Vi essa frase engraçadinha escrito na lataria de uma kombi do Hortifruti. Giz branco sobre uma berinjela roxa. Não sei se o motorista estava ciente ou não da fofoca. Normalmente os homens são um tanto sensíveis a esse tipo de assunto e acredito que, se soubesse, teria apagado.
São muitos os nomes para aquele que perde a exclusividade do ser amado: Corno, Chifrudo, Traído, Enganado... Tenho certeza de que para cada estado do país deva ter uma lista enorme de apelidos carinhosos. Quem souber nomes diferentes, pode contribuir nos comentários. Mas o que sempre me impressiona é a forma como homens e mulheres reagem ao fato. Homens traídos são babacas, incompetentes que provavelmente não fizeram o dever de casa direito. Mulheres traídas são vítimas, coitadinhas que investiram tudo em um relacionamento com um homem perverso, cruel. Deve ser por isso que as mulheres são muito mais inclinadas a perdoar uma traição do que os homens. Para elas é um ato nobre, de superação da dor, de apoio a família. Para um homem, aceitar uma traição é quase que uma condenação eterna. Motivo de piadas até a morte pelos amigos. Corno manso. A pressão é enorme.
Me dá um baita nervoso esse comportamento feminino com relação a traição dos homens. Por mais que digam que um relacionamento não acaba com uma traição, apenas com o fim do amor, não dá para me ver dormindo com alguém em quem não confio. Até hoje só consegui me envolver em relacionamentos monogâmicos. Três é definitivamente demais pra mim. E posso falar tranquila sobre isso porque já fui traída. Ou corna, como preferir chamar. Nem o meu amor enorme pela minha filha linda fez com que eu conseguisse superar aquilo. Não desce. Acho que foi o único evento na minha vida que me fez perder o apetite de verdade. E olha que uma gordinha como eu não consegue um efeito colateral como esse muito fácil. Resolvi encarar, ver como era a vida sozinha. Foi foda, mas sobrevivi. Tenho uma amiga que disse que teve que ir para a análise por minha causa. Ela estava morrendo de raiva do meu ex-marido e todas as vezes que eu falava sobre o assunto fazendo alguma piada ela queria me matar. Eu posso até ser corna, mas mal humorada JAMAIS!
Não me perguntem como, mas naquele momento eu sabia que tudo ia passar e se resolver. Iria doer, mas um dia ia passar. Morri de medo sem saber o que seria criar um bebê sozinha, mas estava decidida a defender os direitos dela de ter um pai. Não um pai-figurante de marido. Somente um pai. E acho que me saí bem nessa. O relacionamento marido mulher acabou, mas ele sempre foi um pai presente e carinhoso na vida da minha filha. Somos amigos hoje, sem falsidades. Jamais me arrependi da minha decisão.
Quando comecei a namorar o meu atual marido que a ficha caiu. Eu também tive culpa no fim daquele relacionamento anterior. Tínhamos planos diversos juntos, éramos quase que uma empresa em fase de planejamento. Mas não tinha mais paixão. O tesão passava longe. Não tinha a menor consciência disso até me apaixonar novamente. O medo tomou conta por um tempo, medo de me machucar, de cair de cabeça e ser traída de novo. Mas certas coisas a gente não controla. E quando pinta a paixão tudo se resolve.
Não entendam com isso que coloco a mão no fogo por alguém nesse casamento atual, porque não coloco mesmo. As tentações estão por aí para qualquer um. Não sou a mulher maravilha. No fundo, no fundo, com a sinceridade de quem já passou bastante da idade de idealizar o homem e o casamento ideal, espero desse relacionamento coisas bem simples. Peço perdão pela sinceridade, mas a listinha bem básica é a seguinte:
1)Sexo. Esse é indispensável em um casamento. O mundo pode cair, mas o interesse mútuo e outras cositas más jamais!
2)Diálogo. Diálogo aberto sobre tudo, sempre. Sonhos, desejos, planos, fantasias, qualquer coisa! Se houver censura em um relacionamento ele sufoca e acaba.
3)Respeito. Isso inclui não fazer piadinhas sem graça comigo, me usar para se exibir para os amigos, falar mal de mim pelas costas. Tenho horror a homens que fazem pouco caso das mulheres quando não estão juntos.
4)Apoio. Quando eu estiver por baixo, quero alguém que me ajude a levantar. Quando ele estiver por baixo, quero que deixe que eu o ajude também. Braços dados.
5)Carinho. E aí vale tanto o físico quanto o emocional. Casais devem se tocar, andar de mãos dadas, se beijar mesmo fora da cama. Devem namorar. O carinho emocional é lembrar dos sentimentos do outro antes de falar algo que possa magoar. Elogiar sempre. Prestar atenção nos detalhes.
Com tudo isso, acho que reduz bastante as chances de alguém aparecer para estragar a festa. Mas como nada é garantido nessa vida, e quem morre de véspera é peru, já não perco mais meu tempo pensando nessas coisas. Só quando uma kombi decorada do Horifruti aparece do meu lado.