Entrar:
 Salvar
13.11.2008

Nasci por aqui, na Paulicéia Desvairada, mais precisamente no bairro do Cambuci, porém durante boa parte de minha infância, a cidade de São Paulo resumia-se a tudo aquilo que via através das janelas do carros e ônibus, nos passeios entre minha casa, no Jardim Miriam, e a casa de meus avós, no Campo Belo; era um ritual sagrado, todo o sábado e todo o domingo, sem falta; eram os quatorze quilômetros que resumiam a cidade que eu conhecia e reconhecia.

Vez ou outra, ia para a casa de meus tios, em Interlagos, já em outras oportunidades, geralmente aniversários, o destino era a casa de um simpático e saudoso casal de senhores - muito, muito amigos de minha família - a Dona Agnes e o Senhor Henrique. Eles moravam no bairro da Saúde.

Nada fugia muito disso. Nada de Zona Norte, Oeste, Leste... minha São Paulo restringia-se a um pequeno trecho da Zona Sul; tudo ficava por ali, da minha bendita benzedeira, também saudosa Dona Augusta, que morava nas proximidades da Avenida Nossa Senhora do Sabará, à chácara de meu avô - Shangri-La - no Grajaú; da minha natação - nadei por 8 anos initerruptos - no Jabaquara, ao passeio no Shopping Ibirapuera, que custava entender que não ficava no Ibirapuera - que pra mim era qualquer coisa próxima do parque - e sim em Moema. Continuo ainda hoje viajando naquela rampa de acesso aos estacionamentos, aquele espiral verde com ar bucólico...

O que falar do supermercado que freqüentávamos, o grandioso e alaranjado Jumbo Eletro, de sacolas de papel com seus mascotes estampados em vermelho (era um elefante), ficava próximo ao aeroporto de Congonhas? Lembro-me até hoje do cheirinho do pastel de queijo que vendiam por lá, próximo do setor de congelados; era uma lanchonete que superlotava... era uma delícia. Por ali uma coisa era de lei (além do pastel de queijo), depois que meus pais passavam pelos caixas e pagavam as compras, corria para os aquários - havia um corredor enorme, cheio deles, onde vendiam peixes e apetrechos de decoração.

Lembro-me das primeiras vezes que peguei o Metrô, do Jabaquara à Praça da Árvore, onde existia uma pequena mercearia em que minha mãe trabalhou por muito tempo - o pessoal vendia jujubas por lá, e eu ficava louco!

Minha São Paulo começou a se expandir quando passei a acompanhar meu pai à Rua Santa Efigênia, onde ele comprava componentes eletrônicos para os projetos em que estivesse trabalhando. Geralmente, íamos de carro até a estação Santa Cruz; lá, onde hoje existe um shopping, funcionava um terminal de ônibus urbanos e um estacionamento nos andares superiores. Tomávamos o Metrô até a São Bento; ficava olhando pro Mosteiro feito bobo, esperando os anjinhos descerem na martelada nos sinos. Era, ainda é, um espetáculo pra mim.

Atravessávamos o tumultuado Viaduto Santa Efigênia e logo chegávamos à rua das maravilhas eletrônicas.

Foi numa dessas idas à Santa Efigênia, que conheci - era o destino - a Galeria do Rock, mas aí começa outra história...

Post dedicado a todos os que aderiram ao meme "Coisa de Criança".

A minha querida Anna, do Vespertinas, me convidou a continuar a brincadeira...


Convido quem ainda não foi chamado pra brincar...

- Ricardo Almeida, Mundo Pequeno
- Didi Blanco, do A rosa nasce do concreto
- Denise Lellis, do De Pó a Poesia
- Mammoth, do Mammoth Blog
- Fabiana Motroni, do o prazer do texto

As regras para o meme são:

1. Colocar o link de quem convidou
2. Escrever um texto sobre lembranças de infância
3. Postar o selo do meme dentro do artigo
4. Se possível, colocar uma foto de quando era criança ou adolescente
5. Chamar cinco amigos para brincar com você

postado por Adriano Vieland, às 17:58

Compartilhe:
 Rating
28.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Conjunto de prédios na Rua Cel. Xavier de Toledo, por Adriano Vieland

Num passeio pelo Centro, a luz do sol proporciona alguns belos efeitos quando atinge o tortuoso desenho dos prédios de concreto, como na imagem, na Rua Cel. Xavier de Toledo.

postado por Adriano Vieland, às 18:54

Compartilhe:
 Rating
28.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Da Praça Ramos de Azevedo, o característico relógio do antigo e tradicional Prédio do Mappin, por Adriano Vieland

Já faz tempo que ali não é mais o nosso tradicional "Mappin", o famoso prédio já se converteu para outros nomes, outros grupos, mas firme e forte continua ali, testemunhando o tempo que corre insanamente pela Praça Ramos de Azevedo.

Quadrado, branco e preto, tímido e perdido entre inovações e poluições, como telões e faixas promocionais, mas ele continua lá, simplesmente servindo e prestando seu serviço, simplesmente contando as horas, simplesmente o relógio.

postado por Adriano Vieland, às 18:51

Compartilhe:
 Rating
28.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Edifício Matarazzo, visto da entrada da Estação Anhangabaú do metrô, por Adriano Vieland

Nomes para o edifício-cubo-branco de concreto, junto da Praça do Patriarca, vizinho ao Vale do Anhangabaú e Viaduto do Chá não faltam; pare - educadamente é claro - uma pessoa na rua e pergunte: você sabe o nome desse prédio?

Algumas respostas que poderão "pipocar": Banespinha, Edifício Matarazzo, Conde Matarazzo, Palácio do Anhangabaú, Prefeitura, e por aí vai. Projetado pelo arquiteto italiano Marcello Piacentinni, a pedido do Conde Matarazzo, e inaugurado em 1940, segue linhas arquitetônicas de inspirações fascistas (em função da relação deste arquiteto com o regime de Mussolini).

Com seus 16 andares e quase 30 mil metros quadrados, é desde janeiro de 2004 sede da prefeitura, mas serviu originalmente como sede do grupo Matarazzo, e posteriormente - em 1947 - ao Banco do Estado de São Paulo. Uma caracteristica muito marcante para quem observa o edifício é o jardim Walter Galera, situado no topo; um verdeiro "parque-suspenso", com mais de 400 espécies plantas, flores, ervas medicinais e árvores.

postado por Adriano Vieland, às 18:47

Compartilhe:
 Rating
10.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Detalhe para pomba sobre uma suzurantõ, a lanterna que caracteriza nosso bairro oriental, a Liberdade, por Adriano Vieland

Manhã corrida, dia corrido; coisas de São Paulo. Na imagem, o detalhe para uma pomba que descansa sobre uma típica suzurantõ, a lanterna que caracteriza nosso bairro oriental, a Liberdade.

postado por Adriano Vieland, às 11:58

Compartilhe:
 Rating
10.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Visto durante uma caminhada pela Rua Líbero Badaró, o incomparável Edifício Martinelli, por Adriano Vieland

Manhã, bom dia; 30 andares, 130 metros de altura; cor-de-rosa único, é incomparável, foi amado e detestado, foi o maior de todos, e não apenas aqui, mas em toda a América Latina - quando em sua inauguração, marcando o início do movimento de verticalização da cidade.

Idealizado pelo comendador italiano Giuseppe Martinelli, teve como autor do projeto um húngaro, o arquiteto William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena, e foi erguido entre os anos de 1925 e 1929, tendo sua construção questionada por diversas vezes - inclusive na justiça - em função de sua considerável altura (que não era comparável com nenhum outro prédio no país). É talvez o mais belo edifício da cidade, e marca todo o glamour arquitetônico da Belle Époque que rondou a capital no início do século XX.

Teve altos e baixos; respondeu por seu pioneirismo, recebeu visitantes ilustres, abrigou em suas dependências os mais diversos tipos de instituições, empresas, residências, hotel, cinema, restaurantes, bares, cassino; foi contornado pelo Zepellin - em sua visita a cidade em 1933; sofreu duros golpes como problemas financeiros e a perda de prestígio - como o título de mais alto da cidade; foi cenário de crimes e invasões, tornou-se sinônimo de abandono e insalubridade; deu a volta por cima, passou por desapropriações e reformas, conseguiu novamente o prestígio e respeito, até ser tombado pelo Patrimônio e estar aí, praticamente 80 anos depois, ainda imponente em nosso cotidiano.

Nosso grande Edifício Martinelli.

postado por Adriano Vieland, às 11:31

Compartilhe:
 Rating
10.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Escultura de prontidão, observando os transeuntes, junto a parede do Hospital Santa Catarina, por Adriano Vieland

Caminhando pela Paulista, na calçada junto ao centenário Hospital Santa Catarina, sinta-se protegido, ou vigiado. Olhe para o alto. Aperte o passo ou deslumbre.

postado por Adriano Vieland, às 11:28

Compartilhe:
 Rating
10.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Foto do monumento desconhecido, abandonado, diante da estação Anhangabaú do metrô, por Adriano Vieland

É bem improvável que das milhares de pessoas que circulam diariamente pelas proximidades da estação Anhangabaú do metrô, alguém não testemunhe o surgimento de um belo sinal de interrrogação flutuando suavemente sobre a cabeça ao cruzar com esse "belo exemplar" de barra de ferro brotando do chão, na calçada.

Seria um monumento? Resto de obra? Um indecifrável placa de indicação acusa a primeira alternativa, mas o estado de degradação e abandono da mesma pode ter transformado uma singela homenagem em um presenciável entulho. Triste, mas essa é a conclusão.

Pesquisando a respeito não encontrei nada. Autor? Data de inauguração? Motivo? Se alguém puder ajudar com as informações, eu agradeço; se alguém puder ajudar o pobre monumento, nossa memória será eternamente grata, ou pelo menos até o próximo pobre infeliz resolver transformá-lo no painel de sua ignorância.

postado por Adriano Vieland, às 11:21

Compartilhe:
 Rating
10.10.2008
Foto: Adriano Vieland
Fachada do abandonado Edifício Dumont-Adams, na Avenida Paulista, 1510, por Adriano Vieland

Triste Edifício Dumont-Adams, triste esquina, Avenida Paulista com Professor Otávio Mendes, local alvo de projetos ambiciosos que foram discutidos até a exaustão - e vetados - como a construção de uma torre-mirante que integraria o conjunto do vizinho famoso, o MASP.

Ignorado por muitos, inclusive "cultos" formadores e distribuidores de informação (leia-se "interessados de alguma forma em ganhar dinheiro com a degradação de nossa história, a favor do canibalismo arquitetônico contra nossa memória urbana"), é um pobre abandonado, simplesmente apenas um outro pobre figurante abandonado em nossa paulicéia.

As idéias deveriam ser outras; não é rentável reformar o edifício? Revitalizá-lo? A Paulista não é um local agradável para uma empresa se instalar? Ninguém gostaria de morar em local tão bem localizado? Duvido. Por que então não apenas reformá-lo? Por que não transformá-lo num centro cultural? Num centro de formação? Faculdade? Biblioteca? Escola de arte? Hotel?

Por que optar simplesmente pelo abandono?

postado por Adriano Vieland, às 10:36

Compartilhe:
 Rating
06.10.2008
Foto: Adriano Vieland
etalhe para o histórico relógio do Mosteiro de São Bento, o mais famoso da cidade, por Adriano Vieland

Em sua corrida pelo Centro, note, nem que por alguns segundos cronometrados, o mais famoso relógio da cidade, no Mosteiro de São Bento.

Um tesouro mecanimente preciso que permite, a cada quarto de hora, ouvirmos, ao comando dos anjos da torre, o soar do carrilhão de sinos alemães - são seis ao todo - de variados tamanhos, sendo que o maior pesa 5 toneladas, e tem 2 metros de altura.

Até o surgimento dos relógios de cristal de quartzo, era considerado o mais preciso da metrópole, referência aos acertos dos 'tic-tacs' dos transeuntes. Desde sua inauguração, em 1921, parou apenas uma única vez - uma pane momentânea - na década de 60.

postado por Adriano Vieland, às 11:47

Compartilhe:
 Rating
Páginas: [ 1 ] | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 >>
Termos e Condições | Política de privacidade | Fale conosco

Copyright © 2008, Abril Digital - Todos os direitos reservados