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29.11.2009
O sábado foi de bom futebol nos gramados do Velho Continente. Mesmo sabendo que os "pratos principais" seriam servidos no domingo, os coadjuvantes fizeram bem seus papéis e proporcionaram bons jogos nos melhores campeonatos da Europa.

Na Inglaterra:



Tal qual o São Paulo no futebol brasileiro, o costumeiramente eficiente Manchester United venceu mais uma no campeonato inglês e continua na perseguição ao líder e dono do certame Chelsea, que tem jogo difícil hoje contra os Gunners e precisa vencer para manter boa margem de segurança sobre os Diabos Vermelhos.

Embora o placar de 4 a 1 dê a impressão de baile e futebol quase irrepreensível dos comandados de Sir Alex Ferguson, é dever dos atletas e do lendário treinador escocês tirar lições desse embate. O primeiro tempo (por incrível que pareça) teve leve domínio do Portsmouth, que não se acuou diante de um adversário de maior tradição e procurou se aproveitar dos espaços deixados à frente da área inglesa pelo experiente mas decadente Scholes, que foi o "regista" do 4-1-4-1 vermelho, mas comprometeu defensivamente.

A falta de poder de fogo do Manchester sem Cristiano Ronaldo também preocupa, pois é notória a dificuldade da equipe em conseguir profundidade mesmo com bom toque de bola  e ótimas atuações de Fletcher, destaque do time na temporada. As excessivas rondas à defesa adversária sem levar efetivo perigo dão confiança ao adversário, que perde o respeito diante da inoperância ofensiva dos Devils e aproveita os espaços da proteção à zaga nos contragolpes.

Mais uma vez Rooney e Giggs desequilibraram e garantiram um placar folgado e ligeiramente exagerado diante das dificuldades que se desenharam ao longo da partida. No entanto, se garantir apenas na ótima temporada destes dois jogadores pode ser arriscado e viciante para os Diabos Vermelhos, principalmente na Uefa Champions League, e sabendo que os adversários dos ingleses podem efetuar marcação mais agressiva sobre estes jogadores e anulá-los.

A eficiência do conjunto continua a mesma, mas reforços no poderio ofensivo com a contratação tão especulada dos espanhóis Mata e Silva seria de grande valia para uma perseguição mais consistente ao Chelsea e a garantia do favoritismo na maior competição de clubes do mundo, ainda que inesperados resultados com os reservas tenham abalado a confiança de analistas e torcedores mais céticos.

Portanto, uma boa janela de janeiro pode ser fundamental para uma nova temporada de títulos.

Na Espanha:



O ofensivo Valencia fez uma bela partida contra o Mallorca, em pleno estádio Mestalla. Criou chances de gol em profusão, mostrou ótimo desempenho do seu quarteto ofensivo - formado pelo meia-atacante Silva (que saiu machucado ainda no primeiro tempo, dando lugar a Joaquín, e preocupa), os "wingers" Mata e Pablo Hernandez e o ótimo centroavante David Villa -, mas deixou a desejar justamente no que parece ser o calcanhar de Aquiles da boa equipe para o restante da temporada: as laterais.

Assim como o Milan, os Chez tem uma dupla de laterais pouco confiável, que não contribui decisivamente no ataque e nem garante segurança pelos flancos. Jeremy Mathieu, que veio do Toulouse, quase entregou o jogo em diversas ocasiões, e Bruno Saltor fez um pênalti completamente desnecessário ao fim da partida, com o embate praticamente definido. O resultado foi um empate injusto de 1 a 1 sob o ângulo de uma hipotética justiça de futebol bem jogado, mas que deixa aprendizado capaz de fortalecer o avanço do Valencia da Liga Europa e consolidar o clube na briga por uma das vagas na Uefa Champions League do próximo ano.

Um reforço defensivo na janela de janeiro será essencial para o crescimento no momento decisivo da temporada, seja no campeonato espanhol ou na Liga Europa.

O Sevilla decepcionou empatando com o lanterna do certame Málaga, mas o brasileiro Luís Fabiano confirma seu ótimo momento com dois gols e se coloca na disputa pela artilharia de uma La Liga que, embora tenha polarizada a briga pelo título entre Real Madrid e Barcelona (que fazem o superclássico hoje, às 16 horas), mostra bons times como Valencia e Sevilla, que podem brigar pelas vagas na Uefa Champions League do ano que vem e garantir boas partidas neste charmoso campeonato.

Na Alemanha:



Em mais uma partida eletrizante da Bundesliga, o Werder foi ligeiramente melhor, mas não mostrou o equilíbrio defensivo necessário para vencer o Wolfsburg no Weser Stadium.

Mesmo com o domínio territorial do jogo e o predomínio no número de chances criadas, faltou aos verdes de Bremen atenção com o grande destaque do Wolfsburg na temporada: o bósnio Dzeko. Mesmo quando sua equipe não vai bem, o atacante luta demais contra os zagueiros adversários e atormenta as retaguardas com sua ótima movimentação e inteligência na ocupação dos espaços.

No entanto, isso parece pouco para os Lobos conquistarem o bicampeonato e conseguirem um bom progresso na Liga dos Campeões. Grafite não vem em boa fase, o meio-campo já não é consistente como no ano passado e o sistema defensivo é pouco confiável, principalmente em jogadas aéreas.

Quanto ao Werder, a equipe dá uma resposta positiva sobre se conseguiria se manter bem sem o seu grande jogador até o fim da última temporada, o brasileiro Diego. Jogando em um 4-4-2 ortodoxo e contando a ótima dupla de "wingers" selecionáveis Marin e Ozil, a equipe se equilibra bem pelos flancos e complementa bem o estilo de seus dois atacantes, Hugo Almeida e Pizarro (que não jogou ontem),  que são predominantemente de área. O empate dá ao Bayer Leverkusen a possibilidade de distanciar-se três pontos na liderança, mas o bom futebol apresentado dá esperança aos verdes de reconquistar a ponta com mais um turno de campeonato pela frente.

O que promete para hoje:

- O clássico de Mersey, mesmo com uma atmosfera de decepção gerada pelas temporadas ruins de Liverpool e Everton, promete ser um jogo bastante disputado. O vencedor ganha uma sobrevida para o restante de uma difícil empreitada de recuperação, enquanto o perdedor tem o dever de não perder os rumos, pois ainda há mais de um turno de Premier League pela frente.

- O clássico no Emirates Stadium entre Arsenal e Chelsea colocará a frente equipes com expectativas atuais e futuras.

Os Gunners fazem mais uma boa temporada e podem arrancar pontos dos Blues na briga pelo título, pois jogam no seu estádio, que é o lugar onde os jovens de Wenger sentem-se mais à vontade para apresentar o belo futebol de trocas de passes e movimentação. que é marca registrada da equipe. O Arsenal não é favorito ao título pela falta de experiência do  seu elenco em manter uma performance regular durante toda uma temporada e o desfalque de seu grande atacante Van Persie por cinco meses, mas certamente fará bons jogos a ponto de conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League.

Quanto aos Blues, o propósito de Ancellotti e seus comandados é vencer mais um rival direto em um jogo de seis pontos para mater a distância segura sobre o Manchester United na briga pelo título. O técnico italiano deve escalar sua força máxima, e o favoritismo do Chelsea sobre a promissora juventude do Arsenal deve se refletir dentro das quatro linhas, mesmo na casa do adversário.

- O superclássico da La Liga entre Real Madrid e Barcelona promete sacudir completamente a Europa e atrair as atenções de todo o mundo para a Espanha.

O Real deve ser montado por Pellegrini em seu 4-4-2 habitual, com Marcelo escalado como "winger" pela esquerda para segurar Dani Alves, Kaká pela direita fechando em diagonal para ser o cérebro da equipe e Cristiano Ronaldo liberado para se movimentar jogando no ataque ao lado do argentino Higuaín, com este caindo mais pela direita.

Um triunfo heróico na casa no adversário passa obrigatoriamente pela responsabilidade tática de Kaká e Marcelo, que precisam ajudar na recomposição tática do meio-campo e não deixar os médios centrais Lass Diarra e Xabi Alonso sozinhos na marcação contra o envolvente toque de bola da ótima dupla Xavi e Iniesta.

No Barça, o 4-3-3 habitual de Guardiola deve ser mantido, mas agora contando com a volta dos contundidos Ibrahimovic e Messi na frente, assegurando a escalação de força total contra os merengues.

É dever dos blaugranas ter cautela para esse jogo, pois o favoritismo de uma equipe credenciada pela goleada em pleno Santiago Bernabéu e os títulos da última temporada passada e a vitória de terça passada contra a Internazionale podem levar a um ligeiro salto alto, que atrapalhou o clube catalão contra o Rubin Kazan e pode ser contabilizado como um dos motivos da surpreendente derrota.

Enfim, razões não faltam para o mais fanático amante do futebol não sair da televisão e contemplar todo o repertório de clássicos europeus. Ah, e ainda tem o Brasileirão às 17 horas...

postado por Luiz Eduardo Mouta, às 13:46

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Comentários
postado por André Rocha
Grande Luiz! Ótimas análises e excelente preview do domingo na Europa.

Valeu mesmo, amigo!
(29/11/2009 14:32:41)
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