Não, o blogueiro não terá a petulância de afirmar que o Barcelona enfim teve uma atuação convincente na vitória por 2 a 0 sobre a Internazionale no Camp Nou pela Liga dos Campeões por conta das ausências de Messi e Ibrahimovic, que ficaram no banco de reservas e sequer entraram por alguns minutos.
Além da ótima performance técnica e a atuação coletiva perfeita, dentro da proposta habitual de marcação adiantada e valorização da posse de bola, o time catalão ainda contou com uma opção tática cirúrgica do técnico Guardiola que aumentou ainda mais a fluência ofensiva dos atuais campeões europeus, apesar dos desfalques.
Sem Messi, Iniesta ocupou o lado direito como um “falso ponta”, se mexendo por todo o campo e abrindo o corredor para o apoio de Daniel Alves, lateral muito mais ofensivo que Abidal do lado oposto. Para compensar, Pedro atuou aberto à esquerda, com o apoio de Keita. Henry ficou mais centralizado, fazendo a função de Ibra. Com isso, o time não ficou “torto”, pendendo à destra como de costume.
Atacando pelos dois lados, o Barcelona envolveu com extrema facilidade uma Inter apática, sem idéias e com dificuldades para atacar, pela ausência de Sneijder na armação e o forte bloqueio logo na saída de bola exercido pelo oponente. A única oportunidade na primeira etapa surgiu no erro de Valdés, que rebateu no pé de Stankovic, mas o meia sérvio errou o chute da intermediária.
Na cobrança ensaiada de escanteio, o gol de Piqué logo aos dez minutos deixou o jogo ainda mais à feição do Barça, que criou várias oportunidades antes de ampliar o placar com Pedro, após bela combinação pela direita que terminou com a assistência de Daniel Alves e a conclusão atrapalhada do jovem atacante que Júlio César não conseguiu segurar.
O time da casa ainda se deu ao luxo de poupar energias na segunda etapa já pensando no clássico contra o Real Madrid no domingo. Tocando a bola, a equipe ainda criou outras oportunidades, sendo a melhor na cabeçada de Xavi, em outro cruzamento preciso de Daniel Alves, o melhor em campo, para defesa milagrosa de Júlio César.
Mourinho ainda tentou tornar o time italiano mais ofensivo com as entradas de Muntari e Balotelli nas vagas de Cambiasso e Stankovic, mas o problema estava na transição da defesa para o ataque, com Maicon intimidado pela presença de Pedro e os volantes vigiados ainda em seu campo. Eto’o recebeu o carinho merecido de ex-companheiros e torcida e lutou muito em campo, mas pouco pôde fazer. Os neroazzurri só dependem de si para garantir a vaga no Grupo F, mas o Rubin Kazan surge como um adversário complicado para a “decisão” em Milão na última rodada da fase de grupos.
Com a classificação encaminhada na competição continental, o Barcelona pode pensar no arquirrival e na recuperação de seus craques. Com todos à disposição, a missão de Guardiola será encontrar uma formação que encaixe seus talentos em uma equipe tão bem distribuída quanto a que atropelou a atual tetracampeã italiana.
[Publicado no Blog de Lédio Carmona.]