Papeis que desempenhamos na vida.
Acredito que quando a gente nasce o “pessoal lá” de cima manda junto um kit, que é pessoal e intransferível. Tipo:” kit de sobrevivência na selva.” Nele vem um punhado de dons, e habilidades que instrumentalizarão nossas vidas por aqui.
A galera da minha geração vai se lembrar do cinto de mil e uma utilidades. Então, esse kit funciona mais ou menos como o cinto. Vou explicar me dando como exemplo. Veio no meu kit a capacidade de fazer vínculos profundos, e a falta de habilidade para papo raso, tipo small talk. Veio a habilidade de ser namorada, e não de ser esposa. Gosto da sensação que tudo pode acabar, flertar, brigar e ter ciúme. Mesmo que seja com o mesmo homem há anos.
Veio à facilidade para abstração, posso passar horas filosofando sobre a vida. Não veio no meu kit o dom da paciência, nem o papel de mãe, muito menos o de dona de casa.
Isso não significa que não posso desenvolvê-los ao longo da vida. Mas que não são inatos.
Desempenhar o papel de mãe pra mim, não é natural, é algo aprendido. Comecei o aprendizado no exato momento do nascimento da minha filha e continuo aprendendo até agora. Acho, que passados 7 anos já saquei um pouco como ser uma boa mãe pra ela. Porém, agora grávida novamente me vem o mesmo medo de errar que tive há 7 anos atrás. Que loucura né? Eu achava que depois do primeiro a gente pegava no tranco. Ledo engano! Sem sombra de dúvida esse é um papel que faço questão de desenvolver com maestria. Quanto a ser dona de casa, me satisfaço com uma casa funcional. Não gasto muita energia com isso não.
Não foi fácil chegar a essa conclusão. Venho de uma família de mulheres fortes que nasceram com o kit maternidade. Faltou um pra mim. Sem problemas. Adoro aquele ditado que diz.
"A necessidade faz a habilidade”.