uma coisa, dificilmente algum crítico de cinema conseguiu me motivar tanto para assistir, ou rever filmes, como David Gilmour fez com esse livro tão passional. Fiquei imaginando logo obras como, "o clube da ópera" para ensinar História para o meu pequeno sobrinho, ou então "o clube do rock" para ver se o meu irmão mais novo consegue ouvir algo mais 'construtivo' do que os ritmos 'pouco ricos' que ele está acostumado a ouvir.
Enfim, um excelente livro que serve também para os pais de adolescentes que perderam contato com seus filhos nesta fase tão difícil em que eles parecem (e agem como) 'estranhos'.
...

A capa do "Caderno 2"/Estadão de hoje traz uma extensa matéria sobre "O" livro que balançou milhares de adolescentes mundo afora: "The Catcher In The Rye/O Apanhador nos Campos de Centeio"/J.D.Salinger, e num artigo traduzido do "N.Y.Times" assinado por Jennifer Schuessier traz parte da resposta da falta de diálogo dos adultos com esses 'pequenos e estranhos seres':
- "(...) jovens estão mais preocupados em se inserir na sociedade do que em transformá-la"
...

Trecho do livro "O Clube do Filme":
- "Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga. Então, quando você recomenda com entusiasmo um filme a um amigo, e diz: "Ah, é bom demais, você vai adorar", é uma experiência desconcertante quando você o encontra no dia seguinte e ele diz: "Você achou aquilo engraçado?"

...

Se joga:
"O Clube do Filme" de David Gilmour, Editora Intrínsica, R$ 24,90
   

postado por Caetano, às 15:41

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01.07.2009
Blog do Gerald Thomas:

Jornal Folha de S.Paulo
São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009

OPINIÃO

Nós, do teatro, a invejávamos

Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança

GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.
Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.
Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.
Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!”
Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.
Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro.

Saiba mais sobre essa mulher GENIAL

(da Folha de São Paulo)

A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.
Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).
“Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.
Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas.
Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.
Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.
Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.
Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.
Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.
As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.

postado por Caetano, às 10:37

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28.06.2009

Tenho por hábito não ler críticas ou resenhas (às vezes até mesmo as legendas de fotos de divulgação) de estréias de filmes que pretendo assistir no cinema. O estraga prazer em descobrir numa crítica, ou matéria de lançamento, algo que eu escolho descobrir na sala escura me irrita profundamente. No "Estadão" a personificação deste 'estilo' é o irritante e vaidoso crítico Merten, 'bah'! Mesmo lendo depois sempre me irrito em saber que ele poderia ter estragado meu dia!
Ok, pode soar meio radical e até admito ser meio 'xiita cultural' mas é que levo tão a sério meu lado 'expectador profissional' que não admito que alguém 'goze por mim'... tipo isso, ou quase, se é que me entendem.

Pensando rápido lembro do 'pacto de cavalheiros' da imprensa com os estúdios em filmes como
"Seven" de David Fincher ou "The Crying Game/Traídos pelo Desejo" de Neil Jordan (se bem que a indicação ao Oscar de "melhor ator coadjuvante" para Jaye Davidson não deixava mais dúvidas sobre o 'mistério'), pacto que se repetiu com a estréia do teatral e fascinante primeiro longa do francês Phillipe Claudel, "Il y a longtemps que je t'aime/ Há tanto tempo que te amo".
Tudo gira em torno das ações (e não ações) da personagem Juliette, interpretada com soberba pela fina musa inglesa
Kristin Scott Thomas (sim, ela já 'cometeu' o pior filme do mundo "Lua de Fel", mas também se regenerou com "Paciente Inglês") e a sua relação com a irmã que há tempos (15 anos) não vê. Ponto!

O resto é silêncio, vá ao cinema e descubra o poder de uma atriz incrível!

postado por Caetano, às 22:06

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26.06.2009



"(...) I said if you're thinkin' of being my brother it don't matter if you're Black or white."

Obrigado M.J. por ter trazido tanta alegria na minha vida!

postado por Caetano, às 02:48

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24.06.2009
São Paulo, quarta-feira, 24 de junho de 2009
VINICIUS TORRES FREIRE

Uma história do saque do Senado

Oligarcas da miséria, antigos e arrivistas, chantageiam os governos federais e estão na base da crise parlamentar


É UM CLICHÊ barato dizer que a política brasileira é lambuzada de patrimonialismo (isto é, grosso modo, o costume de tornar indistintos os bens públicos e privados). O termo vinha servindo mais como metáfora do que descrição exata. Mas no Senado (aliás, no Parlamento todo) a definição serve exatamente, como um verbete de dicionário, nos seus casos mais aberrantes e caricatos, como as despesas da casa de senhores senatoriais pagas pelo público. Se fosse apenas este, o problema seria ainda limitado, porém. As "casas" de que se trata aqui são os domínios dos oligarcas dos lugares mais atrasados do país. Trata-se da "Casa de Sarney", da "Casa de Renan" etc. "Casa" no sentido de "domínio", de linhagem, sentido obviamente temperado de sarcasmo.
Por um lado, há os oligarcas mais ou menos tradicionais do Nordeste, que em geral sobraram no PFL-DEM. De outro, há a nova oligarquia que emergiu nos anos 80, com as vitórias do PMDB, as quais levaram ao poder figuras da pequena classe média (e daí para baixo), que acabaram por fazer carreira e fortuna na política: Quércias, Barbalhos, Rorizes, Rezendes, Geddeis, ao que se somaram Renans e similares, eles mesmos senadores ou "donos" de bancadas.
O poder de vários desses "quadros" dominantes foi reforçado com as doações de rádios e TVs, intensificada quando José Sarney presidia a República. Além do mais, a fragmentação partidária reforça o poder do PMDB, esse partido dito sem rosto mas que reúne a parte mais pujante do empreendedorismo político nacional, digamos. Antes do PT, o PMDB foi um grande instrumento político de ascensão social.
As "casas" da oligarquia, nova ou velha, dominam seus Estados distribuindo favores na máquina política local. Transferindo benefícios federais que recebem na troca fisiológica com o governo federal. Dominando meios de comunicação regionais e o dinheiro dos "fundos de desenvolvimento" (e outros), com os quais levantam seus negócios de fato (lembrem-se de Sudam e Sudene), quando não recebem ajudas diretas (caso de usineiros nordestinos). Tratar o Senado como parte de sua "casa" é um meio de sustentar seu poder.
Vindos na maioria dos Estados mais miseráveis (Maranhão de José Sarney, Alagoas de Renan Calheiros, entre outros) ou quase em estado de natureza (os ex-territórios, caso de Romero Jucá), tais senhores detêm alguns oligopólios políticos. Têm razoável controle sobre o eleitorado local, dependente do Estado. A rarefeita esfera pública, a baixa instrução e a escassa diferenciação social e econômica nesses rincões favorece o domínio das "casas", que só recentemente começou a ser contestado, pela ascensão do PT (Piauí, Paraíba e Bahia). As "casas" controlam ainda os votos da maioria no Congresso. Trocam favores com o presidente e com os candidatos a presidente da República do "Sul" rico. Não é por outro motivo que Lula, mas também todos os presidentes pós-ditadura, os tolera ou mesmo os defende.
É claro que a perversão política brasileira vai muito além de oligarquias e que no Sul "rico" há bandalha similar (vide a Câmara dos Deputados ou Assembleia e a Câmara de São Paulo). Mas a situação de fato do Senado é de domínio de oligarcas da miséria, muitos deles no PMDB.

vinit@uol.com.br

postado por Caetano, às 22:06

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24.06.2009
"O Andarilho Urbano", Foto by Viralata. Graffiti na Rua Peixoto Gomide/SP

Vendi meu apartamento no centro de São Paulo, comprei meu primeiro carro aos 40 anos. Estou morando num sítio em Atibaia enquanto começo a construção de uma nova casa na Serra da Cantareira, vou para Madri na semana que vem para uma reunião de trabalho de um espetáculo que estreará em Paris (onde passarei 4 meses).

Nestes últimos dias estou convivendo diariamente com os meus sobrinhos-afilhados pequenos. Criança é uma dádiva, mas como consome; atenção, cuidado, carinho... minhas irmãs e minha mãe são heroínas!

Voltando da Espanha, ainda tenho que lutar atrás de patrocínio para um espetáculo teatral que dirigirei em outubro e torcer para rolar uma ópera do Britten antes da minha viagem para Paris. E no meio disto tudo tenho de me adaptar a tanta novidade e mudança, mas como já disse Guimarães Rosa (e eu uso esta frase como um mantra há anos):
- *Tudo o que muda a vida, vem quieto no escuro sem preparos de avisar"

postado por Caetano, às 21:41

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16.06.2009
Vocês leram a entrevista do jornalista e escritor (e meu ídolo há tempos) Gay Talese (acima, by Gilberto Tadday) na "Veja" desta semana? Não?! então segura estes 'drops':

A Imprensa e o Governo:


-" (...) Se eu dirigisse um jornal, eliminaria de 50% a 60% da sucursal de Washington e mandaria os repórteres para outros lugares do país (...) Estaríamos tirando a ênfase sobre o governo e neutralizando sua capacidade de controlar o discurso político. Em vez de ficarmos segurando o microfone para o governo falar, estaríamos trazendo notícia sobre como as decisões do governo são percebidas e como são sentidas longe de Washington. Isso é vida real (...)"

Os males da Tecnologia:

- "(...) A internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas (...) Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho."

O Politicamente Correto:

- "(...) O jornalismo tem de ser vigilante, justo, realista, disciplinado, e não se preocupar em ser ou parecer politicamente correto."

Agora no tópico sobre "A Nova Geração" vale a pena republicar na íntegra:

- "Os repórteres que estavam em Washington em 2002 não tinham o ceticismo, o estranhamento necessário. Foram educados nas mesmas escolas que o pessoal do governo. Eles vão às mesmas festas que o pessoal do governo. Seus filhos frequentam as mesmas escolas. Todos nadam na mesma piscina, pertencem ao mesmo clube de golfe, vão aos mesmos coquetéis. São repórteres prontos para acreditar no governo. É assim hoje, e era assim em 2002. Os repórteres estavam prontos para acreditar no governo sem pedir provas, evidências, nada. Por pouco, não acusaram Saddam Hussein de ter patrocinado os atentados de 2001. Eram como um bando de pombos para os quais o governo jogava milho. Os repórteres de hoje cobrem a guerra dentro dos tanques das tropas americanas. É ridículo. Um repórter deve prestar contas ao seu jornal, e não ao coronel que está protegendo a sua vida. Num evento público, eu me encontrei com o Arthur Ochs Sulzberger, que hoje dirige o Times, e disse a ele que isso estava errado, que repórteres não podiam trabalhar com militares, mas ele acha que estava certo. Na minha geração, éramos diferentes, éramos de fora, como estrangeiros. Podíamos ter nascido nos EUA, nossos pais podiam ter ido à universidade, mas ainda assim nos sentíamos como estrangeiros. Éramos todos de classe social mais baixa. Éramos judeus, irlandeses, italianos, alguns eram negros. Minha geração não era composta de anglo-saxões que estudaram em Harvard, Yale ou Princeton, que formavam e ainda formam a gente que vai trabalhar no governo ou em Wall Street. No meu tempo, James Reston (1909-1995) era chefe da sucursal do Times em Washington. Reston nasceu na Escócia, mas tinha muito orgulho dos Estados Unidos. Abe Rosenthal (1922-2006) era judeu, nascido no Canadá, seu pai era da Rússia. Meu amigo e o melhor repórter da minha geração, David Halberstam (1934-2007), era judeu, seu pai era um médico militar. Halberstam tinha um senso crítico, um ceticismo notável a respeito deste país. Harrison Salisbury (1908-1993) cobriu a II Guerra e, nos anos 50, foi à União Soviética quando Stalin estava no poder. Salisbury não acreditava em nada. Não acreditava em Stalin, nem em Dwight Eisenhower. Salisbury era como todos nós, de fora. No Vietnã, Salisbury foi para Hanói antes dos soldados americanos para pegar histórias do outro lado. Se Halberstam ou Salisbury estivessem vivos e trabalhando em jornalismo, jamais teriam comprado essa lorota do Iraque. O Times não teria tratado como informação o que era apenas desinformação e propaganda."

postado por Caetano, às 17:21

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09.06.2009
OLHAR URBANO

A rua Augusta continua com a sua vocação rock'n roll, dezenas de novas casas, bares, e porque não, novo público também. Este Elvis perdido nos muros está aí para provar.
Foto by Viralata

postado por Caetano, às 11:35

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05.06.2009

- Minhas 'boas vindas' em São Paulo (após 2 meses em Manaus) foi ter a bolsa roubada numa padaria com minha carteira e a chave de casa, nos últimos dias descobri o encantador e bizarro mundo 'kafkiano' do Poupatempo (uma 'babel' burocrática concentrando centenas de serviços - 2º via de documentos, etc. - em um só lugar).

- Definitivamente ir a uma partida de futebol se tornou um programa suicida. Sintomático que os nossos 'manos hoolingans' tenham botado pra quebrar menos de uma semana depois que diversas cidades gastaram milhões para impressionar a FIFA/CBF, e sei lá mais quem, de que são capazes de receber um jogo da Copa. Não, não são!

- Vale mil palavras a foto nos jornais de ontem do Sr. Collor beijando a mão da Sra. Dilma.

- A Promotoria do Patrimônio Público criou o "Blog do Ônibus" para que o usuário (de-tes-to este termo, porque deixamos de ser simplesmente passageiros?) avalie o serviço prestado pelas empresas de transporte público. Apurada as reclamações "e se for provada a omissão da Prefeitura o Ministério Público poderá propor uma ação civil pública contra a administração municipal".
Então tá, para substituir a falta de fiscalização dos governos em breve acho que teremos o "Blog do Camelô", "Blog do Esgoto a Céu Aberto", "Blog da Escola sem Professor", "Blog do Desmatamento, "Blog...

- 20 anos do Massacre de Tiananmen!
Todos deveríamos fazer, no mínimo, 20 minutos de silêncio ajoelhados para reflexão.

...

*Para quem não se lembra o título deste post é um trecho da primeira estrofe da belíssima música "Teatro dos Vampiros" do Legião Urbana, que segue com:
- "Este é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos (...)"

postado por Caetano, às 02:32

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01.06.2009

Apenas para matar as saudades desta experiência incrível em mais uma direção e iluminação minha de uma ópera inédita no Brasil.
Abaixo, algumas imagens de
"Les Troyens" clicadas pelo fotógrafo Herick Pereira (Front Assessoria de Imprensa, thank's também as meninas Thaiana e Bruna). Fiz uma seleção maior no meu àlbum, aqui!

I Ato: as previsões de Cassandra (Marquita Lister) em Tróia

I Ato: funeral de Hector

I Ato: presente de grego, o cavalo guiado pelo Exú (Kazumbá)

II Ato: Polyxéne (Jaiana Souza da Silva) junto com mulheres troianas lamentam seus mortos; Obaluaê (Ellen Cristine Menezes) dança para salvar Tróia das chagas e da peste que infestou a cidade

II Ato: Cassandra (Marquita Lister) convence as virgens mulheres de Tróia a se sacrificarem com ela pela cidade, planejam assim um suicídio coletivo para que não sejam estupradas e violadas pelos soldados gregos

III Ato: em Cártago (uma ilha na África) a Rainha Dido (Luiza Francesconi) acompanhada de sua irmã Anna (Kismara Pessatti) saúda o povo acompanhada de 10 orixás conselheiros

III Ato: Dido saúda a platéia com a dança de Iansã

III Ato: Dido junto com os marinheiros, construtores e lavradores saúdam Ceres, a deusa da terra e da fartura

III Ato: festa dos Orixás e dos Africanos para a Rainha Dido


IV Ato: Dido quer saber o que aconteceu com Andrômaca (Angela Patrícia, imagem na lua), viúva de Hector em Tróia. Da esquerda para direita Anna (Kismara Pessatti), Dido (Luiza Francesconi, Ascagne (ajoelhada Manuela Freua), Iopas (sentado atrás, Geilson Santos), Enéas (Michael Hendrick) e o conselheiro Narbal (Sávio Sperandio)

IV Ato: Dueto para a lua e a noite, Enéas e Dido (Michael Hendrick e Luiza Francesconi)

V Ato: ao se ver abandonada por Enéas, Dido (Luiza Francesconi) ordena que queimem todos os seus navios e clamando a Plutão oferece um sacrifício "às sombrias divindades do império dos mortos!"

V Ato: Dido (Luiza Francesconi) arranca o vestido e seus paramentos, descabela-se para aplacar a sua fúria e preparando assim a sua morte

V Ato: Dido (Luiza Francesconi) se mata, Anna (Kismara Pessatti), Narbal (Sávio Sperandio) e Iopas (Geilson Santos) lamentam

Agradecimentos merecidos à uma equipe de primeira, da esquerda para direita Raimo Benedetti (Direção de Imagem), Anderson Bueno (Visagismo), Olintho Malaquias (Figurinos), Renato Rebouças (Cenários), Viviane Kiritani (Assistência de Cenário), Caetano Vilela (Direção Cênica, Concepção e Iluminação) e Roberto Borges (Assistente de Direção). Fora as dezenas de pessoas que participaram desta gigantesca produção e merecem todo o meu amor e carinho.

Muito obrigado à todos!

...

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postado por Caetano, às 13:40

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28.05.2009

Destaque no "Jornal Hoje" para "Les Troyens" que dirigi e iluminei para o XIII Festival Amazonas de Ópera.
Hoje é a última récita que pelo visto 'morrerá' por aqui mesmo, como tantas coisas lindas que fiz para o
Teatro Amazonas. Essa é a efemeridade do teatro (já que ainda não fomos 'contaminados' pelo espírito capitalista e profissional europeu e americano em transformar tudo em cd, dvd, camiseta, pins, etc...), quem viu, viu!



Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 14:14

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24.05.2009

Gravação de Luz ontem pela manhã no Teatro Amazonas para "Les Troyens"  para que tudo hoje seja BRILHANTE e ILUMINADO!

Finalmente estréio hoje a minha direção para
"Les Troyens" de Berlioz, mais uma ópera inédita no Brasil que dirijo (as outras foram "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk/Shostakovich e "Ça Ira"/Roger Waters). São mais de 4 horas de música que com os dois intervalos somarão 5 horas de espetáculo! Um verdadeiro 'tour de force' alucinante.

Tive uma equipe maravilhosa, alguns já me acompanharam em outros espetáculos como meu figurinista Olintho Malaquias o diretor de imagem Raimo Benedetti e o meu paciente assistente de iluminação Moizés Vasconcellos,Anderson Bueno, o cenógrafo Renato Bolelli Rebouças (e sua super assistente 'japa girl' Vivi) e meu assistente de direção Roberto Borges. À todos - e vai aí muita, mas muita gente mesmo! - meu muitíssimo obrigado por tornar realidade este projeto que venho estudando há um ano.

Problemas? Claro que houveram, e muitos, mas como disse anteriormente no final tudo se resolve. Acho que o que mais me chateou foi o pedido de afastamento (até agora são 3!) de alguns coralistas que não aceitaram a minha concepção.
Por aqui, o Coral do Amazonas é formado por muitos adventistas, batistas, evangélicos e pouquíssimos católicos, achava que não teria problemas mas o preconceito e a falta de bom senso afetou uma pequena parcela deste grupo. Bem pequena mesmo, mas o falatório, desgaste e desconfiança são extenuantes para um trabalho deste porte, ainda mais quando se tem pouco tempo de ensaios.

Para mim o palco é um terreno LAICO! Todo é qualquer espetáculo funciona dentro de um código de rituais muito peculiares, isto desde a antiguidade! Não importa se gregos, troianos ou... africanos. Respeito todos os estilos, linguagens e estéticas que contrariam o meu 'gosto artístico', talvez por isso ache inadimissível quando me censuram NO PALCO.
Quando um desdes coralistas veio me dizer que não poderia cantar o espetáculo, sua justificativa foi de que ele era adventista e todo aquele sincretismo religioso (principalmente a parte dos orixás em cena) ia contra todos os seus principios. Eu disse que entendia os seus principios mas que não iria discutir com ele "os meus" já que no palco eu não trabalho com adventistas (ou budistas, católicos, evangélicos, etc...) EU TRABALHO COM ARTISTAS!

OXALÁ nos proteja ou, como se diz em vários idiomas no teatro em dias de estréia:
MERDA!
MERDE!
TÓI! TÓI! TÓI!
IN BOCCA AL LUPO!
BREAK A LEG!
SARAVÁ!
EWOÉ!
EVOÉ!
...

Abaixo, o texto que escrevi para o programa do espetáculo:

“Les Troyens”, um povo sob o signo da crise

Antes desta crise econômica endêmica minha concepção para “Les Troyens” pendia mais para uma ‘visão eurocêntrica’  da cena. Tudo partia de dentro de um simulacro da mítica Biblioteca de Alexandria descortinando um desconhecido mundo das ciências humanas, as ações eram ‘dramaticamente’ complexas.

Por oito meses, junto com a minha equipe,  fomos estreitando a nossa visão da cena dentro deste conceito até que cinco dias antes de embarcarmos para Manaus vi que a ‘crise’ já não era apenas um evento passageiro e nem estava tão distante assim de nós mesmos. Nada daquilo que eu havia pensado antes fazia sentido, em menos de oito meses minha concepção teria de ser revista.


Antes eu via o Espetáculo depois passei a ver os Personagens e isso me guiou nesta nova concepção. “Les Troyens” é baseada em alguns cantos da “Eneida” de Virgílio, que tira o caráter epopéico dos personagens homéricos e dá a eles um tratamento trágico , obrigando-os a agir ou assumir a tragédia.

Os cinco atos da ópera são polarizados entre duas personagens trágicas: Cassandra e Dido que não aceitam os desígnios dos deuses, para elas incompreensíveis; uma não consegue agir e leva uma cidade para a destruição já a outra age mas também não escapa da ruína.


Nesta nova concepção a historia é contada por personagens que assumem uma ‘entidade’ mítica próxima da multireligiosidade africana, do candomblé e do sincretismo religioso tão presentes no Brasil.

O Coro age como nas tragédias clássicas antigas, cujo papel consiste em exprimir em seus temores, em suas esperanças e julgamentos, os sentimentos dos espectadores num lugar que tanto pode ser uma Biblioteca em ruínas, ou uma cidade destruída e reconstruída após uma crise.

Só que desta vez esta crise não é econômica, é uma crise moral e de valores que norteiam todas as sociedades, que por sinal já se acostumaram a viver sem eles.  O que virá depois disto? Talvez nem Cassandra saiba as respostas, torceremos para o melhor então.


Evoé e bom espetáculo!


Caetano Vilela

Diretor Cênico e Iluminador

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Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 12:27

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18.05.2009

Falta uma semana para a estréia de "Les Troyens" que dirijo e ilumino para o XIII FAO, em Manaus. Estou TOTALMENTE tomado e exausto pelo ritmo dos ensaios sem muito tempo para poder contar tudo o que gostaria.
Minha única insatisfação até agora (por causa de milhões de desencontros burocráticos, que me dá preguiça de contar) é que ainda não tenho o 'meu' "Enéas"; para quem é do ramo teatral, imaginem ensaiar "Hamlet" sem o ator que o interpreta, muitas coisas não fazem sentido!
Enéas é o ÚNICO personagem que participa de TODOS os cinco atos da ópera!!!!! Imaginem agora o meu desespero. Ok, no final sempre dá tudo certo...mas vai que...

Melhor então dizer que estou muito satisfeito com o resultado da minha concepção, centrada na antropologia teatral (Eugênio Barba), sincretismo religioso, nos mitos africanos, indígenas e gregos e também nos orixás do candomblé. Sem me esquecer das lutas de contato: jiu-jitsu, muay-thai, greco-romana e a 'nossa' capoeira!

Afinal de contas são mais de 5 horas de espetáculo, incluindo aí os dois intervalos. Montei um álbum aqui com algumas fotos do processo de montagem dos cenários, em breve falo mais sobre a concepção.

Inté e fé!!!

...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 23:45

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Why so serious?
 
Diz a lenda:

"(...) Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou Metal, eu sou o ouro em seu brasão..."
(Metal contra as Nuvens/Legião Urbana)

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