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09.02.2010

Bom, o concurso continua, e eu continuo na pretensão de sortear aqui no blog uns livros que eu por ventura venha a ganhar com a ajuda dos leitores. Pode clicar sem medo no link, que não é vírus. Mas tem que confirmar o voto depois no e-mail do wal-mart que vai chegar na sua caixa de mensagens, ok?
Vamos lá que a vó Elvira tem uma família grande e tá com uns 125 votos na frente...ahahahah


Ajude “A Felicidade Não Se Compra” a ganhar o concurso 'Você é o Autor' no Walmart.com.br -
http://bit.ly/dmKnHe

postado por Roberto Vieira, às 10:50

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09.02.2010

Meu filho viajou com minha esposa. Uns dias antes da partida, me capturei fazendo concessões a ele que normalmente não faria. Acendeu o sinal amarelo, parei para refletir e cheguei à conclusão: medo de que alguma coisa acontecesse a ele no trajeto feito por avião.

Ônibus, carros, motos, sobretudo, matam mais. É fato comprovado e etc e tal. Mas qual a razão de tamanha paúra do mais pesado que o ar? Via de regra você nem percebe que está se deslocando, as pessoas são agradáveis, você bebe um suquinho, toma uma cervejinha, é tratado com civilidade e mesmo assim tem gente que se atraca com a poltrona e não sai até todo mundo se levantar (sempre antes de a cabine autorizar, como bem lembrou Antônio Prata dia desses). Mas a maior parte das pessoas permanece meio que reticente com os bichões.

Às vezes me perguntam se não dá um friozinho na barriga de falar em público. Eu, examinando meus registros, me lembro de duas situações em que não dormi direito pensando no que ia acontecer no dia seguinte. A primeira foi justamente em minha primeira viagem aérea. A segunda quando pensei que iria apresentar um evento em pleno Vale do Anhangabaú, por onde passam todos os dia centenas de milhares de pessoas. Mas acho que a aérea foi mais marcante.
Ponte SP-Rio. Uma semana antes, havia acontecido o primeiro acidente no trajeto em toda a história. Racionalmente eu dizia para mim mesmo que a segurança, em virtude disso, seria maior. Quando entrei no avião, tomado de executivos, pensei que aquela galera toda fazia a viagem o tempo todo, e tava lá, impaciente para que o avião saísse logo. E, em verdade, a maior sensação foi quando vislumbrei a Baía de Guanabara. A letra do Samba do Avião me veio, de imediato, mas o terror se apoderou de mim quando vi o que o piloto estava fazendo. A impressão era que pousaríamos direto nas águas, tão próxima fica a pista do Santos Dumont do oceano.

Hoje já vou e volto sem sobressaltos, e agradeço aos céus quando posso viajar pelo ar e não pelo asfalto. Mas apesar de ter rascunhado este texto a semana passada, só tive coragem de redigir agora que o moleque está de volta. Coisas de quem passou a vida vendo jornalista fazer estardalhaço a cada queda de avião que, no Brasil, mata sempre menos que a diarreia.


Ps.: Meu filho, por sinal, como não foi ainda devidamente apavorado pela mídia, se sente em casa quando está viajando entre as nuvens. No meio do trajeto, deu de gritar que o bilau dele estava duro. Gerando constrangimento na mãe dele e inveja em uns viajantes habituais do trajeto São Paulo-Navegantes.

postado por Roberto Vieira, às 07:56

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08.02.2010
 

É sempre divertido vermos embates de marrentos no futebol. Ontem, no clássico entre São Paulo e Santos, o pênalti batido por Neymar, que está amadurecendo, opôs um aprendiz e um marrento já veterano. O atacante santista, que ainda precisa jogar bem contra os grandes para se firmar, deu um passo. E parou. E viu Rogério Ceni desabar no canto, livrando todo o gol para que ele concluísse. Foi risível. E a FIFA ainda quer derrubar a paradinha...

Para um corintiano, foi bom e ao mesmo tempo preocupante ver o jogo de ontem. Bom ver que um dos grandes adversários na Libertadores se enfraqueceu. Marcelinho Paraíba, Washington...apesar da classe de Hernanes, o Tricolor se tornou presa fácil, lento, sem inspiração. Vai se valer da tradição. Mas tem um técnico virgem na disputa.

O Cruzeiro também perdeu Kleber. Finalmente, segundo Benjamin Back, do Lance, a novela acabou e o Porto levou o sonho eterno palmeirense.

Preocupante para o Corinthians foi a volta de Robinho. Meu time costuma se dar mal com veteranos que chegam da Europa. Dinamite voltou e meteu 5 no Corinthians, no começo dos 80. Junior voltou ao Flamengo e, após um 2x0 pela Copa do Brasil de 1990, o Corinthians vencia por 4x1 o Flamengo no Pacaembu. Mas Junior fez o segundo...

O último foi Raí. Desceu do avião, caiu no time do São Paulo que decidia o Paulista de 1998. E levou a taça para o Morumbi com uma atuação simplesmente espetacular e surpreendente. Foi a última vez que encontramos um repatriado com resultado tão decisivo.

Mas Robinho nem é veterano nem está voltando para ficar. E nem vai estar no caminho corintiano no que realmente interessa, em 2010. O gol de letra que fechou o clássico mostrou que o 7 da Vila voltou disposto. Podemos esperar que a arte volte, como naquele jogo contra o Equador no Maracanã ou na decisão do Brasileiro de 2002.

Rogério Ceni não deve ter tido uma noite das mais agradáveis ontem.

postado por Roberto Vieira, às 08:07

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07.02.2010

O Kajuru está de volta à tv. Faz um programa de 15 minutos da Esporte Interativo, Kajuru Sob Controle, às 20h. Tá meio estropiado, é verdade, vitimado pelo diabetes, com olho de vidro e a língua de mau, como sempre. Até tapa-olho faz parte do figurino. Mas mais contido, inclusive por sua partner, Melissa Garcia.

Jorge Kajuru é meio louquinho. Nunca tinha prestado muita atenção nele pois, em matéria de futebol, prefiro outro estilo, mais centrado. Mas ganhei um livro que custou 1 real do Kiko, lá de Joinville, em que ele fala abertamente sobre vários personagens do futbrasil. E, se não concordei com tudo, pelo menos gostei da verborragia. Não dá para negar que ele é autêntico, e, em se tratando de mídia, isso já é uma enorme virtude. Repassei para minha colega Tatiana Girardi, que também tem esta verve.

Kajuru fala dos estaduais e diz abertamente que eles se mantêm de pé muito pelo interesse das emissoras que os transmitem. E vendo a Globo promover o Carioca no Globo Esporte, botando um funk criado para a dupla de problemas/atacantes do Flamengo, Vágner Love e Adriano, que diz que com eles o goleiro não se mexe e o zagueiro não se move, me perguntei que diabos a gente quer vendo um campeonato em que, tirando os grandes, os times têm gente que não mexe e nem se movimenta? Quem fez o funk está com toda a razão. Fred, Adriano, Herrera, Phillipe Coutinho (é assim mesmo?) estão jogando contra cones. É a pura verdade. Só vai dar para saber se um time joga quando pegar outro do mesmo nível. Taça Guanabara é sinônimo de clássicos jogados contra Duque de Caxias, Macaé, Friburguense, Nuncavence, e a torcida embarca neste oba-oba global achando que tá vendo o futebol arte. Tenha paciência. Ainda assim o Olaria aprontou em pleno Maracanã, dia desses, empatando em 3x3 e ainda perdendo um pênalti.

Por isso é bom ter o Kajuru ali falando umas verdades que ninguém quer dizer. Mas quero ver quando ele tiver de dar uns paus em campeonatos cuja ostentação deriva de dinheiro advindo de meios obscuros, como vêm acontecendo na Europa, que são justamente a maior atração do canal que trouxe de volta o língua nervosa nascido no interior de São Paulo. Itália, Inglaterra, todos eles com seus escandalozinhos. Aí vou saber se o Kajuru vai continuar a ser o Clodovil do jornalismo esportivo ou não.

postado por Roberto Vieira, às 10:52

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05.02.2010
Uma lista dominada por cantoras. Nada menos que 6 aparecem na lista. Umas, revelações, como Maria Gadú. Outras, nem tanto, para ser gentil. Madonna reaparace com Celebration, e Luiza Possi faz sua estreia. Roberta Sá e Mallu Magalhães já passaram do status de novidades, e sedimentam a carreira, que é muito dura no Brasil, com tanta fartura de boas vozes do belo sexo.
Apenas a primeira posição vem com alguém da lista da semana passada.

1-MARCELO MIRA E D2 – CONSELHO (2) / duas semanas na lista

2-ROBERTA SÁ - O PEDIDO / estreia

3-GREEN DAY - 21 GUNS / retorno à lista

4-MARIA GADÚ - BELA FLOR / estreia

5-MADONNA – CELEBRATION / retorno à lista

6-MALLU MAGALHÃES - SHINE YELLOW / estreia

7-RIHANNA - RUSSIAN ROULETTE / retorno à lista

8-LULU SANTOS - BABY DE BABYLON / retorno à lista

9-LEONI - HORA DE PULAR DO TREM / estreia

10-LUIZA POSSI - AO MEU REDOR / estreia


postado por Roberto Vieira, às 11:20

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04.02.2010

A Copa das Nações Africanas acabou no domingo, disputada em Angola sob o pesar dos acontecimentos em Cabinda. Um jogo chato entre Gana e Egito, decidido no final com um gol egípcio, que deu o tricampeonato para a seleção que mais venceu a competição, sete vezes. A partida entediante me fez pensar como na África as coisas acontecem ao avesso. Mãe da humanidade, agora depende dos netos para se desenvolver. Também no futebol a África mostrou-se do avesso. Que culminou com uma seleção que não vai à Copa como sua campeã. Os desígnios politiqueiros da FIFA dão ao continente mais vagas do que se deveria ter. Assim como no caso da CONCACAF e da Ásia. As Américas deveriam disputar um torneio eliminatório único, com 12 vagas. A Europa 14, África 3 e o restante, Ásia e Oceania. Quase passamos pelo absurdo de ter a Argentina fora da Copa.

Vi o primeiro e o último jogo do principal torneio de seleções do continente. E vi alguns excertos das partidas em que até o narrador reclamou do baixo nível das partidas. Mas o primeiro jogo, Angola e Mali foi épico. Um time abrir 4 a 0 e sofrer o empate em 15 minutos ao final não é comum. Frenética, a movimentação prometia uma Copa bem interessante. A Costa do Marfim do nosso grupo na Copa do Mundo decepcionou, Camarões também. Mas a maior decepção ainda estaria por vir. Togo viu sua delegação ser metralhada no meio do caminho. O governo mandou voltar e a seleção se retirou da competição. Agora, a Confederação Africana de Futebol exclui os togoleses das próximas duas disputas em punição pela ¨interferência externa¨ do governo do país nos assuntos do futebol. Um grupo vê uma chuva de balas, tem sua existência em risco, enterra alguns de seus integrantes e, como se houvesse condição de fazer algo diferente, abandona a competição. E os atletas de Togo têm de implorar à FIFA que reverta esta decisão. Deprimente.

Seria melhor se a final fosse o começo. Não teríamos esse jogo chato de final e sim os 4x4, não veríamos este absurdo da punição dos cartolas africanos e ainda poderíamos salvar a delegação de Togo, que não teria sido atacada covardemente. Às vezes falta um rewind na vida.

postado por Roberto Vieira, às 08:20

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03.02.2010

Minha colega blogueira Larissa Vargas, do Enfant Terrible, pregou dia desses pela prática de ouvir as conversas alheias no busão. É, realmente, uma fonte inesgotável e riquíssima de histórias que podem virar matéria-prima para posts, contos, literatura de todos os níveis.

É claro, também, que depende da quantidade de tolerância que corre nas veias de cada um. Minha mãe, ao tomar o trem, se dedica a se irritar gratuitamente com os palavrões, com o que ela julga imoral, com o sotaque arrastado dos nordestinos radicados em São Paulo, com tudo, em suma. E a hipertensão só faz se agravar. Não é uma forma inteligente de lidar com o transporte público.

Eu, confesso, me incomodo mais com o mau gosto musical. Às vezes nem o earphone enfiado no canal auditivo abafa o barulho, e me deparo com as piores coisas já criadas com as sete notas (mentira, só umas duas são usadas normalmente nestes casos). Mas compensa pelo fato de ficar informado sobre aquilo que nem sempre a mídia enfoca, ou então, para saber o que a mídia anda, ditatorialmente, induzindo as pessoas a discutir.

Em um tempo em que eu trabalhava de domingo, peguei o trem lá pelas 13 horas. Um calor africano, apenas quem tinha obrigações a cumprir se dignava a fazer o trajeto Carapicuíba-Barra Funda-Anhangabaú nestas condições. Mas, chegando à última estação, uma senhora demonstrou desgaste ao carregar uma pasta. Me prontifiquei a ajudar, ela reclamou de um desconforto cardíaco, disse que teria de passar por uma cirurgia,e tudo. Assim começou um dos papos mais interessantes de minha vida. Dona Maria Magdalena tinha tanto a contar, que na outra semana estávamos eu, minha mulher e ela, viúva, em sua casa em Jandira, tomando chá e comendo bolo.

Infelizmente nunca mais conseguimos falar com ela. O telefone emudeceu, tememos pelo pior. Mas daquela experiência veio a certeza de que pessoas são valiosas, e únicas. O que faz que uma viagem coletiva possa, sim, ser uma espécie de garimpo onde as preciosidades têm rostos e falam. E as piritas, também.

postado por Roberto Vieira, às 08:04

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02.02.2010

Há um ano, exatamente, o blog dava seus primeiros pulinhos. Hoje , no aniversário, me lembro do que pretendia quando comecei e constato que consegui muito mais do que imaginava ter com este diário eletrônico. Canal para aproximar-me dos ouvintes, falar do que rola no estúdio e abrir a possibilidade de colocar mais palavras no meu relato, já que a rádio limita a veiculação de vários assuntos que gostaria de aprofundar, pelas características do Tá Ligado. Precisamente 365 posts depois, com precisão que me assombra, o espaço não ficou restrito aos que me ouvem diariamente no programa matinal ou semanalmente no Mondo Pop 80. Obra e graça da net, muita gente dos lugares mais diversos, que nunca ouviram minha voz ou me conhecem pessoalmente leem e comentam, e isso representou para mim uma quebra incrível de fronteiras.
Estamos chegando a 60.000 visitas, e a média de leitores chega a 200, diariamente. Longe, bem longe dos números estratosféricos dos blogs mais visitados, mas bem acima de minhas expectativas. Pois sei que a web oferece tantas possibilidades e, diante do cotidiano tão frenético de tanta gente, saber que estas pessoas param alguns minutos para ler o que escrevo muito me lisonjeia. Quero agradecer a quem reserva este espaço para compartilhar de minhas vivências, opiniões, concordando ou discordando, comentando, mas respeitando meu ponto de vista que, na pior das hipóteses, busca provocar alguma reflexão. E conservando, democraticamente, o direito a que todos se pronunciem. Todos os comentários a mim enviados foram publicados, à exceção de um ou outro que visava exclusivamente promover algum site que não pude apreciar.
E, claro, quero repartir com vocês a minha alegria diária de fazer o que gosto, tendo ao meu lado e ao alcance do meus posts gente tão diferenciada e bacana. Que todos vocês tenham a mesma realização, em seus trabalhos, que eu tenho quando me sento para dedicar meia hora ao blog. Creio que não possa desejar algo mais positivo que isso, tamanha a satisfação que sinto ao ter o resson@ncia entre nós. Obrigado.

postado por Roberto Vieira, às 08:06

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01.02.2010

No clássico, que começou como um jogo de xadrez, duas peças foram trocadas. O Palmeiras entrou com um lateral esquerdo que é nulo. O Corinthians, por sua vez, perdeu o seu com uma entrada grotesca. Roberto Carlos fez uma jogada estúpida, daquelas que fazem a diferença em momentos cruciais, e, por isso, fica marcado por lances isolados, mas que, pela inoportunidade, chamam a atenção. Do outro lado Pablo Armero fez mais uma falta inútil que gerou o primeiro gol e, assim, os times passaram a jogar com 10, com a vantagem de um gol para o Corinthians. Até que Muricy, em uma atitude inédita para mim, sacou literalmente seu 6. Arrancou o colombiano do campo, em um puxão que causou risos em quem viu, e choro do Armero. Trocado por meia-dúzia.

O jogo seguiu com um domínio estéril do Palmeiras até o fim do primeiro tempo. A pressão verde continuou no segundo tempo, e o empate parecia questão de tempo. Enquanto Muricy fazia o possível com o pouco que tinha à disposição, Mano, cuja passividade nestes momentos me preocupa, via seu time ser pressionado incessantemente sem nada fazer, apesar de ter um banco luxuoso. Iarley, cansado, não era substituído por Dentinho. Apenas aos 35 minutos Edu entrou, minimizando o desgaste de um time que jogou quase a partida toda com um homem a menos.

Mas ontem era dia do Corinthians, não do Palmeiras. Felipe fez uma partida primorosa, Danilo se saiu bem improvisado na lateral, e até Tcheco jogou bem. Mas o destaque é mesmo Jorge Henrique. Além do gol, defendeu, criou as melhores e poucas chances de gol e correu o campo todo, combativo como de costume. Um grande ponto positivo para um time que vai disputar a Libertadores foi a aplicação tática corintiana e o espírito de coletividade. Isso faz a diferença na disputa que realmente importa neste primeiro semestre. Apesar de Mano, mais um tabu se foi no futebol. Apesar de o Palmeiras ter merecido o empate. E quem disse que o futebol é justo?

postado por Roberto Vieira, às 07:42

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31.01.2010

Tênis é um esporte que prefiro jogar do que assistir, mas assisto. Não posso condenar quem acha chato. A contagem é estranha, os termos dos golpes em inglês não ajuda, é um esporte que, via de regra, se desenvolve de forma lenta, pois muitas vezes se ganha no psicológico. E é, basicamente, individual, o que afugenta admiradores. Mas quando um brasileiro está em quadra, grudo o olho na bolinha amarelo-limão.

Que bom ver outro patrício aparecer com destaque, depois de Guga. E melhor ainda: alagoano. Pra ver se a gente se esquece de lembrar deo lugar de origem dos Calheiros, Collors, Rosanes, PCs, Bulhões e passa a reverenciar o que o Estado tem de bom, como Djavan e este Tiago Fernandes, que se tornou o primeiro tenista da América do Sul a ganhar o juvenil de um Grand Slam, que é formado pelos quatro torneios mais importantes do planeta. Roland Garros, Wimbledon, Aberto dos EUA e Aberto da Austrália, este último o vencido por Tiago com convincentes dois sets a zero contra um tenista local, enfrentando torcida contra.

Sei que o tênis é um esporte elitista. Mas o é apenas porque o Brasil é monotemático em matéria de esporte. Tivéssemos quadras públicas acessíveis como na Argentina e apareceriam vários Gugas e Tiagos para mexer com nosso orgulho. Pois o tênis é um esporte fascinante, para quem começa a trocar os golpes. Demanda, além da parte física, muito controle mental e criatividade. Não é por mero acaso que um catarinense se tornou o melhor brasileiro de todos os tempos. A amálgama de raças aqui presente faz juntar características que poderiam formar jogadores de excelente nível, houvesse maior incentivo. Não conheço a trajetória de Tiago, tomei conhecimento da existência dele na última sexta-feira. Mas vou procurar me informar, pois daí deve vir coisa boa. Tomara que possamos voltar a ter manhãs felizes de domingo no esporte novamente.

postado por Roberto Vieira, às 11:11

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30.01.2010
As dez da semana estão de volta. Como tivemos uma interrupção no fornecimento de dados (parece desculpa de operadora de telefonia) não vai ser possível compilar os dados de histórico. Mas a partir da semana que vem tudo se normaliza. A lista, em si, não reflete nenhuma novidade. Destaque para o Muse, que saiu da trilha de Lua Nova direto para as cabeças!


1. MUSE – I BELONG TO YOU  
2. MARCELO MIRA E D2 - CONSELHO
3. CHARLIE BROWN JR - ME ENCONTRA
4. AGNELA - PODIA SER
5. ED MOTTA E MARIA RITA - A TURMA DA PILANTRAGEM
6. NENHUM DE NÓS - ABRAÇOS E BRIGAS
7. NEGRA LI - AMAR EM VÃO
8. TITÃS - PORQUE EU SEI QUE É AMOR
9. DETONAUTAS - O INFERNO SÃO OS OUTROS
10. BLACK EYED PEAS - MEET ME HALFWAY

postado por Roberto Vieira, às 08:42

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29.01.2010
Bom retomar o Tá Ligado, voltar a fazer o Perfil, o Aperitivo, falar com os ouvintes, receber as boas-vindas e voltar a conferir o que foi destaque  na rádio. E como eu não ouvi a Univali em  Janeiro, pois mesmo as coisas mais legais também demandam um certo distanciamento, me deparei com a lista do mês, que não tem nenhuma surpresa. É, praticamente  um resumo do que rolou nos 949 no último trimestre de 2009.

 
  • 1- NEGRA LI - AMAR EM VÃO
  • 2-AGNELA – PODIA SER
  • 3-CHARLIE BROWN JR - ME ENCONTRA
  • 4-UDORA – PELO MENOS HOJE
  • 5-DETONAUTAS - O INFERNO SãO OS OUTROS
  • 6-BLACK EYED PEAS - MEET ME HALFWAY
  • 7-LULU SANTOS - BABY DE BABYLON
  • 8-ED MOTTA E MARIA RITA - A TURMA DA PILANTRAGEM
  • 9-NENHUM DE NÓS - ABRAÇOS E BRIGAS
  • 10-NX ZERO -  ESPERO A MINHA VEZ
  • postado por Roberto Vieira, às 10:17

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    28.01.2010

    Trabalhei na central de um banco que atendia endinheirados (havia uns remediados também, mas eram minoria). O momento crucial era quando o cara não sabia ou esquecia a senha. Tocava a fazer o PID. O sistema escolhia aleatoriamente alguns dados e a gente tinha de confirmar. Se errasse, adieu.

    O Personal Identification Data podia ser algo simples como o nome da mãe. Era o que torcíamos que acontecesse. Nome da mãe mais data de nascimento e número do rg. Dificilmente alguém não sabe isso. E se o cara não sabe o nome da mãe, ou é um filho da puta (literal ou figurativamente) ou tá tentando fraudar o sistema. E posso dizer que é o rigor era grande. Errou a resposta, esquece. Se ligar de novo, o sistema pergunta a mesma coisa.

    Uma vez uma mulher ligou. Perguntei o nome do cônjuge. Quando olhei na tela a resposta, me segurei para não rir. Melhor. Não segurei. Apertei o mute para rir enquanto ela respondia, séria: Ricardo Pinto Duro.

    Me contive, soltei o mute e ela também soltou: Eu posso garantir!

    Aí não deu mais para segurar. A mulher era boa-praça, e me tranqüilizou dizendo que nem se importava mais com o fato de ter um marido com esse nome. Se fosse o Bradesco eu retrucava dizendo que era pior se fosse Pinto Mole, mas deixei para lá o momento Zorra Total e prossegui com o atendimento.

    Bom, além de algumas risadas e muito estresse este tempo na Central me conferiu uma chatice que é a marca de ex-operadores. Você fica tiririca com qualquer atendimento que não seja razoável. Meu banco, o Santander, bota os operadores para ligar para os nossos celulares e fazer o seguinte: o cara liga, se apresenta e pede para você responder para ele dados pessoais. E é claro que não digo. Na hora me seguro pensando no papel ridículo que o banco faz seus empregados passarem, mas quando o operador ¨veste a camisa¨, sem pensar no interesse do cliente, eu detono mesmo. Foi o que fiz ontem com o Gustavo.

    Depois deu pena. Mas todo mundo tem de pensar um pouco e ser razoável. Ligar para cliente no sábado de manhã? Perguntar o nome da minha mãe, ao invés de eles dizerem e eu apenas confirmar? Dizer que eu tenho conta desde 1999 neste banco?

    Gustavo, desculpa, nada pessoal. Mas na próxima reunião com seu supervisor use seu poder de contestação e demonstre o absurdo que se passou nesta ligação para ele. Espero sinceramente que o Santander pare de me perseguir, inclusive comprando os bancos onde eu tive conta.

    postado por Roberto Vieira, às 08:01

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    27.01.2010

    A Som Livre lançou o pacote Duran Duran, Live From London, gravado na cidade que reverenciava o quinteto nos anos 80. DVD e CD, o que, há 26 anos, foi feito de forma igual com Arena. Era, também um registro ao vivo, com a diferença que a banda àquela altura estava no auge, e o formato possível era vinil e VHS. A impressão que tive é justamente essa. De ouvir uma reedição de Arena, um quarto de século depois.

    Até a formação original foi reagrupada. A voz de Simon Le Bon continua a mesma, e a técnica de seus fellas também. Andy e Roger Taylor guitarras, John Taylor, baixo e o centro de tudo, Nick Rhodes, o mago que envolve o som do DD com os transes hipnóticos de Save a Prayer (a primeira deles e o ponto alto do disco) e Rio têm agora mais maturidade para ousar um pouquinho e fugir das marcas de estúdio que, invencíveis nos 80, criaram um mito. Duran Duran figurava, e os ingleses adoram isso, como uma nova edição da loucura que os Beatles geraram nos 60. Tanto é verdade que não demoraram a apelidá-los de fab five, tecendo comparação inviável com um fenômeno sem precedentes, exagero que se repetiria com o Oasis, na década seguinte.

    Fui ouvindo as faixas que influenciaram e marcaram a vida de tanta gente sem muita emoção, mas reafirmando a impressão de que os duranies foram o produto mais bem acabado do pop oitentista e, em minha opinião, sua tradução mais exata. Nesta época Paulo Ricardo estava em Londres e deve ter visto vários shows como esse. E fez o RPM emular, no Brasil, o fenômeno que assaltou o Reino Unido e, via MTV, os EUA, cobrindo o planeta.

    Vinte anos depois de Arena, o DD refez o show que justapôs hits que embalaram várias noitadas e romances. Fico sempre com a sensação de que nunca é a mesma coisa, como uma comida que você degustou na infância e que, mesmo com a afirmação do cozinheiro de que tudo foi feito exatamente da mesma forma, não tem o mesmo sabor. E bem que o Duran Duran se esforçou, mantendo os arranjos praticamente iguais, à exceção de um frasezinha chata de sax em Union Of The Snake. Fez tudo o que fãs sedentos e nostálgicos  esperam ver. Há ainda as músicas do álbum Astronaut, lançado em 2004, mas a mágica já havia acabado. O Duran fez muito quando podia fazer.

    postado por Roberto Vieira, às 07:55

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    26.01.2010

    Quem me ouve no Tá Ligado (que já voltou ao ar, por sinal) sabe que estou C & A para os Estaduais. E verifico, satisfeito, que mais gente se juntou nesta corrente. Mano Menezes e Ricardo Gomes usam o regional para fazer testes. O São Paulo foi colocar o time titular na terceira rodada. Isso porque a chapa já estava esquentando para o técnico tricolor.

    Mano só vai jogar com força total contra o Palmeiras, pelo planejamento anunciado. Este é o ponto: estaduais dos grandes centros valem apenas pelos clássicos. As maiores derrotas do meu time que vi foram sempre em jogos periféricos. Uma vez levamos de 6 do Juventude. Eu me lembro porque sou corintiano daqueles de comprar almanaque. Outra vez foi para o Botafogo. Que é outro embate sem maiores conseqüências, pois nunca decidiu nada. Quantos jogos entre os dois são memoráveis? Apesar de reunir dois grandes clubes, de tradição, não chega a ser um clássico da grandeza de um Botafogo x Santos, por exemplo.

    Agora, derrotas acachapantes em jogos entre grandes do mesmo estado são traumáticas. A de domingo do Fogoso frente ao Vasco já gerou a demissão de Estevam Soares, piadinhas pela internet e pelo Brasil afora. Por isso, em São Paulo e no Rio, somando tudo, são doze partidas que valem alguma coisa. Valia mais fazer um Rio-SP com uma dúzia de jogos com uns 40.000 pagantes cada.

     

    Ou então, quem sabe, criar um sistema em que Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos, em SP, e Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, no Rio, jogassem apenas a partir de quartas-de-final contra os melhores do Interior. Três partidas para que o campeão fosse apurado, sem desgaste, e só contra quem realmente interessa.

     

     

    Agora, uma coisa. O Santos, para mim, era carta fora do baralho. Com Robinho, é outra história. Mas o Palmeiras, jogando contra ninguém, e com o que tem de melhor, se não conseguir ganhar o Paulista, é melhor parar. SP e Corinthians estão como eu para os estaduais. C & A, se é que você me entende, e a Abril não vai me deixar explicar.

    postado por Roberto Vieira, às 08:48

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    25.01.2010

    Queria te dizer tanto neste dia de festa. Todas as minhas lembranças marcantes dos momentos felizes, muitos deles passados em suas largas avenidas, em meio às suas meninas, com meus camaradas que você pariu, como faz milhares de vezes a cada mês, sem parar. Queria homenagear seus pontos mais nevrálgicos, onde me formei como cidadão, homem, artista. Muita gente mais competente que eu já fez isso. Tom Zé talvez tenha sido o mais feliz, quarenta e dois anos atrás, ao produzir São São Paulo, Meu Amor.

    Resta a mim dizer que te tenho no coração como uma amálgama de sensações e memórias incandescentes, que se renovam e nunca, até minha morte, jamais se apagarão. O Copan, a Ipiranga, seus pastéis de feira, o Rei do Mate, os jogos do Corinthians no Pacaembu, as escadarias da Cásper na Paulista, a orgia eletrônica da Santa Ifigênia, o MASP, seus cinemas, a 24 de Maio, o metrô, as noites passadas em baladas na Vila Madalena, no Bixiga, suas pizzas, o trabalho tendo na janela a vista do viaduto Sta. Ifigênia, as noites nos pontos de ônibus, os dias na selva quente e repleta de cimento, a ensandecida sinfonia de carros e gente que abarrota suas ruas de comércio.

    São Paulo, hoje você faz 456 anos com todos os seus problemas, que se avolumam e se multiplicam pelos seus milhões de moradores. Estou a centenas de quilômetros de distância, e te presto uma homenagem fazendo, mentalmente, o caminho que mais te representa, no meu consciente. Tomo a direita na Praça Oswaldo Cruz e sigo, Paulista adentro, até desembocar na Consolação. Topo com a Babel que faz com que eu ouça gente falando em italiano, inglês, espanhol, francês. Vejo a parede imponente de prédios que se seguem, imponentes e inabaláveis mostras de seu poderio econômico. As bancas de jornais imensas que esfregam toda sorte de impressos na sua cara, a multiplicidade de sotaques, estilos, raças, intenções. Tenho o mundo todo a meus pés porque tenho você no meu sangue. Obrigado por tudo, São Paulo, te amo até debaixo d´água.

    postado por Roberto Vieira, às 07:44

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    24.01.2010

    A maior parte dos treinadores de futebol conserva uma relação que considero no mínimo estranha para os padrões do que se considera moderno. Eles têm os seus preferidos, aqueles que são seus queridinhos. Sei que em alguns casos isto abrange uma relação comercial que muitas vezes fere inclusive a ética. Pois o técnico sai, vai para outro time e o cara vai também, esteja ou não jogando bem. São os chamados elementos de confiança, de quem a torcida deve desconfiar -e muito. E os outros jogadores, também. Seriam estes os que ficariam fazendo o papel de espiões entre a boleirada, os puxa-sacos? Bem que deve passar pela cabeça deles.

    Em alguns casos, já mordi a língua quando desconfiei destes preferidos. Luxemburgo trabalhou com Ricardinho no Paraná. Quando trouxe o cara, que tava perdido lá na França, olhei meio de lado. Mas foi um dos responsáveis maiores pelo período mais vitorioso do Corinthians. E nunca mais conseguiu o êxito que obteve em Parque São Jorge, mesmo jogando em times de ponta. Inclusive foi o escolhido de Luxa para usar o polêmico ponto eletrônico, em 2001, coisa que foi proibida da forma mais hipócrita, bem a cara da FIFA. Hoje Luxa está no Atlético Mineiro e quem está lá, com ele? Ricardinho, de novo. Mas desta vez ele chegou antes.

    O Mano Menezes parece gostar muito do Tcheco. Eu sempre achei um jogador mediano, abaixo do padrão de times como o meu. Quando o Santos o contratou, fiquei contente. Mais um daqueles reforços pro adversário, pensei. E estava certo. Sua passagem por lá foi praticamente nula. E eis que agora tenho de engolir este sapo que, inclusive, parece ter feito beicinho para sair do Grêmio. Dois jogos e a Fiel já perdeu a paciência com o queridinho do Mano. Eu, que sou mais intransigente, nem esperei a estreia dele para vaiar. Espero, mais uma vez, estar errado e dar o braço a torcer. O Mano acha que o Tcheco é bom de Libertadores. Se o preço é aguentar este filho semântico de Praga, vou fazer o esforço. Mas Mano, será que ele não ajuda mais estando no banco?

    postado por Roberto Vieira, às 11:17

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    23.01.2010

    Acabei de ler a biografia precoce de Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, Domésticas, Menino Maluquinho 2, O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira. Destes, não assisti apenas a adaptação da obra de Ziraldo, e os demais são ótimos em várias gradações. Mas Cidade é demais. Ao contrário de Tropa de Elite, me nocauteou. Técnica e um roteiro precioso, adaptado do livro de Paulo Lins. É, dos que eu vi, um dos três melhores brasileiros. O estranho é que eu já era fã de Fernando sem saber.

    Assisti às incursões dele pela tv, no TV Mix da Gazeta e no 23ª Hora, quando estava ligado à produtora de Goulart de Andrade. De vez em quando, acordava meio cedo demais e começava a assistir o Telecurso 2000. E ficava impressionado com a qualidade daquilo, mas não parava para ver a ficha técnica. Só soube que era dele ao ler Biografia Prematura, de Maria do Rosário Caetano, que também não conhecia e que me surpreendeu muito positivamente. Fernando quando fala na tv aparenta ser pouco eloquente, mas a biografia me deu bem mais informações do que a autora julgou ter conseguido em meio às dificuldades para poder entrevistar um diretor agora mundial em ascensão.

    Conhecer a trajetória de um cara que consegue unir teoria e prática com tanto equilíbrio e em nome da arte, que normalmente atrai gente muito mais afeita a conceitos do que propriamente a vida real me fez sentir confortável, apesar de passar longe do apego pela filosofia que Fernando demonstra. E me deu vontade de conhecê-lo pessoalmente. Deve ser um papo ótimo.

    As biografias da série Aplauso são meio unilaterais, as que eu li sempre trazem o ponto de vista do artista, o que prejudica um pouco o resultado final. Pois já vi amigos de Meirelles dando depoimentos sobre ele que enriquecem muito a visão que podemos ter de um personagem que é raro. Marcelo Tas, se não me engano, o rotula de metódico, e não pode ser diferente um cara que orienta sua vida de forma a cumprir etapas elaboradas em divisão por décadas. E talvez seja o que falta a nós para sermos melhores. Temos a criatividade, o poder do improviso, a mestiçagem nos concedeu amplas possibilidades de lidar bem com a arte e desenvolver talentos. Por unir tudo isso e ainda dar vazão ao racional Fernando Meirelles pôde e pode galgar em uma década de cinema degraus até agora não explorados pelos seus pares. E acho que vai muito além.

     

     

    E a biografia tá disponível de graça no site da Imprensa Oficial, que editou a série Aplauso. Leitura divertida, elucidativa, rápida e acessível. Melhor, só se viesse com os filmes do Fernando para a gente rever.

    postado por Roberto Vieira, às 12:08

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    22.01.2010

    Lulu lança seu 22º álbum, e é um dos poucos hitmakers do pop brasileiro que acerta com tanta constância que sempre está em evidência, desde Tempos Modernos, de 1981. Lulu faz show no réveillon de São Paulo, do Rio, entra na Globo, na MTV, em AM, FM e em qualquer lugar. Singular, a música, com sua guitarrinha havaiana, remete aos primeiros trabalhos, mas Lulu já mostra em Perguntas que soube trafegar nas mais diversas ondas que envolveram a música feita para jovens nestes quase trinta anos. Essa é hit que usa e abusa dos mesmos recursos que fazem com que as pistas acolham o Black Eyed Peas com devoção. E Lulu tem uma vantagem enorme. Manja muito de música, é um instrumentista respeitado e domina como poucos a arte de ser entertainer. Seu show é diversão garantida, e ele poderia enfileirar umas quatro horas de hits. Isto significa um currículo calcado no que o grande público absorve, mas mantendo um nível que pouca gente consegue alcançar.

    A bossa Black And Gold é deliciosa para se ouvir em um final de tarde à beira do mar. Os climas vão se alternando, e o disco todo é de uma qualidade impressionante. Procedimento, o samba, mostra Lulu instigado a fazer diferente, a almejar desafios, o que, para um cara que começou nos 70 já em uma banda lendária, a Vímana, não é pouca coisa. Muitos de seus colegas de geração ou se aposentaram ou embarcaram em uma receita da qual não se livram mais. Luís Maurício Pragana dos Santos anseia por novidades a cada trabalho, e talvez esta seja sua característica mais interessante.

    Responsa enorme recriar Zazueira. Nessa Lulu se deu mal. O swing de Jorge Ben não requer releitura funkeada, já tem todo o balanço necessário para perdurar, sem se entregar a modismos, sobretudo o funk carioca que, a meu ver, já cansou. Até Roberto Carlos já fez sua versão de Mc Leozinho, e quando um ritmo chega a este ponto, só resta a decadência inevitável.

    Duplo Mortal me remeteu a Eric Clapton, aquele de Change The World. Na Boa foi feita, letra e música, para se tornar hit, daqueles cantáveis da lavra de Um Pro Outro, Certas Coisas, Casa e Um Certo Alguém.  Mas como mudou muito o esquema de rádio nos últimos tempos, talvez fique pelo caminho.

    Se você gosta de Lulu, embarque sem medo, sua admiração pelo Luis Mauricio só fará aumentar. Se você não gosta, ouça também. Acho difícil que pelo menos uma faixa não te pegue pelo pé. E reconheça. O cara entende do métier.

    postado por Roberto Vieira, às 08:12

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    21.01.2010


    Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele.


    Luís Inácio Lula da Silva


    Ultimamente vivemos em uma pseudo-ditadura. Não se pode falar mal do Lula, e não sei qual o motivo. Nem crítica de cinema livre pode existir mais, pois até neste campo ele se meteu, envolto em seu escudo invulnerável, como um herói de desenho animado. Mas o fato é que críticas ao presidente que alcançou 80% de popularidade em seu governo soam como insulto, e a impressão é que estas pessoas que se portam como vespas ao menor vestígio de não-incorporação ao oba-oba geral que se formou ao redor do Luís Inácio se sentiriam melhor em um regime stalinista do que propriamente sob um clima de liberdade de expressão. A estes, um alerta: ditadura é para todos, sem exceção. Se você acha que ser dócil a quem está no poder te confere um salvo-conduto, lembre-se de que Trotski estava do lado dos vencedores. E saiu assassinado. E o mesmo acontece em ditaduras de direita, também. Elas são terríveis, ideologia à parte.

    E para quem acha que a Presidência da República deve ser blindada, dois alertas. O primeiro é que, em uma democracia, ninguém está livre de críticas, e elas fazem as coisas andarem melhor. Ou vocês querem o Collor de volta?

    Houve quem tenha torcido o nariz quando usei de minha posição de apresentador de rádio para satirizar Lula. Desculpe, gente, mas humor é sempre contra. Até os petistas mais esclarecidos entendem isso, sem problemas. E eu nunca tive outro presidente no poder para poder fazer isso. E não vejo a hora de exercitar minha criatividade contra Serra ou Dilma. Eles são ótimos alvos.

    Outro alerta é que ninguém, na história deste País, desprezou tanto a liturgia do cargo quanto Lula. Seus improvisos normalmente juntam uma quantidade de bobagens que me fazem corar, e olhe que estou acostumado a falar besteira em público também. A diferença é que não represento milhões de pessoas e nem um país. A frase que citei aí em cima foi a mais recente demonstração de sensibilidade dele, e me fez pensar em qual desculpa umas feministas que conheço vão arrumar para a fala do rapaz que pediu que mulheres se submetam não pelo poder, mas sim pelo amor. Mais machão safra 1970 impossível.

    Quando Maluf disse algo parecido, invocando o ¨estupra, mas não mata¨, houve uma gritaria geral -e justificada. Mas Maluf era apenas candidato a presidente, de direita, só tinha seus 10% de habituais seguidores (que já estão passando dessa, antes do capo, que é eterno, pelo jeito) e nunca chegou à popularidade estratosférica de Lula, a mesma que se tornou sua principal adversária. Ele crê piamente que está acima do bem e do mal. E fala tudo o que tem dentro de si, inclusive as coisas mais obscuras, mostrando que é o filho do Brasil mais atrasado.

    postado por Roberto Vieira, às 09:15

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    20.01.2010

     

    Como não ser arrebatado por uma canção que é amada pelo desafeto de quem a criou? Stewart Copeland e Gordon Sumner se estapearam enquanto o Police esteve na ativa. Quando resolveram voltar, há uns dois anos, tudo começou de novo. Um é baterista dos melhores já surgidos no rock. Criou uma escola com vários adeptos, o mais conhecido deles João Barone, dos Paralamas. Gordon passou a ser conhecido pelo apelido que diz muito sobre sua personalidade. Sting, ou ferrão, temperamento forte, usava uma camiseta amarela e preta, listrada, e era tão irascível na escola que acabou por adicionar à sua persona o chamamento que todos os que passaram a ouvir a mistura de reggae e rock que o Police exibiu ao mundo no fim dos anos 70 identificaram como a marca do Police. A voz quase rouca e o baixo criativo, as composições inspiradas que geraram a admiração e a inveja do companheiro de banda. E também um dos motivos que levaram o grupo à dissolução.

    Sting era o compositor mor, e, claro, queria ganhar mais do que os outros. Stewart Copeland e Andy Summers, exímios instrumentistas, não tinham o dom e nem eram frontmen do conjunto. Sting compôs simplesmente as músicas-chave. Every Little Thing She Does Is Magic, Rozanne, King Of Pain, Walking On The Moon e, claro, Every Breath You Take.

    Esta última apareceu no último álbum e o melhor dos cinco. Synchronicity é a obra-prima do Police, contando com as músicas que deram nome ao disco, versão I e II, a linda Tea In the Sahara, Wrapped Around Your Finger, um trabalho inspirado. Mas a balada que marcou época, que ainda hoje, 27 anos depois de composta é presença constante nos playlists de programas de flashback madrugada afora foi EBYT. A letra é a repetição de um mantra possessivo, ciumento. O arranjo é baseado em uma linha de baixo hipnótica, com pinceladas de guitarra e viradas ocasionais de bateria, que servem de mera figuração para a poesia cantada com veracidade por Sting. Cantada não, interpretada. Sting já foi questionado sobre sua posição acerca de EBYT e If You Love Somebody, Set Them Free, que é seu oposto total, pregando a liberdade nos relacionamentos, condenando a posse e a obsessão pelo outro. Escreveu as duas, mas se identifica com a segunda. Que, apesar de ter puxado seu primeiro solo, nunca chegou à poeira de sua antagonista. Every Breath You Take foi a balada dos anos 80, e dificilmente será superada nas décadas seguintes, pois chegou à beira da perfeição, como Stewart Copeland admitiu, na entressafra da banda. Poucas vezes a música pop conseguiu tanta concisão e o equilíbrio entre composição, arranjo, virtuosismo e interpretação. É para parar, ouvir e, se você estiver de coração partido, cortar os pulsos -de forma figurada, sempre.

    postado por Roberto Vieira, às 07:09

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    19.01.2010

    Me envolvi novamente em uma discussão acerca do Diarinho. Polêmico, o tabloide itajaiense instiga até mesmo quem não o lê. Normalmente o pessoal da área de comunicação é simpático aos jornais que fogem do esquemão representado por RBS, Folha, OESP, Globo. Não sou diferente neste aspecto, mas não foi isso que me fez defender o Diarinho da acusação de que ele não agrega instrução às pessoas que leem seu misto de gírias peixeiras e termos até por vezes chulos, fora do contexto. As notícias têm de passar por um ¨diarólogo¨, um editor que verta o português-padrão para o idioma que foi criado baseado no humor e no linguajar da terra. E isso foge do normal jornalístico, que via de regra prega o uso do idioma em seu tom mais formal e polido.

    Assim, policiais viram ¨hômi-da-lei¨, Justiça vira ¨dona justa¨e por aí vaí. Eles tem o cuidado de colocar em itálico, e confesso que às vezes tenho de parar para pensar no que eles estão querendo dizer. Não sou leitor assíduo do Diarinho, mas conheço gente boa que trabalha e trabalhou lá. Sei da importância que o jornal tem no cotidiano de milhares de pessoas que o leem, das mais diferentes classes sociais. E acho que a relevância do trabalho que é realizado lá é, além de fazer algo criativo, diferente, embora tenha minhas ressalvas com relação a uma ou outra postura ética, o de fazer com que pessoas que não leriam outro jornal se desloquem até uma banca, gastem o valor que é o correspondente a um litro de leite e consumam informação, leitura e deem emprego a jornalistas que fazem um veículo que chama a atenção até nas faculdades de comunicação de São Paulo.

    Eu tive jornal em minha casa de classe C quando criança porque existia um jornal em São Paulo que se chamava Notícias Populares. Era barato, direto e por vezes estampava manchetes berrantes, como Bebê Capeta nasce na Capital, ou algo do gênero. Não obstante isso, me fornecia acesso a notícias de esporte, mundo (a editoria internacional era considerada das melhores nos anos 70) e, mais importante que tudo, me acostumou a sujar as mãos de tinta preta -e azul- e folhear um diário. Hoje sou compulsivo por jornal, e leio pelo menos um por dia, religiosamente. Por isso defendo veementemente a existência de jornais populares, que permitam, caso o leitor queira, que ele se aprofunde e procure, depois de amadurecer, outro tipo de canal de informação. Passei a assinar a Folha de São Paulo e depois comecei a ler O Estado de São Paulo, o que faço até hoje. Mas quando vejo, como na última disputa municipal, uma manchete do Diarinho como Periquito tem Dado coladinho não posso deixar de sorrir e ler.

    postado por Roberto Vieira, às 08:14

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    18.01.2010

    A Band passou ontem 23 Anos em 7 segundos. O título do documentário remete ao tempo que a bola alçada por Zé Maria levou para entrar no gol da Ponte Preta em 13 de Outubro de 1977, arrematada por Basílio e acabando com 22 anos de tormento. 22 pois a partida final do último título alvinegro havia sido jogada em 6 de Fevereiro de 1955, como bem lembra Juca Kfouri. Este jogo marca a minha conversão ao corintianismo, ainda que, menino que nem para a escola ia ainda, eu não entendesse nada do que se passava naquela noite em que São Paulo parou.

    Mas a festa me conquistou, e, mais que isso, a minha figura paterna, que, aos olhos de uma criança, é invencível. Eu não tinha a dimensão de que meu pai carregava a fila nas costas e para mim apenas o vencedor se sobressaía, fazendo parte daquela massa que, ensandecida, gritava, buzinava, parava o trânsito, noite adentro. Naquele dia tudo foi diferente. Fui dormir tarde, pulei, festejei, tive meu pai o mais próximo que pude, dividimos a mesma bandeira.

    Falando do filme, é, para corintianos, emocionante. Para não-corintianos, lança luz sobre vários aspectos do ser que é, sem dúvida, diferenciado. Como diz Hortência, um dos vários entrevistados bem escolhidos, que torcida é essa que aumenta depois de duas décadas sem vitórias?

    Eu, durante muito tempo, desconfiei mesmo que Rui Rei estivesse na manga. Um cara que, em uma decisão, 15 minutos, consegue levar um cartão vermelho em uma jogada sem importância ao insultar um juiz como Dulcídio era, deixando seu time com um a menos só podia estar mal-intencionado. E ainda ser contratado pelo Corinthians, logo depois. Mas José Teixeira, que era preparador físico e depois assumiu o cargo de Oswaldo Brandão, replica que, de forma premeditada, os defensores do Corinthians entraram em campo dispostos a provocar o jovem atacante da Ponte. E revendo o lance, se percebe que a alteração do jovem 9 da Macaca é tão grande que seria muito difícil encenar tal esquete.

    Outro personagem é Carlos. Tecnicamente perfeito, desastradamente azarado, era o goleiro da Ponte que rebateu a bola no nariz de Palhinha, marcando o gol que daria a vitória ao Timão no primeiro jogo. E foi aquele que, em 1986, foi o único que vi colocar um pênalti em Copa do Mundo para dentro ao jogar contra a França. Como dizia Nelson Rodrigues, havia séculos que estava escrito que seria assim. O time que perdia para si mesmo anos a fio só poderia ganhar se encontrasse outro na mesma situação, ainda que muito superior tecnicamente. E tinha que ser assim. Sofrido, renhido, chorado, difícil. Corintiano.

    postado por Roberto Vieira, às 10:13

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    17.01.2010

     

    Acabou a ansiedade, e a temporada de futebol começou. Hoje os grandes jogam pelo Campeonato Paulista, que eu acompanho com mais atenção, apesar de o Corinthians dar, a meu ver, mais importância do que deveria à competição. Mano Menezes tem um grupo de 32 jogadores, e na Libertadores só 25 podem ser inscritos. Logo, estes 7 restantes devem ser mais usados no Paulistão que é, cada vez mais, um aquecimento para o que realmente interessa: Libertadores.

    Vou ver o jogo contra o Monte Azul (!?), e ainda ficar atento aos que os rivais vão aprontar. Apesar de falarem que o Palmeiras não contratou, Muricy manteve a base, o que é meio caminho andado. É o grande favorito para levar o Paulista, pois o Corinthians não deve desgastar suas peças principais (até porque a idade não permite), e muito embora a torcida e os velhos dirigentes preconizem a glória estadual, seu treinador sabe priorizar o que realmente vale a pena. E o São Paulo também deve desprezar a disputa em favor de sua especialidade, o torneio continental. Mas é uma incógnita, pois agora o time é o de Ricardo Gomes, não mais o vencedor grupo formado por Muricy. O gentleman ex-zagueiro de Flu, Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira vai mostrar se realmente tem talento, agora.

    O Santos ia merecer um elogio por se reforçar, se livrando de Kléber Pereira. Mas cometeu o erro de trazer de volta Giovanni, para atrapalhar a si (colocando em risco sua grande reputação perante a torcida santista) e ao time de Dorival Junior. O novo presidente do clube parece ser bem intencionado, mas é pouco. Marquinhos, que veio do Avaí, vai sofrer. E, peço desculpas aos leitores e ouvintes que torcem pelo mítico time de Vila Belmiro, mas vejo o Peixe como um daqueles times que vão brigar contra o rebaixamento este ano. Não coloco uma ficha na Baixada este ano.

    Está sendo dada a largada para a temporada mais apetitosa dos últimos anos. As maiores torcidas do Brasil, pela primeira vez, reunidas em uma Libertadores. Nunca, na história deste país tivemos Flamengo, Corinthians e São Paulo na batalha pelo troféu mais tosco do continente. E ainda tem a Copa das vuvuzelas. Haja paciência!

    postado por Roberto Vieira, às 18:12

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    16.01.2010

     

    Certas coisas são tão peculiares que você só consegue compreender o real significado delas quando passa pela experiência. Sexo. O nascimento de um filho. Aprovação no vestibular. Escapar do exército.

    Quando minha mãe dizia que da felicidade que ela sentia ao ver seus filhos escarrapachados no tapete da sala com uma tigela de bolinhos de chuva, Nescau e vendo Pyca Pau na televisão eu tinha dificuldade em entender. Coisa matemática. Choveu, não dá para brincar lá fora? Era ligar a tv e ficar comendo alguma coisa. Quando eu era moleque não havia tv a cabo, e mesmo que houvesse não tinha dinheiro em casa para isso. Mas, felizmente, as emissoras abertas passavam os desenhos à tarde. Então, se pudesse, minha mãe -ou minha avó, o que era mais raro- faziam lá uma baciada daqueles bolinhos de chuva, correndo a ponta do dedo pela colher até derrubar a massa na panelinha de óleo quente. Até o formato dos bolinhos gerava um brinquedo, ao imaginar que formas teriam. Coisas de criança, que você esquece quando troca o tapete da sala de casa pela mesa de um barzinho qualquer. E volta a lembrar quando aparece um guri na família.

    Como anda chovendo muito, tenho ficado com meu filho retido em casa nas férias. E posso voltar no tempo reconhecendo as reações dele, que me fazem entrar em flashback a toda hora. As bobagens de moleque, que são bem particulares ao sexo masculino. Ou você consegue pensar em uma menina botando o pé no seu nariz e mandando cheirar?

    Estava mexendo com meus brinquedos de adulto (alicate, chave de fenda, trena, não pensem bobagem) e, ao lado, na sala vazia, meu moleque ria, vendo o mesmo desenho do Peeca-Pau que eu via em minha meninice. Chovia uma garoa incessante lá fora, e ele traçava seu achocolatado e uma bisnaguinha, feliz da vida. A bisnaguinha fica por conta de minha incapacidade de fazer o decantado bolinho de chuva.

    Minha mãe, se visse, ficaria da mesma forma que eu fiquei. Parado, com as mãos cruzadas, com um sorriso besta, satisfeito por poder dar à criança que você pôs no mundo uma felicidade instantânea e conseguida de forma muito simples, e desgraçadamente tão inacessível a tantas.


    Detalhe: a Abril não permite o uso da palavra pika com c. Deve ter um papa que fica lá elaborando um código de conduta que impede o Woody Woodpecker de ser chamado pelo seu nome em português, tão sonoro e infelizmente duplamente ligado ao sinônimo do cazzo, o órgão sexual masculino. Por isso tive de usar de um subterfúgio ridículo para burlar uma regra para lá de ridícula. Ficou nonsense mas quem leu até o final entendeu tudinho.

    postado por Roberto Vieira, às 10:19

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    15.01.2010

    A Gazeta está fazendo 40 anos. Para quem mora em São Paulo, uma emissora de tevê que é tipo uma Portuguesa ou um América carioca. Simpática, tão humilde em meio ao meio milionário em que está inserida que até suas tosquices são perdoadas com um sorriso. Moleque, eu via o Carlos Aguiar por uns instantes -não dava para aguentar muito- e o cenário pobre, o figurino mais brega do que o de seu guru, Sílvio Santos, a figura que lembrava um Harpo Marx, mas falante e gordo. Passava os domingos de manhã vendo o Desafio ao Galo. Uns times de várzea que se enfrentavam e o vencedor ia ficando, até ser batido. O metrô passava atrás do campo de cinco em cinco minutos, e os anônimos suavam no campinho. A  Gazeta nunca podia passar os campeonatos principais, não tinha grana para isso. Mas em 1987 houve uma ruptura no esquemão e os Jogos Panamericanos de Indianápolis caíram no colo da pobrezinha. Pois a maior vitória do basquete brasileiro em todos os tempos foi transmitida pelo nanico canal onze, que mal era captado fora da capital paulista. Oscar, Marcel e cia. fizeram história para poucos que viram ao vivo.

    Mas muita gente boa saiu de lá. Marcelo Tas e Fernando Meirelles estrearam na televisão no Olhar Eletrônico, em 1983. No ano seguinte, era Fausto Silva, com Nelson Tatá Alexandre e Carlos Roberto Escova, no revolucionário Perdidos na Noite. Astrid Fontenelle no TV Mix. Cléber Machado, saído do departamento de maior audiência de casa, o que normalmente significa uns três pontos no ibope. Nunca havia passado pela minha cabeça ter alguma relação com a Gazeta que não fosse a de espectador, mas nossos destinos se cruzaram quando fui aprovado no vestibular e comecei a fazer Publicidade na Cásper Líbero, a faculdade que, como a televisão e a rádio fazem parte da Fundação Cásper Líbero. Aí passei a entender um pouco de tv por dentro, e o porquê de a Gazeta ser simpática. O misto de gente que sai da Cásper, crua, estagiando, com os velhos que já estão na descendente, querendo sossego, cria um ambiente amistoso, de camaradagem, sem a costumeira guerra de egos que normalmente norteia o ambiente televisivo. Isso, de alguma forma, deve passar para o telespectador. A falta da pressão neurótica por audiência, que permite que experiências legais como criar um horário na faixa nobre para seriados cults como Além da Imaginação e Perdidos no Espaço ou coisas mambembes como a cozinheira Palmirinha contracenando com um boneco de espuma soam surreais e são a marca da Gazeta. Quem estiver fora de SP e tiver parabólica pode ver um pouco disso hoje, às 22:15, no canal 10. Quem tá em São Paulo pode ver no 11, VHF (depois que a Globo botou uma antena no prédio da Cásper, nos 80, a Gazeta se beneficiou e melhorou bastante a cobertura). Eu não vou perder isso por nada.

    postado por Roberto Vieira, às 08:23

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    14.01.2010

     

    Apesar de ter trabalhado por uma semana em Campinas, como apresentador de eventos, fiquei com poucas lembranças da cidade que não fossem as relacionadas aos dois times, Ponte Preta e Guarani. E longe, bem longe de Campinas, conheci um pontepretano. O Fausto se lembra com riqueza de detalhes de seus tempos de menino e sua convivência com os craques da Macaca, já que seu pai fazia parte da diretoria da Ponte Preta. Foi interessante juntar as memórias de dois moleques que estavam em campos distintos, passando pela mesma fase, de encantamento pelo futebol. Eu me tornei corintiano na festa do título de 1977. Não entendia o que era aquilo, meu pai, ensandecido, colocou uma bandeira nas minha mãos e eu, na avenida principal de cidade em que morava, agitava freneticamente enquanto os carros passavam, buzinando, em uma alegria que nunca havia visto.

    Naquele momento o Fausto chorava a perda do Paulista, e seu time era melhor. A Ponte tinha Dicá, Carlos, Polozzi, Lúcio, Odirlei, Oscar e o Corinthians era um time de operários carregado por mais de 100.000 fanáticos. Pior pro Fausto, no ano seguinte o rival Guarani levantava o título brasileiro, com uma máquina onde despontavam Zenon, Renato, Zé Carlos e o garoto Careca. Em 1979, nova final contra o Corinthians que, desta vez, já tinha uma condição melhor e venceu com méritos, conduzido por Sócrates.

    O fato é que Campinas, àquela época, reunia o que havia de melhor em matéria de futebol. Quem vive lá diz que não existe rivalidade maior, em lugar nenhum. E se pudessem juntar -tarefa impossível- os dois times, teríamos uma Seleção Brasileira difícil de ser batida. Entre o final dos 70 e o começo dos 80, a seleção campineira podia ser formada por Carlos, Amaral, Oscar e Polozzi; Edson, Zé Carlos, Renato, Zenon e Dicá; Lúcio e Careca. Minha seleção dos sonhos joga no 3-5-2, (problema do Carlos Alberto Silva treinar o time assim) no Brinco de Ouro e com a camisa verde do Bugre, com aquele G enorme no peito. O Casseta ia fazer remissão à fama gay da cidade, mas seria um time fantástico, que só vai jogar nos melhores sonhos de quem ama futebol e sabe que houve uma cidade do interior paulista que já foi capital mundial do futebol.

    postado por Roberto Vieira, às 09:07

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    13.01.2010

    Hoje parece totalmente anacrônico falar disso, mas há apenas uns 10 anos telefone era um bem a ser relacionado no imposto de renda. Talvez minha melhor decisão em matéria de economia tenha sido a de convencer, depois de muita argumentação, minha mãe a vender uma de suas linhas. Nossos pais e avós, normalmente, têm dificuldade em pensar como investidores de bolsa, para quem comprar e vender significa apenas uma rotina que faz parte do jogo.

    Na região em que morava, em São Paulo, já havia chegado a valer uns 7.000 reais. Em Alphaville, ali perto, devido à grande procura, até 20.000 reais eram desembolsados pelo direito de ter uma linha fixa. A nossa foi vendida por bem menos do que isto, 3.500 reais. Mas, apesar da oposição de Lula (quem diria) e dos partidos de esquerda, a privatização das teles aconteceu. E os 3.500 reais representaram um ganho fácil. Em pouco tempo a cidade estava inundada de novas linhas, mas mesmo assim muita gente não acreditava e tratava seu número como se fosse um tesouro.

    A Telefônica é uma droga. A Brasil Telecom, agora Oi, também não fica longe disso. Já tive que ficar muito tempo pendurado no celular para resolver problemas de linhas fixas. Mas nada se compara ao tormento de uma Telesp. Me lembro do acontecimento que era o lançamento dos tais planos de expansão. Filas, disputa férrea por uns poucos números que eram destinados a cada região como se fossem botes salva-vidas em uma naufrágio. A alegria de minha mãe ao receber seu carnêzinho com as faturas que davam direito a ser proprietária de uma linha telefônica. E quando o instalador chegava com o aparelho, então? Uma coisa de outro mundo, como se um astronauta estivesse dando as caras depois de alguma missão no espaço.

    Neste ponto, creio que pudemos ter a mesma experiência que as  pessoas que recebiam os primeiros telefones, no início do século passado. Era coisa de abastados, ter telefone. Há dez anos também. Hoje, linha fixa é coisa dispensável, e eu mesmo passei anos sem ter uma. O Márcio da Koerich, uma das empresas terceirizadas que prestam serviço à Oi veio instalar uma linha aqui em casa. Até isso melhorou. Agora são seres humanos que se encarregam disso, não mais funcionários públicos que se consideram acima do bem e do mal.

    postado por Roberto Vieira, às 10:45

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    12.01.2010

    Agora a questão é Roberto Carlos. Como aconteceu ano passado, a contratação polêmica e bombástica do fim de ano do Corinthians mobiliza todos. A diferença é que desta vez poucos discutem a forma física do contratado.  O lateral prima pela boa forma física, nunca teve contusões graves e estava em plena atividade. Mas RC passou por situação parecida com a de Ronaldo. A França em 98 para o Nazário, a França em 2006 para o Carlos.

    E, em verdade, o que me preocupa no 6 que muitos consideram um dos melhores da história é justamente a máscara. Roberto Carlos deixou uma imagem de jogador egocêntrico, pouco preocupado com o grupo, quando seus interesses financeiros estão em jogo e sua cabeça em outro lugar. Na final do Paulista de 1995, jogou mal, visivelmente se preservando para carreira européia.

    A diferença é que, 15 anos depois, em fim de carreira, tem a oportunidade de conseguir uma glória única e passar para a história de um clube que conta com uma torcida numerosa e apaixonada, uma odisséia capaz de “limpar” as máculas da última Copa do Mundo e, chegando ao final do ano em Dubai, fechar o ano dourado, com Libertadores, Copa do Mundo e Mundial Interclubes no currículo. Seria um belo desfecho, sem dúvida alguma.

    Outra polêmica envolve a questão do centenário. As torcidas adversárias esfregam as mãos, vislumbrando mais uma série de fracassos que já se tornaram comuns quando clubes como Flamengo, Vasco, Coritiba, Internacional e Fluminense completaram 100 anos. Eu, corintiano e otimista, vejo de outra forma. A oportunidade que se avizinha é única, e a responsabilidade seria muito maior, imensa mesmo, se as tentativas anteriores dos rivais tivessem obtido êxito. Aí a cobrança seria pesada, como é a da Libertadores, que São Paulo, Santos e Palmeiras já conseguiram, ao contrário do Corinthians. É sempre melhor poder abrir a série. E jogar o peso de repetir o ano vitorioso de 2010 que o Timão terá para os próximos que fizerem 100 anos na sequência. 2014 está aí, e será que o Palmeiras estará em uma fila de 14 anos sem títulos relevantes?

    postado por Roberto Vieira, às 09:39

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    11.01.2010

    Há músicas que encontram seu equilíbrio perfeito em uma determinada versão. Quando ouvimos, ficamos certos de que nenhuma outra a pode superar, nem acrescentar.

    Conheci a versão de 1971 de Gal Costa para Sua Estupidez muito depois de ouvir a original, de quem a compôs, no caso Roberto Carlos. Isso deve ter acontecido lá por 1990, na minha fase Eldorado FM. Quando botei os ouvidos na interpretação de Gal, fiquei encantado. Acho a letra pobre, e Roberto Carlos raramente consegue algo notável neste campo. Mas a melodia simples, mas inspirada, meio embluesada, ganhou a pontuação exata quando entrou no álbum   Fa-Tal, que Gal lançou apenas dois anos depois da gravação original.

    O arranjo é baseado em violão e piano, com Gal fazendo uma voz grave, contida, em uma interpretação sóbria que respeita o tom magoado do interlocutor, que tinha destino certo, segundo Paulo César de Araújo na sua biografia de RC. A esposa do biografado, Nice, que discutia por coisas insignificantes na visão do marido.

    Em 1997 Gal gravou Sua Estupidez mais uma vez. No Acústico MTV, com acompanhamento de orquestra. E mais uma vez ficou latente que nunca vai conseguir o mesmo efeito. Nem ela, nem ninguém. Gal já passou pela fase de maior cantora do país, nos anos 80, já saiu apoiando ACM no caso que lhe valeu a cassação, no começo dos 2000 (e que fez com que eu prometesse nunca mais gastar um centavo com ela, o que cumpri rigorosamente até hoje), entrou em uma fase descendente na carreira que parece irreversível. Mas atingiu a perfeição, em meio aos exageros de Meu Nome é Gal, ao suingue de Benjor em Cabelo ou a carnavalesca Festa do Interior quando, em tom intimista, recriou uma canção de forma definitiva, batendo, de cara, o intérprete que concebeu a canção.

    Se você nunca ouviu, ouça. Mas não é a versão ao vivo, nem a do acústico. É em estúdio. Hoje em dia é muito fácil ouvir pela internet, e talvez ela provoque em você o mesmo efeito que provocou em mim, o que vai te garantir uns três minutos de embevecimento.

    postado por Roberto Vieira, às 10:37

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