Nasci por aqui, na Paulicéia Desvairada, mais precisamente no bairro do Cambuci, porém durante boa parte de minha infância, a cidade de São Paulo resumia-se a tudo aquilo que via através das janelas do carros e ônibus, nos passeios entre minha casa, no Jardim Miriam, e a casa de meus avós, no Campo Belo; era um ritual sagrado, todo o sábado e todo o domingo, sem falta; eram os quatorze quilômetros que resumiam a cidade que eu conhecia e reconhecia.
Vez ou outra, ia para a casa de meus tios, em Interlagos, já em outras oportunidades, geralmente aniversários, o destino era a casa de um simpático e saudoso casal de senhores - muito, muito amigos de minha família - a Dona Agnes e o Senhor Henrique. Eles moravam no bairro da Saúde.
Nada fugia muito disso. Nada de Zona Norte, Oeste, Leste... minha São Paulo restringia-se a um pequeno trecho da Zona Sul; tudo ficava por ali, da minha bendita benzedeira, também saudosa Dona Augusta, que morava nas proximidades da Avenida Nossa Senhora do Sabará, à chácara de meu avô - Shangri-La - no Grajaú; da minha natação - nadei por 8 anos initerruptos - no Jabaquara, ao passeio no Shopping Ibirapuera, que custava entender que não ficava no Ibirapuera - que pra mim era qualquer coisa próxima do parque - e sim em Moema. Continuo ainda hoje viajando naquela rampa de acesso aos estacionamentos, aquele espiral verde com ar bucólico...
O que falar do supermercado que freqüentávamos, o grandioso e alaranjado Jumbo Eletro, de sacolas de papel com seus mascotes estampados em vermelho (era um elefante), ficava próximo ao aeroporto de Congonhas? Lembro-me até hoje do cheirinho do pastel de queijo que vendiam por lá, próximo do setor de congelados; era uma lanchonete que superlotava... era uma delícia. Por ali uma coisa era de lei (além do pastel de queijo), depois que meus pais passavam pelos caixas e pagavam as compras, corria para os aquários - havia um corredor enorme, cheio deles, onde vendiam peixes e apetrechos de decoração.
Lembro-me das primeiras vezes que peguei o Metrô, do Jabaquara à Praça da Árvore, onde existia uma pequena mercearia em que minha mãe trabalhou por muito tempo - o pessoal vendia jujubas por lá, e eu ficava louco!
Minha São Paulo começou a se expandir quando passei a acompanhar meu pai à Rua Santa Efigênia, onde ele comprava componentes eletrônicos para os projetos em que estivesse trabalhando. Geralmente, íamos de carro até a estação Santa Cruz; lá, onde hoje existe um shopping, funcionava um terminal de ônibus urbanos e um estacionamento nos andares superiores. Tomávamos o Metrô até a São Bento; ficava olhando pro Mosteiro feito bobo, esperando os anjinhos descerem na martelada nos sinos. Era, ainda é, um espetáculo pra mim.
Atravessávamos o tumultuado Viaduto Santa Efigênia e logo chegávamos à rua das maravilhas eletrônicas.
Foi numa dessas idas à Santa Efigênia, que conheci - era o destino - a Galeria do Rock, mas aí começa outra história...

Post dedicado a todos os que aderiram ao meme "Coisa de Criança".

A minha querida Anna, do Vespertinas, me convidou a continuar a brincadeira...
Convido quem ainda não foi chamado pra brincar...
- Ricardo Almeida,
Mundo Pequeno- Didi Blanco, do
A rosa nasce do concreto- Denise Lellis, do
De Pó a Poesia - Mammoth, do
Mammoth Blog- Fabiana Motroni, do
o prazer do texto As regras para o meme são:
1. Colocar o link de quem convidou
2. Escrever um texto sobre lembranças de infância
3. Postar o selo do meme dentro do artigo
4. Se possível, colocar uma foto de quando era criança ou adolescente
5. Chamar cinco amigos para brincar com você