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20.04.2009
Uma viagem a Cusco e Machu Picchu costuma reservar muito pouco tempo para Lima, capital peruana. Pena.

Foto DSC01950 do Álbum Lima

Lima foi a capital de toda a América Espanhola durante séculos, tendo sido fundada pelo próprio Pizarro em 1535.

Única capital sul-americana banhada pelo Pacífico, Lima oferece uma noção completamente diferente do Peru.

No seu centro, a Plaza Mayor oferece um brilho arquitetônico sem paralelos, com prédios belíssimos que lembram os áureos tempos da capital. Todavia, diferente de Cusco, a pobreza e a violência parecem caminhar mais próximas.

Por todos os lados, somos alertados de que só se deve pegar taxis em hotéis. Taxis de rua, segundo os próprios limenhos, são quase todos irregulares (leia-se “ilegais”) e muitos acabam assaltando os turistas, roubando as suas bagagens ou mesmo exagerando (em muito) nos preços das corridas.

Estes últimos são um capítulo à parte: sem nenhum tipo de taxímetro em nenhum taxi, o preço é dado de acordo com a cara do passageiro. Ou seja: o turista sente-se, invariavalmente, roubado.

Em paralelo, a cidade é uma metrópole gigante, com cerca de 8 milhões de habitantes – e comporta bolsões assustadores de miséria com cheiro de perigo.

Ainda assim, mesmo com as agruras de uma capital pobre de um pais ainda mais pobre, vale apena conhecer Lima.
O seu “outro lado” é simplesmente encantador. Os bairros de Miraflores, San Isidro e Barrancos formam um micro-universo composto pelo mais puro charme.

Foto DSC01939 do Álbum Lima

Na parte de cima da cidade, no topo de gigantescas falésias, Miraflores se espalha com cafés charmosos e prédios sofisticados. Tudo sempre bem cuidado, limpo e com aquele cheiro gostoso do mar que se aloja no centro de uma vista espetacular.

Foto DSC01980 do Álbum Lima

Abaixo, nas praias, um magnífico restaurante estende-se ao Pacífico por um píer, salpicado de pequenas lojinhas. Do restaurante, pode-se ver dezenas de surfistas sentados em suas pranchas, conversando em meio a uma total falta de ondas como se o mar fosse uma praça.

Foto DSC01964 do Álbum Lima

Foto DSC01949 do Álbum Lima

Gaivotas cantam e procuram peixes, fazendo ocasionais mergulhos e voltando mais alimentadas.

Foto DSC01953 do Álbum Lima

Dá para se passar um dia inteiro nessa região, simplesmente bebendo a vista que adoça qualquer café.

Todavia, o nosso tempo era curto: em poucas horas, voltaríamos ao Brasil e não tínhamos tempo para conhecer os outros pontos da cidade, como os seus museus e uma antiga pirâmide feita por civilizações pré-Inca.

Saímos de Lima com aquele amargo gosto de não a termos conhecido por inteiro – mas com uma sensação de orgulho e felicidade por encerrar uma viagem que nos permitiu passear, livremente, não apenas por civilizações antigas, mas pelo próprio tempo.

Foto DSC01921 do Álbum Lima

postado por Ricardo, às 10:00

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13.04.2009
Foto DSC01024 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Independente de qualquer paisagem, ruína ou história, o maior patrimônio turístico de uma viagem pelo altiplano andino é o seu próprio povo.

Em cada vilarejo, em cada rua, em cada esquina: lá estão eles para provar o quão distante estamos do mundo moderno.

As cores e a vaidade contrastam com a dificuldade de se viver em uma região tão áspera e avessa ao conforto.

Foto DSC01890 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01886 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

São trabalhadores, mas em um ritmo muito diverso do que estamos acostumados. Provavelmente, no mesmo ritmo dos velhos Incas.

Os mais pobres são simples e parecem serenos. Têm a tez marcada pelas dificuldades da vida, acentuadas pela geografia.

Os risos parecem presentes apenas nas crianças que, por serem crianças, acham graça em tudo. Riem dos espirros das llamas, de piadas feitas entre elas, de observações sobre os pitorescos turistas que insistem em mirá-las com as suas câmeras. Não são paisagem: são os protagonistas.

Foto DSC01248 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01861 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Que, quando vão crescendo, parecem aceitar uma espécie de tristeza serena, de conformidade com as agruras da vida.

Os adultos e velhos não são tristes – mas também não aparentam nenhum aspecto mais efusivo de felicidade. São conformados com o que o destino parece ter-lhes reservado. São cientes de que o seu papel é nascer, crescer, reproduzir, morrer.

Foto DSC01442 do Álbum Machu Picchu

Foto DSC01403 do Álbum Machu Picchu

E vivem na absoluta falta de estresse e de ambição, como se a vida fosse um único e longo dia marcado por períodos de claridade e de escuridão.

Alguns ainda falam Quéchua, o idioma antigo dos Incas. Outros falam apenas Quéchua, sem entender uma só palavra de espanhol.

Foto DSC01446 do Álbum Machu Picchu

Foto DSC01439 do Álbum Machu Picchu

É o que basta. Eles estão ali para eles, vivendo como peixes em um aquário feito da mesma paisagem moldada por todos os seus antepassados.

Foto DSC01419 do Álbum Machu Picchu

postado por Ricardo, às 10:00

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06.04.2009
Duas montanhas dão a Machu Picchu o seu panorama mais conhecido, marcando presença em praticamente todos os cartões postais.

E, em busca da vista mais perfeita, decidimos por subir – claro – a montanha de Huayna Picchu (ou Waynapicchu, em Quéchua), a mais alta.

Foto DSC01588 do Álbum Machu Picchu
 
Diariamente, apenas 400 visitantes podem subir a montanha por dia – o que faz a tarefa praticamente impossível na alta estação. Todavia, estávamos na baixa (em fevereiro), e o lugar não estava tão cheio assim. De toda forma, tivemos que acordar de madrugada e estar já dentro do ônibus, rumo às ruínas, às 6:00.

Enfrentamos uma pequena fila mas, em breve, estávamos seguindo a trilha.

Segundo consta, o topo da montanha era habitado por um alto sacerdote e algumas virgens locais que, toda manhã, desciam até Machu Picchu para avisar sobre o novo dia.

O preparo físico deles devia ser algo realmente fora do comum.

Para chegar ao cume da montanha, parte-se de uma pequena trilha que sai de Macchu Picchu e passa, antes, pela montanha pequena. Até lá, desce-se, sobe-se e desce-se novamente.

Quando as pernas já começavam a reclamar e o corpo começa a pedir água (bem de incalculável valor em uma escalada sem nenhum ponto de venda), nos deparamos com Huayna Picchu. De onde estávamos, conseguíamos ver minúsculas pessoas, ao fundo, aparecendo e desaparecendo sob a mata íngreme.

O caminho é todo feito de pedras – de certa forma, havia algum tipo de estrada ali. Mas o caminho está longe de ser fácil: por diversas vezes, a “estrada” desaparece, abrindo caminho para mata cercada por neblina, em um cenário a La “Indiana Jones”. Restos de escadas estão por todo lado, com poucos (porém sagrados) locais de descanso.

A cada passo, parecia que o oxigênio fugia, às pressas, dos nossos pulmões – e olhar para cima parecia ser muito mais assustador do que para baixo, mesmo considerando o abismo em que estávamos.

A cada ponto de parada, água descia pela garganta e parecia renovar a alma. Os olhos, no entanto, buscavam, aflitos, cada pedaço de vista.

Foto DSC01606 do Álbum Machu Picchu

E cada olhada parecia como uma recompensa. Somente subindo a montanha é que se pode ter idéia do quão difícil deve ter sido erguer uma cidade tão complexa em um lugar tão perdido, entre a selva e as montanhas, encravado entre o nada e recoberto por camadas e mais camadas de mata pura.

Em um determinado momento, conseguimos avistar as primeiras muralhas: de fato, havia algo a mais ali.

Subimos.

Continuamos subindo.

Foto DSC01631 do Álbum Machu Picchu

Quando as pernas parecem desistir, encontramos uma caverna estreita – caminho obrigatório para se chegar ao topo.

Nos embrenhamos pela caverna, pisando em pedras deixadas como de propósito pela natureza para que não caíssemos na poça.

Por todo lado, sons de gotas caindo, de respirações pesadas, de mochilas batendo contra as rochas. O cheiro, puro, de mata verde misturada a água.

Finalmente, o topo. Como uma espécie de cidade de brinquedo, algumas casas se posicionavam espalhadas, onde achassem espaço. Muralhas e casas belas, com pedras majestosamente trabalhadas, indicavam que estávamos em solo sagrado.

Foto DSC01626 do Álbum Machu Picchu

Mas não eram necessárias construções para nos dizer isso: bastava olhar para baixo. Lá, centenas de metros abaixo, a cidade perdida de Machu Picchu se espalhava pelas montanhas. Pequena, mas majestosa. Bela em todos os seus detalhes, dos terraços ao palácio, dos templos à zona industrial.

Foto DSC01627 do Álbum Machu Picchu

A vista de Huayna Picchu para a velha cidade foi, provavelmente, uma das coisas mais emocionantes que testemunhamos em toda essa viagem.

postado por Ricardo, às 10:00

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30.03.2009
Foto DSC01482 do Álbum Machu Picchu

Machu Picchu é um dos lugares mais mágico e maravilhosos que os nossos olhos já tiveram a honra de mergulhar.

Diferente do que se pensa, a cidade perdida não foi o último refúgio dos Incas na fuga dos espanhóis; tampouco foi um centro sagrado, uma escola de sacerdotes ou construída por alienígenas. Machu Picchu foi uma vila de descanso do maior dos imperadores Incas – Pachacutec – e nada mais.

Foto DSC01577 do Álbum Machu Picchu

Com cerca de 250 casas abrigando uma estimativa de 1.000 pessoas, era uma cidade pequena e dependente de toda a rede de cidades Incas para sobreviver: seus terraços não garantiam alimento para tantas pessoas e a sua altitude era intermediária – baixa demais para rebanhos grandes de llamas e alta demais para atividades como a pesca e mesmo a caça de outras espécies animais.

Foto DSC01522 do Álbum Machu Picchu

Em meio da estrada Inca que ligava Cusco a Quito, Machu Picchu era uma vila pequena, provavelmente sem tanta importância mas que, como quis o destino, transformou-se em um dos maiores centros de peregrinações da America Latina.

Em verdade, a magia de Machu Picchu reside no fato dela nunca ter sido descoberta pelos espanhóis. Portanto, foi um vila praticamente intocada e onde, hoje, pode-se ter uma idéia claríssima de como viviam os Incas.

No alto da cidade, a casa do vigia observa o movimento urbano – da mesma forma que na cidade de Ollantaytambo, cabe-se observar.

Foto DSC01513 do Álbum Machu Picchu

Logo abaixo, algumas casas estocavam alimentos, garantindo que a população tivesse o que comer e o que trocar nas estações difíceis.

Foto DSC01681 do Álbum Machu Picchu

Colado às casas, terraços verdejantes mostram a que serviam, sendo a base para todas as plantações Incas – destacando a batata e o milho. Em torno dos terraços, uma intricada rede urbana conta com centenas de casas – hoje sem teto, mas que então eram dotadas de estruturas de madeira cobertas por palha seca.

Foto DSC01699 do Álbum Machu Picchu

Um punhado de llamas forma, hoje, o principal contingente habitacional de Machu Picchu. Colocadas lá pelo homem, elas desempenham a fundamental tarefa de manter as gramas sempre baixas, como se fossem aparadas diariamente para facilitar a vida dos turistas. Uma visão exótica e que serve apenas para complementar a magia em que os olhos ficam absolutamente imersos.

Foto DSC01497 do Álbum Machu Picchu

Foto DSC01662 do Álbum Machu Picchu

Ao caminhar pela cidade, templos começam a aparecer – como o do Condor, pássaro mensageiro das montanhas e uma das divindades mais cultuadas, e o do Sol. Este último conta ainda com espelhos d’água cuidadosamente colocados em espécies de cestos feitos de pedra. Nos espelhos, toda a via láctea podia ser observada à noite, somando conhecimento aos astrônomos Incas e permitindo previsões ingenuamente precisas.

Foto DSC01682 do Álbum Machu Picchu

Próximo ao Templo do Sol, o palácio real observa toda a vila. Com direito a ante-sala, o dormitório de Pachacutec era amplo, com espaço para uma grande cama, coberta pelas plumas mais macias, e janelas cuidadosamente calculadas para permitir a medida certa de luminosidade. Tipos diferentes de pedra garantiam um sistema natural de calefação, fundamental para uma região a milhares de metros de altitude.

Ao lado do quarto, um cubículo servia de banheiro particular, com um mictório cavado nas pedras e ligado a uma fonte que fazia as vezes de sistema de esgoto, separada das demais fontes Incas. O banheiro, no entanto, era unicamente para se urinar: as fezes Incas, por sua vez, eram guardadas e misturadas a cinzas, formando uma espécie de adubo humano que ajudava a fertilizar os terraços e a garantir colheitas sempre melhores.

Foto DSC01689 do Álbum Machu Picchu

Passando pelo palácio, uma zona sagrada apresenta a casa do sacerdote, em pedras pouco trabalhadas, o um conjunto de templos – incluindo o famoso Templo das Três Janelas. Nele, como se pode esperar, três grandes janelas trapezoidais permitem uma combinação perfeita de luminosidade e fazem um jogo de sombras sem paralelos. Nos solstícios, o sol da manhã, ao passar pelas janelas, formam imagens de divindades Incas, como o Puma, comprovando a genialidade dos seus arquitetos.

Uma pequena pirâmide se avizinha, apresentando-se como observatório Inca. Mais uma vez, jogos de sombra e cálculos precisos indicam as melhores épocas para se plantar todos os tipos de sementes e apontam para o norte exato, que pode ser confirmado por qualquer bússola.

Foto DSC01472 do Álbum Machu Picchu

De frente para a pirâmide, uma grande zona plana, verde, servia de praça central e separava a zona urbana da zona industrial.

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Foto DSC01462 do Álbum Machu Picchu

Do outro lado, portanto, uma grande quantidade de construções serviam para se trabalhar porcelana, ouro, tecidos e muito mais.

Foto DSC01470 do Álbum Machu Picchu

Tudo isso em meio a uma cordilheira gigantesca, que parecia impor a natureza à civilização de forma quase oposta ao que o nosso presente nos ensina.

Em determinado momento, o nosso guia tirou uma foto de Machu Picchu e a virou, de forma a ficar na vertical. Incrivelmente, as duas montanhas que caracterizam a vila parecem se metamorfosear em nariz e queixo; a vila transforma-se em fase; dois morros, em lábios. A cidade lendária, descoberta apenas no século XX por um pesquisador americano, tem uma forma estranha e, não obstante, perfeita, de face humana.

Foto DSC01483 do Álbum Machu Picchu

Se o local foi escolhido por este motivo ou se trata-se apenas de uma magnífica coincidência, jamais se saberá.

É fato, no entanto, que Machu Picchu permanece como única cidade intocada dos Incas – e, provavelmente, guardiã dos seus últimos segredos.

postado por Ricardo, às 22:20

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23.03.2009
De Cusco a Machu Picchu, pode-se ir a pé, pela trilha Inca, ou de trem. No nosso caso, fomos de trem.

Normalmente, são cerca de 4 horas até a pequena vila de Águas Calientes, ao pé da cidade perdida. Encontramos, no entanto, uma queda de barreira pelo caminho, que nos deixou cerca de 3 horas estacionados ao lado de um pequeno povoado peruano perdido no meio do vácuo entre a saída e a chegada.

Foto DSC01428 do Álbum Machu Picchu

Com casas de taipa e camponeses andando, vagorosamente, pelos seus afazeres, o povoado nos permitiu a constatação do nada que separa o remoto passado do atribulado presente no altiplano peruano. A bem da verdade, aqueles camponeses pareciam viver da mesma forma desde a eternidade, importando-se pouco com o dono do poder, fosse ele Manco Capac, Pizarro ou Alejandro Toledo, o atual presidente peruano.

Finalmente, o trem prosseguiu e, mais algumas horas depois, aportamos na assustadora estação de Aguas Calientes.

De repente, a paisagem bucólica do altiplano rural cede espaço para um mar de gente e muito, muito barulho. Nomes eram gritados, pupilas nervosas percorriam as faces em busca de placas, produtos eram oferecidos. O viajante típico, perplexo, leva um tempo até recuperar o senso de urbanidade comece a agir de forma mais pro-ativa, buscando-se em meio aos nomes gritados pelos guias.

Em pouco tempo, as malas são entregues a carregadores de hotéis e, da própria estação, os turistas são tocados para um ônibus que deve subir a montanha.

Foto DSC01530 do Álbum Machu Picchu

De lá, com o que resta mochilas e o que sobra de ansiedade, as montanhas vão se desacortinando sobre os olhos. Paisagens magníficas, com vales verdejantes cortados por um rio e pelo arco-iris que nasceu em Chinchero, vão amolecendo os olhares e ouriçando a imaginação. Ao fundo, montanhas recobertas de neve dão o tom: estamos no lugar onde a selva amazônica encontra os picos gelados dos Andes.

Foto DSC01455 do Álbum Machu Picchu

Até que, finalmente, as primeiras ruínas começam a aparecer. É meio de repente: de um segundo para o outro, o foco deixa de ser a cordilheira e passa a ser a cidade perdida.

Bela. Exótica. Imensa.

Foto DSC01482 do Álbum Machu Picchu

postado por Ricardo, às 22:10

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16.03.2009

Foto DSC01205 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Não precisava ser uma deusa, como Pachamama, para se decidir pelo vale do Rio Urubamba como local sagrado.

Espremido entre montanhas, o vale é, muito possivelmente, o mais belo da terra. Para todo lado que se olhe há verdes das mais diversas tonalidades, como um quadro impressionista pintado pelo próprio Wiracocha, o Deus criador.

Suas terras são de tamanha fertilidade que, para garantir o sucesso das plantações pelas cidades, os Incas literalmente moviam montanhas, levando as terras que circundavam o rio para as vilas e povoados.
 
O nosso passeio pelo Vale Sagrado começou pelo pequeno vilarejo de Chinchero. Lá, ruas minúsculas dão lugar a um povo multicolorido, que ainda vive de troca nas feiras livres que parecem se auto-organizar. Uma curiosidade: entre si, eles ainda falam em Quéchua, idioma dos Incas – e alguns têm dificuldade para se comunicar em espanhol.

Foto DSC01117 do Álbum Cusco e Vale Sagrado
 
Segundo os Incas, Chinchero é o lugar em que o arco-íris nasceu – e, portanto, sagrado.

Campos verdejantes cedem espaço a muros cuidadosamente organizados, embora corroídos pelo tempo.

Foto DSC01144 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

No lugar do templo que deveria existir, uma igreja espanhola, aparentemente mais arruinada do que a maioria das construções Incas, resiste e insiste em fazer parte da paisagem tão estranha à sua natureza.

Foto DSC01163 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Velhas sentam-se ao lado de uma das portas, como a observar os exóticos turistas que tantas fotos tiram e tantas exclamações soltam, sem sequer imaginar que o melhor ainda está por vir.

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A segunda parada é a vila de Ollantaytambo, um gigantesco forte que deixa Saqsayhuaman parecendo uma miniatura. Espalhado pelo alto de uma montanha, Ollantaytambo foi palco de uma das raras vitórias dos Incas sobre os espanhóis – e descrito por estes como um castelo maior e mais poderoso do que qualquer construção européia, capaz de abrigar mais de 5 mil soldados treinados.

Foto DSC01228 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Mas Ollantaytambo era mais do que uma fortaleza – era uma cidade completa, com tudo que tinha direito. No alto da montanha, uma casa de vigia, presente em todas as vilas Incas, observa o vale e o povo, como que buscando por invasores.

Foto DSC01184 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Terraços verdejantes ainda hoje são base para o cultivo de batata e milho, colorindo de realidade o imaginário do visitante.

Foto DSC01202 do Álbum Cusco e Vale Sagrado #gallery 4c0e7027-b2c3-41d7-8a02-ef1c161ec738


Na base, algumas casas enfileiradas serviam como armazém para estocar os grãos e davam de frente ao Templo do Sol.

Foto DSC01190 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

O mais impressionante, todavia, é o exterior das ruínas. Ollantaytambo é considerada, hoje, a única vila que ainda mantém as tradições e abriga um povo que vive praticamente da mesma forma que os Incas.

O planejamento urbano, a divisão setorial, as atividades agrícolas e o vai-e-vem constante faz o visitante se teletransportar para o século XV, sentindo a vida do império como ela devia ser.

De lá, seguimos viagem para outro gigantesco complexo urbano: Pisac.  

Com direito a uma caminhada até então sem precedentes, conseguimos explorar as ruínas nos seus mínimos detalhes.

Também como em Ollantaytambo, a casa do vigia observa, do alto, o vai e vem da cidade - hoje, relativamente distante das ruínas.

Muros de contenção misturam-se a terraços de cultivo singulares, como que abrindo caminho para a vista espetacular para o vale do Rio Urubamba.

Foto DSC01279 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01282 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

No caminho, passa-se ainda por um antigo cemitério Inca e chega-se a uma colina de frente para o que devida ser a zona nobre, a julgar pela qualidade das construções e pelo tamanho das pedras. Um relógio solar apresenta os momentos certos de plantio e colheita e o Templo do Sol abre espaço para que se peça sorte e proteção do mais reverenciado dos deuses.

Foto DSC01296 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01312 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01318 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01325 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

E, enquanto admirávamos a beleza e o poderio do passado, vimos, ao longe, duas pequenas meninas caminhando rumo ao nada, vestindo trajes típicos peruanos e nos confundindo em relação ao século em que estávamos.

Foto DSC01324 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Há ainda outras belezas no Vale – como as ruínas de Moray, com terraços circulares que serviam de laboratório para que os Incas escolhessem o melhor micro-clima para cada plantação.

De toda forma, a maior beleza do Vale Sagrado não é uma ou outra ruína: é o seu todo, indivisível, que deixa claro para qualquer turista com um mínimo de imaginação como era a vida de então e porque se venerava tanto divindades como Pachamama, Deusa da Terra, e Inti, o Deus Sol.

postado por Ricardo, às 10:00

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09.03.2009

Por mais que Cusco preserve a sólida base Inca em sua arquitetura, a cidade foi, de fato, “espanholizada”. Portanto, é necessário um certo grau de imaginação para visualizar o cotidiano indígena, para se enxergar templos em igrejas, palácios em restaurantes.
 
O mesmo não acontece com os arredores da cidade.

Partindo de Cusco, é possível encontrar um fenomenal complexo arqueológico localizado entre 2 a 8 km do centro da cidade.

Foto DSC01748 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

O primeiro e mais impressionante é o forte de Saqsayhuaman. Dizem que Cusco foi planejada em forma de Puma, animal sagrado para os Incas e que representa força e poder. Saqsayhuaman, construído por ordem de Pachacutec, seria a cabeça do Puma – enquanto Qoricancha, o Templo do Sol, seria o rabo.

O forte é simplesmente gigantesco. Do alto de uma colina, ele permite uma visão ímpar de Cusco – essencial para a sua defesa. Segundo consta, foram necessários cerca de 30 mil homens e uma década para completar a construção, marcada pela arquitetura imperial Inca que esbanja pedras gigantescas, cuidadosamente arranjadas como um quebra-cabeças.

Foto DSC01753 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

As muralhas têm cerca de 600 metros de comprimento por 24 de altura. Até hoje não se sabe como os Incas moveram as pedras até o local – especialmente considerando-se que algumas tinham 155 toneladas e que foram transportadas a partir de um ponto a 20 km de distância.

Foto DSC01751 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01761 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

A dureza de suas paredes e o temor que elas invariavelmente impõem, no entanto, são quebrados pela população local. Llamas e moradores típicos pontuam o cenário, então palco de batalhas tão sangrentas, de uma profunda e intocável paz.

Foto DSC01842 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Foto DSC01764 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Do lado de Saqsayhuaman fica Qenqo – que significa “labirinto” em Quéchua. Trata-se de um templo sagrado, que preserva ainda os locais de sacrifício de llamas e, de certa maneira, permite ao visitante uma visão relativamente clara de como se procediam as cerimônias.

Próximo de Qenqo, o forte de Puca Pucara (ou forte vermelho) descansa sobre um morro. É um pequeno complexo militar, com casas, pontos de reunião e de planejamento típico da época Inca. Afinal, quando um exército de dezenas de milhares de soldados precisava se mover por extensões tão amplas, pontos como este eram necessários para permitir uma espécie de “descanso organizado”, mantendo a disciplina militar. Puca Pucara servia de acampamento temporário – mas com muito mais infra-estrutura do que qualquer outro tipo de acampamento dos povos da época, em qualquer que fosse o continente.

Foto DSC01791 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Finalmente, as últimas ruínas dos arredores ficam a cerca de 400 metros de Puca Pucara: Tambomachay, um templo dedicado à água – elemento sagrado para os Incas e símbolo de pureza. Acredita-se que o imperador utilizava o local para se banhar, enquanto o seu exército ficava em no forte vermelho.

Foto DSC01807 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Lá, no entanto, não são as ruínas que chamam a atenção: são as pessoas. Por toda a volta, velhas peruanas tecem acomodadas sob a sombra das suas llamas e pastores cuidam de rebanhos de ovelhas.

Foto DSC01824 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Crianças, sempre sorridentes, oferecem artesanatos e olham, curiosas, buscando entender o que exatamente passa na cabeça dos estranhos turistas.

Em um dado momento, começamos a entender o que, exatamente, estávamos vendo. Longe de serem ruínas, eram um contexto completo, formado por vestígios claros de um passado glorioso misturado a um povo que acredita viver nele, enfrentando e ignorando o tempo com uma soberba digna, de fato, de verdadeiros descendentes dos Incas.

postado por Ricardo, às 10:00

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02.03.2009

Com papel tão relevante no cenário mundial – sede do maior império do hemisfério sul – Cusco é uma cidade singular.

Primeiro, pelos contrastes que carrega: a opulência luxuosa do passado em nada lembra a pobreza do presente que, por sua vez, estranha a completa falta de criminalidade nas suas ruas.

Foto DSC01741 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Cusco é uma cidade média com ares de pequena. Originalmente construída em forma de Puma, animal que simboliza a força e o poder, ela tinha três grandes avenidas com apenas 6 transversais. Em outras palavras, a sede do império, o centro do mundo e o coração do poder tinha nada mais que 18 quadras.

Todavia, eram quadras dotadas de templos e palácios de reis e nobres. O povo da cidade, por sua vez, vivia nos seus arredores, em casas de pedras ou taipa espalhadas pelos campos que cercam Cusco.

A praça principal exibe uma majestosa catedral, construída pelos espanhóis sobre um dos palácios Incas. Aliás, é possível imaginar como era a cidade no passado com um simples olhar.

Foto DSC00988 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Dada a sofisticação da arquitetura Inca, os espanhóis decidiram construir por sobre as casas – ao invés de demoli-las.

Assim, quase todas as construções do centro tem, na base, pedras típicas do império. Quanto maiores e mais bem trabalhadas, mais relevante era a casa seguindo uma pirâmide que começava pelo povo, passava pelos sacerdotes, pelos imperadores e, finalmente, pelos deuses que viviam nos templos.

Foto DSC01032 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

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Por conta da opção de se aproveitar as construções Incas, as ruas permanecem tão estreitas quanto no glorioso passado, dando margem a poucas pessoas que dividem espaço com os minúsculos taxis que rodam a cidade pela bagatela de 3 Soles (algo como R$ 2,50).

A catedral é o maior retrato de como a cultura Inca foi se mesclando à espanhola. Lá, muitas das telas da famosa Escola Cusquenha (primeira escola artística das américas) apresenta santos com claros símbolos indígenas, como serpentes (que representam a sabedoria), formas que imitam a topologia andina e coroas em forma de sol, divindade mais sagrada do passado.

O quadro mais curioso, no entanto, é uma representação da última ceia. Nele, Jesus e os apóstolos comem o prato mais típico de Cusco: um porquinho da Índia. Novamente com representações andinas por todos os lados, Judas aparece à frente, segurando a barba e olhando para o espectador. Nada demais – não fosse o fato do Judas ser a imagem exata de Pizarro, o conquistador espanhol que aniquilou o império Inca.



Mais à frente, o convento de Santo Domingo se mistura ao prédio original, sob o qual ele foi construído: o Qoricancha, maior Templo do Sol já feito. Seu interior é mais Inca do que católico e aponta para a opulência de toda a cultura antiga e para a maestria com que as pedras eram trabalhadas.

Foto DSC01365 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Outros museus – como o Museu Inca, que guarda de porcelanas a múmias – salpicam Cusco de passado e dividem espaço com as incontáveis lojas de artesanatos e de produtos têxteis, como chompas e mantas feitas de lã de Alpaca e Llama.

Foto DSC01909 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Cores, muitas cores se misturam ao ocre dos prédios e ao verde das montanhas, pintando o perfil do que já foi o centro do mundo.

Ao redor da praça principal, em prédios que outrora foram palácios, restaurantes (Cicciolina, Monastério, Bistrot 370 e muitos outros) exibem menus sofisticados, com direito a pratos típicos como a fenomenal carne de Alpaca – provavelmente a carne mais saborosa que já comemos.

Foto DSC01001 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

É verdade que ambulantes tentam, volta e meia, vender os seus produtos aos turistas – mas de forma muito menos intrusivas do que em muitas cidades brasileiras. Dessa forma, eles acabam mesclando-se à paisagem e ao cenário local, sem incomodar os turistas.

Subindo e descendo ladeiras, perambulando por praças, entrando e saindo de lojinhas e parando de vez em quando para curar o mal da altitude saboreando um Chá de Coca delineiam um dia típico na capital Inca. Tudo na mais completa segurança – a mera sensação de perigo simplesmente não faz parte da paisagem, por mais escuro que seja o beco ou por mais tarde que aponte o relógio.

Esta é Cusco – ou Qosqo, como se escreve do idioma Inca, o Quéchua, ainda largamente falado no Peru: uma cidade encrustrada no passado, mesclando a opulência exótica da civilização que mais marcou o continente a uma urbanidade rural calma, preguiçosa e muito, muito colorida. Sem sombra de dúvidas, uma das cidades mais intrigantes e gostosas que já conhecemos.

Foto DSC01035 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

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postado por Ricardo, às 10:00

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26.02.2009

Em um determinado momento, no passado remoto, Wiracocha, o Deus supremo, decidiu criar o mundo. Antes de criar a luz, criou mares, terras, plantas e animais – dando a um grupo de gigantes a incumbência de se multiplicar e de trabalhar o planeta a seu favor.

Incapazes de executar a tarefa, os gigantes decepcionaram Wiracocha que, logo em seguida, os transformou em pedra, apagando a espécie inteira da esfera existencial. (Curiosamente, grandes estátuas de pedra podem ser encontradas, hoje, no norte da Bolívia.)

Tomando um rumo diferente, Wiracocha fez emergir do Lago Titicaca o Sol e a Lua. Originalmente, aliás, a Lua era mais brilhante do que o Sol – até que este, invejoso, lançou nela as suas chamas e apagou a sua luz.

Depois do Sol e da Lua, Wiracocha criou homens de menor estatura – os humanos – e os espalhou pelos quarto cantos do mundo.

De uma caverna, ele fez emergir 8 irmãos e irmãs, dando a eles a incumbência de localizar o lugar ideal para fundar o maior império da Terra.

Caminhando pelo mundo, uma das irmãs – Pachamama – achou um vale e, lá, fincou o seu cajado e declarou que este seria o lugar mais fértil do planeta.

Foto DSC01275 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Um outro irmão, andando pelos arredores do vale, agachou-se e transformou-se em pedra – não sem antes declarar que ali era o centro do mundo (ou Tahuantisuyu), ponto a partir do qual o grande império deveria surgir.

Finalmente, coube a um outro irmão – Manco Capac – efetivamente expulsar os que então habitavam o local e criar a capital do império.

O vale fértil é conhecido, hoje, como Vale Sagrado; Pachamama é a Deusa da Terra, até hoje venerada por boa parte do povo peruano; Manco Capac, parente do Sol e da Lua, um dos filhos diretos de Wiracocha, o Deus Supremo, foi o primeiro imperador Inca; e a cidade que ele fundou foi Cusco, um dos centros mais míticos do planeta.

Foto DSC01039 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Esta é, hoje, a única história existente sobre o começo dos Incas. Visitar o Peru – destacando, claro, Cusco e Machu Picchu – é o mesmo que sair do mundo moderno, científico, e mergulhar em um tempo em que o tempo não existia; em que os mitos eram a explicação mais lógica de todas; em contextos que misturam o real à fantasia sem que uma fronteira clara entre ambos seja sequer rascunhada.

Os Incas não tinham nenhuma tradição escrita – toda a sua história era contada de forma oral, facilitando o surgimento de mitos e lendas. A única coisa que eles tinham de diferente das vozes era o Quipu – um complicado instrumento feito por cordas coloridas e nós que, quando interpretado, conseguia “contar” pequenas histórias e guardar números (como dívidas, por exemplo).

Foto DSC01905 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Eles também não tinham o conceito de dinheiro. Os súditos pagavam ao império de forma direta, em mão de obra. Para manter as suas terras, por exemplo, um agricultor destinava algo como um mês inteiro de colheita ao império.

Ainda assim, mesmo sem dois dos mais básicos elementos sociais – a escrita e a moeda – os Incas conseguiram crescer e dominar cerca de 1,8 millhão de quilômetros quadrados e submeter ao império uma população de mais de 12 milhões de pessoas, de Quito, no Ecuador, aos arredores de Santiago, no Chile.

Isso tudo em um espaço curtíssimo de tempo. De Manco Capac, primeiro imperador Inca, até Atahualpa, líder sequestrado e executado por Francisco Pizarro, transcorreram-se apenas 13 ou 14 gerações e cerca de 200 anos.

Aliás, verdade seja dita, a expansão Inca começou, de fato, apenas com o nono imperador – Pachacutec, o mais venerado de todos. Foi este quem mandou reconstruir Cusco, dando à cidade ares mais soberbos e dignos de um império; que reformou o Templo do Sol (Qoricancha, atualmente no centro de Cusco), transformando-o em um gigantesco centro religioso – maior que as maiores catedrais européias; quem mandou construir Saqsayhuaman, uma fortaleza militar sem precedentes, que vigiava a cidade e tinha a missão de defendê-la de eventuais invasores; e que mandou construir, como uma espécie de vila particular, a lendária Machu Picchu.

Enquanto o império Inca se desenvolvia, eles foram dominando técnicas para se trabalhar ouro (que consideravam o suor do Sol) e prata (as lágrimas da lua).

Foto DSC01898 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Em paralelo, desenvolveram uma técnica de se trabalhar pedras de forma impressionante e com uma sofisticação sem precedentes. Em uma região tão sujeita a terremotos, alias, a solidez das construções era fundamental para a sobrevivência.

Assim, os Incas faziam palácios, templos e casas com pedras que chegavam a pesar mais de 350 toneladas – mas que se encaixavam com uma perfeição absoluta. Segundo os espanhóis, nem mesmo a mais afiada das facas conseguia entrar mais que alguns parcos milímetros no “espaço” entre uma pedra e outra.

Foto DSC01891 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Rivalizando com a qualidade dos engenheiros, os astrônomos conseguiam prever, com exatidão, fenômenos naturais e os momentos mais adequados para se plantar e se colher. Em Machu Picchu, por exemplo, o Templo do Sol conta com janelas posicionadas de forma exata para permitir a entrada da luz nos solstícios de inverno e de verão.  

Os cientistas, por outro lado, dominavam técnicas de plantio baseadas no conceito de micro-climas. Ou seja: ao transformar as encostas de montanhas em pequenos campos em forma de escada, eles sabiam exatamente que tipo de semente plantar em que nível, otimizando os resultados.

Foto DSC01280 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

Com tanta superioridade, foi relativamente fácil para os Incas se expandir por toda a região. Na maior parte das vezes, aliás, eles nem precisavam guerrear e ganhavam pelo medo que impunham aos inimigos. Ou seja: para dominar uma tribo de 5.000 pessoas, eles entravam no seu território com um exército de 20 mil homens armados e bem treinados.

A maior parte dos inimigos simplesmente se rendia sem lançar nem ofensas verbais.

Os que insistiam em se defender, no entanto, eram duramente castigados: as mulheres grávidas tinhas seus fetos arrancados e enfocados pelos cordões umbilicais, os homens estripados e decapitados e muitas tribos eram simplesmente aniquiladas.

Em todos os casos, cada vitória era comemorada de forma exemplar: de volta a Cusco, os nobres derrotados eram deitados de forma enfileirada, cabeça a cabeça. Do fundo, surgia o imperador, que caminhava pisando sobre suas cabeças ao ser ovacionado pela multidão, até chegar ao seu palácio e iniciar as cerimônias. As múmias dos imperadores passados ficavam enfileiradas, como que brindando às vitórias e reforçando a grandiosidade da história Inca e mesclando passado e presente a uma ambiciosa expectativa de futuro.

Para garantir maior controle, as populações eram mudadas de lugar para evitar qualquer tipo de resistência organizada e propiciar o crescimento sustentável. Ou seja: ao dominar um povoado, os Incas espalhavam suas populações para outros territórios. Agricultores iam para locais com mais terras a serem cultivadas; trabalhadores de pedras para cidades que precisavam ser erguidas ou reerguidas; e assim por diante.

Os reis rivais, por outro lado, tinham a humilhação pública pós-derrota seguida por um tratamento nobre. Eles podiam permanecer como líderes em suas tribos – mas precisavam passar pelo menos um quarto do ano em Cusco, onde recebiam uma casa luxuosa e participavam na política. Com bom tratamento e alto status no maior império da região, poucos eram os que se interessavam por se rebelar.

Vale ressaltar também que Cusco era uma espécie de maquete do território Inca – um microcosmo geográfico. Líderes de tribos do nordeste moravam em casas no setor nordeste; de tribos do sul, no setor sul; e assim por diante, sempre seguindo escalas cuidadosamente calculadas.

Com tanta soficticação política, militar e social, é de se admirar como os Incas sucumbiram a um grupo de pouco menos de 200 espanhóis.

As explicações são diversas e complementares. Partem da mesma receita que fez o império funcionar – a dominação social de outros povos mantendo as hierarquias locais. Com a baixa nobreza e o povo descontente, foi relativamente fácil para Pizarro conseguir o apoio dos locais em troca de promessas de liberdade.

Em paralelo, os espanhóis chegaram no mesmo instante em que uma devastadora guerra sucessória pelo trono Inca havia terminado, com o imperador Atahualpa, então situado em Quito, derrotando o seu meio-irmão Huáscar. Com um império destroçado e liderado por um estranho que sequer conhecia Cusco, Pizarro conseguiu capturá-lo no norte do Peru (em Cajamarca) e executá-lo.

Finalmente, como os Incas consideravam o imperador um Deus, o aprisionamento de Atahualpa foi um duro golpe que os deixou completamente perdidos – abrindo caminho para uma completa dominação.

Todavia, os cusquenhos atuais, orgulhosos de sua herança indígena, não se consideram como derrotados. Para eles, a dominação espanhola foi algo passageiro, de menos de 3 séculos e que terminou com a sua expulsão no século XIX – na independência do Peru.

Uma viagem para Cusco e Machu Picchu inclui toda essa jornada – mítica e histórica, passando pela reverência ao poderio de um povo único, singular.

É mais – muito mais – do que ver ruínas perdidas por paisagens paradisíacas.

Conhecer o coração da civilização Inca é mergulhar em uma espécie de conto de fadas, em lendas com ares de fatos históricos, em um mundo diferente e que envolve o seu visitante de forma quase hipnótica.

Foto DSC01884 do Álbum Cusco e Vale Sagrado

postado por Ricardo, às 13:08

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12.01.2009

Ricardo e Ana Lia Almeida

As águas azuis não são os únicos atrativos de Curação. Toda a ilha respira o exótico e o impensável.

As estradas entre uma praia e outra são um espetáculo à parte. Por conta de um casamento entre posição geográfica, correntes marinhas, sol e mais alguns ingredientes que a nossa ignorância desconhece, o interior da pequena ilha é extremamente árido. Cactus crescem por todo lado, rivalizando com árvores verde-brilhantes e com fileiras de coqueiros. Pequenas montanhas brotam do centro e dão espaço a uma fauna e flora ainda mais exuberante.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

A principal habitante da ilha é a iguana. Por todos os lados, iguanas de todos os tamanhos aparecem para observar o tempo. Em alguns momentos, o contraste entre um animal típico das regiões mais áridas e o mar azul turquesa simplesmente não faz sentido – deixando a mente estarrecida e os olhos agradecidos.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Enquanto a face sul da ilha é marcada por praias paradisíacas, a face norte é marcada por mares mais bravios e por ondas gigantes que se chocam em rochedos fortes, poderosos. O parque Shete Boka, no noroeste, permite uma caminhada memorável por uma paisagem diferente, casando ondas, mar, cactus, iguanas e rochedos em um único campo visual.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

E, por todo lugar, as casas dos locais clamam por atenção. Diz a lenda que as casas de Curaçao são coloridas por decreto de um dos seus governadores que, entediado, mando pintar os lares e criou uma nova paisagem urbana.

Verde, azul, ocre, rosa. Por todos os lugares, pequenas casas em estilo holandês e em cores caribenhas vão pontuando a vista. Os telhados são de um tom de laranja forte, gritante, que se sobressai em meio ao verde e ao azul que caracterizam a ilha.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Na verdade, tudo se sobressai em Curaçao. A ilha é um pedaço grande do paraíso – um lugar onde facilmente se esquece de qualquer tipo de tarefa, de trabalho, de preocupação e onde as cores, o idioma, a brisa e o calor puxam o visitante para um mundo dos sonhos de onde o único temor é acordar.

Ricardo e Ana Lia Almeida

postado por Ricardo, às 10:00

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09.01.2009

Ricardo e Ana Lia Almeida

Dizem que Curaçao esbanja as águas mais azuis do Caribe. Não conhecemos toda a região – mas, comparações à parte, o mar é de fato de uma beleza inacreditável.

Assim que alugamos o nosso carro, perguntamos qual a melhor praia para conhecermos primeiro. “Port Marie”, disse a atendente, apontando para a parte oeste da ilha no mapa. E para lá rumamos.

Já ao estacionar o carro nos deparamos com a vista. Um azul que parecia de desenho animado contrastava com a areia branca e com outros tons azulados que seguiam até o horizonte, confundindo-se com o céu lá em torno do infinito.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Poucos segundos transcorreram entre estacionarmos o carro e nos lançarmos nas águas claras – claro, prontos para fazer snorkeling.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Nadamos para todos os lados e conhecemos cada canto da praia, até decidirmos conhecer outros azuis. Curaçao tem 400 km quadrados – o que significa uma infinidade de praias e pequenas baías coalhadas de peixes multi-coloridos, polvos, lulas, estrelas do mar e corais de todos os tipos e formas.

E fomos a muitas delas. Klein Knip, Grote Knip, Cas Abou, Kenepa, Lagun e Kalki, já em Westpunt, região oeste da ilha.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Em Kalki, ao seguir um cardume de peixes azuis, nos deparamos com uma moréia que nos espreitava de sua toca, abrindo a boca como que para alertar de que estávamos em uma proximidade perigosa.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

A praia de Lagun – a mais bela de todas – era uma pequena baía formada por dois penhascos e com um trecho mínimo de areia branca servindo de porta para o mar. Lá, o azul era simplesmente inimaginável e a visibilidade passava dos 100 metros. Passamos horas nas suas águas e, em determinado momento, vimos passar por nós uma linda tartaruga marinha. Sem medo de nada, ela parecia exibir-se aos poucos mergulhadores que a miravam, dançando um balé suave, calmo, até desaparecer na escuridão azul.

Desta mesma escuridão, uma barracuda emergia seguindo um cardume de peixes. Grande e com os dentes à mostra, ela decidiu que estava próxima demais da praia, deu meia volta e abandonou a sua caça. Ao ver a barracuda desaparecer, algumas sombras maiores de peixes pareciam se mexer no fundo – sinal para que voltássemos mais para perto da praia.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Em todos esses pontos, as horas que passamos dentro do mar formaram o ponto alto da viagem. Lemos em um artigo escrito por mergulhadores profissionais que, em Curaçao, a parte mais bela da vida marinha estava próxima às praias, transformando passeios de barco e mergulhos nas profundezas em um luxo até mesmo desnecessário.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

No lado leste da ilha, conhecemos desde a praia do nosso hotel, o Avila – também transparente e repleta de gigantescos cardumes para todo lado, até as águas mais reservadas de Jan Thiel.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Seguindo o mapa, descobrimos um caminho para a região de um naufrágio pequeno, mas belíssimo. O Tug Boat, como é conhecido, permitiu um outro tipo de mergulho. No fundo de um mar relativamente raso, descansava um barco que servia de abrigo para dezenas de espécies diferentes de peixes e corais. Os peixes nadavam como feixes de cor por entre nós, despreocupados e nos enxergando como parte da paisagem. Volta e meia entravam no barco afundado e de lá saiam, beliscando pelo caminho pequenos corais.

No fundo, uma outra barracuda, maior e mais determinada, observada o movimento com a boca aberta, exibindo os seus dentes e avisando que estava com fome. Ficamos em torno dela por muito tempo, aguardando algum tipo de reação ou de ataque a cardumes, até que nossos olhos foram desviados para novos cardumes que apareceram.

Ricardo e Ana Lia Almeida

E assim passamos o restante do dia. Entre um mergulho e outro, os olhos agradeciam uma beleza que parecia viver apenas em nossos sonhos – e que nos dava orgulho de poder testemunhar tudo aquilo.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

postado por Ricardo, às 12:00

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09.01.2009

Ricardo e Ana Lia Almeida

Chegamos em Curaçao à noite – um horário ruim por não permitir a visão aérea do Caribe. Ainda assim, bastou o avião pousar para entendermos que estávamos em outro mundo.

Ainda antes de pisarmos em solo caribenho, ficamos esperando cerca de meia hora no avião, quando o piloto avisou: “estamos aqui ainda porque a pessoa que opera o portão de desembarque ainda não apareceu”.

Quando, finalmente, o finger acoplou-se e as portas se abriram, tudo parecia diferente – a começar pelo idioma. Tendo passado por dominação espanhola, portuguesa, inglesa e holandesa, o idioma oficial é Papiamentu – uma mistura uniforme e exótica de todos. Bem-vindo é “bon bini”; feliz ano novo, “bon aña”; e assim por diante. O próprio nome – Curaçao – é uma corruptela da palavra “coração”, oriunda do português.

A preguiça parecia assolar o povo local. Levamos um belo tempo para conseguir organizar o transfer que deveria estar à nossa espera. Ainda assim, o estresse nem dava sinais de aparecer. Estávamos já mergulhados em um novo ritmo onde tudo era mais suave, lento e belo.

A ilha em si é parte das Antilhas Holandesas – parte oficial do reino da Holanda composta por Curaçao, Bonaire, Aruba, St. Marteen e outras ilhas menores. Curaçao é a maior delas e onde fica a capital, Willemstad.

Curaçao foi um dos principais (senão o principal) porto holandês no novo mundo – o local onde se concentrou todo o tráfico de escravos. A ilha, aliás, prosperou com o “comercio humano”, por assim dizer – ao ponto de ter a sua economia à beira do colapso com a abolição.

Ricardo e Ana Lia Almeida

A influência negra levou a alegria tipicamente caribenha a uma cultura nórdica e fria – a tal ponto que, hoje, é possível viver duas diferentes “Curaçaos”. Uma, a mais rica, é loura, branca e fria. Todos os meses, voos da KLM levam milhares de turistas holandeses para os resorts ou amplas casas de veraneio, permitindo uma fuga do inverno europeu. Eles são de pouca conversa e estão, aparentemente, muito pouco interessados na cultura local: não se misturam muito, raramente saem dos hotéis ou bairros, quando o fazem, buscam restaurantes de comida holandesa ou, no máximo, internacional.

No outro extremo estão os locais. Não se pode dizer que vivem na miséria ou mesmo pobreza – o turismo fez das Antilhas Holandesas uma região próspera em que, no máximo, na base da pirâmide, habita uma plácida classe média baixa que consegue viver bem e curtindo cada raio de sol caribenho e cada gota do mar azul turquesa.

Eles não parecem ser particularmente apaixonados pelos holandeses – mantêm a alegria que lhes é peculiar fechado no seu círculo. Não destatam os turistas – mas também não os recebem de braços abertos. Enfim, os moradores de Curaçao vivem no seu mundo, mergulhados no Caribe e fechados em um idioma próprio e incompreensível a qualquer outro povo.

postado por Ricardo, às 10:00

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08.01.2009

Montserrate é uma das montanhas típicas das grandes cidades andinas: é próxima e exibe, como vista, todo o território.

Subimos de teleférico, aproveitando a pouca fila e o tempo claro, e logo que saímos já sentimos o ar faltar e o coração palpitar mais rápido.

Ricardo e Ana Lia Almeida

A vista é fora de série.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Para um lado, vê-se Bogotá de um tamanho que não se imagina quando se está nela. Para outro, as verdes montanhas da parte da cordilheira que se sustenta tão próxima da linha do equador.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Do alto, pequenas lojas vendem desde artesanato até pouco apetitosos frangos; um café oferece conforto e acolhimento aos turistas e uma igreja, no ponto mais alto, abriga uma multidão de fiéis que ouvem a voz do padre ecoar por caixas de som.

Verdade seja dita, a missa cantada em estéreo quebra um pouco da paz do lugar – mas, ainda assim, a ida à montanha foi essencial para entendermos a magnitude da capital colombiana.

Ricardo e Ana Lia Almeida

A partir daquele momento, nos despedimos da cidade e rumamos para o nosso próximo destino: o Caribe.

postado por Ricardo, às 10:00

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07.01.2009

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos direto ao bairro velho de Bogotá: La Candelária, onde a cidade nasceu. Casas em tons de abacate, terra e azul comprovam que a Colômbia é cor pura – mais do que em qualquer outro lugar.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Tudo é forte: desde as feições dos bêbados que abrem as manhãs até as paredes e os traços deixados por um tempo que já se foi.

Ricardo e Ana Lia Almeida

A neblina, tão íntima de Bogotá, aos poucos vai se despedindo e deixando espaço para um sol que, de cerca de 2 mil metros de altitude, parece maior e mais bruto.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Pelas casas que parecem sair de histórias de Garcia Marquez, caminhamos até a Plaza Bolívar. Foi lá que Bogotá nasceu; foi lá que tanto sangue foi derramado nos seus séculos de história e é de lá que o pais é governado. As construções, intactas e preservadíssimas, deixam claro o senso de importância histórica que os colombianos exibem.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Fomos errando por becos e pequenas casas, entrando em livrarias e cafés. Em um deles, para a nossa surpresa, lemos em uma placa a informação de que foi dali que as primeiras decisões da Gran Colômbia foram tomadas.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ainda pasmos, entramos no Museo Botero e, vendo as obras do mestre em sua terra natal, conseguimos compreendê-lo como nunca.

Entramos ainda em algumas igrejinhas, paradas turísticas típicas de qualquer ex-colônia ibérica, e rumamos a Montserrate.

postado por Ricardo, às 10:00

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06.01.2009

O sal sempre foi algo quase sagrado para os colombianos. Abundante, foi ele quem ajudou a financiar os movimento de independência capitaneados por Bolívar e que acabaram gerando todo o contexto geopolítico da região.

Até aí, nada de extraordinário.

Mas a construção de uma catedral dentro de uma mina de sal dentro de uma das montanhas dos Andes, mesclando imagens religiosas a túneis estreitos e úmidos com paredes de sal, muda tudo.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

A catedral, ao norte da capital colombiana, é uma das construções mais inimagináveis e fascinantes que já vimos.

Primeiro, pelo seu tamanho. Não se trata apenas de uma pequena igreja improvisada: de fato, a catedral é maior do que muitas das mais famosas, como a de Santiago de Compostela ou Notre Damme.

Ricardo e Ana Lia Almeida

A sua divisão arquitetônica é tradicional: uma nave central que dá para um gigantesco crucifixo e duas passagens laterais, uma a cada lado da nave, em paralelo. Representações da Via Crucis encravam-se nas paredes, prensando a religião no tempo que existia antes das religiões; imagens brotam dos corredores mais improváveis e surpreendem os visitantes; incontáveis passagens vão abrindo o caminho e enchendo de lágrimas os olhos.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Em meio a tudo isso, um jogo de luzes faz das rochas um display multi-colorido que, por mais moderno que seja, não “quebra” o sentimento de passado eterno que aflora.

Ricardo e Ana Lia Almeida

Ricardo e Ana Lia Almeida

Dizem que, na Colômbia, a fé esculpe montanhas. Só não sabíamos que o ditado era tão literal.

postado por Ricardo, às 10:00

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