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01.07.2009
Blog do Gerald Thomas:

Jornal Folha de S.Paulo
São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009

OPINIÃO

Nós, do teatro, a invejávamos

Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança

GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.
Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.
Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.
Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!”
Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.
Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro.

Saiba mais sobre essa mulher GENIAL

(da Folha de São Paulo)

A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.
Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).
“Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.
Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas.
Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.
Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.
Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.
Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.
Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.
As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.

postado por Caetano, às 10:37

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28.06.2009

Tenho por hábito não ler críticas ou resenhas (às vezes até mesmo as legendas de fotos de divulgação) de estréias de filmes que pretendo assistir no cinema. O estraga prazer em descobrir numa crítica, ou matéria de lançamento, algo que eu escolho descobrir na sala escura me irrita profundamente. No "Estadão" a personificação deste 'estilo' é o irritante e vaidoso crítico Merten, 'bah'! Mesmo lendo depois sempre me irrito em saber que ele poderia ter estragado meu dia!
Ok, pode soar meio radical e até admito ser meio 'xiita cultural' mas é que levo tão a sério meu lado 'expectador profissional' que não admito que alguém 'goze por mim'... tipo isso, ou quase, se é que me entendem.

Pensando rápido lembro do 'pacto de cavalheiros' da imprensa com os estúdios em filmes como
"Seven" de David Fincher ou "The Crying Game/Traídos pelo Desejo" de Neil Jordan (se bem que a indicação ao Oscar de "melhor ator coadjuvante" para Jaye Davidson não deixava mais dúvidas sobre o 'mistério'), pacto que se repetiu com a estréia do teatral e fascinante primeiro longa do francês Phillipe Claudel, "Il y a longtemps que je t'aime/ Há tanto tempo que te amo".
Tudo gira em torno das ações (e não ações) da personagem Juliette, interpretada com soberba pela fina musa inglesa
Kristin Scott Thomas (sim, ela já 'cometeu' o pior filme do mundo "Lua de Fel", mas também se regenerou com "Paciente Inglês") e a sua relação com a irmã que há tempos (15 anos) não vê. Ponto!

O resto é silêncio, vá ao cinema e descubra o poder de uma atriz incrível!

postado por Caetano, às 22:06

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26.06.2009



"(...) I said if you're thinkin' of being my brother it don't matter if you're Black or white."

Obrigado M.J. por ter trazido tanta alegria na minha vida!

postado por Caetano, às 02:48

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24.06.2009
São Paulo, quarta-feira, 24 de junho de 2009
VINICIUS TORRES FREIRE

Uma história do saque do Senado

Oligarcas da miséria, antigos e arrivistas, chantageiam os governos federais e estão na base da crise parlamentar


É UM CLICHÊ barato dizer que a política brasileira é lambuzada de patrimonialismo (isto é, grosso modo, o costume de tornar indistintos os bens públicos e privados). O termo vinha servindo mais como metáfora do que descrição exata. Mas no Senado (aliás, no Parlamento todo) a definição serve exatamente, como um verbete de dicionário, nos seus casos mais aberrantes e caricatos, como as despesas da casa de senhores senatoriais pagas pelo público. Se fosse apenas este, o problema seria ainda limitado, porém. As "casas" de que se trata aqui são os domínios dos oligarcas dos lugares mais atrasados do país. Trata-se da "Casa de Sarney", da "Casa de Renan" etc. "Casa" no sentido de "domínio", de linhagem, sentido obviamente temperado de sarcasmo.
Por um lado, há os oligarcas mais ou menos tradicionais do Nordeste, que em geral sobraram no PFL-DEM. De outro, há a nova oligarquia que emergiu nos anos 80, com as vitórias do PMDB, as quais levaram ao poder figuras da pequena classe média (e daí para baixo), que acabaram por fazer carreira e fortuna na política: Quércias, Barbalhos, Rorizes, Rezendes, Geddeis, ao que se somaram Renans e similares, eles mesmos senadores ou "donos" de bancadas.
O poder de vários desses "quadros" dominantes foi reforçado com as doações de rádios e TVs, intensificada quando José Sarney presidia a República. Além do mais, a fragmentação partidária reforça o poder do PMDB, esse partido dito sem rosto mas que reúne a parte mais pujante do empreendedorismo político nacional, digamos. Antes do PT, o PMDB foi um grande instrumento político de ascensão social.
As "casas" da oligarquia, nova ou velha, dominam seus Estados distribuindo favores na máquina política local. Transferindo benefícios federais que recebem na troca fisiológica com o governo federal. Dominando meios de comunicação regionais e o dinheiro dos "fundos de desenvolvimento" (e outros), com os quais levantam seus negócios de fato (lembrem-se de Sudam e Sudene), quando não recebem ajudas diretas (caso de usineiros nordestinos). Tratar o Senado como parte de sua "casa" é um meio de sustentar seu poder.
Vindos na maioria dos Estados mais miseráveis (Maranhão de José Sarney, Alagoas de Renan Calheiros, entre outros) ou quase em estado de natureza (os ex-territórios, caso de Romero Jucá), tais senhores detêm alguns oligopólios políticos. Têm razoável controle sobre o eleitorado local, dependente do Estado. A rarefeita esfera pública, a baixa instrução e a escassa diferenciação social e econômica nesses rincões favorece o domínio das "casas", que só recentemente começou a ser contestado, pela ascensão do PT (Piauí, Paraíba e Bahia). As "casas" controlam ainda os votos da maioria no Congresso. Trocam favores com o presidente e com os candidatos a presidente da República do "Sul" rico. Não é por outro motivo que Lula, mas também todos os presidentes pós-ditadura, os tolera ou mesmo os defende.
É claro que a perversão política brasileira vai muito além de oligarquias e que no Sul "rico" há bandalha similar (vide a Câmara dos Deputados ou Assembleia e a Câmara de São Paulo). Mas a situação de fato do Senado é de domínio de oligarcas da miséria, muitos deles no PMDB.

vinit@uol.com.br

postado por Caetano, às 22:06

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24.06.2009
"O Andarilho Urbano", Foto by Viralata. Graffiti na Rua Peixoto Gomide/SP

Vendi meu apartamento no centro de São Paulo, comprei meu primeiro carro aos 40 anos. Estou morando num sítio em Atibaia enquanto começo a construção de uma nova casa na Serra da Cantareira, vou para Madri na semana que vem para uma reunião de trabalho de um espetáculo que estreará em Paris (onde passarei 4 meses).

Nestes últimos dias estou convivendo diariamente com os meus sobrinhos-afilhados pequenos. Criança é uma dádiva, mas como consome; atenção, cuidado, carinho... minhas irmãs e minha mãe são heroínas!

Voltando da Espanha, ainda tenho que lutar atrás de patrocínio para um espetáculo teatral que dirigirei em outubro e torcer para rolar uma ópera do Britten antes da minha viagem para Paris. E no meio disto tudo tenho de me adaptar a tanta novidade e mudança, mas como já disse Guimarães Rosa (e eu uso esta frase como um mantra há anos):
- *Tudo o que muda a vida, vem quieto no escuro sem preparos de avisar"

postado por Caetano, às 21:41

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16.06.2009
Vocês leram a entrevista do jornalista e escritor (e meu ídolo há tempos) Gay Talese (acima, by Gilberto Tadday) na "Veja" desta semana? Não?! então segura estes 'drops':

A Imprensa e o Governo:


-" (...) Se eu dirigisse um jornal, eliminaria de 50% a 60% da sucursal de Washington e mandaria os repórteres para outros lugares do país (...) Estaríamos tirando a ênfase sobre o governo e neutralizando sua capacidade de controlar o discurso político. Em vez de ficarmos segurando o microfone para o governo falar, estaríamos trazendo notícia sobre como as decisões do governo são percebidas e como são sentidas longe de Washington. Isso é vida real (...)"

Os males da Tecnologia:

- "(...) A internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas (...) Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho."

O Politicamente Correto:

- "(...) O jornalismo tem de ser vigilante, justo, realista, disciplinado, e não se preocupar em ser ou parecer politicamente correto."

Agora no tópico sobre "A Nova Geração" vale a pena republicar na íntegra:

- "Os repórteres que estavam em Washington em 2002 não tinham o ceticismo, o estranhamento necessário. Foram educados nas mesmas escolas que o pessoal do governo. Eles vão às mesmas festas que o pessoal do governo. Seus filhos frequentam as mesmas escolas. Todos nadam na mesma piscina, pertencem ao mesmo clube de golfe, vão aos mesmos coquetéis. São repórteres prontos para acreditar no governo. É assim hoje, e era assim em 2002. Os repórteres estavam prontos para acreditar no governo sem pedir provas, evidências, nada. Por pouco, não acusaram Saddam Hussein de ter patrocinado os atentados de 2001. Eram como um bando de pombos para os quais o governo jogava milho. Os repórteres de hoje cobrem a guerra dentro dos tanques das tropas americanas. É ridículo. Um repórter deve prestar contas ao seu jornal, e não ao coronel que está protegendo a sua vida. Num evento público, eu me encontrei com o Arthur Ochs Sulzberger, que hoje dirige o Times, e disse a ele que isso estava errado, que repórteres não podiam trabalhar com militares, mas ele acha que estava certo. Na minha geração, éramos diferentes, éramos de fora, como estrangeiros. Podíamos ter nascido nos EUA, nossos pais podiam ter ido à universidade, mas ainda assim nos sentíamos como estrangeiros. Éramos todos de classe social mais baixa. Éramos judeus, irlandeses, italianos, alguns eram negros. Minha geração não era composta de anglo-saxões que estudaram em Harvard, Yale ou Princeton, que formavam e ainda formam a gente que vai trabalhar no governo ou em Wall Street. No meu tempo, James Reston (1909-1995) era chefe da sucursal do Times em Washington. Reston nasceu na Escócia, mas tinha muito orgulho dos Estados Unidos. Abe Rosenthal (1922-2006) era judeu, nascido no Canadá, seu pai era da Rússia. Meu amigo e o melhor repórter da minha geração, David Halberstam (1934-2007), era judeu, seu pai era um médico militar. Halberstam tinha um senso crítico, um ceticismo notável a respeito deste país. Harrison Salisbury (1908-1993) cobriu a II Guerra e, nos anos 50, foi à União Soviética quando Stalin estava no poder. Salisbury não acreditava em nada. Não acreditava em Stalin, nem em Dwight Eisenhower. Salisbury era como todos nós, de fora. No Vietnã, Salisbury foi para Hanói antes dos soldados americanos para pegar histórias do outro lado. Se Halberstam ou Salisbury estivessem vivos e trabalhando em jornalismo, jamais teriam comprado essa lorota do Iraque. O Times não teria tratado como informação o que era apenas desinformação e propaganda."

postado por Caetano, às 17:21

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09.06.2009
OLHAR URBANO

A rua Augusta continua com a sua vocação rock'n roll, dezenas de novas casas, bares, e porque não, novo público também. Este Elvis perdido nos muros está aí para provar.
Foto by Viralata

postado por Caetano, às 11:35

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05.06.2009

- Minhas 'boas vindas' em São Paulo (após 2 meses em Manaus) foi ter a bolsa roubada numa padaria com minha carteira e a chave de casa, nos últimos dias descobri o encantador e bizarro mundo 'kafkiano' do Poupatempo (uma 'babel' burocrática concentrando centenas de serviços - 2º via de documentos, etc. - em um só lugar).

- Definitivamente ir a uma partida de futebol se tornou um programa suicida. Sintomático que os nossos 'manos hoolingans' tenham botado pra quebrar menos de uma semana depois que diversas cidades gastaram milhões para impressionar a FIFA/CBF, e sei lá mais quem, de que são capazes de receber um jogo da Copa. Não, não são!

- Vale mil palavras a foto nos jornais de ontem do Sr. Collor beijando a mão da Sra. Dilma.

- A Promotoria do Patrimônio Público criou o "Blog do Ônibus" para que o usuário (de-tes-to este termo, porque deixamos de ser simplesmente passageiros?) avalie o serviço prestado pelas empresas de transporte público. Apurada as reclamações "e se for provada a omissão da Prefeitura o Ministério Público poderá propor uma ação civil pública contra a administração municipal".
Então tá, para substituir a falta de fiscalização dos governos em breve acho que teremos o "Blog do Camelô", "Blog do Esgoto a Céu Aberto", "Blog da Escola sem Professor", "Blog do Desmatamento, "Blog...

- 20 anos do Massacre de Tiananmen!
Todos deveríamos fazer, no mínimo, 20 minutos de silêncio ajoelhados para reflexão.

...

*Para quem não se lembra o título deste post é um trecho da primeira estrofe da belíssima música "Teatro dos Vampiros" do Legião Urbana, que segue com:
- "Este é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos (...)"

postado por Caetano, às 02:32

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01.06.2009

Apenas para matar as saudades desta experiência incrível em mais uma direção e iluminação minha de uma ópera inédita no Brasil.
Abaixo, algumas imagens de
"Les Troyens" clicadas pelo fotógrafo Herick Pereira (Front Assessoria de Imprensa, thank's também as meninas Thaiana e Bruna). Fiz uma seleção maior no meu àlbum, aqui!

I Ato: as previsões de Cassandra (Marquita Lister) em Tróia

I Ato: funeral de Hector

I Ato: presente de grego, o cavalo guiado pelo Exú (Kazumbá)

II Ato: Polyxéne (Jaiana Souza da Silva) junto com mulheres troianas lamentam seus mortos; Obaluaê (Ellen Cristine Menezes) dança para salvar Tróia das chagas e da peste que infestou a cidade

II Ato: Cassandra (Marquita Lister) convence as virgens mulheres de Tróia a se sacrificarem com ela pela cidade, planejam assim um suicídio coletivo para que não sejam estupradas e violadas pelos soldados gregos

III Ato: em Cártago (uma ilha na África) a Rainha Dido (Luiza Francesconi) acompanhada de sua irmã Anna (Kismara Pessatti) saúda o povo acompanhada de 10 orixás conselheiros

III Ato: Dido saúda a platéia com a dança de Iansã

III Ato: Dido junto com os marinheiros, construtores e lavradores saúdam Ceres, a deusa da terra e da fartura

III Ato: festa dos Orixás e dos Africanos para a Rainha Dido


IV Ato: Dido quer saber o que aconteceu com Andrômaca (Angela Patrícia, imagem na lua), viúva de Hector em Tróia. Da esquerda para direita Anna (Kismara Pessatti), Dido (Luiza Francesconi, Ascagne (ajoelhada Manuela Freua), Iopas (sentado atrás, Geilson Santos), Enéas (Michael Hendrick) e o conselheiro Narbal (Sávio Sperandio)

IV Ato: Dueto para a lua e a noite, Enéas e Dido (Michael Hendrick e Luiza Francesconi)

V Ato: ao se ver abandonada por Enéas, Dido (Luiza Francesconi) ordena que queimem todos os seus navios e clamando a Plutão oferece um sacrifício "às sombrias divindades do império dos mortos!"

V Ato: Dido (Luiza Francesconi) arranca o vestido e seus paramentos, descabela-se para aplacar a sua fúria e preparando assim a sua morte

V Ato: Dido (Luiza Francesconi) se mata, Anna (Kismara Pessatti), Narbal (Sávio Sperandio) e Iopas (Geilson Santos) lamentam

Agradecimentos merecidos à uma equipe de primeira, da esquerda para direita Raimo Benedetti (Direção de Imagem), Anderson Bueno (Visagismo), Olintho Malaquias (Figurinos), Renato Rebouças (Cenários), Viviane Kiritani (Assistência de Cenário), Caetano Vilela (Direção Cênica, Concepção e Iluminação) e Roberto Borges (Assistente de Direção). Fora as dezenas de pessoas que participaram desta gigantesca produção e merecem todo o meu amor e carinho.

Muito obrigado à todos!

...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 13:40

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28.05.2009

Destaque no "Jornal Hoje" para "Les Troyens" que dirigi e iluminei para o XIII Festival Amazonas de Ópera.
Hoje é a última récita que pelo visto 'morrerá' por aqui mesmo, como tantas coisas lindas que fiz para o
Teatro Amazonas. Essa é a efemeridade do teatro (já que ainda não fomos 'contaminados' pelo espírito capitalista e profissional europeu e americano em transformar tudo em cd, dvd, camiseta, pins, etc...), quem viu, viu!



Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 14:14

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24.05.2009

Gravação de Luz ontem pela manhã no Teatro Amazonas para "Les Troyens"  para que tudo hoje seja BRILHANTE e ILUMINADO!

Finalmente estréio hoje a minha direção para
"Les Troyens" de Berlioz, mais uma ópera inédita no Brasil que dirijo (as outras foram "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk/Shostakovich e "Ça Ira"/Roger Waters). São mais de 4 horas de música que com os dois intervalos somarão 5 horas de espetáculo! Um verdadeiro 'tour de force' alucinante.

Tive uma equipe maravilhosa, alguns já me acompanharam em outros espetáculos como meu figurinista Olintho Malaquias o diretor de imagem Raimo Benedetti e o meu paciente assistente de iluminação Moizés Vasconcellos,Anderson Bueno, o cenógrafo Renato Bolelli Rebouças (e sua super assistente 'japa girl' Vivi) e meu assistente de direção Roberto Borges. À todos - e vai aí muita, mas muita gente mesmo! - meu muitíssimo obrigado por tornar realidade este projeto que venho estudando há um ano.

Problemas? Claro que houveram, e muitos, mas como disse anteriormente no final tudo se resolve. Acho que o que mais me chateou foi o pedido de afastamento (até agora são 3!) de alguns coralistas que não aceitaram a minha concepção.
Por aqui, o Coral do Amazonas é formado por muitos adventistas, batistas, evangélicos e pouquíssimos católicos, achava que não teria problemas mas o preconceito e a falta de bom senso afetou uma pequena parcela deste grupo. Bem pequena mesmo, mas o falatório, desgaste e desconfiança são extenuantes para um trabalho deste porte, ainda mais quando se tem pouco tempo de ensaios.

Para mim o palco é um terreno LAICO! Todo é qualquer espetáculo funciona dentro de um código de rituais muito peculiares, isto desde a antiguidade! Não importa se gregos, troianos ou... africanos. Respeito todos os estilos, linguagens e estéticas que contrariam o meu 'gosto artístico', talvez por isso ache inadimissível quando me censuram NO PALCO.
Quando um desdes coralistas veio me dizer que não poderia cantar o espetáculo, sua justificativa foi de que ele era adventista e todo aquele sincretismo religioso (principalmente a parte dos orixás em cena) ia contra todos os seus principios. Eu disse que entendia os seus principios mas que não iria discutir com ele "os meus" já que no palco eu não trabalho com adventistas (ou budistas, católicos, evangélicos, etc...) EU TRABALHO COM ARTISTAS!

OXALÁ nos proteja ou, como se diz em vários idiomas no teatro em dias de estréia:
MERDA!
MERDE!
TÓI! TÓI! TÓI!
IN BOCCA AL LUPO!
BREAK A LEG!
SARAVÁ!
EWOÉ!
EVOÉ!
...

Abaixo, o texto que escrevi para o programa do espetáculo:

“Les Troyens”, um povo sob o signo da crise

Antes desta crise econômica endêmica minha concepção para “Les Troyens” pendia mais para uma ‘visão eurocêntrica’  da cena. Tudo partia de dentro de um simulacro da mítica Biblioteca de Alexandria descortinando um desconhecido mundo das ciências humanas, as ações eram ‘dramaticamente’ complexas.

Por oito meses, junto com a minha equipe,  fomos estreitando a nossa visão da cena dentro deste conceito até que cinco dias antes de embarcarmos para Manaus vi que a ‘crise’ já não era apenas um evento passageiro e nem estava tão distante assim de nós mesmos. Nada daquilo que eu havia pensado antes fazia sentido, em menos de oito meses minha concepção teria de ser revista.


Antes eu via o Espetáculo depois passei a ver os Personagens e isso me guiou nesta nova concepção. “Les Troyens” é baseada em alguns cantos da “Eneida” de Virgílio, que tira o caráter epopéico dos personagens homéricos e dá a eles um tratamento trágico , obrigando-os a agir ou assumir a tragédia.

Os cinco atos da ópera são polarizados entre duas personagens trágicas: Cassandra e Dido que não aceitam os desígnios dos deuses, para elas incompreensíveis; uma não consegue agir e leva uma cidade para a destruição já a outra age mas também não escapa da ruína.


Nesta nova concepção a historia é contada por personagens que assumem uma ‘entidade’ mítica próxima da multireligiosidade africana, do candomblé e do sincretismo religioso tão presentes no Brasil.

O Coro age como nas tragédias clássicas antigas, cujo papel consiste em exprimir em seus temores, em suas esperanças e julgamentos, os sentimentos dos espectadores num lugar que tanto pode ser uma Biblioteca em ruínas, ou uma cidade destruída e reconstruída após uma crise.

Só que desta vez esta crise não é econômica, é uma crise moral e de valores que norteiam todas as sociedades, que por sinal já se acostumaram a viver sem eles.  O que virá depois disto? Talvez nem Cassandra saiba as respostas, torceremos para o melhor então.


Evoé e bom espetáculo!


Caetano Vilela

Diretor Cênico e Iluminador

...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 12:27

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18.05.2009

Falta uma semana para a estréia de "Les Troyens" que dirijo e ilumino para o XIII FAO, em Manaus. Estou TOTALMENTE tomado e exausto pelo ritmo dos ensaios sem muito tempo para poder contar tudo o que gostaria.
Minha única insatisfação até agora (por causa de milhões de desencontros burocráticos, que me dá preguiça de contar) é que ainda não tenho o 'meu' "Enéas"; para quem é do ramo teatral, imaginem ensaiar "Hamlet" sem o ator que o interpreta, muitas coisas não fazem sentido!
Enéas é o ÚNICO personagem que participa de TODOS os cinco atos da ópera!!!!! Imaginem agora o meu desespero. Ok, no final sempre dá tudo certo...mas vai que...

Melhor então dizer que estou muito satisfeito com o resultado da minha concepção, centrada na antropologia teatral (Eugênio Barba), sincretismo religioso, nos mitos africanos, indígenas e gregos e também nos orixás do candomblé. Sem me esquecer das lutas de contato: jiu-jitsu, muay-thai, greco-romana e a 'nossa' capoeira!

Afinal de contas são mais de 5 horas de espetáculo, incluindo aí os dois intervalos. Montei um álbum aqui com algumas fotos do processo de montagem dos cenários, em breve falo mais sobre a concepção.

Inté e fé!!!

...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 23:45

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12.05.2009
Aqui de Manaus acabei de saber que recebi o "Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita" pela iluminação nas óperas "Ça Ira" e "Ariadne auf Naxos".
Soube dos resultados e fiquei feliz também pelos amigos premiados, principalmente Luiz Fernando Malheiro, Leonardo Neiva e Denise de Freitas. Agora que a premiação tem caráter nacional o mundo erudito ao menos poderá contar com um pouco mais de prestígio fora do eixo paulista, isto é excelente.

A organização do prêmio entrou em contato comigo me pedindo para indicar alguém para me representar, já que eu não estaria presente na premiação em São Paulo por conta da óperas aqui em Manaus. Fui muito bem representado pelo meu amigo Miguel Falci, e ainda dividi com ele esse momento constrangedor de mandar um bilhete de agradecimento para ele ler caso eu ganhasse. Me senti a própria Meryl Streep, fazendo notas para serem lidas sem saber se ganhei ou não, haushaush; mas falando sério, segue abaixo meus mais sinceros votos de agradecimento neste dia tão especial:

- "Amigos, meu trabalho no XIII Festival Amazonas de Ópera me impede de estar presente nesta premiação tão importante para a música erudita brasileira.
Agradeço emocionado pela lembrança do meu nome e principalmente do meu trabalho nas óperas "Ça Ira" e "Aridne auf Naxos", ambas também dirigidas por mim aqui em Manaus. Nestes 23 anos de carreira profissional, 12 dedicados as óperas, já fui indicado a alguns prêmios no teatro mas este é o primeiro que recebo.
Muito me honra estar ao lado dos meus amigos concorrentes Jorge Takla e Beto Bruel, que eu muito admiro e respeito.
Não posso deixar de falar da minha gratidão e do meu amor a duas pessoas que foram e são muito importantes na minha vida: Iacov Hillel que me aceitou como assistente 12 anos atrás e me ensinou muito do que eu hoje sei e também ao meu querido amigo e 'mentor erudito-artístico' Maestro Luiz Fernando Malheiro, parceiro de tantos projetos lindos.
Muito obrigado a todos,
Caetano Vilela"
...

E tenho dito!


...

Publicado simultaneamente com "Viralata".

postado por Caetano, às 01:02

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10.05.2009

Pois é, faz pelo menos 11 anos que não passo este dia com a minha mãe. Sempre nesta época do ano estou em Manaus, trabalhando nas óperas, e tenho de me contentar em ouvir a voz dela bem distante.
Aliás destes
momentos familiares importantes tenho perdido também o aniversário de dois dos meus irmãos e da minha prima-irmã; além do meu primeiro sobrinho/afilhado. Nem preciso dizer que sou muito ligado mesmo a minha família. Somos em cinco filhos e sou o mais velho e o único que mora sozinho. Quando estou em São Paulo nos falamos todos os dias e nos vemos pelo menos uma vez por semana naqueles almoços barulhentos e divertidos que só uma família numerosa é capaz de produzir.

Minha mãe é pernambucana e veio para São Paulo há pelo menos 45 anos e nunca mais voltou para lá, ao contrário, trouxe a sua mãe (minha avó, já falecida) para viver conosco e mais alguns irmãos que, como se costuma dizer: "ajudaram a construir São Paulo".
Meu pai é paulista, de Marília, e foi criado pelos seus avós, sua família é uma mistura de matogrossenses e santistas; sua mãe (minha avó, também falecida) só o reconheceu e o respeitou como 'homem' quando ele se casou e teve um filho (no caso, eu!).

Nasci na Zona Leste, no Brás, tradicional bairro paulistano que recebeu os primeiros imigrantes italianos fugidos da Guerra e com o sonho de construir um futuro melhor num País distante.
Sou de outra geração, os imigrantes estrangeiros deram lugar ao migrantes nordestinos e nortistas que também sonhavam em sobreviver (em primeiro lugar!) e quem sabe construir uma vida mais digna.

A primeira casa própria que os meus pais compraram foi em São Miguel Paulista, extremo Leste da cidade, em frente ao Rio Tietê, ainda não poluído nos anos 70. Suas águas eram meio amareladas, quase da cor do amazônico Solimões, por conta dos 'bancos de areia' do fundo do rio. Eu atravessava o Tietê junto com meus amigos - não era fundo essa parte do rio - para encher baldes de uma bica de água pura do outro lado. Já contei esta história (que mistura um pouco de realismo mágico) aqui no "Viralata Reloaded".

Hoje minha família mora bem, não passam dificuldades, podemos dizer que fazemos parte da 'extinta classe média'. Já tivemos casa na praia que foi substituída pela tranquilidade de um sítio em Atibaia, onde meus pais planejam desfrutar a velhice ao lado dos filhos, netos e agregados. Sim, porque lá em casa sempre cabe mais um.
Aliás, estou chegando logo e morrendo de saudades!


Todo o meu amor à todos, em especial, claro, aos meus pais: Felícia e Davino.

postado por Caetano, às 13:24

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06.05.2009
Nuvens negras sobre o Teatro Amazonas (foto by Viralata), antes de uma chuva torrencial de 'inverno', bastante comum nesta época do ano. Quantos lugares no Brasil fizeram do seu teatro local a marca e o símbolo de sua cidade?

"Tienen los organizadores un coraje ejemplar. Y se merecen uno de los públicos de ópera más jóvenes, más respetuosos y más entusiastas del mundo."


O trecho acima é de uma reportagem para o
"El Pais" de hoje assinada pelo importante e prestigioso crítico J.A. Vela Del Campo, elogia também a produção de "Sansão e Dalila" de Emilio Sagi que abriu o FAO e não deixa de registrar que a 'crisis ha rebajado' metade da programação do Festival, a matéria completa você lê aqui.
Vela Del Campo, já veio outros anos para Manaus e sempre se surpreende com a platéia 'pouco comum' em espetáculos líricos. Não há aí nenhum ranço folclórico do 'teatro no meio da selva' mas o que o surpreende mesmo é a quantidade de pessoas jovens e interessadas em ópera na platéia, não importa qual seja o espetáculo.

Claro que nem sempre foi assim e devo confessar 'in loco' que esse público foi conquistado com muito esforço e trabalho. Ainda não me sai da memória o cabalístico número de 32 pessoas na platéia no último ato da estréia de "Siegfried", deslumbrantemente histórico!
Surpreendente também é a rapidez com que hoje se formam, no orkut por exemplo, comunidades dedicadas ao Festival Amazonas de Ópera, ao Teatro Amazonas, Coral, etc... discutindo essa ou aquela montagem, fazendo previsões do que pode ainda estrear e avaliando o FAO. Isso era inimaginável uns oito anos atrás.
Ópera virou simplesmente "O" assunto na cidade!

No dia seguinte ao cancelamento do Concerto de
"Pelleas e Melisande", por uma indisposição do maestro Luiz Fernando Malheiro (sim, ele já está melhor!), cinco pessoas, que eu nunca havia visto antes, me perguntaram da sua saúde e se o espetáculo seria reapresentado. Detalhe: eram 8 horas da manhã e eu estava numa academia de musculação e, claro, nenhuma destas pessoas pareciam ser 'afetados lordes fãs da música erudita'. Vieram falar comigo porque já haviam me visto na academia antes e no dia anterior do Concerto havia saído uma foto minha num jornal local e uma entrevista para tv.

Depois de uma rápida enquete, descobri que uma senhora trabalhava numa lanchonete perto do teatro e ficou sabendo pelos fregueses, outra era professora, um outro era um bancário que por detestar ficar em casa assistindo tv prefere ir ao teatro; quanto aos outros dois, um era do nordeste formado em Turismo e se mudou para Manaus por causa do trabalho e o outro me disse simplesmente: "sou público". Adorei! Em tempos de crise vamos combinar que esta é uma 'profissão' quase em extinção.
Acho essa mistura singular e quebra todo e qualquer tipo de estereótipo sobre o público da região. Sim, eles também são apaixonados pelo Boi Bumbá - cuja festa em Parintins é logo após o FAO, deixando a cidade de Manaus vazia - mas vamos combinar que ter um teatro como símbolo de uma cidade é para poucos, bem poucos.

Daí acho justíssimo o elogio de Vela del Campo ao 'maestro' maior desta transformação:
-
"(...)Luiz Fernando Malheiro, el director que ha asumido la leyenda del lugar y hace posible lo aparentemente imposible."
...

Publicado simultaneamente com "Viralata".

postado por Caetano, às 00:32

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03.05.2009

Gerald Thomas mais uma vez foi no fígado com o 'post homenagem' sobre a morte de Augusto Boal! Mesmo não sendo "a sua coisa" aquela estética 'do oprimido' o que Gerald lamenta (e todos nós ARTISTAS) foi a perda de um homem que "pensou a ARTE" e deixou um "vocabulário teatral" aí para ser debatido, seguido, estudado ou quem sabe ignorado.

Existem muitos artistas produzindo coisas incríveis e que nos influenciam e nos deixam embasbacados com tanto talento, e daí? Fazer espetáculos é muito simples mas, como pergunta Gerald, quantos realmente "pensaram sua arte"?
Vou lembrando de uma pequena lista brasileira e acho que cabe mais gente, começa com o próprio Gerald e segue com Antunes Filho, Zé Celso Martinez Corrêa, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Paulo Mendes da Rocha, Nelson Rodrigues, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Mazzaropi,...

postado por Caetano, às 23:28

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03.05.2009

E neste domingo ainda no
XIII FAO, aqui direto de Manaus, segue a programação com a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA) e a Companhia de Dança do Amazonas (CDA) em "Apollon Musagète" de Stravinsky sob a minha direção.
Será a segunda vez que dirijo o CDA, a primeira foi uma parceria muito especial com a coreógrafa
Ivonice Satie em "Pierrot Lunaire" e agora nesta obra regida pelo maestro Miguel Campos.

Abaixo, o meu texto para o programa do Festival. Em breve publico algumas fotos:


APOLLON MUSAGÈTE

Imaginem o nascimento de um deus que ao ser visitado pelas Musas da Dança, Poesia e Teatro não consegue mais viver sozinho e descobre nelas o motivo para viver. Este é centro do conflito deste “Apolo, condutor das Musas” que Stravinsky defende com uma forte influência do Barroco e da musica francesa do século XVIII.

Sua estréia mundial foi coroada de nomes como o do coreógrafo George Balanchine e figurinos de Coco Chanel numa época em que o clássico e o neoclássico predominavam nos estilos das companhias de dança.

Nesta nova montagem apresento uma versão menos ‘clássica e mais moderna’ para a Companhia de Dança do Amazonas, explorando as diferentes qualidades de movimento dos bailarinos e toda a sua teatralidade. Multiplico ‘apolos e musas’ para provar que ninguém consegue viver sem um pouco de Arte na vida.

No mesmo caminho já apresentamos aqui no FAO um bem sucedido “Pierrot Lunaire” - também com a OCA – este “Apolon” é mais um passo no aprimoramento desta linguagem e na solidez dos corpos estáveis do Teatro Amazonas.

Caetano Vilela

Direção Cênica, Concepção e Iluminação
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Publicado simultaneamente com "Viralata".

postado por Caetano, às 00:12

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27.04.2009

Pois bem, hoje é a segunda récita da ópera "Sansão e Dalila" dirigida pelo mestre Emilio Sagi aqui no FAO em Manaus, onde assino a iluminação num projeto de cenografia sofisticadíssimo e de muitíssimo bom gosto dos meus queridos Leonardo Ceolin e Carlos Pedreañez (visitem o Blog deles "La Tintota" aqui).
Mais uma vez deixo a crítica dos meus trabalhos para os críticos e dou a minha visão do nosso processo de criação - coisa aliás que não sai em nenhum lugar - e que pouca gente toma conhecimento, a menos, claro, que seja amigo ou esteja próximo da gente nas barulhentas mesas dos restaurantes e bares pós-ensaios.

Se não me falha a memória, nestes 11 anos participando do FAO, acho que esta é a produção feita mais rapidamente por toda a equipe da
Central Técnica de Produção (CTP), foram 10 dias para construir cenários e figurinos que só foram vistos na sua totalidade 1 dia antes do pré-geral! Coisa que evidentemente enlouqueceu o diretor espanhol Sagi, desacostumado com nosso 'descompasso' para urgências. Só na produção de "Siegfried" que chegamos perto deste 'recorde negativo', nem preciso dizer que o inglês Aidan Lang perdeu também a 'fleuma' por várias vezes.

Claro que como sempre tudo dá certíssimo no final e os estrangeiros saem daqui boquiabertos com aquele ar de "como eles conseguem?". E claro também que tudo sempre atrasa, adia, prorroga ou é simplesmente cancelado por um único motivo: BUROCRACIA!
Talvez vocês achassem que eu fosse falar que era falta de $, óbvio que com a crise o dinheiro faltou (e MUITO), mas se não fosse a burocracia ingrata e 'kafkiana' dos orgãos públicos de todas as esferas tudo poderia ter sido diferente. Como? Por exemplo, poderíamos saber bem antes qual a responsabilidade de cada 'apoiador' neste projeto imenso que é o FAO, ou ainda quanto e como ($) exatamente o comissariado francês e os responsáveis pela programação no Brasil estariam dispostos a bancar.
O consolo é que sei que não somos os únicos prejudicados 'nesta efeméride', vários projetos foram cancelados e outros tiveram de ser redimensionados por absoluta falta de verba, consideração ou falta de comunicação. Do nosso lado não é novidade para ninguém que foram canceladas as ópera
"Le Cid", que seria dirigida por uma diretora francesa e "O Diálogo das Carmelitas" que seria dirigida por William Pereira num projeto lindo com o début no FAO da ''diva cabocla' (como bem disse João Luiz Sampaio) Adriane Queiróz. Quem perde com isso não é o 'ano frança no brasil' é o Brasil mesmo!

O OLHO ESPELHADO DO PÚBLICO

Mas voltando a "Sansão e Dalila", desde o começo a idéia do Emilio era que o público fosse 'jogado para dentro do palco' numa caixa de espelhos, praticamente sem objetos de cena (apenas no II Ato, um 'sofá-língua' e um 'lustre-escultura') tudo teria de refletir, digo literalmente, perigo e sedução. Para isso o teto desta caixa funcionaria como a 'íris de um olho', fechando e abrindo, focando e desfocando os acontecimentos, guiando o público para o que ver e como ver.
Existem óperas que assistimos apenas para saber como serão resolvidos determinadas complicações impostas pelos libretistas. Em
"Siegfried", por exemplo, como o jovem tenor lutará com o Dragão, em "Lohengrin" como será a transformação do Cisne em Gottfried, em "Les Troyens" como entrará o Cavalo de Tróia (me aguardem, em breve mostrarei a minha versão aqui) e em "Sansão..." como cairão as Colunas do Templo.
Não seria supresa alguma se eu disse que o teto cai, literalmente digo!

O que menos interessa para Emilio Sagi são as barbas dos hebreus, as colunas 'físicas' do Templo ou o registro histórico e realista desta ópera. Me afino com esta linha de raciocínio, penso exatamente igual para as minhas criações, ninguém aguenta mais produções com ares de 'filme épico B'. O mais difícil é encontrar a 'alma' do espetáculo. Afinal de contas as referências do público contemporâneo são muito mais 'emergentes e dinâmicas' do que acreditam muitos encenadores 'amarrados a antigas fórmulas preguiçosas'.
...

Abaixo, fotos de parte do processo, pré-geral e ensaio geral por Leonardo Ceolin e Carlos Pedreañez:


Meu assistente Moiséz Vasconcellos e eu (sentado), dentro do 'olho do público'





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Abaixo o olhar de
Andres Costa que saiu de São Paulo somente para nos prestigiar e acompanhou todo o processo final de montagem:





...

Abaixo fotos
by Viralata:

O homem por trás de tudo o que realizamos no palco em "Sansão e Dalila", Emilio Sagi

Teste para a queda do teto na a cena final

Cúpula do Teatro Amazonas iluminada com os reflexos que vem do palco

Entrada do III Ato

Abertura do II Ato

...


Publicado simultaneamente com "Viralata"


postado por Caetano, às 10:01

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25.04.2009
Folha de S.Paulo
São Paulo, sábado, 25 de abril de 2009

Mônica Bergamo
bergamo@folhasp.com.br


REFLETOR

Leonardo Wen/Folha Wen
Caetano Vilela trocou SP por Manaus até o final de maio; ele é o iluminador de todos os espetáculos do Festival Amazonas de Ópera e dirigirá "Os Troianos", montagem com quatro horas e meia de duração
...

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 13:00

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21.04.2009

WEEKEND DE BOFE

Não comentei antes, como de costume, sobre o clássico que desclassificou o meu tricolor no estadual por pura falta de tempo, não foi despeito como poderia parecer, até porque eu sou o primeiro a criticar o meu time quando ele perde ou até mesmo ganha 'sem fazer bonito'.
Também, os ensaios e montagem da ópera "Sansão e Dalila" que estréia nesta semana aqui em Manaus está consumindo toda a minha energia, como disse antes minha rotina é 'hotel-teatro-hotel' com algumas manhãs numa academia de musculação e natação que eu não sou de ferro!

Mas voltando ao 'weekend' passado vi o tape do jogo quando cheguei ao hotel e o resumo que faço é o seguinte, o meu São Paulo merecia ter ganhado a partida pelo que jogou no primeiro tempo e fez por merecer perdê-la para o Corinthians no segundo tempo. O resto é silêncio... se bem que o gol e a arrancada do 'fofo' foi incrível mesmo!
A estupidez da frase infeliz de um certo dirigente tricolor subestimando Ronaldo e tratando-o como 'ex-jogador' foi lamentável para dizer o mínimo publicável. É por estas e outras que os animos se acirram e torcedores mais exaltados destroem a cidade quando saem dos estádios.

Tenho certeza que será uma final merecida para a cidade de São Paulo, devo confessar que torcerei para os manos da baixada, afinal tenho um pai que ainda sofre pelo Santos desde os áureos tempos e a bem da verdade ainda não tenho 'aplomb' para torcer pros manos da Zona Leste, 'sorry'.
Boa sorte então e que vença o melhor!

postado por Caetano, às 00:54

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16.04.2009

Estou chocado, acabei de ser indicado ao "XII Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Musica Erudita" na categoria de Iluminação pelas óperas "Ça Ira" e "Ariadne auf Naxos" que realizei no Festival Amazonas de Ópera no ano passado. Concorro com os meus talentosos amigos Jorge Takla e Beto Bruel!
Estou muitíssimo bem acompanhado também nas outras indicações, artistas da maior grandeza como
Luiz Fernando Malheiro, Celine Imbert, Renato Theobaldo, Roberto Rolnik, Leonardo Neiva e muitos outros também concorrem ao prêmio.

Foram 30 especialistas do mundo lírico que escolheram três artistas de cada categoria e agora cabe a um corpo de jurados de cerca de 200 pessoas em todo o Brasil e também uma votação popular pela internet.
Esta todos podem votar é só entrar aqui!


"Ça Ira", ópera de Roger Waters que foi um grande sucesso no ano passado em Manaus, dirigi, iluminei e ainda contei com a presença, aprovação e amizade de Waters!


Minha versão 'rock'n roll' para "Ariadne auf Naxos", sucesso com críticos europeus (destaque na imprensa francesa e alemã) e minha homenagem ao quarteto roqueiro Kiss

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 14:18

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15.04.2009
Já havia falado por aqui da criação do importante IBTT (Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral) e da pedra fundamental que foi lançada em São Paulo no dia 06 de abril (infelizmente com minha viagem para Manaus não pude estar presente), pois agora recebo da Claudia Gomes, Diretora de Divulgação do Instituto, um release que dá conta de como foi tudo por lá. Sucesso é claro!
Recebi muitos e-mails de técnicos e interessados nesse fórum de discussão que promete ser um oásis na pasmaceira técnica brasileira, sempre tão desorganizada e mais preocupada em 'manter' os seus espaços funcionando do que em se atualizar com o que de melhor acontece no Brasil e no exterior.
Claro que a nossa realidade é bem particular e só em saber que existem tantas salas, teatros e espaços em funcionamento graças a boa vontade de tantos técnicos, que nos são tão caros, isso já é sinal de vitória. Mas vamos combinar que o aprimoramento do nosso conhecimento é fundamental para oferecermos ao público sempre o melhor espetáculo.
Mais uma vez, meu carinho aos queridos
Milton e Ney Bonfante pela empreitada e por estarem à frente de algo tão importante e que só colherão os resultados concretos num futuro próspero!
Evoé!!!

O BRASIL JÁ TEM SEU INSTITUTO DE TECNOLOGIA TEATRAL

Beto Bruel, Milton Bonfante e Guto Gevaerd/Fotógrafo: Vinícius Feio

No dia 6 de abril de 2009, no Teatro do Ator, na Praça Roosevelt, em São Paulo foi criado oficialmente o Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral - IBTT. Como o endereço oficial do encontro teve sua lotação esgotada durante as reservas, a produção do evento utilizou-se do teatro Studio 184, ao lado, e com transmissão simultânea acomodou o público extra. A mesa de cerimônia de criação do IBTT foi assistida por 246 pessoas e dirigida pelo diretor teatral paulista Jamil Dias. Às 19h10 Jamil deu início à cerimônia chamando à mesa Mariza Porto - Senac SP; Sergio Pinto - Sesc SP; Sergio de Azevedo - Fundação das Artes de São Caetano do Sul - Fascs; Ligia de Paula - Sated SP; Renato Mussa - Prefeitura da Cidade de São Paulo / Secretaria Municipal de Cultura e Mauro Martorelli - Fundação Nacional do Teatro / Funarte SP.

Através de leitura de carta de intenções Jamil Dias relatou um pouco da história do IBTT que teve início "na feira ExpoMusic de 2004 na cidade de São Paulo com uma mesa redonda organizada por um grupo de iluminadores". O grupo cresceu rapidamente e chamou a atenção de pessoas de todo Brasil. Uma proposta de trabalho que nasceu singela, mas que deu ótimos resultados gerou um grupo para Estudo, Pesquisa e História da Iluminação Cênica. Inevitável que "entre suas conquistas e realizações estivesse o I Congresso Brasileiro de Iluminação Cênica em Setembro de 2005, em São Caetano do Sul na Fascs". Jamil Dias lembrou também que além de cursos, palestras, publicações e encontros públicos este grupo de pessoas chegou "à mesma feira ExpoMusic, mas agora já estávamos em setembro de 2008 e as mesas redondas trouxeram profissionais de todo o Brasil. Ali foram lançadas as bases de um trabalho conjunto sobre Tecnologia Teatral", atraindo o interesse de cenógrafos, figurinistas e sonoplastas. Com a ampliação da área de interesse e atuação do grupo era imperioso fazer-se maior, com propostas pensamento e preocupações mais abrangentes, e movidos por interesses coletivos e "em dezembro de 2008 foi criado o fórum de discussão do IBTT, na internet".

Com todas as cadeiras do teatro ocupadas Jamil Dias explicou que "no fórum as pessoas interessadas em discutir pontos relevantes da sua atividade, em expor suas dúvidas, suas pesquisas, buscar soluções para problemas encontrados no cotidiano da prática teatral, encontraram um veículo bastante efetivo para as suas trocas de informações". Além do fórum de discussão, nesses quatro meses, o grupo recolheu acervo de revistas, livros, teses acadêmicas, manuais, programas de teatro, apostilas e um respeitável banco de imagens tornando-se uma das maiores bibliotecas brasileiras sobre o assunto. O IBTT também pretende atuar na área de formação profissional, "pois conta em seus quadros com inúmeros docentes de várias universidades brasileiras e estes discutem, hoje, a implementação de um curso de ensino a distância para tecnologia teatral".

Jamil Dias descreveu ainda que "os planos de ação cultural do IBTT não param por ai, pois junta-se a estes, uma revista, uma newsletter, um website, cursos e outros seminários, mas principalmente o mapeamento de nossa realidade cultural tão diversa e rica. Tudo para que possamos contribuir para a elaboração de um pensamento nacional sobre o tema".

O momento mais emocionante do cerimonial de criação do IBTT aconteceu quando Jamil Dias disse que "são 19 horas e 26 minutos do dia 6 de abril de 2009, na cidade de São Paulo. Está criado oficialmente o Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral". A platéia dos dois teatros veio abaixo com emocionados aplausos. O Brasil finalmente tem seu Instituto de Tecnologia Teatral, que trás em seu bojo uma longa história de conquistas coletivas. Com sabedoria Jamil Dias levou os presentes à reflexão: "Nós sabemos que ainda há muito a fazer para atender os nossos anseios de cultura e conhecimento, nossas necessidades educacionais, de formação e plena capacitação de profissionais, para gerar e construir os nossos projetos, para suprir os nossos sonhos e a nossa infinita necessidade de realização".


Em seguida foram chamados a prestar seus depoimentos cada um dos representantes das Instituições convidadas. Com o apoio de todos os presentes a grande platéia pode vislumbrar um futuro um pouco melhor para as artes cênicas brasileiras e compreender a urgente necessidade de aproximar para um saudável e respeitoso diálogo os artistas que compõem as atividades cênicas denominadas Tecnologia Teatral.


Entre as moções de apoio, há que se destacar o da presidenta do Sated, Ligia de Paula lembrando que "a mesma data que a partir de agora irá comemorar a criação do IBTT comemora o nascimento de Cacilda Becker, considerada um mito do teatro brasileiro. Fato ocorrido em 6 de abril de 1921", portanto o teatro brasileiro tem agora duplo motivo para comemorar o dia 6 de abril.

Depois de um breve intervalo teve início o Seminário sobre Iluminação e Trilha Sonora para Espetáculos. Primeiro evento público do IBTT.
A platéia que se aglomerou na Praça Roosevelt desde as 16h30 viu sob a mediação do iluminador paulista Milton Bonfante, os artistas paranaenses Beto Bruel e Guto Gevaerd. Com propriedade descreveram seus métodos de trabalho, dificuldades e soluções técnicas para a criação respectivamente da Iluminação e Trilha Sonora dos espetáculos Não sobre o Amor e Avenida Dropsie, ambos da Sutil Companhia de Teatro, dirigida por Felipe Hirsch.

Em meio a várias câmeras de vídeo que registraram o evento, registros fotográficos, entrevistas, presença do Canal Brasil de televisão e anotações atentas de inúmeros alunos universitários o público que lotou o evento pode conhecer os bastidores dessas premiadas produções. O Beto Bruel ilustrou sua fala com fotografias e vídeos gravados desde os ensaios que aconteceram em Curitiba, durante dois meses, no barracão de sua empresa de iluminação. O Guto Gevaerd demonstrou através da utilização de 4 CD player como foi mixada a trilha sonora e contou um pouco de suas experiência já no Teatro do Sesi, durante os 23 dias de ensaios.


A pesquisa musical de Guto foi baseada no compositor russo Anton Stepanovich Arensky para o Não sobre o Amor e músicas do início do século XX para Avenida Dropsie, uma vez que o sonoplasta tentou reproduzir o mesmo universo das histórias de Will Eisner - autor das histórias em quadrinhos em que o espetáculo foi inspirado. No local dos ensaios em Curitiba todas as dimensões de palco foram reproduzidas para Avenida Dropsie e o cenário de Não sobre o Amor foi montado, assim Beto pode experimentar a iluminação. Mas "ao chegar ao teatro nem sempre as coisas são como parecem e para complicar um pouco tínhamos na boca de cena um screen que foi um desafio a mais. Como iluminar o espetáculo, sem nenhuma luz de frente"?


Beto resolveu tão bem o problema que seu trabalho recebeu um Prêmio Shell de melhor iluminação, para cada projeto. Enquanto Beto revelava segredos de bastidores e soluções técnicas inimagináveis, Guto demonstrava algumas mixagens nos 4 players, como quando juntou Ramones com Canto Gregoriano e explicou que a dificuldade de manter precisão o obrigou a usar 4 players. O resultado foi impressionante, ainda mais quando ele detalhou a distribuição do som nas caixas e a divisão entre voz e trilha no fundo e frente do teatro. Uma habilidade e sensibilidade que exigiu a seleção de mais de 15 CD's originais para completar a pesquisa e alcançar o resultado final da Trilha Sonora.


Entre as inúmeras perguntas que chegavam da platéia dos dois teatros Milton Bonfante ressaltou um aspecto no trabalho dos dois artistas: "O resultado foi brilhante porque a tecnologia foi considerada depois, e somente depois de existir o pensamento sobre a obra. Depois da pesquisa, da problematização estética, dramaturgica e também depois do diálogo entre todas as áreas criativas. O equipamento utilizado pode até ser considerado obsoleto, o que prova que para um bom resultado artístico o equipamento considerado top de linha pode existir, mas não é indispensável. Indispensável são a sensibilidade e criatividade dos artistas".


Guto, ao descrever seu processo de trabalho, revelou como chegou à conclusão que a Trilha Sonora necessitava, além do tema, muitos ruídos, passos, barulhos de portas, etc e como estes eram integrados à cena. O resultado foi sendo construído no dia a dia e alimentado pelo diálogo com toda equipe criativa, pois “o trabalho em teatro facilita muito a compreensão de que o criador faz parte de uma equipe e deve trabalhar integrado. E neste sentido a Sutil pode ser considerado um exemplo”. A equipe está junta a muito tempo e este relacionamento colaborativo é a nossa marca". Beto ressaltou ainda que deve haver liberdade para palpites, deve haver intimidade e lembrou de interessante episódio acontecido durante seu recente trabalho com Fernanda Montenegro: "o Felipe Hirsch me disse que no espetáculo que fizemos com a Fernanda, a Daniela Thomaz fez a luz, ele fez o cenário e eu disse ao Felipe... então, deixa eu colocar uma música para participar".


Os desafios para obter um bom resultado na iluminação foram inúmeros. O screen deveria estar muito bem esticado e não poderia haver nenhuma incidência de luz direta sobre ele, com agravante que o espaço utilizado pelos atores no Avenida Dropsie foi restrito a poucos metros - quase que somente sobre a grelha onde acontecia a chuva - o que diminuía muito os ângulos de luz que pudessem ser utilizados. Como os atores eram iluminados somente pelas laterais, Beto ainda teve que "recorrer ao diálogo mais afinado com o elenco para que um ator, ao movimentar-se, não criasse sombra em outro ator". Resultado que mereceu prêmio de iluminação e usou e abusou do uso de barndoor, cinefoil e perna de tecido extra nas laterais.


O encontro foi encerrado com os depoimentos de Beto, Guto e Milton acerca da importância da criação de cursos técnicos federais para capacitação de nossos profissionais. Esta formação cultural dará condições para que nossos profissionais sejam melhores reconhecidos, valorizados e possam se relacionar de igual para igual com todas as áreas criativas desta atividade artística em que estão inseridos. Não podemos esperar que o Estado cumpra com sua obrigação, pois sabemos que a administração pública está muito longe de compreender verdade tão simples. A sociedade civil está se mobilizando através da iniciativa do IBTT e esta iniciativa deve ser apoiada com a participação crítica de todos interessados.


O público deixou as dependências dos dois teatros aos poucos, lentamente, como se desejassem perpetuar aquele momento. Mas os grupinhos que se formaram para troca de e-mails e telefones reforçaram o expressivo sorriso e a certeza de um até breve!


Claudia Gomes
Diretora de Comunicação IBTT – SP
...

Publicado Simulataneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 15:25

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12.04.2009

Apresento para vocês o mais novo 'Viralata' colaborador deste Blog, trata-se do fotógrafo profissional Jefferson Pancieri. Velho amigo e parceiro em muitas produções teatrais e operísticas, Jefferson começou a fotografar teatro comigo e daí para 'outros olhares' foi um pulo!
Sempre nos encontramos e trocamos figurinhas sobre fotos e artes em geral (parte do seu trabalho você vê aqui!) e como somos fãs da cidade de
São Paulo e sua caótica urbanidade juntamos nossas energias para registrar ensaios sobre os graffites, pixações e grafismos espalhados por toda a cidade. Sendo assim a série que publico eventualmente com o título "Olhar Urbano" vai ganhar agora mais frequência e também se estenderá por mais regiões e sempre será identificada a autoria do ensaio (ou seja: eu ou ele) já que Jefferson 'bate' mais perna do que eu por aí e, claro, é um profissional e não um simples amador como este destas mal tecladas linhas.
Benvindo querido, o espaço é nosso!
...

"OLHAR URBANO" by Jefferson Pancieri (colaborador)

"Monroe da Zona Leste", graffiti no bairro de São Miguel Paulista/São Paulo-SP

"Black Power da Liberdade", graffiti com o traço inconfundível dos "osgêmeos" no bairro da Liberdade/São Paulo

"A Maja Desnuda da Liberdade", graffiti na Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade/São Paulo-SP
...


Mais você pode ver também no "Viralata".


postado por Caetano, às 11:55

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02.04.2009

Se 'sair bem na foto' é sinal de prestígio em alta então estamos bem, digo 'estamos' pensando na Nação brasileira mas acho que os louros são do excelente momento vividos por Lula neste fórum G-20.
E têm mais, além de bem na foto (by EFE) Lula está parecendo 'barriga-de-buda', todos querem tocá-lo achando que terão sorte no futuro, de Obama ao primeiro ministro da Austrália os elogios são rasgados ao "político mais popular da Terra" (palavras de Obama).

Sim, não me esqueci da 'bobajada dos olhos azuis' responsáveis pela crise, e outros surtos populistas, mas vendo toda a catástrofe dos outros '19 que compõe o G' até que realmente não ESTAMOS (agora o Brasil mesmo) tão mal na foto realmente.

postado por Caetano, às 14:50

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01.04.2009

Queridos amigos artistas e técnicos, uma das maiores carências em nosso meio é com relação a cursos, palestras e workshops sobre temas mais técnicos de um espetáculo.
Hoje são raríssimos os cursos de alto nível na área de iluminação, cenografia, figurino e sonoplastia, mas parece que esta carência será no mínimo diminuida com a criação do
IBTT (Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral), um fórum - do qual também faço parte - para discutir exatamente temas relacionados a essas áreas e mantido "sem cnpj, sem site e com muita cara de pau" pelos irmãos Bonfante (artistas da LUZ) que 'iluminam' discussões tão valiosas para quem vive da "construção de sonhos".

Muita gente experiente, premiada, esforçada, etc..., juntaram-se a esse fórum virtual. Gente como os meus companheiros de trabalho multi talentosos
Beto Bruel (iluminador) e Guto Gevaert (sonoplasta) ambos da "Sutil Companhia de Teatro" que mostrarão um pouco dos bastidores de espetáculos como "Avenida Dropsie" e "Não Sobre o Amor", num Seminário que servirá também para lançar oficialmente o IBTT.
Infelizmente não poderei estar presente, minha ida para Manaus está mais do que atrasada, mas acompanharei de perto todos os passos deste Instituto que, tenho certeza, só trará benefícios para quem vive do ofício.
EVOÉ!!!

P.S.: Visite também a página do grupo:
http://br.groups.yahoo.com/group/InstitutoBrasileiro/
...

Se Joga:
SEMINÁRIO SOBRE ILUMINAÇÃO E TRILHA SONORA PARA ESPETÁCULOS
Teatro do Ator - Praça Roosevelt, 172 - São Paulo, SP
06 de Março - 19h - Evento gratuito
(11) 3289-3403 - claudiafariasgomes@gmail.com

Publicado simultaneamente com "Viralata"

postado por Caetano, às 23:00

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31.03.2009

Estão aqui os cinco filmes que assisti nos últimos dias, e que não tive tempo de comentar. Então vamos lá, por ordem de importância e gosto (para alguns "falta de"), do pior ao melhor - porque começar mal e acabar bem é sempre mais divertido!

Simplesmente idiota!

Mike Leigh simplesmente erra a mão novamente com esse "Simplesmente Feliz", não consigo entender como Sally Hawkins ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz com um personagem tão estúpido e 'monocromático'. Ela não é "feliz", é uma idiota irresponsável, egoista e irritante! É o tipo de filme que seu eu visse em alguma Mostra teria saído nos primeiros 15 minutos, mas como era minha última opção num sábado a meia noite tive de me conter e ver se o filme 'pegava no tranco' em algum momento.
Onde está o diretor do teatral e excelente "Segredos e Mentiras"? Como ele pode construir um filme tão simétrico e óbvio? Bah, nem perderei mais o meu, e o seu,  tempo só digo que dividirei os meus amigos em dois grupos à partir de agora: os que "são felizes" como essa personagem idiota e os que, como eu, "são infelizes" como o mal humorado instrutor da auto-escola que faz contraponto a personagem... eu já disse idiota?

Eu gosto dele ele não gosta de mim e terminamos juntos, ou não


Se for começar a citar quantas vezes você já viu este filme, esta formula, estes atores fazendo o mesmo personagem, juro que vai faltar tela para preencher tantos exemplos. Mas é o seguinte, "Ele não está 'tão' a fim de você" é a prova viva de que:
- Jennifer Aniston ainda não conseguiu superar a separação do... eu ia dizer "Friends" mas se você pensou em Brad Pitt, ok também é isso.
- Jennifer Connelly têm sérios problemas com seus agentes, ou o contrário o que não faz a menor diferença já que não importa o filme que faça suas escolhas são sempre um equívoco. Será que é alguma 'maldição das jennifers'?
- Ben Affleck deveria urgentemente 'voltar' para o Matt Damon e fazer alguma coisa que preste... 'gosh' como ele é ruim, ruim, ruim. Aquele jeito de olhar para camera dá medo, parece que ele é cego! Será que ainda não 'desencarnou' da sua péssima atuação do herói cego "Demolidor"? Sim, também lá ele estava péssimo.
- Scarlett Johansson deveria assinar contrato de exclusividade com Woody Allen e ponto final.
- Bradley Cooper é gostoso e faz o gostoso nem ligando que é gostoso o que o deixa beeem mais gostoso!

Bom os outros são os outros (sorry Drew Barrymore, mas como seu nome também aparece como co-produtora acho que entendi a sua simpática participação!) e até dá para rir aqui e ali mas é tudo tão loooongo e dèja vú que nem precisava de tanto tempo, afinal de contas 'ele gosta dela que não gosta dele que termina com ela e ela só pensa...'

'Gran' Mestre!

E tome Eastwood!!! Sabe toda aquela chatice politicamente correta que engessou toda a sociedade americana? Pois é, foi destruída com esse personagem do grande Clint Eastwood em "Gran Torino". O 'bom velhinho' (78 anos!) do cinema americano representa um autêntico americano 'com-bandeira-na-sacada' destilando os mais incríveis impropérios contra tudo e todos. Se fosse uma comédia adolescente irresponsável poderia soar bem chulo ouvir alguém tratar um imigrante asiático por 'china' ou 'rolinho primavera' mas na boca do reacionário Kowalski, interpretado por Clint (seria uma homenagem ao 'bruto' Kowalski de Brando em "Um Bonde Chamado Desejo" de Tennessee Williams?), tudo fica tristemente melancólico.
Clint - o diretor - é 'esquemático' e certeiro nas cenas e displicente na condução dos seus atores que muitas vezes são bem amadores. Agora Clint - o ator - é de uma 'honestidade' cativante.
O final do filme que para muitos pode parecer um 'pedido de desculpas' de toda a América, para mim é a redenção do tipo "faça pelo menos uma coisa para que todos possam se orgulhar de você",
o que também não deixa de ser um pedido de desculpas.
Um bom filme com um grande ator!

A primeira 'faz che', a segunda... aguardem

Xingo até hoje por não ter assistido a versão integral de "Che" na última Mostra de Cinema. A estréia dividida em duas partes (com a segunda sabe-se lá quando) dilui, e muito, a obra de Steven Soderbergh. Benício Del Toro faz o estilo 'interpretação espírita' e deixa 'baixar' um Ernesto Guevara tão realista que deixaria confuso até mesmo o fotógrafo Korda, que o imortalizou!
É impressionante a entrega de Del Toro. Justiça seja feita também ao Fidel do mexicano Demian Bichir, fantástico na recriação dos maneirismos de um homem que ainda tinha um brilho no olhar quando falava sobre mudanças sociais profundas e radicais.
Para o público comum pode soar como uma longa (quase 3 horas) aula de história. Longa, talvez, mas necessária, principalmente depois de toda essa euforia democrata que tomou conta dos EUA.

Você toca como eu toco?

Se você, como eu, assistiu a série "A Quatro Palmos" vai lembrar imediatamente de Richard Jenkins (ele era o pai da família maluca dona da funerária) em "O Visitante". Ele é a jóia do filme, foi com justiça indicado ao Oscar de Melhor Ator. Mas o filme têm muitas outras qualidades e graças aos céus salvou minha semana cinéfila! O roteiro e a direção de Thomas McCarthy são de uma carpintaria dramatúrgica tão rica que pode muito bem ser adaptado para o teatro que daria um excelente espetáculo.
O ótimo Haaz Sleiman é um gostoso e carismático músico imigrante da Síria que toca percussão de bar em bar para sobreviver, acidentalmente entra na vida do professor americano 'looser' interpretado por Jenkins. A amizade dos dois é tão cativante que você quer sair do cinema e comprar um tambor e sair batucando a celebração de uma vida sem preconceitos e fronteiras entre os homens.
Doce ilusão, a América vista por McCarthy é triste, nublada e pouco solidária em tempos pós 11/09, e nada melhor do que representar essa desilusão do que o rosto forte e marcante da excelente atriz e musa Hiam Abbass (aqui, a mãe do músico e em "Lemon Tree" a dona do pé-de-limão!), sua constatação de que a América não foi feita para 'gente como ela' é de cortar o coração.

postado por Caetano, às 02:59

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30.03.2009

WEEKEND DE BOFE

Nem vou falar deste jogo risivel da Seleção que empatou com o Equador, também darei uma folga aos meus 'adversários' e os pouparei das minhas elegias ao tricolor paulista que se salvou do Palmeiras graças ao 'bom coração' de Washington.
Jogo a bola mesmo para outro tricolor: o carioca, com o recém contratado Fred, com o saco cheio de ficar no banco em times europeus, veio ver se tem um pouco mais de visibilidade (traduzindo por "Dunga, estou aqui!") nos gramados brasileiros.

A revista "Placar" de abril, que já está nas bancas, traz reportagem de Jonas Oliveira com o jovem (25 anos) mineiro e traça o perfil de um precoce vencedor. Não fosse a destrambelhada resposta à pergunta 'jogador x baladas', até que o atacante 'pó-de-arroz' estava ganhando a minha simpatia:
- "Gosto de fazer minhas farras, não sou santinho também. Dá para ter uma vida de atleta, curtir sua família, e dá para você ir a uma balada, pegar suas namoradas, fazer suas farras, tranquilo. Você não pode só trabalhar, também; daqui a pouco você não vai dar suas saídas, não vai fazer nada. Você vai virar veado, também... Não dá. O negócio é manter o equilíbrio".

Ué não entendi Fred, você poderia me explicar novamente como seu eu fosse um idiota? Qual é o equilíbrio que há entre estas duas linhas do seu raciocínio?

P.S.: A capa do mês de abril é com a sensação do futebol paulista, sim, ele mesmo Ronaldo. Mas não compre a revista apenas pela capa, a reportagem é 'mais do mesmo' daquilo tudo que já foi publicado sobre o moço sem absolutamente nenhuma informação nova, também nem poderia já que o 'fenomenal' corinthiano se recusou a dar entrevista e concordou apenas com uma sessão de fotos. "A sessão começou às 16h20 e terminou às 16h22"!!!!
Hummm, esse moço anda muito, mais muito mesmo mal orientado!   

postado por Caetano, às 01:54

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26.03.2009

Waall, voltando agora um pouco para realidade (a minha, lógico), depois de leituras públicas de novos projetos, estréia de ópera, "Radiohead" e reuniões, reuniões e reuniões sempre falando sobre arte, ópera ou teatro posso agora respirar um pouco aliviado.
Bem da verdade 'quase aliviado', preciso me preparar para 2 meses de selva! Viajo na semana que vem para Manaus, mais uma vez, e como sempre, o assunto nos próximos meses serão sobre arte, ópera, teatro,... ou seja, o que para muitos é lazer e diversão, para mim é trampo. Sim, 'os artistas também trampam'!

Os 'drops' das últimas notícias que me interessam e que ainda não tive tempo de comentar rondam a minha cabeça martelando sua importância: crise, reformulação da Lei Rouanet, escândalos no Senado, Bolsa Cultura, ops eu disse BOLSA CULTURA?
Sim, faltava incluir a tal 'acessibilidade' aos desnutridos culturais. O quê acho disso? Bom, é uma forma do governo demonstrar importância com um tema que sempre foi a 'pedra no meio do caminho', principalmente para governos de 'falsa' esquerda. Para eles Cultura sempre precisa ser popular e atingir tudo e todos, pena que a 'pedra está mais embaixo'. CULTURA não é popular e NUNCA atinge tudo e todos, e isso não é arrogância da minha parte, muito menos elitismo.


   
Jean-Michel Basquiat morreu aos 20 e poucos anos de overdose de heroína, era negro marginal e um artista genial. Suas telas, desenhos e graffitis (valorizados astronomicamente) misturavam duras críticas a uma sociedade excludente. Se vivo fosse e morasse em SP seus graffitis seriam apagados das ruas da cidade, que não considera arte tal representação (embora algumas 'autoridades' digam o contrário para parecerem 'politicamente corretos'!), mas como ele era negro quem sabe sua arte se enquadraria em alguma 'cota' de alguma 'bolsa social'?

Como não temos uma POLÍTICA CULTURAL (assim como também não temos projetos de INFRA-ESTRUTURA para que o País e o eleitoreiro PAC dê certo) o que se faz é transformar o público de qualquer coisa que se julgue "ARTE" numa espécie de 'público da cota'. Parte da 'cota' que falta receber a 'dose mensal de cultura'.
Triste. Pobre e triste tratar um tema tão sério desta maneira. Pensando bem, depois de saber sobre o tal cadastro para frequentar estádios de futebol, fico na dúvida sobre qual 'categoria' (artistas ou futebolistas) está em pior situação!
By the way, sei exatamente o que acontecerá com os tais 'vales-cultura' de R$50,00! Podem me cobrar a resposta.

...

Leia no "Viralata" o post "Onde você estava às 21h? (ou: Teatro S.Pedro, de quem é o descaso?)" sobre o presente e o futuro do teatro da Barra Funda, nada muito diferente do tema acima, digo: política cultural.

postado por Caetano, às 01:54

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25.03.2009

Segue abaixo o texto que escrevi para o programa do espetáculo "La Voix Humaine/A Voz Humana" que estréia hoje com Celine Imbert.
Antes de tudo muito obrigado a toda a equipe envolvida nesta produção!
MERDA!!!
...

Novamente mais uma chamada recebida

A primeira vez que Celine Imbert cantou “A Voz Humana” eu estava na platéia e ainda não a conhecia, já na segunda vez, com regência de Abel Rocha, e novamente dirigida por Iacov Hillel, eu trabalhava como assistente de direção e iluminação e, quem diria, iniciava ali uma grande amizade e parceria!Nem pisquei os olhos em atender novamente esta chamada do maestro Abel para assinar esta nova encenação!

Discutindo a concepção do espetáculo, Abel me sugeriu pensar num prólogo para a “Voz”, menos pela musica que já fala por si, mais pelo caráter teatral da personagem.
Ampliei então a conexão com a solidão, esperança e desespero que cruza esta personagem de uma forma às vezes patética e por outras, simplesmente, triste mesmo cuja lembrança com Piaf (melhor amiga de Cocteau) não seria mera coincidência.

Diz a lenda que Cocteau, soube da morte de Piaf pelo radio e enfartou, morrendo no mesmo dia da amiga! Minha homenagem a esses amigos, literalmente inseparáveis, foi transformar esta “Mulher” numa cantora de cabaret, interpretando neste ‘prólogo’ canções que recriam seu ‘estado de espírito’ antes do primeiro toque do telefone, fechando assim um ciclo de espera e melancolia.

No século da comunicação digital não existe mais linhas cruzadas, estamos ainda solitários a espera de um simples “Eu te amo!”.


Se Joga:
Ópera: "La Voix Humaine/A Voz Humana" de Poulenc, libreto Cocteau
Regência: Abel Rocha
Direção Cênica, Concepção e Iluminação: Caetano Vilela
Cenários: Chris Aizner
Figurino: Olintho Malaquias
Fotos: Jefferson Pancieri

Teatro S.Pedro, dias 25, 27 e 29 de março
Fone: 11-3667.0499

...

Publicado simultaneamente com "Viralata".

postado por Caetano, às 12:05

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24.03.2009
Se nesta madrugada fosse meu último dia de vida teria morrido feliz! O 'über' espetáculo que o "Radiohead" apresentou ontem, e foi até a madrugada desta segunda, valeu a espera de todos esses desencontros anunciados da vinda da banda para o Brasil. Foi absolutamente impecável e compensou uma certa desorganização dos produtores, desculpados pelos fãs mais aguerridos!

ANTES

Por questões éticas e para não baixar o nível nem comentarei o DJ de FM que 'flopou' total o 'warm up'.
Daí...
Pois bem, se no Rio a abertura dos
"Los Hermanos" foi horrível, segundo uma parte da imprensa e todas as comunidades afins do orkut, devo confessar que a versão paulistana foi muito boa e bem recebida pelo público que cantava a sequência de qualquer fonema emitido por qualquer barbudo presente no palco. Gosto dos caras, achei honesto e bacana esta volta. Mesmo com 12 lâmpadas 'PAR' iluminando o palco com as varas abaixadas (banda que abre show pra 'top' é pior que peça infantil dividindo palco com 'espetáculo nobre', ou seja não tem direito a nada e todos estão de acordo, ponto final!), o que tornava tudo beeemmm universitário, se é que vocês me entendem!

E o quê dizer dos persistentes (para muitos: insistentes!) 'tiozinhos' do "Kraftewerk"? Bom, eu digo que nos anos 80 eu era um adolescente que gostava de quase tudo e curtia os caras, o negócio é que eu cresci, eles estacionaram numa 'autobahn' sem produzir nada de novo e eu não uso drogas para 'viajar' nessa eletrônica anacrônica. Ou seja, achei bem inadequado a presença dos caras, ainda mais com o que estava por vir. Foi, como bem diria um amigo meu um momento "lúdico exótico".

DURANTE



Hipnótico!
Foi o estado de espírito que tomou conta aos primeiros minutos da entrada de
Thom York e banda em cena. Se alguém tinha alguma dúvida de que a luz 'LED' é o futuro, com certeza depois do show mudou de opinião ao ver aqueles tubos (não, não eram de 'pvc', como debochava um moleque na minha frente, em seguida apoplético com os efeitos) de 'LEDs' se transformando a cada musica, ritmo ou movimento da banda.
O palco era multiplicado em camadas tridimensionais indescritíveis de efeitos de luz, camadas triplicadas pela onda sonora vinda dos
'P.A.s', quem já ouviu os discos dos caras sabe que toda aquela sofisticação sonora, fruto de meses de estúdio, é extremamente difícil de ser reproduzida ao vivo. Pois pasmem, soou até melhor!

Cheio de rock, com uma certa influência
'eletro-jazzistíca', o 'beau' da guitarra Johnny Greenwood foi aclamado pela multidão que gritava o seu nome - acho que nem ele acreditou - até ousou levantar a imensa franja que cobre seu lindo rosto todo o tempo e sorriu encabuladíssimo.
Já Yorke estava assustadoramente deslumbrante, parecia um anjo do apocalipse trazendo as boas novas (tá certo que em muitas vezes nem eram 'tão boas' assim), seu estranho carisma era... eu já falei hipnótico? Então digo que era
HIPNOTIZANTE!
Seu registro vocal que por vezes chegava a uma espécie de lírico falsete em
"Reckoner" ("In Rainbows") por outras vezes era grave e lento ('troppo lento' de fazer inveja ao maestro Karajan, famoso por 'arrastar andamentos') como em "Exit Music (For A Film)" ("OK Computer"), aliás foi aí que comecei a chorar chegando aos soluços com "Lucky" (OK Computer")!

Abaixo o
'set list' tirado direto do Blog do mega informado Marcelo Costa:

15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)

Encore 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)

Encore 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)

Encore 3
Creep (Pablo Honey)

DEPOIS

Daí acabou né!
Valeu cada 'nó na vértebra', todo o inchaço nas minhas pernas e toda a desorganização dos (des)organizadores. Francamente, nos tratar (que pagou caríssimo) como peregrinos, deixando-nos ao
'deus dará' lá na 'pqp', foi o pior que gostaríamos de ter enfrentado no final de um espetáculo tão marcante!
Sem esquema de transporte público aqueles que atenderam os apelos para deixarem o carro em casa tiveram uma péssima madrugada! Ou pagaram preços pornográficos nos taxis ou mofaram nos pontos de ônibus à espera de qualquer coisa que levasse a qualquer lugar. Ou, pior ainda, dormiram pelas calçadas descompromissados, sonhando com tudo que acabaram de presenciar de bom neste dia histórico.
...

PS:
Entra aqui no Blog da banda e leia sobre a preparação para a turnê, lá você saberá que além das óbvias preocupações artísticas os caras ainda pensam "politicamente corretos" em como diminuir e emissão de poluentes por onde passam. Daí os tais LEDs, sacou?

Publicado simultaneamente com "Viralata".

postado por Caetano, às 02:15

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Why so serious?
 
Diz a lenda:

"(...) Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou Metal, eu sou o ouro em seu brasão..."
(Metal contra as Nuvens/Legião Urbana)

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