Por: Taísa Muniz

“ Meu nome é Daniel, mas gosto mais quando me chamam de Lacraia, é nome de mulher né?!”. Com um sorriso no rosto, o jovem de 17 anos se apresenta.
Morando na rua desde que sua mãe faleceu, quando tinha apenas 10 anos, preferiu sair de casa, a morar com sua avó, que o agredia diariamente sem motivo algum.
“Já estava todo machucado, um dia ela me bateu, eu sai correndo e nunca mais voltei”. Com pouca experiência sobre a vida, o garoto, aquela época uma criança, procurou abrigo na casa de uma amiga com que brincava quando ainda morava com a mãe. Mas não podia ficar ali por muito tempo, logo iria ser descoberto, então optou por dormir na frente de mercadinhos, pois ali, conseguiria comida e fugir da chuva.
“Na rua onde eu dormia, tinha um monte de mulher fazendo ponto, e eu sempre gostei de ver as roupas, os sapatos delas. Certo dia, uma garota, que sempre ficava na frente de onde eu dormia, me deu um vestido. Eu usei um dia só, todo mundo riu de mim, ai guardei, pra nunca ninguém me roubar”.
Vendo todos os dias as garotas de programa, Daniel, passou a imitá-las, mas por ser tímido e ter vergonha de seus cabelos crespos, corpo magro, quase esquelético, só as olhava.
“Eu sou muito feio perto delas, já tentei fazer programa pra ver se mudava de vida, mas passava a noite esperando cliente e nada”.
Hoje, o jovem passa o dia andando pelas ruas, procurando comida e coisas em lixos. Não sabe ler nem escrever. A família, desde que saiu de casa, não teve mais noticias, nunca foi procurado, nem nunca os procurou.
“Eu gosto da rua, tem dias que me batem, me xingam, tentam me agarrar, mas tem gente que me defende. E ganho muita comida, faz muito tempo que não passo fome”.
Indagado sobre seu sonho Daniel diz: “ Queria roupas bem bonitas, e dançar em um banda de forró”.
Sobre sua rotina, conta que durante o dia, fica andando pelas ruas, apenas observando as pessoas, os carros, os prédios. Não determina o bairro em que vai ficar, apenas procura o melhor abrigo quando esta cansado, e ali fica, durante toda a noite, torcendo para que não chova, nem que faça muito frio.
Prefere pedir, a obrigar alguém a lhe dar algo. “O que eu gosto, quase todo mundo me dá, que é bolacha, gosto muito daquelas recheadas”.
E assim o garoto sai caminhando, em suas mãos, sua comida preferida, de chocolate, com um generoso recheio. Sem saber onde vai passar a noite ou até mesmo como ela será , ele simplesmente segue.