Maiô com ombreiras, recortes, transparências, cintinho. O decotaço de Ana Claudia Michels. Brilho, muito brilho. A moda praia de Adriana é para uma mulher que não faz parte do meu - nem do seu - círculo social. Ela é rica, muito rica, milionária.

Em tempos como esse - a tal da crise, você sabe - a ostentação é
over. Estamos na era de Michelle Obama, queremos ver roupas práticas, bonitas. Simplicidade.
Quando a imprensa pergunta aos jornalistas internacionais qual é a imagem que eles têm do Brasil, invariavelmente a palavra é "sexy", "sex appeal". Um dos motes do evento é "A Europa sabe como se vestir, o Brasil sabe como se despir". Dá-lhe: a moda brasileira não é só isso. Estava conversando com a concorrência (leia-se Carol Vasone, do UOL) e ela me disse que o Michael Roberts só vai no Fashion Rio. Nunca foi ao SPFW uma vezinha sequer. Qual é a imagem de moda brasileira que ele tem? Pois bem.
O sexy chique de Adriana me pareceu bonito a princípio, mexendo com elementos brasileiros de maneira elegante. Depois, pensando bem, primeiro imaginei os mesmos looks com estampas de paisagem em sépia no desfile de, sei lá, Victor Dzenk. As clientes dele amariam. As clientes de Adriana são as mesmas de Victor?
Calçada de Copacabana, Cristo Redentor em kaftan... no fim, achei que caiu no clichê kitsch. O que me chamou a atenção mesmo foi Aline Weber, a modelo que abriu Balenciaga inverno 2008, com peito aparecendo duas vezes: em transparência e renda. Também teve show da Bebel Gilberto antes, Bebel que está cada vez mais parecida com a Miúcha, reparou? E que "mexe com elementos brasileiros de maneira elegante". Ela canta em "Aganju": "Batalhar o pão e trazer / para casa o sobreviver". As clientes de Adriana não me parecem muito próximas da batalha pelo pão, mas... OK.