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16.10.2009




Sem pensar, Tempo.
Nem pensar, um tempo.
Sem tempo pra pensar.
Nem um Tempo pra pensar.
Pra nem pensar um tempo.
Pra um Tempo sem pensar.
Um tempo.
Sem pensar.
Um pensar.
Um
Tempo.
Pra pensar.
Sem tempo.
Nem Tempo.

postado por Denise Lellis, às 19:00

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12.10.2009
">

Agruras, tristeza, tensão.
Cansaço, desilusão.
Que nunca seja preciso.
Mais do que um sorriso.
Pra sua Paz, sua Emoção.




postado por Denise Lellis, às 12:37

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26.08.2009





Que o último grão,

Do pó mais fino, mais frágil mais leve,

Paire sobre seus olhos.

E antes de tocá-la te faça olhar o Sol

Seu Sol

Cujos raios de luz mais intensos

Podem apontar pra onde você

E só você decidir correr.

Que você conheça o último grão.

De sua ruína.

Que é ruína.

Mas é sua.

Que o seu último grão,

Seja o melhor,

O mais forte,
O grão da pérola.

Que você o veja.

Que o conheça.

Que o viva.

Tão fundo, tão fundo,

Que a percamos de vista

Se preciso for.

Que seu último grão

Seja inevitável semente

De força,

De flor,

De você.

postado por Denise Lellis, às 23:09

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02.05.2009


E Hoje
Cinza, dourado
Frio, abafado
Seco, molhado
É nosso
Mudo, cantado
Na hora, atrasado 
Inteiro, quebrado
Somos nós
Doce, salgado
Correndo, parado
Sujo, lavado
Somos Hoje
E que Hoje seja o que quiser
Porque Hoje é nosso
Nós somos Hoje
Hoje somos nós.


postado por Denise Lellis, às 12:07

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24.04.2009



    Nunca deixamos de notá-lo. Um pouco pela rotina que nos obrigava a passar por ele mas principalmente pela realidade engarrafada de nosso dia-a-dia que nos fazia passar alguns minutos em frente sua “casa”.

    Morava na bifurcação entre as avenidas Dr. Arnaldo e Heitor Penteado, em baixo de uma lona azul presa entre a grade e a árvore que limitavam o pequeno gramado esboçando uma cabaninha.

    Tantas eram as peculiaridades sobre aquela figura que acabou ganhando espaço em nossas conversas matinais e nos ajudando a desviar a atenção daquela enorme e diária fila de carro a nossa frente, nos convencendo até de que aquele nem era um problema assim tão grande.

    Ganhou o apelido de Tiozinho.

    “Olha o Tiozinho. Hoje ele tá barbudo.”

    “Hoje ele ta atrasado, ainda não acordou.”

    Chuva ou sol, dia ou noite, o Tiozinho estava sempre lá debaixo de seu teto azul e acompanhado de seu cachorro preto que tinha até coleira. Ambos dividiam os dois colchões que amenizavam a dureza daquela vida. Muitas vezes o     Tiozinho chegava a deixar os colchões para o cachorro e se acomodava numa cadeira de madeira que completava o rascunho de conforto do qual os amigos desfrutavam. Percebíamos que estavam brigados quando o cachorro estava do lado de fora da cabaninha com cara de vítima. Mas durava pouco. Logo estavam grudados de novo.

    Tiozinho era grande, meio gordo, cabelos e barba compridos, crespos e grisalhos, rosto vermelho. Usava roupas surradas e invariavelmente estava de chinelos.

    “Nossa! Você viu as pernas dele como são inchadas? E parecem cada vez mais roxas!”

    “Será que ele anda? Também com aquelas pernas! Pobre Tiozinho.”

    “Quem será que cuida dele? Já percebeu que está sempre comendo alguma coisa?”

    Observávamos. Formulávamos hipóteses mas nunca conseguimos saber qualquer verdade sobre o Tiozinho. Teria ele consciência da  vida que levava? Como teria ido parar ali?

    Chegamos a vê-lo de gravata. Um sinal sutil de que aquela não deve ter sido sua única realidade. E o filtro? Um dia apareceu um suporte de galão de água de 20 litros com o galão aberto em cima como que pretendendo armazenar água da chuva. Curioso. E triste. Certamente a presença do “filtro” era mais útil à lembrança, à fantasia do que à verdade... do que a verdade.

    Os minutos costumeiramente monótonos enfrentados a 5 km/h entre a Av. Doutor Arnaldo e a Rua Oscar Freire foram menos sofridos graças ao Tiozinho. Nos acostumamos com sua figura trágica e engraçada, criamos um vínculo com sua curiosa e melancólica presença em nossas manhãs. Talvez por isso tenhamos sentido tanto aquele dia em que o Tiozinho não estava lá. Nem ele, nem seu cachorro. Só a cabaninha continuava lá intacta como que esperando seu proprietário voltar. E nada. Os dias foram passando nosso companheiro de manhãs engarrafadas e seu fiel companheiro não voltaram. Elaboramos dezenas de hipóteses sobre o misterioso desaparecimento mas dadas as condições de vida daqueles dois, no fundo, sabíamos o que havia acontecido.     
    Dias depois tudo desapareceu. A lona azul, os colchões, a cadeira e o “filtro”. E por muitos dias aquela espécie de praça sem graça permaneceu vazia.

    A resposta veio após uma ou duas semanas:


 

    Incrível!

    No meio desta selva de medo e egoísmo os nossos não eram os únicos olhares que se voltavam para o Tiozinho. Senhor Dejair. Sabíamos até o nome dele agora. E do Kiko, seu cachorro que milagrosamente não havia ganhado um apelido nosso ainda. Pobre Kiko! Tinha perdido o amigo, mas ganhara uma casa. Duvido que teria escolhido esta troca.

    Aquela boa alma pelo jeito não estava sozinha “Agradecemos a todos os amigos que tanto ajudaram”. E ainda tomaram o cuidado de nos informar. Nós que assistíamos à vida do Sr. Dejair sem nunca dedicarmos um segundo sequer para tentar ajudá-lo.

    Não merecíamos estas respostas.

    Mas eles nos deram muito mais do que merecíamos. Talvez para que parássemos de perguntar por ele, para que pudéssemos seguir nossas vidas enfrentando o silêncio dentro do carro ao passarmos em frente ao cantinho do Sr. Dejair, para que voltássemos a encarar o caminho agora muito mais longo até a Oscar Freire.

    Para que deixássemos o Sr. Dejair descansar em paz.    

 

postado por Denise Lellis, às 22:00

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19.04.2009
Olha só que lindo o presente que ganhei do amigo blogueiro Adriano Carôso!!! Fiquei muito feliz apesar de ultimamente não estar tão "presente" assim a ponto de ganhar presentes... Obrigada Adriano!!! Você sim merece destaque tamanho o brilho de seus posts!  http://blogs.abril.com.br/adrianocaroso


Você disse que ficou P. da vida com  Lorena por não ter sido convidado pra "festinha" http://stlittlegirl.blogspot.com/. Pois quero me unir a você neste protesto! Como assim não convidaram a gente? Para mostrar minha revolta resolvi entrar de penetra também!!!

Alguma dúvida sobre qual autor eu escolheria?




1. És homem ou mulher?

"Eu hoje acordei tão só.
Mais só do que eu merecia.
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia"
(Sempre não é todo dia: Oswaldo Montenegro)


2. Descreve-te.

Metade

 

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

(Metade: Oswaldo Montenegro)

3. O que as pessoas acham de ti?

Todo Mundo é Lobo Por Dentro

 

Você me disse que eu sou petulante, né?
acho que sou sim, viu?
como a água que desce a cachoeira
e não pergunta se pode passar
você me disse que meu olho é duro como faca
acho que é sim, viu?
como é duro o tronco da mangueira
onde você precisa se encostar
você me disse que eu destruo sempre
a sua mais romântica ilusão
e destruo sempre com minha palavra
o que me incomodou
acho que é sim
como fere e faz barulho o bicho que se machucou,viu?
como fere e faz barulho o bicho que se machucou,viu?

(Todo Mundo é Lobo por Dentro: Oswaldo Montenegro)

4. Como descreves o teu último relacionamento?

Estrada Nova

Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar

(Estrada Nova: Oswaldo Montenegro)


5.Descreve o momento atual da tua relação:

Quando A Gente Ama

 

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar

Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar

Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar

Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!

(Oswaldo Montenegro/ Marcelo Barbosa Barreti / Nil Bernardes / Fábio Caetano)



6. Onde queria estar agora?

O Vale Encantado

Cachoeiras de hortelã
folhas, rosa por trás
águias negras, cães azuis
árvores lilás
ninfas guardam sonhos,
guardiãs imortais
no Vale Encantado quem sorrir
bebe o vinho da paz
Mares de safira e luz
arco-íris no olhar
barco branco que conduz
quem quiser cantar
vaga-lumes amarelos dançam no ar
no Vale Encantado quem sorrir
bebe a luz do luar
Ventos de cereja e sons
de risada de irmão
mil estrelas de bombons
frutas de perdão
hálito de oásis, flor de afago no chão
no Vale Encantado quem sorrir
pega o céu com a mão

(O Vale Encantado: Oswaldo Montenegro)


7. O que pensas a respeito do amor?

Ruínas de Sol

 

Como nasce do lodo do fundo dos mares
O velho vestígio da embarcação
Há de vir das ruínas dos nossos pesares
A primeira luz do nosso coração
Como nasce do fundo do poço escuro
A água cristalina pra
Matar a nossa sede
Há de vir do oceano ou do leito
Fundo de um rio
A nossa esperança envolvida na rede
Como nasce o jasmim do que sujou a terra
E a primeira estrela da ausência do sol
Hei de ver o verão germinar primavera
E a semente da terra do nosso lençol
Como a fúria da chuva lavou o telhado
E o cansaço no fez a vigília enfrentar
As ruínas são restos, mas não do que acaba
E sim do que morre pra recomeçar.

(Ruínas De Sol: Oswaldo Montenegro)


8.Como é a tua vida?

Intuição

Canto uma canção bonita,
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquelas
De filosofia,
E mundo bem melhor

Canta uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração

Como, sem licença, o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão!
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

E hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Bate o pé no chão
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
E hoje quem não cantaria
Grita a poesia.
Bate o pé no chão...

(Intuição: Oswaldo Montenegro)


9. O que pedirias se pudesses ter só um dese
jo:


Um só desejo? Impossível. Ou eu não poderia incluir esta música!

Sem Mandamentos

 

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação

(Sem Mandamentos: Oswaldo Montenegro)

10.Escreva uma frase sábia.

"Protesto contra todos que tiveram certeza absoluta o tempo todo já que nunca vi um imbecil hesitar!"

postado por Denise Lellis, às 09:07

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12.04.2009



Praqueespaçopraquedescançoseéproibídoparar?
Cadasegundopreciosoháqueseaproveitar
Produzirtrabalhartertudoaoferecer
Corrermuitoenuncapararnempraseouvirousever
Omundonãovaiesperarmelhornãoparardecorrer.
P    A    S    S    O    U.    P    A    S    S    O    U    ?
P    E    N    S    E    I...    P    E    N    S    E    I...
                P        A        R        T        I
                           N        Ã        O
                                V        I

postado por Denise Lellis, às 21:39

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29.03.2009

  
 

    No ambiente acadêmico, convivendo com os mais variados tipos de dúvidas de alunos e residentes, às vezes me pego constrangida se a resposta não me vem à cabeça de pronto. Muitas vezes preciso parar e procurar muito por uma resposta satisfatória para o aluno e para mim mesma. Ultimamente me pergunto o porquê do constrangimento.    
    Pensando retrospectivamente lembro-me de poucos professores que admitiram não saber algo e que se dispuseram a me ajudar a procurar a melhor resposta. Aprendi muito mais do que quando recebi respostas imediatas porém vagas e com pouco fundamento. Isto quando não ia conferir e concluía que havia recebido a resposta errada.
    Não deve haver constrangimento em dizer "Não sei." Deve sim haver coragem e responsabilidade.
    Os que acharem um absurdo que procurem a resposta certa sozinhos. Aos que entenderem a resposta certa virá sem esforço. Alguns residentes têm vergonha de consultar o livro na frente do paciente. A eles eu sempre digo: "Confio muito mais no médico que consulta o livro. Lembre-se que o motorista iniciante e consequentemente mais cuidadoso só bate o carro quando acha que já sabe dirigir.". 
    Como já disse Oswaldo Montenegro: "Protesto contra os que têm certeza absoluta o tempo todo. É um protesto estético e claro já que nunca vi um imbecil hesitar. VIVA A DÚVIDA."

postado por Denise Lellis, às 01:00

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21.03.2009


        
        O pai segurava a mão do filho incentivando-o a continuar tentando.  Como que aproveitando o espaço disponível nos corredores do shopping tão cheios quanto permitia uma terça-feira chuvosa em São Paulo.Em breve estaria andando sozinho e talvez alguns lojistas pudessem ser testemunhas daquela conquista tão singular.
        Absorto. Mergulhado nos prós e contras de mais uma importante decisão a ser tomada aquela cena o fez parar. Teve pena daquela pobre criança que jamais se lembraria daqueles momentos. De seu esforço, de sua conquista, de sua capacidade de enfrentar seus medos e superá-los, da luta e da incomensurável felicidade de seus pais ao vê-lo andar. Por que tinha que ser assim? Por que somos privados das lembranças de momentos que provavelmente constituem as raízes do que somos? Por que não me lembro da sensação de andar sozinho pela primeira vez? De falar minha primeira palavra? Por que não conheço a sensação que senti quando reconheci o rosto da minha mãe? Que mal estas lembranças poderiam causar? Estaria a natureza nos protegendo de algo ao nos fazer assim? Certamente.
        Olhou novamente o pai e o filho no corredor do shopping. Pensou na metáfora que aquilo significava. É como se o pai dissesse: " Viu? Você é capaz de andar sozinho. Agora o mundo é seu. Vá, conquiste-o e eu sempre estarei aqui ao seu lado caso você ameace cair."
        Então entendeu. É proteção. A natureza quis nos proteger da frustração. Do tédio. Que outra conquista teria o valor que teve aprender a andar sendo ao mesmo tempo incentivado e protegido de qualquer perigo? Que outro momento poderia ser mais especial do que o de conhecer o mundo? Que sensação substituiria a de sentir a felicidade que sua simples presença ou que sua primeira simples palavra foi capaz de causar nas pessoas ao seu redor? Que outra  função poderia ser tão prazerosa quanto ser capaz de encher a casa de alegria precisando apenas ser você mesmo? 
        O resto da vida seria muito chato. Definitivamente é proteção...

postado por Denise Lellis, às 17:47

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04.03.2009



Pronta,

Pranto.

No meu canto.

Pelo menos.

Por enquanto.

No meu canto.

Por encanto.

Por enquanto.

Apronto.

Aprendo.

Planto.

E pronto.

Pranto...

postado por Denise Lellis, às 22:59

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15.02.2009

 
  

   Quem exatamente eu era quando escolhi meu caminho? Quais eram minhas prioridades, minhas crenças, meus valores? Nunca consegui esta resposta e às vezes me surpreendo olhando pra trás em busca das escolhas e decisões que culminaram no dia de hoje.
  Será que alguém tem esta resposta? Não acho que um adolescente de 15, 16 anos tenha muita idéia das repercussões de uma escolha tão decisiva quanto é optar por uma profissão. Alguns visivelmente ignoram dons e talentos e escolhem caminhos que trarão mais satisfação aos pais, mais admiração dos amigos e sociedade do que satisfação pessoal. Ledo engano. Como admirar um profissional que não gosta do que faz? Mas na hora da decisão, ou melhor, na idade da decisão, o futuro é algo distante demais para causar preocupação. Mas ele chega. E muito mais cedo do que se imagina. E muitas vezes, quando nos damos conta estamos arraigados e comprometidos demais para recomeçar. Os poucos que conheço que tiveram coragem não se arrependeram.
    Deveríamos escolher mais tarde. Depois de algumas transformações e experiências. Depois de descobrir que se é capaz de aprender a tocar violão sozinho (só com a ajuda do You Tube) e tornar mais ameno um dia fadado a ser pesado, intenso e casantivo. De trazer alegria a um ambiente monótono entre quatro paredes iluminado-o apenas com voz e melodia.
    Ao mesmo tempo incrível e melancólico. Espero que a profissão não destrua este lado "não profissional" de tanto valor. Quem sabe assim não será necessário olhar tanto para trás.

postado por Denise Lellis, às 21:00

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07.02.2009



Fascinante seu poder.
Simples, despretencioso. Ele se faz  meio frágil, discreto. E recebe. Acolhe e sem precisar dizer define o ambiente e traz muito mais do que um discurso ensaiado.
Ele abraça sem tocar. Afaga e consola um momento difícil mas desejado e necessário. Facilita a passagem inevitável, a mudança sofrida, o crescimento doloroso. Se é correspondido se completa pois encontra a única resposta desejada. Se não é, se perde mas não se apaga. Se faz pronto para reaparecer. Aguarda o melhor momento para reaparecer de surpresa e quem sabe obter uma retribuição. Mesmo que tímida. Já é um começo. 
Singelo. Infinitamente simples. Quase sempre possível.
Quebra. Surpreende. Gera. Constrói.
Mas há os que o estranham e evitam. E perdem a chance da força de seu brilho. Perdem a chance de dar e receber este código de paz. A bandeira branca que alivia e permite que o "inimigo" se aproxime. Que o desconhecido se revele. Que o medo se dissipe numa nova e promissora realidade.
É ele. Pra alguns uma arma. Para outros respota. Para mim, alívio.

postado por Denise Lellis, às 01:59

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03.02.2009



Dona Belmira ligou novamente:
- Pronto Oliveira! Você já está a salvo! Não se preocupe mais com o pó, ele não tem mais poder algum contra você. Os trabalhos também já estão desfeitos não sei se cheguei a comentar, era mais de um, mas fique tranqüilo, agora está tudo bem você e seus negócios não correm mais perigo.
- Muito obrigada Dona Belmira, nem sei como agradecer. Quanto devo para a Sra.?
- Nada meu filho, faço isso por amor aos meus irmãos!
Finalmente Oliveira relaxou, pois sabia que a estória do pó estava resolvida e que toda aquela inveja não o atingiria mais. Porém, no dia seguinte ele chegou ao escritório lá estava o pó de sumisso máster plus em sua mesa. “ Mas o que será que está acontecendo? Será que Dona Belmira se enganou e este pó não é do tipo Máster Plus e sim do tipo Standard que só faz efeito em 30 dias?
Desolado, Oliveira sentou-se na cadeira de seu escritório psicologicamente exausto quando alguém bateu de leve na porta.
- Entre, disse, ele, seja lá quem for.
Era o rapaz da loja que alugava as câmeras de segurança, tinha vindo retirar o aparelho.
- Pode levar, eu não preciso mais dela.
O rapaz tirou a câmera e antes de ir embora tentou novamente conversar com deprimido locatário.
- Com licença Seu Oliveira.
- Fale meu amigo.
- É que quando vim instalar a câmera não pude deixar de notar que o forro do teto do senhor está desmanchando. O material é ruim e isto é perigoso, o teto pode até cair. Já pensou em trocar por um material melhor? Meu tio trabalha com isso, eu ajudo ele sabe pra ganhar uns trocadinhos a mais, se estiver interessado liga pra gente, olha este é o cartão do meu tio “Miltinho teto firme – Preocupe-se com o chão onde pisa e deixa que do teto a gente cuida”.
Oliveira pegou o cartão mas não conseguiu dizer nada, apenas deu mais uma caixinha para o rapaz e liberou-o.
Oliveira se deu conta de que sua pseudo esquizofrenia o havia impedido de se lembrar de fazer a primeira coisa que qualquer ser com mais de 2 neurônios faria numa situação como aquela: olhar pra cima e ver se o pó vinha do teto. “Mas foi bom”, pensou ele, “Pelo menos Dona Belmira desfez vários trabalhos que tinham feito contra mim”.
Naquela noite Oliveira foi direto pra casa, no caminho comeu um brigadeiro que comprára no café que ficava ao lado da fábrica e enfiou o papel no bolso, chegou em casa, arrancou a roupa, jogou em cima da cama, tomou um bom banho quente e foi dormir. Quando puxou os lençóis percebeu que havia três grãozinhos escuros em sua cama, como se fosse chocolate granulado. Desconfiado ligou imediatamente para dona Belmira
- De que cor são os grãos? Escuros ou claros?
- Escuros respondeu Oliveira.
- Então cuidado! Os escuros são mais perigosos, seu nome vem do latim graum de coisum feitum, popularmente conhecido como grão de coisa feita e os escuros costumam ter poder principalmente sobre o dinheiro da vítima.
- Ai meu Deus do céu!
- Anota aí o que vou precisar...

postado por Denise Lellis, às 22:35

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30.01.2009

    

Oliveira chegou com a amostra e entregou à sua conselheira. Dona Belmira fez cara de conteúdo e comentou: 
        - Puuuuxa vida, mas que coisa! 
        - O que foi Dona Belmira? 
        - Interessante...muito interessante. Disse ela olhando e testando o odor e o sabor do pó. 
        - O que foi? 
        - Fazia muito tempo que eu não via um caso assim! 
        - O que foi? Diga logo pelo amor de Deus! 
        - É um caso raríssimo, eu achava que nem existia mais. 
        - É muito grave? Tem jeito? 
        - Não sei meu filho, será preciso muita paciência e fé, mas acho que posso ajudar. 
        - Pode e como? 
        - Quem colocou isto em sua mesa sabe muito bem o que está fazendo e ela ou ela não quer o seu bem. 
        - Ai meu Deus! 
        - Isso aqui é pó de sumisso meu filho, artigo raro, difícil de conseguir. A pessoa coloca em algum lugar onde você costuma ficar e no máximo em 1 mês consegue o resultado. 
        - E agora Dona Belmira? O que faremos? 
        - Deixa comigo! Vou dar um jeito nisso. 
        - Do que a Senhora precisa? 
        - Uma vela branca, uma azul e uma verde, 10 rosas vermelhas e 1 pacote de cravo. 
        - Só isso? 
        - Sim meu filho, o poder não está no valor das coisas e sim na sua fé. 
        - E quanto eu lhe devo? 
        - Nada meu filho, faço isso por amor aos meus irmãos. 
    Oliveira agradeceu muito e providenciou tudo o que Dona Belmira precisava e foi para casa ainda preocupado. No dia seguinte logo cedo o telefone de Oliveira tocou. 
        - Alô! 
        - Oliveira meu filho, o caso é mais sério do que imaginava o pó de sumisso é do tipo master plus e tem efeito ultra-rápido. O sumisso acontece em 15 dias ao invés de 30. 
        - Oh meu Deus e agora? 
        - Não se preocupe já estou dando um jeito, anota aí o que vou precisar: 1 vela branca, dez rosas brancas, um pacote de alecrim, 2 kilos de carne moída, 10 kg de arroz, 5 de feijão, molho de tomate umas 3 latinhas, uns 2 frangos, melhor se for temperado e desossado e uns 3 kg de batata, umas 3 latas de leite condensado e mais 3 de creme-de-leite a chocolate em pó. Mande entregar tudo aqui em minha casa ainda hoje. Preciso ainda de R$ 500,00 em dinheiro para comprar uns artigos que estejam à altura da qualidade deste pó. E fique tranqüilo tudo vai dar certo.
Oliveira seguiu ao pé da letra todas as recomendações de sua mentora menos a parte de ficar tranqüilo. 
    Toda manhã, durante toda aquela semana, Oliveira empalidecia ao ver mais um pouquinho de pó branco em sua mesa. Mas tentava se acalmar afinal de contas seu caso estava nas mãos de especialistas. 
    Cinco dias depois Dona Belmira ligou para Oliveira: 
        - Meu filho, temos mais um problema. A pessoa que quer te derrubar não gosta mesmo de você, talvez nem seja uma pessoa só. Fizeram um trabalho pesado e precisamos correr para desfazer. Preciso de uns 5 sabonetes dove daqueles anti-envelhecimento, um creme hidratante para o dia e um para a noite, o do dia tem que ter FPS 15, um anti-rugas para a área dos olhos de preferência com DEMAE, um perfume importado e um gloss cor chocolate. Preciso ainda de um horário no cabeleireiro do shopping para hidratação e escova e para fazer as unhas. Ah! Traga também uma vela vermelha. A que horas seu motorista vem me buscar? 
    Mais uma vez Oliveira obedeceu apesar de não ter a menor idéia do que viria a ser um gloss. 
    Mas o pó continuava aparecendo na mesa do escritório de Oliveira 
    No décimo dia de pó Dona Belmira ligou novamente: 
        - Felizmente já estamos obtendo resultados meu filho, agora falta pouco. 
        - Mas já faz 10 dias Dona Belmira o que está faltando? 
        - Pouco meu filho, muito pouco. Apenas anote: preciso de um conjunto de toalhas brancas para banho com roupão de preferência com capuz, um conjunto de roupa de cama lilás para cama Queen com edredom e capa de travesseiro e uma pantufa rosa de preferência com pluminhas, além disso, traga uma vela roxa e uma preta o mais rápido possível. Ah! Já ia me esquecendo achei um site na internet que vende o antídoto para o pó de sumisso, mas cada frasco com 10 gramas custa mil reais. 
        - E precisamos de quantos gramas? 
        - Depende do seu peso, normalmente usamos 10 gramas para cada 10 kg de peso da vítima. 
    Oliveira nunca ficou tão chateado por estar fora de forma. Estava com mais de 90kg!    
    Mas fazer o quê? Tudo para proteger a si mesmo e aos negócios da família de toda aquela inveja. A palavra vítima incomodou tanto Oliveira que ele arredondou seu peso para cima: 
        - Tenho 100 kg! Estou mandando o dinheiro. 
    No mesmo dia estava tudo na casa de Dona Belmira. Oliveira confiava em Dona Belmira mas desta vez estava achando que o efeito estava demorando a aparecer. Só por precaução resolveu instalar uma câmera em seu escritório para flagrar aquele invejoso que queria tanto derrubá-lo. Foi à loja e alugou uma câmera de segurança por 5 dias, e pediu para alguém da própria loja ir instalá-la, não queria levantar suspeitas. 
    O rapaz que instalou a câmera tentou conversar com ele, mas Oliveira não deu ouvidos, estava tão obcecado por pegar logo aquele salafrário que nem deixou a rapaz falar. Deu uma caixinha gorda pra ele e pediu que fosse embora. A câmera funcionou ininterruptamente por 5 dias. 
    Oliveira assistiu aos filmes cuidadosamente e percebeu que ninguém além dele mesmo e a faxineira entraram no escritório. Aliás, ia ter boa uma conversa com aquela faxineira pois achou que ela estava fazendo uma limpezinha muito meia boca em seu escritório. 
    O pó continuava aparecendo e já estava no 15º dia.

Continua...

postado por Denise Lellis, às 21:30

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27.01.2009
    

    Oliveira era um cara bem de vida. Filho de um médio empresário em São Paulo trabalhava de segunda a sexta-feira das 8 às 17 hs e ia levando a vida conforme sua família queria. Administrava uma empresa de médio porte que fabricava e vendia ferramentas. 
    Oliveira e sua família tinham mania de perseguição. Qualquer um que se aproximasse deles estava querendo algo em troca até que se provasse o contrário, desconfiavam até da própria sombra, todos queriam seu dinheiro, seus bens, queriam boicotar os negócios, tramar alguma coisa para prejudicá-los. Não era a toa que Oliveira chegara aos 40 anos solteiro. Não, ele não era e nem tinha tendências homossexuais, quer dizer, não que eu coloque a mão no fogo por alguém neste mundo, mas Oliveira até que curtia sair com as meninas, porém quando algo mais sério surgia era melhor arranjar uma desculpa para cair fora para não ter que mexer com aquele “negócio de bens”, pra ser mais precisa, com aquele “negócio de comunhão de bens.” Ele era do tipo que tinha adesivos no carro dizendo “Xô olho gordo”, “A inveja é uma merda”, “A vitória é o lucro, a inveja é conseqüência”, “Tem inveja de mim? Dane-se!” de tempos em tempos o adesivo do carro era trocado mas as frases sempre versavam sobre o mesmo tema. 
    Oliveira se dizia católico, mas não freqüentava igreja só em ocasiões especiais como batizados, casamentos e crismas. Já tinha sido padrinho em todo tipo de sacramento, somando tudo cerca de umas 30 vezes. “Convidam-me porque querem presente bom, bando de interesseiros”. Mas ele ia, fazia sua parte e dava o presente bom com medo do olho “gordo”. Oliveira e sua família tinham verdadeiro pavor de chegar ao mês seguinte com 1 centavo a menos na conta e por isto não conseguiam ser felizes, nem mesmo aproveitar a vida boa que tinham, a preocupação era sempre maior que a diversão. 
    Numa manhã normal se segunda-feira Oliveira chegou a seu escritório e percebeu que em sua mesa havia um pozinho branco espalhado, quase não dava pra notar, mas Oliveira notou e ficou encafifado com aquilo. Certamente alguém estava tramando algo contra ele e pensou imediatamente que aquela seria mais uma missão para Dona Belmira. 
    Dona Belmira era uma mãe de santo cinquentona das boas segundo Oliveira. Já tinha dado acessoria à família em várias situações de necessidade anteriormente. Espantou olho gordo, curou pereba, afastou ziquizira, derrubou mal olhado, desfez uns 80 trabalhos uns mais simples outros bem trabalhosos, defumou a casa de todos os membros da família e as empresas e sempre estava disposta a ouvir os problemas da família, dar conselhos, analisar contratos, currículos, propostas e negócios de todo tipo. Sim, era exatamente assim que funcionava. Dona Belmira era consultada antes de Oliveira tomar qualquer tipo de decisão. E o mais impressionante é que ela não cobrava nada pelas consultas. “Faço isso por amor aos meus irmãos” dizia Dona Belmira sempre que alguém perguntava quanto cobrava pelas consultas. Oliveira considerava Dona Belmira como a única pessoa fora de sua família que não era interesseira. 
    Ao ver o misterioso pó branco em sua escrivaninha, Oliveira não pensou duas vezes, imediatamente, ligou para sua consultora e contou o que houve. E a mãe de santo repondeu: “Provavelmente este pó aparecerá nos próximos 30 dias em sua mesa. Pegue um pouco e traga para mim.” Foi o que Oliveira fez levou um pouco do pozinho para Dona Belmira fazer a análise necessária.

Continua...

postado por Denise Lellis, às 22:00

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