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09.02.2010

    Ambas foram enviadas por amigos e chegaram por e-mail.  Muito obrigada Neuza e Glória!

                

        

postado por Leni David, às 00:56

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07.02.2010

O vídeo que publico abaixo  é consagrado à história da Arte e foi realizado por Philip Scott Johnson. A música, Suite para Violoncelo no 1, de Bach, é executada por Yo-Yo Ma.

Este trabalho é uma verdadeira obra prima da arte digital; as obras  selecionadas para o filme "Women in Art", de Phillip Scott Johnson, foram repertoriadas por Boni, professora do " Fayetteville Technical Community College. 

    Desejo a todos, um excelente domingo!


              

postado por Leni David, às 00:35

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06.02.2010

    Recebi o texto que publico abaixo, por e-mail, de várias pessoas,
    cerca de quinze cópias!  Achei original e decidi publicar aqui.


                BIG BROTHER BRASIL

  

O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, compôs mais um cordel, mas desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil" ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos). Só para dar um gostinho:


 

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.


Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.


Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.


Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.


Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.


O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.


Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.


Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.


Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.


Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.


Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.


A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.


Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.


Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.


Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.


É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.


Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.


A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.


E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.


E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.


E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.


A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.


Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.


Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?


Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano,
Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel sobre Caetano Veloso
.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.


O cordel "Big Brother Brasil, um programa imbecil"  está completinho aqui, em primeira mão: http://cachacaaraci.wordpress.com/

 

 

postado por Leni David, às 18:15

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04.02.2010


      

      
                                                    Vista parcial da Ilha de Itaparica

Visitei a Ilha de Itaparica pela primeira vez no final dos anos 70, num feriado prolongado do 07 de setembro. Éramos um grupo de aproximadamente 9 amigos, todos jovens; atravessamos a Baía de Todos os Santos numa barca, embora o ferry-boat já permitisse a travessia entre Salvador e a Ilha. Ficamos hospedados na casa dos pais de um dos amigos, em Mar Grande, que na época era uma vila sossegada. À noite, com a lua cheia iluminando o mar, íamos para a praia tocar violão e cantar, para a lua e para Salvador, que nos espiava do outro lado da baía. Aquelas imagens permanecem vivas na minha memória e lembro-me com muita saudade daquele tempo feliz e despreocupado, tempo bom em que se dormia com as janelas abertas ouvindo o marulhar das ondas embaladas pela brisa. Daí em diante, sempre que pensava em passeio, em férias, ou simplesmente em me oferecer paz e beleza, pegava a sacola e rumava para a Ilha.

                     
                                                 Fonte: Google

Acontece que os tempos mudaram; a Ilha de Itaparica, que foi descoberta em 1º de novembro de 1501 por Américo Vespúcio, também mudou, não é mais a mesma.

Os terrenos próximos às praias calmas da costa atlântica, habitadas sobretudo por pescadores, foram comprados para especulação imobiliária e vendidos para a construção de condomínios fechados, em nome do progresso; como diz João Ubaldo Ribeiro, “um progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles”... Com o "progresso", também a violência se instalou, facilitada pelo acesso fácil e pela inoperância do policiamento local. Agora dizem que vão construir uma ponte, mas como diz, ainda, João Ubaldo, “esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História".

A Ilha de Itaparica fica a 13 km de Salvador e é a maior das 56 ilhas da Baía de Todos os Santos. Além da importância histórica e singularidade geográfica, ela possui um conjunto arquitetônico dos mais aprazíveis, praias de águas mornas, cultura rica e diversificada, artesanato próprio e culinária das mais apreciadas. Ela tem como vias de acesso, os ferries-boats, as barcas, e uma ponte, na  contra-costa, que a liga ao continente.
                    
                                                  Fonte: ilhadeitaparica.com

A Baía de Todos os Santos é a maior e uma das mais belas da costa brasileira. Sua ilhas, com praias e vegetação tropical, guardam monumentos de grande valor histórico e encantam os nossos olhos com o seu cenário, pontilhado de igrejas e capelas, fortalezas e belos solares. Nos séculos XVII e XVIII, ela foi o maior porto marítimo do Hemisfério Sul. Além de abrigar 56 ilhas, ela recebe as águas doces de inúmeros rios e riachos, tem como paisagem de fundo a cidade do Salvador, a primeira capital do Brasil.

    

    Foto: Leni David
Itaparica foi emancipada de Salvador em 1833, mas só foi elevada à condição de cidade no século XX (1962); A Ilha abriga dois municípios: Itaparica e Vera Cruz. O município de Itaparica administra os povoados de Porto Santo, Manguinhos, Amoreiras e Ponta de Areia; Vera Cruz, por sua vez, tem Mar Grande como sede e conta com os povoados da Penha, Barra do Gil, Coroa, Baiacu, Barra do Pote, Conceição, Barra Grande, Tairu, Aratuba, Berlinque e Cacha Prego. A sua extensão é  246 km² e nela vivem cerca de 50.000 habitantes.

Uma das riquezas do município de Itaparica é a Fonte da Bica, fonte de água hidromineral, com características hipotermal e radioativa. Passou a ser considerada Estância Hidromineral em 1937. Ela está localizada no centro da cidade, onde as pessoas se abastecem gratuitamente, numa bela praça sombreada, e que guarda recantos de grande beleza.

                    

                     
                                "Eh! água fina, faz véia virá minina!"
   
    

Um pouco de História

Os índios Tupinambás foram os primeiros habitantes do lugar, daí a origem do seu nome, Itaparica, que significa “cerca feita de pedras”, talvez em razão da barreira de arrecifes naturais voltada para o Atlântico, de aproximadamente 15 km de extensão, o que permite a formação de piscinas naturais de águas mornas e calmas, viveiro natural de polvos, lagostas e mariscos. A maioria destas praias tem águas rasas, mansas e mornas.

      

Mas o povoamento da ilha nasceu na contra-costa, com a criação pelos Jesuítas, em 1560, de um pequeno povoamento onde hoje se localiza a vila de Baiacu, então denominada Vila do Senhor da Vera Cruz. Ali foi erguida, na mesma época, a primeira igreja da Ilha de Itaparica (2ª matriz do Brasil) em homenagem a Nosso Senhor de Vera Cruz, o que justifica também a origem do nome do município (Vera Cruz). Dessa igrejinha restam as ruínas, sustentadas por uma imensa gameleira.

        

        

        

        
                                                Pôr-do-sol em Baiacu
     
Os religiosos também iniciaram ali, as culturas de trigo e cana-de-açúcar, além da criação de gado bovino. A pesca de baleias foi a sua segunda atividade econômica, chegando mesmo a ser explorada, entre os séculos XVII e XVIII, em escala industrial. Também proliferaram as destilarias e as fábricas de cal, que no século XIX, eram cerca de nove. Nesse período foram construídos sobrados senhoriais, existentes ainda nos dias atuais, e que hospedaram os imperadores Pedro  I e Pedro II.
 

                     

Quando da fundação da Vila do Senhor da Vera Cruz, hoje Baiacu, sob a orientação dos padres jesuítas, foi construída no local a primeira obra de engenharia hidráulica da então colônia, uma barragem para o abastecimento de água potável. Foi também em Itaparica, no engenho de Ingá-Açu, que se implantou a primeira máquina a vapor em terras brasileiras. A Ilha de Itaparica foi também local importante de construções navais. Nos seus estaleiros foi confeccionada e montada a primeira quilha da Marinha no Brasil e com o passar dos anos, os barcos e saveiros que embelezavam a Baía de Todos os Santos. Nesta época também existiam 5 destilarias de aguardente, além de fábricas de cal (nove, em meados do século XIX). Porém, a maior atividade econômica da Ilha foi a pesca da baleia, e em razão disso, ficou conhecida como Arraial da Ponta das Baleias. Rica e próspera, em 1763, a Ilha de Itaparica foi incorporada aos bens da coroa.

    

Os registros históricos sobre a Ilha dão conta de inúmeros eventos, entre eles, em 1510, a vinda do navegador português Diogo Álvaro Correia, o “Caramuru” que, enamorado da índia tupinambá, Paraguaçu, filha do cacique Taparica, desposou-a.  Em 1597, a ilha foi invadida pelos ingleses e entre os anos de 1600 e 1647 ela foi invadida pelos holandeses, que chegaram a construir uma fortaleza, o Forte de São Lourenço, hoje no centro do município de Itaparica e em excelente estado de conservação, ponto de atração turística e ponto de encontro de jovens e boêmios.

    

 

Lenda Indígena

Conta-se, segundo a lenda indígena tupinambá, que no começo do mundo, um majestoso pássaro de plumas brancas alçou vôo do centro do universo e seguiu dias e noites sem parar, à procura do paraíso para pousar. Quando avistou o local que buscava, caiu exausto sobre ele e morreu. No seu leito de morte, suas longas asas transformaram-se em praias e, no lugar em que o coração bateu, a terra abriu-se formando uma grande e profunda depressão que as águas do mar invadiram, reservando seu centro para uma ilha que seria a rainha de todas as outras. Assim nasceu Kirymuré, para os índios e assim nasceu a Ilha de Itaparica no imaginário de sua população nativa. Um local  de beleza, inusitada, mistérios, magia e muitas histórias.

Fontes: Bahiatursa
                Itaparicainfoco

postado por Leni David, às 18:58

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03.02.2010

                                                                            Claudio Leal

O compositor Chico Buarque assinou na segunda-feira, o manifesto em apoio ao escritor João Ubaldo Ribeiro no debate sobre a ponte Salvador-Itaparica, anunciada pelo governo da Bahia.

Articulado por amigos, jornalistas e escritores, o texto "Itaparica: ainda não é adeus" já foi assinado por Luis Fernando Verissimo, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Hélio Contreiras, além de companheiros da "Geração Mapa" (aglutinada por Glauber Rocha), como o poeta Fernando da Rocha Peres, os artistas plásticos Sante Scaldaferri e Ângelo Roberto, o ex-procurador-geral do Estado Antonio Guerra Lima e o músico Walter Queiroz Júnior.

Leia também:
» João Leão: Escritores estão de um lado, o povo está de outro
» João Ubaldo: "Bahia tem descaso horroroso com patrimônio"
» "Adeus, Itaparica", por João Ubaldo Ribeiro
» Milton Hatoum: "Voracidade de empreiteiros não tem limites"
» Emanoel Araújo propõe tombamento da Baía de Todos-os-Santos

O governo da Bahia pretende construir uma ponte de 13 km na Baía de Todos-os-Santos, ligando Salvador a Itaparica, a maior ilha marítima brasileira. Para o secretário baiano de Infraestrutura, João Leão (PP), "os escritores estão de um lado e o povo está de outro", como afirmou em entrevista publicada hoje por Terra Magazine: "Se a população não tem concepção de urbanismo, só quem tem são os escritores?".

Com o apoio de Chico Buarque, alguns dos principais intelectuais brasileiros defendem um debate amplo sobre a obra polêmica. Para João Ubaldo, se a ponte for construída, a Ilha de Itaparica, inspiradora de seus romances, será anexada à zona urbana de Salvador, o que representaria uma ameaça ao paraíso ecológico. A Ilha já sofre com surtos de violência.

Diz a abertura do manifesto:

"Os abaixo-assinados, cidadãos brasileiros, encontraram no emocionante e esclarecedor artigo "Adeus, Itaparica" (...) argumentos consistentes e equilibrados para inaugurar um debate amplo sobre o anteprojeto de construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, anunciado pelo governo do Estado da Bahia. O itaparicano João Ubaldo, cujos romances puseram a Ilha na geografia literária brasileira e universal, é uma voz qualificada para questionar elementos sombrios e outros mais claros do empreendimento, previsto como bilionário para os cofres públicos e incerto para o destino ecológico e econômico da maior ilha marítima do Brasil. O autor de "Viva o povo brasileiro" não está sozinho em seus questionamentos".

Terra Magazine

Observação: Não sou artista, não sou famosa, não sou importante, mas já assinei o manifesto, pois sou baiana, amo a minha terra e nem quero imaginar a Baía de Todos os Santos, uma das mais belas que já vi, atravessada por uma ponte de cimento armado. Passei alguns dias em Itaparica no início de janeiro, como faço todos os anos e ouvi de muitos nativos, principalmente pessoas humildes, faxineiras, garçons, pescadores, enfim, de inúmeros habitantes da Ilha, protestos veementes contra a construção do "monstrengo", pois sabem que num futuro próximo, se essa maluquice vingar, onde hoje existem suas casas  existirão condomínios de luxo e especulação imobiliária. Amo aquela ilha, que já é interligada ao continente pela Ponte do Funil e também acho que a especulação e  a "voracidade dos empreiteiros" não tem limites.

Vamos apoiar João Ubaldo Ribeiro!

Para assinar a Petição contra a construção da ponte, clique aqui.

 

postado por Leni David, às 08:24

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03.02.2010

    O escritor protesta contra a construção de uma ponte  ligando Salvador  à Ilha de Itaparica, sua terra natal. Leiam o artigo e entendam as razões do protesto.

                                                                 "Adeus Itaparica"

         Da Ilha de Itaparica (BA)

                                                                                              João Ubaldo Ribeiro

 Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terra, na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo. De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso.

Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernosos de condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente.

Também conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis. Na verdade, sabem os menos ingênuos, eles se baseiam em premissas inaceitáveis, tais como uma visão imediatista, materialista e comprometida irrestritamente não só com o capital especulativo, que já está pondo as mangas de fora no Recôncavo, como aquele que investe aqui usando os mesmos padrões aplicados em Pago-Pago ou na Jamaica. A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas.

As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. E confessarão, é claro, pois Mamon é forte e sempre esteve na crista da onda.

Mas não mostrarão que esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História. Quem não é atrasado sabe disso. Para não cometer esse tipo de atentado é que, em Paris, por exemplo, não se permite a abertura de shoppings onde isso possa ferir o comércio de rua tradicional.

Tampouco, em Veneza, as gôndolas foram substituídos por modernas lanchas. Num país não submetido a esse estupro sócio-econômico e cultural, os saveiros seriam subsidiados, as antigas profissões, o artesanato e o pequeno comércio também. Exercendo a vocação turística de toda a região, teríamos razão em nos mostrar com tanto orgulho quanto um europeu se mostra a nós. Mas nosso destino parece ser acentuar infinitamente a visão que enxerga em nós um país de drinques imitando jardins, danças primitivas, pouca roupa e nativas fáceis.

Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de alguma igrejinha venerável por milagre preservada, na fala, daqui a pouco perdida, de meus conterrâneos da contracosta. Sei em que conta me terão os que querem a ponte e não têm como dizer que só estão mesmo é a fim de grana, venha ela de onde vier e como vier. Conheço os polissílabos altissonantes que empregam, sei da sintaxe americanalhada em que suas exposições são redigidas e provavelmente pensadas, como convém a bons colonizados, já ouvi todos os verbos terminados em "izar" com que julgam dar autoridade a seu discurso. É bem possível que a ponte seja mesmo construída, mas, pelo menos, não traio meu velho avô.

Protesto do escritor João Ubaldo Ribeiro, autor de Viva o Povo Brasileiro (que tem como cenário, além de Salvador a Ilha de Itaparica) e de outros clássicos da Literatura Brasileira, contra a construção de uma ponte - imaginada pelo governo da Bahia - sobre a Baía de Todos os Santos. João Ubaldo (e tenho certeza, a maioria dos baianos) abomina a ideia - eu também!
E você, é contra ou a favor desse projeto?
Dê a sua opinião!
Para assinar a Petição contra a construção da ponte, clique aqui.

 

postado por Leni David, às 02:18

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02.02.2010


                                                   
        

Dois  de fevereiro

               Dorival Caymmi
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Yemanjá
 
Escrevi um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que mandei pra ela
De cravos e rosas chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou 

 
        Caymmi compôs essa canção, em homenagem à rainha das àguas,  em 1957

 
           
                            Oferendas para Yemanjá na Festa do Rio vermelho, em Salvador

                     

postado por Leni David, às 02:08

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01.02.2010

        

 

Pois é, me apropriei de um verso de Caetano para iniciar esse post. Primeiro porque quem vai embelezar o blogue nesse primeiro post do ano, sobre fotografia, é Felipe Attílio, um paulistano; segundo, porque o fotógrafo, com o seu olhar perspicaz, mexe com o coração da gente.

A gente sabe que, sobre São Paulo, o que se ouve falar pelas bandas da Bahia é de trabalho, de correria, de gente apressada... Mas Felipe Attílio vê a sua cidade com muita ternura e mostra para nós, não somente o lado “floresta de cimento armado” e pressa, mas também o lado poético e bonito.

     


Felipe Attílio, segundo ele mesmo, chegou a este plano (terra), em 1986. Acredita em ETs, já leu Harry Potter. Gosta mais de folk e jazz, do que de rock; não come nada verde (exceto ervilhas) e tem certeza de que os manequins das lojas de shopping fazem uma rave, à noite, quando não tem ninguém olhando

    

Felipe é graduado em Publicidade e Propaganda, aluno do curso de pós-graduação em Marketing Organizacional na UNICAMP e às vezes frequenta algumas aulas de cinema do IA (Instituto de Artes) só "pra passar o tempo" e é facilmente encontrado no circuito cultural alternativo da capital paulista.

                

O nosso fotógrafo poeta já trabalhou em livraria, pois gosta muito de ler; trabalhou em farmácia, (mas não levava jeito), empresa de plano de saúde, seguradora e agência de publicidade (para ganhar uma graninha), mas o que ele quer mesmo é estudar Ciências Sociais e ter uma banda de garagem. Felipe também gosta de seriados, detesta vampiros, tem uma queda por cinema e jornalismo cultural e aprendeu a tocar violão “de ouvido”. Ele é geminiano e ainda está tentando descobrir o que isso quer dizer.

    

Mas chega de conversa! O melhor, mesmo, é mergulhar o olhar nas belas fotos de Felipe Attílio, talvez explicáveis, ainda, pelos versos de SAMPA, de Caetano Veloso:

                ...é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

                da dura poesia concreta de tuas esquinas...

        

                 ...e quem vem de outro sonho feliz de cidade

                aprende depressa a chamar-te de realidade...

    

                        ...da feia fumaça que sobe apagando as estrelas

            eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços...

     

                  ...tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva...

     

    

    

                    

                    Foto: Felipe Attilio

                    Foto: Felipe Attilio
    

E os novos – e velhos – baianos, te podem curtir numa boa, São Paulo!

Para conhecer melhor Felipe Attílio, clique aqui.


postado por Leni David, às 00:58

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31.01.2010


            

    A cantora Dalva de Oliveira canta um de seus maiores sucessos, a carnavalesca "Estrela do Mar".

    Número musical do filme, "Tudo Azul" (1952), de Moacyr Fenelon
.
 

    Comentário: Parabéns ao Canal Memória; amei ver esse vídeo!


postado por Leni David, às 00:38

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30.01.2010

 

Maria da Conceição Paranhos

 

Quero, sim, a palavra que murmura,

achada no fulgor do pensamento

e no bater das cordas, paixão pura,

aliviando chagas e tormentos.

Essa palavra extrema é minha carne,

aqui é minha casa e minha cama.

 

 

Maria da Conceição Paranhos nasceu em Salvador, Bahia. É poeta, professora da Universidade Federal da Bahia e tem vários livros publicados. Além da poesia, exercita outros gêneros: ficção, crítica literária, teatro e tradução. Doutora em Literatura Comparada pela Universidade da Califórnia, Berkeley.

                                  

 

postado por Leni David, às 16:12

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30.01.2010

A Morte Pede Carona – A Misera Quer Pongar

À beira da loucura - Tu tá é muito doido!

Cidade de Deus – Bairro da Paz

Corra Que A Policia Vem Aí – Se Pique Que Os Homi Tão Descendo

Esqueceram de Mim – Me Crocodilaram

Forrest Gump – O Culhudeiro

Ghost – O Encosto

Guerra dos mundos - Hoje tem Ba x Vi! (Jogo entre o Bahia e o Vitória)

Janela Indiscreta – Vizinho Na Cócó

Mamma Mia! - Ó pai ó

O Cavaleiro das Trevas – O Jagunço do Breu

O Exorcista – O Lá Ele

O Paizão – O Grande Painho

O Que É Isso, Companheiro! – Colé mermão!  (O que é isso, meu irmão!)

O Senhor dos Anéis – O Coroa Dos Balangandan

Os Bons Companheiros – Os Corrente

Quem Vai Ficar com Mary? – Quem vai faturar Maria?

Riquinho – Barãozinho

Táxi Driver – O Taquiceiro

Turistas - Os gringo

Uma Linda Mulher – Piriguete gostosa

Velocidade Máxima – O Buzu Avionado

Velozes e Furiosos – Ariscos e Virados no cão 

Observação: Como boa baiana, posso brincar com os meus conterrâneos, não é?
Recebi o texto acima, por e-mail, enviado por vários amigos e em várias versões; fiz uma seleção das "traduções" que achei mais engraçadas especialmente para os leitores do blogue. Tomara que se divirtam!


postado por Leni David, às 01:10

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27.01.2010

Em março do ano passado publiquei aqui no blogue, um post com o título Ideia de Rita Lee - Big Brother para políticos onde a cantora paulistana reclamava da inutilidade de programas como o Big Brother e sugeria a criação da “Casa dos políticos”. Nessa casa, os pré-candidatos à presidência da República ficariam trancados, debateriam e discutiriam seus respectivos programas de governo, sem marqueteiros, e sem discursos ensaiados. Toda semana o público votaria e eliminaria um candidato; no final, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país.

                        

 

Hoje, porém, recebi um comentário de uma leitora que se identificou com Lu, e ela diz o seguinte:

 

“Embora essa ideia tenha aparecido em março/2009, acho que a campanha continua sendo válida. "Casa dos Políticos" a casa mais vigiada do Brasil!

Um problema: será que o Pedro Bial topa ser o interlocutor entre o mundo e os Brothers? E a edição dos melhores momentos da semana? A Globo daria este cargo a quem? De que partido?

Além da ideia, precisamos criar um modelo para esta classe de candidatos. Ela não está interessada na Playboy; aliás, nem eles, como convidados celebridades, vão fazer sucesso. O premio é uma merreca, perto do que o candidato vencedor teria numa eleição convencional. Então, precisamos aprimorar a ideia. Sugestões !”

 
Eu também não gosto de Big Brother (mas isso não tem nada a ver com a história), mas assistiria de bom grado ao BBP (Big Brother dos Políticos).

Na época em que publiquei o post, sorri muito e gostei da sugestão de Rita Lee; hoje, despertada pelo comentário de Lu, e tendo em vista que “a casa mais vigiada do Brasil” está novamente em cena - sem esquecer que 2010 é ano de eleição e daqueles horríveis programas do horário político “gratuito” – seria espetacular assistir ao vivo o BBP.

 

    O que vocês acham? Participem!

postado por Leni David, às 19:57

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26.01.2010


                 O mundo é grande


           O mundo é grande e cabe
        nesta janela sobre o mar.
        O mar é grande e cabe
        na cama e no colchão de amar.
        O amor é grande e cabe
        no breve espaço de beijar.

                   (Carlos Drummond de Andrade)

postado por Leni David, às 20:49

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26.01.2010


            

postado por Leni David, às 00:03

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Vei queria que Macunaíma ficasse genro dela... e falou:
— Meu genro: você carece de casar com uma das minhas filhas. O dote que dou pra ti é Oropa França e Bahia

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