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09.02.2010


POR ROGERIO JOVANELI

Muita gente reclamou da convocação do “professor” Dunga. Com razão e, ao mesmo tempo, sem razão. Obviamente Dunga fez a lista segundo o que pensa. E não irá mudar, como outros tantos treinadores também não mudariam. Ou ninguém reclamava dos teimosos Felipão e Parreira? Acho perda de tempo imaginar que o rancoroso Dunga provoque mudanças profundas em seu time. Bobagem. Irá até o fim com suas idéias, por mais absurdas que sejam. Como outros tantos já o fizeram.

Por exemplo, houve muita indignação ao ver os reservas Josué (Wolfsburg-ALE), Doni e Júlio Baptista (estes últimos, reservas da Roma-ITA) entre os relacionados pelo técnico da CBF para o jogo contra a Irlanda, dia 2 de março, em Londres. Ocorre que Doni e Baptista fazem parte daquele seleto grupo de atletas que foram sempre muito fiéis ao comandante quando este precisou. Grupo que tem em Robinho a sua grande estrela. Dunga irá mudar essa sua idéia às vésperas da Copa? Claro que não. Vai levar quem esteve com ele. Infelizmente.

Outra discussão pós-lista de Dunga se deu em torno da convocação dos meias Michel Bastos (Lyon-FRA) e Gilberto (Cruzeiro), chamados por Dunga para atuarem na posição de lateral esquerdo. Também houve quem estranhasse a ausência de André Santos (Fenerbahçe-TUR), então titular nas últimas partidas da seleção.

A meu ver, a não convocação de André Santos é uma indicação de que o atleta já é um dos escolhidos para a lateral esquerda na Copa do Mundo. Sim, apesar das deficiências de marcação atuando pela seleção (apresentava o mesmíssimo problema quando jogava no Corinthians), André não foi de todo mal em seu curto período de testes com Dunga. Devido a escassez de gente mais qualificada, diria que fez partidas bem honestas pela seleção, criando boas opções ofensivas naquele lado esquerdo, portanto merece ir à Copa, como acho que irá.

A propósito, certa vez, ao entrevistar o técnico do Corinthians Mano Menezes para a Revista Placar, questionei-o a respeito da melhor maneira de aproveitar o futebol de André Santos no time. Perguntei se André não renderia mais em sistema com três zagueiros, atuando como ala, sem tanta obrigação de marcar, claramente a sua maior deficiência. O treinador então respondeu algo do tipo: “Prefiro usá-lo em linha de quatro, como lateral mesmo, pois ele tem mais espaço para subir ao ataque. Acaba funcionando melhor. Surpreende muito mais o adversário do que se ele estivesse de ala, mais adiantado, parado do meio para frente. Prefiro usar o André como lateral, vindo com a bola de trás. Ele já está melhorando na marcação. Só precisa trabalhar um pouquinho mais essa parte defensiva e não tenho dúvida que será jogador de seleção”.

Pois não tenho dúvida que, ao ser questionado por Dunga (e tenho pra mim que houve a conversa), Mano Menezes deu a mesmíssima explicação para o técnico da seleção. Falou que vale investir em André Santos como lateral, mesmo.

Então, Michel Bastos e Gilberto brigam pela outra vaga na lateral esquerda do time de Dunga, que, ao que tudo indica, acredita que esses jogadores possam desempenhar bem a função, ainda que joguem no meio-campo em seus clubes, com vantagem para o cruzeirense, que é quem mais atuou de lateral esquerdo na Era Dunga (fez 23 partidas pela seleção).

Aí o leitor desse meu texto deve perguntar: “Afinal, você concorda com esse raciocínio?” E eu respondo: “Não!“. Sobretudo a história de convocar jogadores por serviços prestados no passado. Na lateral, daria nova chance a Kléber, que melhorou muito na reta final do último Brasileiro, atuando pelo Internacional.

Acho extremamente perigoso que Júlio Baptista seja o ÚNICO reserva de Kaká como meia de criação. É um absurdo. Com toda a irregularidade de Ronaldinho Gaúcho, que está muito longe de jogar algo próximo de seus melhores dias no Barcelona, ainda assim me parece a melhor opção. Dunga deveria tê-lo chamado. Ou, na pior das hipóteses, que convocasse o são-paulino Hernanes, volante de origem, mas que vem atuando como meia. Ou, ainda, que apostasse no esquecido Zé Roberto, maior destaque brasileiro na última Copa, atualmente jogando no Hamburgo. Qualquer coisa, menos Júlio Baptista.

Quanto a Doni, acho que não fará mal algum. Ficará na reserva de Júlio César. Talvez o maior receio seja em caso de lesão do melhor arqueiro do mundo na atualidade. Enfim, batamos na madeira. E paremos de sonhar com o improvável.

postado por Rogerio Jovaneli, às 15:23

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08.02.2010


Na justa vitória santista sobre o São Paulo por 2 a 1 em clássico equilibrado na Arena Barueri, destaque para ótimas atuações de Wesley e Arouca, as “canetas” que Paulo Henrique Ganso distribuiu com a classe costumeira, a constatação de que falta um craque que desequilibre a favor do tricolor e, obviamente, o golaço de letra de Robinho em sua reestreia.

Mas o blog, que tratou recentemente de questões técnicas e táticas dos dois gigantes paulistas, vai se ater à cobrança de pênalti "matreira" e saturada de ginga e categoria de Neymar que deixou Rogerio Ceni no chão, abriu o placar e virou polêmica pelas reclamações de goleiro são-paulino com a revelação do alvinegro praiano no intervalo da partida.

Ceni foi incoerente ao protestar contra algo que ele mesmo já utilizou em outras oportunidades. E este que escreve para por aqui por não ter nada contra um dos personagens mais controversos do futebol brasileiro, alvo de idolatria e ódio na mesma proporção.

Quanto ao tão contestado recurso, nada mais é do que um drible, uma finta. Sim, é uma forma de enganar o goleiro, mas só inviabiliza a defesa se bem executada. Ou seja, quem sabe coloca nas redes. Os menos habilidosos podem escorregar, torcer o pé ou atrasar para o arqueiro.

Além disso, é dever lembrar que o pênalti normalmente impede um gol ou uma jogada perigosa. Considerando que poucos árbitros observam o goleiro adiantado na cobrança, impedir este artifício, como pretende fazer a sisuda FIFA, é beneficiar o infrator que não merece nenhuma vantagem ao prejudicar o espetáculo com a falta dentro da área.

O tema é polêmico e, obviamente, pontos de vista diferentes devem ser encarados com naturalidade. A discussão só se perde quando mistura juízo de valor e questões de caráter com o esporte. Quem defende paradinhas, paradonas e paradaças não apoia necessariamente o “jeitinho brasileiro”, a falcatrua, o “balão” no Imposto de Renda, a pernada no colega de trabalho e outras “malandragens”.

É só uma opinião. É “apenas” um jogo de futebol.

postado por André Rocha, às 14:02

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08.02.2010
  

Na colaboração de fevereiro para o site Olheiros, a jornada histórica do Vélez Sarsfield comandado por Carlos Bianchi que superou Palmeiras, Cruzeiro e os “papões” São Paulo e Milan conquistando a América e o mundo em 1994. Leia AQUI.

No ótimo blog “Preleção” do colega Eduardo Cecconi no site gaúcho ClicRBS, análise tática do Flamengo que ainda tenta encaixar o “Império do Amor” na base campeã brasileira de 2009. Confira AQUI.

postado por André Rocha, às 13:36

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07.02.2010


No Brasileirão de 2007, Joel Santana sucedeu Ney Franco no Flamengo e, por conta das características dos jogadores disponíveis, armou um esquema repleto de peculiaridades que deu liga e o time rubro-negro conquistou uma improvável vaga na Libertadores e ganhou o Estadual no ano seguinte.

Apesar da despedida traumática com a eliminação na Libertadores para o América do México em noite de Cabañas, o 3-2-3-2 rubro-negro, com Fábio Luciano na sobra, Jaílton como terceiro zagueiro pela direita, os alas Léo Moura e Juan espetados, Ibson na armação das jogadas e Souza como “pivô” no ataque deixou um legado que foi seguido por Caio Jr. e Cuca, com algumas variações por conta de mudanças no elenco.


No 3-2-3-2, o Flamengo de Joel arrancou em 2007.

No Botafogo, o técnico seis vezes campeão estadual assumiu o time na terça-feira após os 6 a 0 para o Vasco, apenas observou na vitória sobre o Tigres por 2 a 1 e começou a dar o seu toque pessoal a partir da sofrida virada sobre o América. Nos 4 a 1 sobre o Madureira e 5 a 2 sobre o Resende, o repaginado alvinegro mostrou um desenho bem parecido com o da última equipe brasileira comandada por seu atual treinador.

Sem um zagueiro com perfil para atuar na sobra, Joel deslocou o contestado Fahel para executar a função. Quando o adversário atua com apenas um atacante, como foi o caso do Resende, Fahel avança e se transforma em volante, fazendo companhia a Leandro Guerreiro, mais à direita, e Eduardo. Lúcio Flávio fica mais solto na armação e os alas Alessandro e Marcelo Cordeiro jogam bem avançados. A mudança tática já era esperada, pela fragilidade de ambos na marcação.

Na frente, Herrera e Caio disputam a posição ao lado de Abreu, a referência no ataque. A superstição de Joel e dos botafoguenses indicam que o argentino deve ser o titular e a jovem revelação fica no banco como “arma secreta”. Ao contrário de Souza no Fla, que caía muito pela esquerda e preparava jogadas para os companheiros, o avante uruguaio é o centroavante na acepção da palavra: atua centralizado, dificilmente dá uma assistência e só toca para quem ataca pelos lados com a esperança de receber os cruzamentos na área.
 


O Bota nos 4 a 1 sobre o Madureira. Fahel na sobra e alas espetados.

É Abreu a diferença essencial entre os dois times comandados por Joel. O Fla de dois anos atrás colocava a bola no chão e jogava pelos lados, mas em velocidade e sem direcionar os passes para só um jogador. O Bota joga na cadência de Lúcio Flávio e Marcelo Cordeiro e abusa das jogadas aéreas buscando o camisa 13, que já anotou cinco gols em quatro partidas. A estratégia das bolas altas ganha ainda mais sentido quando Abreu perde gols incríveis com a bola nos pés, como no lance em que a pelota pareceu “morder” suas canelas até o goleiro Cléber do Resende sair do gol e defender facilmente.

A fragilidade dos oponentes prejudica qualquer análise. O grande teste do Botafogo será exatamente contra a “ex-criatura” de Joel Santana que hoje está bem diferente sob o comando de Andrade. Para o desafio, é dever arrumar a defesa para enfrentar o “Império do Amor”. Fahel certamente fará a sobra, com os zagueiros vigiando Adriano e Love; alas baterão com os laterais; no meio, Leandro Guerreiro grudará em Petkovic ou Vinicius Pacheco, Eduardo cercará Willians, Lúcio Flávio acompanhará Kléberson e Herrrera voltará com Toró. Pela lógica tática costumeira de Joel, este deve ser o cenário dos duelos no clássico.


Os prováveis duelos da semifinal da Taça GB. 

No ataque, os centros para Abreu são ótima pedida. A zaga do Fla não é tão alta e o centroavante gosta de se colocar na segunda trave, entre o zagueiro e o lateral. Os centros de Marcelo Cordeiro para o uruguaio entre Angelim e Juan podem ser letais.

Pela superioridade técnica e a moral elevada por conta do triestadual (sobre o próprio Bota) e o título brasileiro, o Flamengo é o favorito natural na semifinal da Taça GB na quarta-feira de cinzas. Mas até lá, Joel Santana poderá fazer mais testes, inclusive contra o São Raimundo pela Copa do Brasil, e moldar sua equipe para novamente surpreender com um time desacreditado, considerado a “quarta força” do Rio de Janeiro.

postado por André Rocha, às 23:45

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07.02.2010


Diante de um Arsenal repetindo velhos erros, o Chelsea esbanjou eficiência e, como uma máquina bem programada, impôs seu ritmo sem muito esforço no Stamford Bridge. Os dois gols de Drogba ainda no primeiro tempo praticamente polarizam a disputa do campeonato inglês entre os Blues e o tricampeão Manchester United.

Carlo Ancelotti armou sua equipe no 4-3-3 com Anelka e Malouda pelas pontas e Lampard mais recuado à esquerda, formando o meio-campo com Ballack e Obi Mikel, o substituto de Essien à frente da zaga. A montagem, desfazendo o habitual 4-3-1-2, claramente visava o encaixe com o 4-2-3-1 dos Gunners, com Arshavin novamente sacrificado jogando mais enfiado no ataque.

O time de Arsène Wenger até chegou a ameaçar nos primeiros quinze minutos, mas Cech apareceu bem em chutes de Nasri e Arshavin. A vantagem na estatura fez diferença aos 16, na cabeçada de Terry, alvo de todas as câmeras do estádio pela polêmica recente, que Drogba concluiu dentro da pequena área. Seis minutos depois, na primeira incursão pelo centro de Lampard, passe para Drogba penetrar pela direita, limpar Clichy e Vermaelen com um toque e soltar uma bomba de canhota sem chances para Almunia. Foi o 12º gol do atacante no mesmo número de jogos contra o rival londrino. Carrasco.

Com 2 a 0, bastou se fechar ainda mais na defesa e abusar da frieza e organização para conduzir a partida sem maiores sustos. O Arsenal melhorou com a entrada de Bendtner na vaga de Walcott. O dinamarquês é limitadíssimo tecnicamente, mas, entre os jogadores disponíveis, é o que possui características mais próximas do que o time londrino necessita. Contra defesas pesadas, um ataque de “nanicos” só funciona com craques que desequilibram com a bola no chão. Não é o caso.

É difícil apontar um destaque no Chelsea além de Drogba. A equipe, com o perdão do clichê, funcionou como um relógio. Talvez falte improviso e chama criativa em alguns momentos, mas a capacidade de se posicionar bem em campo e fazer ida e volta com sincronia e disciplina é realmente impressionante e faz da equipe, ao lado do Barcelona, a mais difícil de ser batida no planeta.

postado por André Rocha, às 21:04

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07.02.2010


Apesar da base montada e dos fantásticos resultados em 2009, Dunga tem algumas questões a resolver para o Mundial da África do Sul. A lateral-esquerda e a suplência de Kaká são as mais notáveis, mas existe uma que, pelo histórico da recuperação da seleção brasileira, pode ser considerada a mais grave e de difícil solução.

Em 2008, o time canarinho sofria demais diante de adversários fechados pela saída de bola lenta e sem idéias com Gilberto Silva e Josué à frente da defesa. A limitação da dupla de volantes travava a equipe e sacrificava Kaká e Robinho, que precisavam recuar demais para iniciar a criação das jogadas com os laterais para Luís Fabiano.

Tudo mudou com a estreia de Felipe Melo na vitória por 2 a 0 sobre a Itália no Emirates Stadium. Mesmo sem ser um craque ou “world class”, o volante, jogando na Fiorentina à época, melhorou consideravelmente o passe no meio-campo sem que o setor perdesse combatividade. Com calma e personalidade, assumiu a camisa 5 e facilitou o encaixe do 4-2-3-1 idealizado pelo treinador.

A péssima notícia para Dunga é que o que parecia estar resolvido volta a preocupar pela fase lamentável de Felipe Melo na Juventus. Contaminado pela decadência da “Vecchia Signora”, sem vencer há cinco partidas e na modesta sétima colocação no campeonato italiano, o brasileiro erra passes em profusão e exagera na truculência: são 51 faltas, cinco cartões amarelos e duas expulsões em 18 jogos. A velocidade na transição e a marcação leal e eficiente simplesmente desapareceram.

O declínio técnico e psicológico de Felipe também foi percebido na seleção durante as últimas partidas. A tola expulsão contra o Chile e as atuações não mais que discretas diante de Inglaterra e Omã foram claros sinais que algo não ia bem. E não vai.

O que complica ainda mais o trabalho de Dunga é que não há um nome confiável para servir de “sombra” para o titular. Lucas Leiva ainda hesita no Liverpool, Anderson está "encostado" no Manchester United, Hernanes não foi mais chamado após a Olimpíada nem justifica no São Paulo uma convocação, o jovem Denílson do Arsenal não foi testado e Ramires parece uma opção ofensiva demais dentro da proposta de jogo do time brasileiro. Willians, Sandro, Elias e até Rafael Carioca seriam experiências interessantes, mas o tempo é curto com só mais uma data FIFA.

Entre tantas dúvidas, uma única certeza: o retorno de Josué à equipe titular seria o pior dos cenários. Cabe a Dunga buscar soluções para uma posição fundamental e tentar recuperar Felipe Melo, que merece crédito e paciência por ser um dos responsáveis pela fantástica reação que transformou uma seleção desacreditada numa das maiores favoritas ao título mundial.

postado por André Rocha, às 20:41

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06.02.2010


A qualidade técnica da equipe e a excelência do comando de Fabio Capello já indicariam um favoritismo natural para a Inglaterra na Copa da África do Sul. A candidatura ao bicampeonato é reforçada bela campanha nas Eliminatórias e a fase espetacular de Wayne Rooney no Manchester United.

Mas não há como negar que o escândalo envolvendo John Terry e Vanessa Perroncel, ex-esposa do lateral-esquerdo Wayne Bridge, poderá causar um desgaste considerável na relação do grupo. Em um país moralista e que tem a imprensa mais sensacionalista do planeta, o caso extraconjugal do zagueiro do Chelsea, traindo a confiança de um de seus melhores amigos, não será esquecido tão cedo por torcedores, jornalistas e até pelos companheiros de English Team.

Nem mesmo a passagem da braçadeira de capitão de Terry para Rio Ferdinand desviará o foco de quem está adorando uma bomba dessas proporções em ano de Copa. O desafio de Capello será tentar fazer o grupo pensar apenas no trabalho e deixar o tempo curar as cicatrizes enquanto os tablóides vão repisar o caso e buscar desdobramentos com outros  personagens.

Fosse em outro país e teríamos motivos para crer que essa crise poderia unir os atletas e gerar até uma “greve de silêncio”, como fez a Itália na Copa de 1982. Mas na Inglaterra problemas como esse sempre são superdimensionados e a possibilidade de um “racha” que abata os jogadores e faça com que Capello também perca a paciência e aumente a “bola de neve” é enorme.

O treinador italiano se encontra diante de um dilema. Se afastar Terry, acusará o golpe e perderá um dos melhores do mundo na posição. No caso de excluir Bridge, reserva de Ashley Cole, da lista de convocados, será criticado por punir a vítima e terá o jogador do Manchester City como um inimigo dentro do país, insuflando a opinião pública contra sua própria seleção.

O cenário a pouco mais de quatro meses da estreia no Mundial é preocupante. Por um fator extracampo, a talentosa geração de Lampard, Gerrard, Terry, Ferdinand, Ashley Cole e Rooney corre sério risco de ser mais uma a se perder na história e manter a Inglaterra com o estigma de “pior campeã do mundo” por só ter vencido em casa e com arbitragem discutível na final em 1966.

postado por André Rocha, às 10:04

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05.02.2010


Os feitos de Neymar neste início de temporada são dignos de todos os louros e elogios. Seu golaço na vitória do alvinegro praiano por 2 a 1 sobre o Santo André, driblando os marcadores com enorme facilidade e concluindo com frieza e categoria, é uma verdadeira ode ao futebol, uma jogada para ser revista e guardada nas retinas.

O (ainda) camisa 7 do Santos é rápido, com técnica acima da média e verticalidade impressionante. Além disso, parece muito calmo e maduro para os 18 anos que completa hoje. Neymar mostra a cada jogo que, de fato, é uma joia rara e que merece o investimento e todo carinho com que é tratado na Vila Belmiro.

No entanto, o retorno de Robinho traz na carona uma “armadilha” perigosa para o garoto: as comparações precoces. Emerson Leão o acha superior ao craque repatriado na mesma idade e outros veículos também fazem o exercício de já equipará-lo ao “rei das pedaladas” e também a Diego. A informação é relevante para analisarmos os números do menino entre os profissionais. Mas é fundamental também relativizá-los para não queimar etapas e descarregar em seus ombros uma responsabilidade que ainda não é dele.

Robinho e Diego surgiram num período de total ostracismo do Santos no cenário nacional e reescreveram a história do clube com um título brasileiro conquistado sobre o Corinthians de Parreira, o melhor time de 2002 no país. Diego, então com 17 anos, arrebentou na vitória por 2 a 0 na primeira partida e Robinho foi protagonista nos históricos 3 a 2, compensando a ausência do amigo contundido com gol, passes e a fantástica sequência de pedaladas sobre Rogério.

Neymar ainda não tem taças para exibir na trajetória ainda em construção. Os vinte gols em 54 jogos (dados do amigo e colega DASSLER MARQUES no Terra) e a artilharia do Paulistão com seis gols no mesmo número de partidas, de fato, impressionam. Suas atuações decisivas no Estadual do ano passado, especialmente nas semifinais contra o Palmeiras, são outras ótimas referências para o jovem. Porém, o bom senso ordena que consideremos a fragilidade dos torneios regionais e deixemos a memória seletiva de lado recordando o fracasso individual e coletivo no Mundial Sub-17. A lembrança do futebol acanhado e a decepcionante eliminação da promissora seleção brasileira ainda na primeira fase é importante para segurar a empolgação. Dele e de seus fãs mais ardorosos (e afoitos).

A história do esporte apresenta centenas de exemplos de jovens talentos que se perderam  pelo deslumbramento e pelos elogios fáceis e precipitados. O mais marcante e efêmero para este que escreve é o de Édson, revelado no Botafogo e alçado aos profissionais em 1984. Logo em suas primeiras participações, chamava a atenção pela canhota habilidosíssima, o chute potente e a notável destreza nos lançamentos. Em um clube que já amargava 18 anos sem título e numa época de entressafra no futebol carioca após a saída de Zico para a Udinese, Edson foi rapidamente intitulado de “o novo Gérson” e rotulado como craque. Tudo isso aos 19 anos. Para tristeza dos alvinegros e dos apaixonados pelo futebol bem jogado, não agüentou a barra e sumiu tão rápido quanto surgiu.

Esse é o único perigo que circunda uma das maiores promessas do país. Neymar parece ter a cabeça bem trabalhada para lidar com assédio, comparações e “oba-oba”. Além disso, a presença de Robinho certamente dividirá as responsabilidades e os holofotes no time comandado por Dorival Jr.

Seu potencial é imenso, difícil até de mensurar, e sua ida para o futebol europeu praticamente inevitável. Dinheiro, fama e tentações mil ainda cruzarão o seu caminho. São muitas as variáveis que definem a carreira de qualquer profissional. Mais ainda as de um jogador bem pago e incensado numa idade em que deveria estar definindo o que fazer da vida.

Que Neymar comemore seu aniversário vislumbrando no futuro sua condição de craque, destaque em seus clubes e na seleção brasileira e um atleta capaz de se colocar entre os grandes de sua geração no planeta bola. É um sonho mais que possível.

Mas que também carregue a consciência de que ainda dá os primeiros passos numa estrada sinuosa e traiçoeira que exige cuidado, trabalho e cautela para não se perder pelo caminho.

postado por André Rocha, às 11:53

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04.02.2010


O desmaio do ex-jogador e agora comentarista Batista na cabine da RBS no tórrido Estádio Olímpico levantou novamente a discussão sobre a marcação de partidas à tarde no insalubre verão que sufoca o Brasil.

De fato, os interesses comerciais que espalham os jogos dos Estaduais nos mais diversos horários, desconsiderando a perda fisiológica dos atletas e de todos que trabalham no evento, devem ser revistos de forma a atender quem paga a conta, mas não prejudicar o espetáculo.

Além das próprias dificuldades técnicas e táticas, o Grêmio de Silas sofreu com o calor intenso em Porto Alegre e acabou equilibrando as forças com o enjoado São Luiz no suado empate em 1 a 1. A sensação térmica acima dos 44º C não explica o mau futebol gremista, mas ajuda a justificar o empate e o jogo chato.

Porém, a justa crítica não deve se misturar a outras questões e torneios. Os que, com alguma razão, consideram exagerados os protestos contra os jogos na altitude normalmente utilizam as altas temperaturas como um contraponto que minimiza a suposta preocupação com a qualidade do jogo e a saúde dos envolvidos.

Mas daí a desconsiderar a vantagem na disputa por conta da melhor adaptação às condições do ar vai uma boa diferença. A comparação com o calor é válida, por exemplo, no caso do sofrimento do Manchester United na derrota por 3 a 1 para o Vasco no experimental Mundial Interclubes de 2000. Ali, sim, o time brasileiro se aproveitou de uma melhor adaptação ao Maracanã em brasas para atropelar o adversário que saiu do rigoroso inverno europeu e derreteu em campo.

Os 7 a 0 do Cruzeiro sobre o Real Potosí, maior goleada da equipe mineira na história da Libertadores, apenas confirmaram o óbvio: a altitude acarreta, sim, uma sensível desvantagem para o time visitante na grande maioria dos casos. Na Bolívia, o Cruzeiro até se impôs no início da partida, abriu o placar e até poderia ter vencido, não fosse a tolice de Gilberto, expulso aos 20 minutos do primeiro tempo.

Mas a julgar pela enorme facilidade com que os brasileiros massacraram o oponente no Mineirão ao nível do mar -  a ponto de inviabilizar qualquer análise tática sobre o 4-3-3 utilizado por Adilson Batista - e o sufoco que levaram no segundo tempo do empate a 3.769 metros de altitude, não dá para atribuir o abismo entre as duas performances apenas ao mando de campo ou ao apoio da torcida local.

Calor e altitude são fatores que merecem um debate sério e responsável, que não espere a perda de vidas, nos casos mais graves, para que providências sejam tomadas. Mas as diferenças entre as suas conseqüências, especialmente o prejuízo unilateral em campo, precisam ser bem mapeadas para que ambos não corram o risco de cair no ridículo e acabar de vez com as chances de um diálogo maduro e relevante para o futuro do esporte.

postado por André Rocha, às 12:53

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04.02.2010


Ricardo Gomes testou esquemas e formações no São Paulo com o plano de encontrar a melhor escalação para a estreia na Libertadores contra o Monterrey no Morumbi. A julgar pela boa atuação nos 3 a 0 sobre o São Caetano na Arena Barueri, a melhor em 2010, o técnico parece ter alcançado seu objetivo.

A volta ao esquema com três zagueiros foi natural, até pelas características do elenco. A chegada de Alex Silva compensa a saída de André Dias para a Lazio e Gomes continua com cinco opções para a posição, além da improvisação de Richarlyson utilizada no segundo tempo da vitória sobre o Azulão.

Se considerarmos que as alternativas viáveis pelos lados são os improvisados Jean e Jorge Wágner, é melhor garanti-los como alas do que forçá-los a cumprir as funções de lateral, fazendo cobertura por dentro e guardando posição quando o ataque é do lado oposto. A posição continua sendo a grande carência tricolor.

Hernanes ainda vai precisar de um tempo para se readaptar à função de volante no 3-4-1-2 são-paulino. Ao lado de Richarlyson, teve grandes atuações no bicampeonato brasileiro de 2007. Mas deslocado no ano seguinte para a meia direita, se acostumou a marcar menos. Ontem sobrecarregou seu companheiro à frente da zaga e só apareceu de forma efetiva ao marcar o terceiro gol em belo chute de fora da área. Com Cléber Santana e Rodrigo Souto à disposição, o camisa 10 terá que render mais se quiser permanecer absoluto na posição.

Na frente, tudo aparentemente bem equacionado. Marcelinho Paraíba atua na ligação caindo pelos lados do campo e a coordenação com Dagoberto tem sido muito bem executada, com os dois evitando ocupar o mesmo setor. Na prática, eles são os ponteiros que criam as jogadas para Washington e aparecem na área entrando em diagonal para concluir.

Em Barueri, velocidade e sintonia fina resultaram nos dois primeiros gols, de Washington e Dagoberto, este recebendo como centroavante um cruzamento rasteiro do camisa 9 que caiu pela direita e criou bela jogada. A tendência é que o ataque seja uma dor de cabeça a menos para o treinador.

Com elenco praticamente fechado e equipe mais ajustada, Ricardo Gomes vê o São Paulo pronto para a estreia na competição prioritária em 2010. É óbvio que experiências ainda serão feitas, talvez dentro do próprio torneio continental. Até porque garantir titularidade agora é desmotivar suplentes e reforços que acabaram de chegar.

No entanto, deixar que o próprio grupo aponte instintivamente um norte para a armação do time é boa solução para o treinador que ainda luta para dar um “toque pessoal” ao estilo de seus comandados.

postado por André Rocha, às 10:32

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01.02.2010


Num Fla-Flu espetacular, que honrou as tradições do clássico e o ótimo momento das equipes, não foram as oscilações técnicas e táticas naturais de um início de temporada que definiram a virada rubro-negra por 5 a 3 no Maracanã.

Também não foram as mexidas de Andrade no intervalo, trocando a lentidão de Fernando e Petkovic pelos intrépidos e brilhantes Willians e Vinícius Pacheco, que rearrumaram o meio-campo sacrificado pela distância de volantes e meias que se encaixou num losango com Kléberson pela esquerda e Toró mais plantado.

Muito menos a ausência de Fred serve como desculpa para os tricolores, já que Léo Moura fez falta demais ao Fla pela improvisação de Fierro e, de certa forma, equilibrou as forças. E no primeiro tempo, Alan não deixou Cuca sentir falta de seu capitão e artilheiro pelo gol marcado e a intensa movimentação que desnorteou a retaguarda adversária.

A queda de produção do Flu que sobrou nos primeiros 45 minutos com ótimo toque de bola, agilidade nos deslocamentos e atuações fulgurantes de Maicon e Diguinho poderia igualmente justificar a mudança de humores, assim como o abismo técnico entre Love e Adriano e as demais duplas de ataque do país. A partir do momento em que foram acionados, os avantes do Fla simplesmente pulverizaram uma defesa que ainda não tinha sido vazada no Carioca.

O que resolveu o duelo eletrizante foi a comovente entrega do atual campeão brasileiro. Depois da correria logo no início da segunda etapa para igualar o placar em 3 a 3 aos oito minutos com os gols de Love e Kléberson, o time de Andrade, que só contou com a maioria dos titulares disponíveis há uma semana e ainda está em um estágio inicial de preparação física e ritmo de jogo, teve que se aprumar após a expulsão de Álvaro aos 17 minutos e correr ainda mais.

A disciplina tática de Kléberson, que foi ser lateral-direito, e de Love que ocupou a meia direita nas duas linhas de quatro foram comoventes. Igualmente tocante foi a disposição de Adriano, que lutou sozinho contra os zagueiros e foi letal nas duas únicas oportunidades que teve.

Talvez os objetivos pessoais de cada um, a rivalidade local e a presença do desafeto Cuca do outro lado tenham motivado ainda mais os jogadores a buscar uma virada heróica e improvável. Mas a determinação rubro-negra, a despeito das deficiências técnicas e táticas da equipe e os problemas disciplinares com Petkovic, foi de empolgar até os mais céticos torcedores e de fazer acreditar que 2010, ou pelo menos os sete primeiros meses do ano podem ser históricos para o clube da Gávea.

postado por André Rocha, às 14:32

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01.02.2010


Em duelo equilibradíssimo no Estádio Colosso da Lagoa em Erechim, o gol de Alecsandro aos 34 minutos manteve a invencibilidade colorada em clássicos pelo campeonato gaúcho desde 2001 (12 jogos) e premiou a equipe que parece mais ajustada e atenta aos detalhes neste início de 2010.

Jorge Fossati treinou o Internacional no 3-4-2-1 e o utilizou nas duas partidas em que usou os titulares. Nem mesmo a saída de D’Alessandro para a entrada de Giuliano mudou o desenho tático. Os três zagueiros protegidos por Sandro e Guiñazu ainda não dão a segurança necessária ao goleiro Lauro, mas devem equilibrar os setores com o tempo.

A liberdade de Kléber para atuar aberto como ala e fechar como meia também é ótima sacada pela técnica apurada do camisa 6 que, além de explorar os cruzamentos, também aparece para bater em gol.

A pré-temporada mais longa, com reservas e meninos da base jogando nas três primeiras partidas do Estadual, comprometeu um pouco o ritmo de jogo, mas pode garantir melhor desempenho na sequência da temporada. A Libertadores é a prioridade, mas a rivalidade local não foi descartada, já que dentro da preparação, o tradicional clássico foi tratado com a importância que merece.

No Grêmio, muita luta para igualar as forças, mas também inúmeros problemas. O time de Silas carece de um lateral-direito e de um volante de contenção, ainda sofre com as ausências dos negociados Léo e Rever e terá que administrar egos pelo excesso de meias dentro de um plano que não contava com o ótimo início de ano de Jonas, homem-gol que força o treinador a manter dois atacantes.

Apesar da primeira derrota, as escolhas de Silas já começam a ser sutilmente contestadas. A crítica de diretores pela falha de comunicação entre treinador e médico que deixou a equipe com um homem a menos por cinco minutos – Souza estava fora de campo contundido e Maylson entrou na vaga de Adílson – pode ser um começo de crise. E todos sabem a pressão que recai sobre os ombros do treinador que perde o Grenal. No ano passado, custou o emprego de Celso Roth, com o tricolor na liderança de seu grupo na primeira fase da Libertadores.

O chute de Maylson que beijou a trave no último lance do confronto dramático poderia ter feito justiça a uma disputa mais que parelha. Mas pelo que acertou e deixou de errar dentro e fora de campo, o Colorado mereceu os três pontos na 379ª edição do clássico de maior rivalidade do país.

postado por André Rocha, às 13:27

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01.02.2010


A análise do triunfo corintiano no Pacaembu, encerrando um tabu de sete dérbis, não tem como fugir do senso comum: o alvinegro hoje tem elenco mais qualificado e numeroso e vive momento mais positivo, já que 2009 foi um ano vitorioso para o clube e trágico para o Palmeiras, que ainda convive com os fantasmas de frustrações num passado não tão distante.

Mais redundante ainda ressaltar a fase esplendorosa de Jorge Henrique. Num Corinthians repleto de estrelas, o “craque tático” agora também se destaca tecnicamente e o momento é tão mágico que até gol de cabeça o meia-ala-atacante de baixa estatura consegue fazer, como um "dublê" de Romário ainda mais perfeito.

Mano Menezes teve peças para repaginar sua equipe sem Ronaldo. É claro que a análise tática fica comprometida pelo gol logo aos seis do primeiro tempo e a expulsão de Roberto Carlos dois minutos depois. Mas as substituições durante a partida escancaram a diferença entre os elencos. Enquanto Jucilei, Edu e Dentinho, que seriam titulares em várias equipes do país, saíram do banco para arrumar o time em desvantagem numérica, Muricy Ramalho, que já não tinha Léo e Diego Souza e recorreu aos jovens Gualberto e João Arthur, mandou a campo Wendel, William e Daniel Lovinho para buscar a virada.

Ainda assim, o Palmeiras foi valente e fez do goleiro Felipe um dos melhores do jogo, com pelo menos duas ótimas intervenções na segunda etapa. A expulsão de Cleiton Xavier aos 42, quando o alviverde tentava a “blitz” final, também contribuiu para a manutenção do resultado.

Roberto Carlos terá que se readaptar ao futebol brasileiro, o que inclui as arbitragens. Na Turquia ou na Espanha, a entrada dura e imprudente em João Arthur mereceria um cartão amarelo e uma dura advertência verbal. Aqui Seneme expulsou direto. São critérios questionáveis dos dois lados, mas, na prática, é o jogador que precisa se adequar à nova realidade.

Dentro do contexto de um duelo não mais que razoável tecnicamente, a vitória do Corinthians foi justa e retrata bem a distância técnica e anímica entre os arquirrivais. Dessa vez deu a lógica no clássico.

postado por André Rocha, às 11:56

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01.02.2010


Enfim, a Copa Africana de Nações de nível técnico indigente chega ao seu final com o Egito confirmando sua hegemonia ao conquistar o tricampeonato do torneio com a vitória por 1 a 0 sobre Gana.

A competição já começou de forma trágica dois dias antes de seu início com o atentado contra a delegação de Togo. O caso se tornou ainda mais lamentável pela recente suspensão do país vitimado, que ficará de fora das duas próximas edições da CAN. Mais uma vez, interesses políticos e econômicos ficaram acima da perda de vidas humanas.

Para completar, tivemos jogos grotescos, como no empate sem gols no tempo normal e na prorrogação entre Nigéria e Zâmbia pelas quartas-de-final. Uma tortura que só terminou com a vitória nigeriana nos penais.

A própria decisão foi fraquíssima. Menos mal que ficou com a taça a seleção que apresentou o melhor futebol, bateu Gana, Argélia, Camarões e Nigéria – quatro seleções que vão ao Mundial da África do Sul - e teve o melhor ataque com quinze gols, seis do artilheiro Gedo, que é reserva dos Faraós. Difícil explicar porque um país que sobra entre seus pares com sete títulos da CAN não participa de uma Copa do Mundo desde 1990.

Costa do Marfim foi a grande decepção, não confirmando o favoritismo absoluto. No entanto, isso não significa que o Brasil terá vida fácil no confronto do dia 20 de junho. O time de Drogba, Yaya e Kolo Touré, Kalou e Gervinho pode corrigir seus muitos equívocos técnicos e táticos até lá. Das seleções classificadas, Gana parece a de maior potencial de crescimento, pela presença na final mesmo sem Essien, seu grande destaque individual.

Que venha logo a Copa do Mundo, pois o “aperitivo” na África desceu amargo e não deixou saudades.

postado por André Rocha, às 10:32

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01.02.2010
Goal.com

Não há mais o que discutir sobre a inexperiência dos Gunners em jogos decisivos. É opção de Arsène Wenger formar uma equipe jovem, ousada e que preze o futebol bem jogado, independente da falta de títulos e dos seguidos reveses diante de equipes mais rodadas, como o de ontem no Emirates Stadium para o rival Manchester United por 3 a 1, em mais um show de Wayne Rooney e atuação fantástica de Nani.

Portanto, o post vai se ater a uma questão tática que deve ser solucionada para melhorar a produção ofensiva do time londrino: a falta de um atacante de referência que faça a “parede” para os meias que chegam tocando e esteja presente na área para concluir as jogadas criadas.

Van Persie, o titular do início da temporada antes de se contundir, não é esse jogador. Nem o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva. Muito menos Arshavin ou Nasri, como no clássico de ontem. No 4-2-3-1 idealizado por Wenger, a presença de um homem que retenha a bola na frente é essencial. Sem ele, o time chegava com Rosicky, Fábregas, Denílson ou Song, um dos laterais e até o zagueiro belga Vermaelen, mas batia na parede defensiva dos Diabos Vermelhos e sofria com os contragolpes letais.


Sem uma sólida referência à frente, ataque "nanico" pouco produziu contra os Red Devils.

Usando um exemplo histórico muito oportuno, de um time que encantou o planeta mas não levou a taça para casa, a seleção brasileira de 1982 também atacava com muita gente – muitas vezes apenas o zagueiro Oscar ficava mais plantado. Porém, mesmo fazendo um Mundial sofrível, Serginho foi mantido por Telê Santana exatamente porque prendia os zagueiros e funcionava na maioria das vezes como um facilitador para Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Éder, Leandro, Júnior e até o zagueiro Luisinho. O escrete canarinho voltou da Espanha sem o título, mas seu futebol fluiu, até mesmo na fatídica derrota para a Itália.


No Brasil de 1982, Serginho fez péssima Copa, mas era a referência à frente que fazia o time girar.

O dinamarquês Bendtner é o jogador do elenco atual com as características mais próximas do que se espera de um camisa 9, mas o atacante vem de longo tempo parado por contusão e o treinador preferiu deixá-lo no banco de reservas. A janela de verão se fecha hoje e Chamakh (Bordeaux) e Villa (Valencia), os nomes aventados pelo francês, já foram descartados.

Wenger defende seu ataque com números: são 60 gols em 24 partidas da Premier League. De fato, o saldo é positivo. Mas precisa ser relativizado, já que a maioria dos tentos foram anotados nos confrontos com equipes mais modestas. Contra Chelsea, Manchester United e Liverpool, os grandes rivais das últimas temporadas, apenas quatro gols no mesmo número de partidas. E o pior, só uma vitória, por 2 a 1 sobre os Reds em crise.

Exigir ambição e jogadores tarimbados é tarefa para dirigentes e fãs do Arsenal espalhados pelo planeta. Por ora, a presença de um jogador que torne mais coerente o sistema de jogo idealizado já seria o suficiente para satisfazer os admiradores do futebol abusado dos Gunners e, por tabela, as modestas pretensões de seu manager.

postado por André Rocha, às 09:41

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