Ex-agente da KGB, Panarin afirma ter previsto o colapso da Rússia em 1998, ano em que desenvolveu a teoria para a terra do Tio Sam. Agora finalmente estão lhe dando atenção.
República da CalifórniaFicará sob domínio ou forte influência da China. Os chineses representam cerca de 53% da população da cidade de São Francisco. O americano filho de imigrantes chineses Gary Locke governou o estado de Washington (1996-2000 e 2000-2004). A capital do estado, Seattle, é conhecida como porta de entrada de chineses nos Estados Unidos. A costa pacífica americana gradualmente ficará sob o domínio da China. A região, que abriga o Vale do Silício, é também, assim como a China, gigante do setor de tecnologia, com empresas como Apple, Google, Yahoo, Hewlett-Packard e Intel.
República Central AmericanaAfinidades culturais e econômicas, além da proximidade geográfica fariam com que os estados do Meio-Oeste americano, além do Colorado, Wyoming e Montana, ficassem sob a influência do vizinho Canadá.
República do Texas"A língua espanhola é extremamente difundida na região Sul do país, sendo praticamente a língua do território. O Texas luta abertamente pela sua independência". Entre 1836 e 1845, existiu uma República do Texas, que compreendia o que hoje são os estados de Texas, Colorado, Kansas, Novo México, Oklahoma e Wyoming. Antes de a região se tornar independente, foi território mexicano, até, em 1845, ser anexada pelos Estados Unidos. O território poderá retornar às suas origens ou ter grande influência mexicana.
América Atlântica"A região representa uma cultura peculiar e uma atitude diferente, e pode até se dividir em duas. Deve ficar sob influência da União Européia, que, assim como a região, é dominada pelo capital financeiro". Ícones do poder ameriacno como Nova York e Washington estarão, pelo menos ideologicamente, mais próximos dos europeus, apesar de separados por um oceano.
AlascaPertenceu ao império russo até ser comprado pelos Estados Unidos em 1867. Panarin diz que, já que o território foi adquirido pelos americanos, pode um dia acabar voltando para os russos. Ele possui uma imagem de satélite do estreito de Bering - o canal que separa o ponto extremo do continente asiático da América do Norte - pendurada na parede do seu escritório.
HavaíHabitado primeiramente por polinésios, a ilha só passou a fazer parte do território americano em 1900. De acordo com as projeções do professor russo, ela vai se tornar um protetorado japonês ou chinês.
Entrevista entre O Globo e Panarin
1 - A CATAPULTAO Globo: Qual o papel da crise financeira mundial atual, e principalmente americana, no processe de desintegração?
Panarin: Os EUA não têm um centro de informação analítico, que poderia ter feito recomendações para tirar o páis da crise em 2009. A atual crise econômica é o produto de um modelo mundial econômico e financeiro ineficiente e criado pela elite americana. O colapso dos bancos de Wall Street, ocorrido em 2008, é um precursor do que está por vir. O próprio vice-presidente americano, John Biden, disse que a situação econômica do país era pior do que o novo presidente esperava. Assim, acredito que já em novembro de 2009 haverá uma guerra civil nos Estados Unidos e o dólar vai ruir. No verão de 2010, os Estados Unidos vão se desintegrar e se dividir em seis partes.
2 - GUERRA CIVILO Globo: Como acontecerá essa divisão?
Panarin: O sistema econômico e financeiro dos EUA etá chegando perto de afundar. Mais uns dois ou três meses e começará a ruir, e no outono (do Hemisfério Norte) deve ter início uma guerra civil. O colapso econômico e financeiro começará pelo fato de que o dinheiro não mais chegará a algumas regiões, porque os bancos não confiarão mais uns nos outros. Quem vai alimentar os 20% da população que é incapacitada, quem garantirá os benefícios sociais de diversos grupos étnico, cuja maioria está desempregada? A partir daí começarão os saques, os massacres. Além disso, milhões de pessoas estão perdendo o emprego e as suas casas, por causa de empréstimos não pagos. Lá pelo fim de 2009, os Estados Unidos poderão ter milhões de pessoas sem casa. Acredito que agora o desafio da elite mundial e, sobretudo da americana, é evitar um colapso no modelo semelhante ao que se deu na Iugoslávia. Seria desejável que ocorresse no modelo da República Tcheca, sem caos, de maneira pacífica.
3 - REAÇÃO?O Globo: A Casa Branca fez algum comentário sobre sua teoria de desintegração e colapso dos Estados Unidos?
Panarin: Em 3 de dezembro de 2008 a Casa Branca se recusou a comentar uma entrevista minha em 24 de novembro em que eu falava sobre a hipótese de desintegração dos Estados Unidos. Recebi cartas de apoio de diversos americanos. Fui chamado para participar de uma conferência em abril, em Washington, no Congresso americano. Espero que meus argumentos sejam ouvidos e levados em conta na implementação da nova política americana. A segunda razão para eu ter despertado atenção da mídia americana é o fato de que ninguém foi capaz de apresentar, até o momento, argumentos convincentes para refrutar minhas previsões, sequer algum "think thank" americano. Foram apenas reações emocionais, não-analíticas.
Fontes: Wall Street Journal / O Globo
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