Renato Manfredini Júnior.Filho de bancário e dona de casa, inteligente, perspicaz, inovador, sensível, e rebelde.
Conhecido como Renato Russo,Júnior nasceu no Rio de Janeiro, e ainda muito jovem se mudou com a família para Nova Iorque, e posteriormente para Brasília, de volta para o Brasil em grande estilo, direto para a mais nova Capital brasileira.
Muito interessado pela leitura desde criança,Renato se caracterizava por ser curioso, inteligente, e por ter um grande interesse pela música, desde a clássica até o rock progressivo.Quando adolescente, se reunia com os colegas dos blocos do condomínio para escutar música, falar sobre música, fazer música.
Bastante comunicativo, com inglês fluente e redação bem feita, tornou-se colaborador de um jornal brasiliense aos 14 anos.Entrelaçado aos acontecimentos urbanos de Brasília, que se revezavam entre as reclamações de uma cidade vazia espiritualmente, e liberdade de expressão democrática, Renato uniu-se aos colegas, jovens moradores da Capital Brasileira vindos de diversos cantos do país, e criaram o Aborto Elétrico, a primeira banda musical dos mesmos, de estilo roqueiro, que invadiam as universidades, e bares afins para divulgar o som peculiarmente crítico, que abordava assuntos diversos, que corriam desde a matéria odiada no colégio , até relações de elementos da banda com componentes químicos.
Com diversos participantes indo e vindo, o Aborto Elétrico transformou-se em Legião Urbana.Conquistaram mais que a legião urbana de Brasília, conquistaram o Brasil.
Hoje não escrevo para apenas contar a história de Manfredini Júnior, mas estou escrevendo agora principalmente por enxergar em minha volta milhares e milhares de admiradores de Renato, mesmo há mais de 10 anos de sua morte.
Não nego que meu primeiro contato com as letras exageradas casadas com uma melodia que me soava estranha, assustou-me um pouco, entretanto, antes mesmo que pudesse perceber, estava embriagada por tal som, e como um dependente químico, me vi viciada naquilo.
Desde as canções que nos falam das relações políticas, com a família, amigos e amores, soava aos ouvidos como poesia feita para qualquer ocasião, seja ela já existente, ou nem mesmo imaginada por nossa geração, como no caso de Geração Coca-Cola:
“ Depois de 20 anos na escola não é difícil aprender, todas as regras desse seu jogo sujo, não é assim que tem de ser?Vamos fazer nosso dever de casa, e aí então vocês vão ver...Suas crianças derrubando Reis, fazendo comédia com as suas Leis...Somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação: Geração Coca-Cola.”
Não me lembro qual a primeira música do Legião que ouvi, entretanto me lembro a primeira pela qual me apaixonei perdidamente.Tempo Perdido.Dizia tudo,tudo mesmo, e ainda diz.
“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas ainda tenho muito tempo, temos todo tempo do mundo, e todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o meu dia.Sempre em frente....Somos tão Jovens!”
E depois de Tempo perdido, quem não perdeu mais tempo fui eu, busquei todas as músicas possíveis, todas informações possíveis, e me entregar á esses artistas como admiradora-mor, foi inevitável.Escutava as músicas, e as decorava sem nem ao menos sentir, quando observei um pouco mais, percebi que não estava sozinha, Legião Urbana, cultivou uma Legião de fãs.
Fiquei assustada ao ver tantos jovens, que nem mesmo chegaram a conhecer Renato quando vivo, nem mesmo pela TV, apaixonadíssimos pela história de vida e música desse artista.Frequentei os shows de um cover, Renato Quase Russo, e garanto á vocês: Não há nada igual, ou até mesmo semelhante! É possível encontrar jovens de 13 anos até senhores e senhoras de 40 e poucos anos, cantando enlouquecidos, como se no palco a presença fosse do verdadeiro Renato, mas não se importam, a semelhança de Quase Russo é absurda, fisicamente, os gestos, a voz então..
O público se entrega, canta envolvido, na verdade aos berros incontroláveis, invocam de olhos fechados, sentimentos próprios que são explorados através das músicas.
Vejo que muito além da movimentação popular que ouve há anos em Brasília, no encorajamento de pessoas pela luta de seus ideais políticos de vida, a figura d eum Renato Russo que não tinha vergonha de ser Gay, de enfrentar a covardia política e pessoal de qualquer um, e a capacidade de sentir os mais belos sentimentos e transmiti-los pela música, continua fazendo de seus ouvintes, viajantes do tempo, da figura, e posteriormente realizadores de suas vontades!
Gostaria de Agradecer ao meu grande amigo Paulo Henrique , que me presentiou a biografia de Renato Russo, possibilitando um conhecimento maior com aquele que admiro muito. Á você, meu muito obrigada, e todas essas palavras escritas acima, embaladas de sentimento e verdade.