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A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 vai, teoricamente, abrir caminho para o fim das investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os gastos dos Jogos Pan-Americanos de 2007. O relatório do órgão, travado pela demora na prestação de contas dos investigados, vinha sofrendo com o lobby político a favor da candidatura fluminense, e está em xeque após o resultado positivo.
"As Olimpíadas foram usadas como pretexto para não se instalar uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] sobre o Pan. A candidatura foi usada como sentença de absolvição", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
O documento elaborado pelo TCU ainda não está concluído porque entidades ligadas à organização do Pan ainda devem documentos relevantes para o processo de investigação. A busca pelos mesmos, no entanto, foi abafada por pressão política, uma vez que a sucessão de denúncias poderia manchar a candidatura do Rio.
Após a escolha, o processo pode, finalmente, ser concluído. Há um temor, no entanto, de que os cuidados com a reputação dos responsáveis pelas duas competições sejam mantidos. O primeiro a deixar clara essa hipótese foi o próprio presidente Lula, em entrevista concedida após a eleição do Rio, ainda na Europa.
"Eu acho que ficar com esse argumento agora, que eu já ouvi algumas pessoas dizerem, seria colocar o Brasil outra vez no papel pequeno que alguns querem colocar todo santo dia. Certamente o povo brasileiro saberá fiscalizar o uso do dinheiro", disse Lula, quando questionado sobre a necessidade de atenção aos gastos com os Jogos de 2016.
O documento preliminar apresentado pelo TCU mostrou fortes indícios de superfaturamento nas contas do Pan. O orçamento inicial, de cerca de R$ 520 milhões, chegou a mais de R$ 4 bilhões às vésperas do evento. A diferença, segundo o Ministério do Esporte, foi causada pela má divisão de responsabilidades públicas entre os Governos Federal, Estadual e Municipal.