

Em tempos de uma cobertura de imprensa tão enlatada e igual, nada melhor do que tentar outra perspectiva.
Claro que enchi os olhos com Neymar e Robinho. Claro que foi um prazer IMENSO trabalhar na vitória do Santos, por 2 a 1 sobre o São Paulo, ontem, na Arena Barueri.
Mas quero detalhar que o jogo foi bem mais que a paradinha do camisa 17 e o gol de letra do camisa 7.
Outros heróis e outros vilões também escreveram essa história.
Comecemos pelos vencedores.
No Santos, outros jogadores me encantaram.
O zagueiro Edu Dracena, salvo quando cometeu uma falta em Richarlyson na meia-lua, e foi premiado corretamente com cartão amarelo, teve atuação perfeita. Desarmou o arisco Marcelinho Paraíba quatro vezes, com carrinhos precisos, na bola, muito eficiente. Com a braçadeira de capitão, me dá a impressão que voltará a ser algo parecido daquele Edu do Cruzeiro, ou do Fenerbahçe.
Outro que me chamou atenção foi o volante Arouca. Jogador do São Paulo, com mais quatro anos de contrato, está emprestado ao Peixe. Em via de regra, não jogaria contra seu time de origem, mas por um acordo entre os grandes, foi pra guerra. E jogou muito. Esbanjou vontade extra, creio que estava mais motivado que o normal justamente por enfrentar a equipe que não lhe deu todo o espaço que desejava (não julgo se de forma certa ou errada).
Por fim, o meia/volante/lateral Wesley, que entupiu Jorge Wagner no lado direito do ataque santista. Mostra que pode ser boa opção, muito superior a Pará. O titular mesmo é George Lucas, mas se Wesley seguir aproveitando as chances, pode causar uma boa dor de cabeça á Dorival Junior.
O Santos vai armando um time interessante, com algumas questões a se resolver, mas com um técnico muito capaz de fazê-lo.
Pelos lados tricolores, o técnico Ricardo Gomes errou, ao meu ver, nas alterações.
Das três que fez, não analiso a troca Dagoberto/Roger, porque o 25 estava contundido. Mesmo com seu substituto marcando o gol de empate, trata-se de um dos piores atacantes que já passou pelo time do Morumbi.
Mas as outras duas alterações foram muito infelizes. Tirou dois atacantes, Washington e Marcelinho Paraíba, para colocar dois homens de meio-campo, Cléber Santana e Leo Lima.
Tirou poder de fogo da equipe e encheu o meio-campo de jogadores com características semelhantes, batendo cabeça.
Santana, aliás, fez seu segundo jogo e mal conseguiu encostar na bola. Precisará de mais tempo para readquirir a boa forma.
Vejo Jorge Wagner como um problema para o São Paulo. O bom baiano não vai bem de lateral, nem de ala. Falta pulmão para JW, já com 31 anos.
Acho que Junior César merece uma vaga nesse time.
E, novamente, méritos para Xandão. O zagueiro de 1,96m fez mais grande partida. Cada vez mais chamando atenção, principalmente de quem o achava apenas regular, como eu.