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20.06.2009
Olá, pessoal!

Seguinte: estou de mudança! Na verdade, já me mudei. Aliás, eu não -- o blog. Depois de quebrar bastante a cabeça, resolvi mudar o endereço daqui pra um domínio próprio, o www.blogdofelipe.com.br.

Na verdade esse blog não vai morrer, mas vou passar por aqui com menor freqüencia. Importei todos os blogs dos meus favoritos aqui da Abril pro novo domínio, assim, posso manter a leitura dos amigos sempre em dia. E quem me tem nos favoritos, gostaria de pedir (se não for demais) que o endereço fosse atualizado ; )

Então, já sabem onde me encontrar:

postado por Felipe, às 09:11

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03.06.2009
A TV Cultura exibe amanhã à noite o filme A Estrela Perdida, que conta a história imigração norte-americana para o Brasil no período pós-guerra civil, bem como os núcleos que se instalaram por aqui, principalmente o de Santa Bárbara d'Oeste (SP), que abriga a maior colônia americana do mundo.

Tentei copiar o embed do vídeo pra cá, mas não deu, então você consegue ver o vídeo aqui.

Agradecimentos a Yohana pelo achado : )

postado por Felipe, às 22:59

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02.06.2009
O frio chegou com força ao Estado de São Paulo. Esta noite tivemos a madrugada mais fria do ano, com temperaturas em torno de 6ºC. E a previsão é que esfrie ainda mais nos próximos dias. A mínima prevista pra esta noite é de 4ºC. Agora de manhã, os termômetros marcam 7ºC.



postado por Felipe, às 13:12

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31.05.2009
Talvez você já tenha ouvido falar da cantora "Tiê", mesmo que não esteja interado do circuito cult musical paulista(no). Com uma projeção que paira entre uma revelação musical e falta de reconhecimento do público, ela se lança no mundo da música após anos de preparação.

A palavra que define Tiê é "polivalência". Ela, hoje com 29 anos, já trabalhou como modelo no Japão, cursou Relações Públicas, estudou canto em Nova York, foi produtora de vídeos e dona de um brechó e um bistrô em São Paulo.

O primeiro CD da cantora, Sweet Jardim, no formato voz e violão tem um quê intimista e confidencial, mas nada comparado ao folk de Vanguard ou Mallu Magalhãoes que dominam o cenário alternativo-cult nacional - os arranjos sutis, as narrativas longas e a personalidade da cantora estão da primeira à última faixa.

O disco, que é composto por dez músicas, escritas em português, inglês e francês, é carregado de arranjos minimalistas que expõe, acima de outroas aspectos, o lado musicista e romântico da cantora.

Vale a pena gastar meia hora e curtir essa nova experiência musical. Antes, uma palhinha: assista ao clipe "Sweet Jardim".

postado por Felipe, às 00:04

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22.05.2009
"A vida passa rápido" - pensou Klaus.

Era assim que as coisas vinham acontecendo. Quando se deu conta, já era (de novo) seu aniversário. Quantos anos tinha? Que importa, ou melhor, a quem importa? "Uma, duas, três..." - parou. Pensou se realmente deveria contar quantas pessoas se importam com o seu aniversário, ou se seria melhor ter como única certeza a dúvida ignorante que nos afasta de todo e qualquer mal. Quanto menos se sabe, menos se sofre. Essa era sua filosofia de vida de um tempo pra cá. Não era definitiva, claro, e logo ele arranjaria outra filosofia de vida que se encaixasse melhor nos seus anseios e aspirações.

O ar estava frio, o sol pálido e as cores quase todas cinzas. Vantagens de se fazer aniversário em época de frio. Abraçar as pessoas no inverno é bem mais gostoso e demorado. A questão é: quantas pessoas ele abraçaria nesse aniversário. Era uma dúvida constante, daquelas bem inúteis e estúpidas, com quando você pára e pensa quantas pessoas iriam ao seu velório caso morresse hoje. Ele sempre fazia isso - contar pessoas, não morrer.

De uns tempos pra cá tinha se afastado de seus amigos. Tinha aprendido a curtir programas cada vez mais solitários, como ir - sozinho - ao cinema, teatro, performances musicais de artistas bêbados decadentes, caminhar num parque, beber num boteco escuro com cheiro de mofo. Percebeu também que passava cada vez mais tempo olhando pra uma tela e batendo agilmente a ponta dos dedos em botões à sua frente. Nove, dez horas por dia. "O que há de tão interessante nessa caixa que acende?" - ele se perguntava constantemente.

Ele era de gêmeos. "Signo de personalidade forte", diziam. Mas ele sabia que não era verdade. Sabia, sim, que não acreditava nessas besteiras de astrologia e do horóscopo nos jornais, que são tão inúteis quanto os programas de TV dominicais. No entanto, como todo mundo, ele se identificava com o que seu signo dizia a seu respeito. Leu num jornal: afabilidade. Facilidade para se expressar. Sensibilidade, graça, amabilidade, intuição e estudiosa. Adoram as mudanças e a variedade. Ocupam-se, portanto, de várias coisas ao mesmo tempo. Aparentam estar sempre ocupadas. Habilidosas como artesãos.

"Grande coisa", pensou. Lendo assim sua vida parecia bem mais excitante do que era de fato. Tinha dúvidas se todo mundo de gêmeos se identificava com o que algum jornalista desocupado metido a oráculo escrevia every fucking day no jornal.

No signo de Gêmeos encontramos excelentes jornalistas, escritores e até atores, que se metamorfoseiam com facilidade em diferentes personagens. O lema de Gêmeos deveria ser "penso então eu sou", já que o seu intelecto privilegiado o move em todas as direções. Ele adora descobrir coisas novas, inventar e aprender, sempre de forma brilhante e mesmo divertida. Sim porque ele é como uma 'criança em idade escolar', sempre pronta a aprender coisas novas, neste admirável mundo novo cheio de atrações!

Parou de ler. Embora com ego inchado e com grandes acertos a respeito das profissões, aquilo tudo ainda era uma grande besteira. Resolveu parar de pensar e foi fazer um chá. Alecrim, absinto, boldo, manjericão, camomila. Nunca gostou de chá, parecia muito mais com uma água suja do que com uma bebida decente. Colocou água para esquentar mesmo assim e se sentou à mesa, esperando.

Klaus olhava fixamente para a toalha à sua frente, debaixo das suas mãos. Feita de retalhos, tinha comprado em uma feira de artesanatos no centro da cidade, de uma senhora idosa de aparência muito debilitada. Comprou por pena e não por necessidade, mesmo sabendo que as pessoas (em geral) não gostam que sintam pena delas. Era predominantemente vermelha e branca, com alguns detalhes em azul anil, roxo e, em menor quantidade, laranja.

Começou a devanear. Falava em voz alta, mesmo estando sozinho àquela hora da noite, sentado numa cadeira em uma cozinha fria e úmida num maio de um ano qualquer. Que importa? A quem importa? Não importava. Sua mente agora estava em outro lugar, ele utilizava palavras grandes como "nunca", "sempre", "jamais", "tudo". Falava sozinho de sentimentos, de amores que vieram e se foram. De pessoas que vieram e se foram. Até de doenças que vieram e se foram.

Pensou na sua família, nos seus amigos, nos seus fracassos, nas suas misérias e - bem pouco - nas suas conquistas, que pareciam ridiculamente pequenas ao lado de todo o resto. Percebeu que sua vida era feita de retalhos, com aos da toalha da mesa. Nada além disso. Uma vida em pedaços, separada por acontecimentos que se convergiam num todo. E não havia como escapar, ele apenas colecionava retalhos de sentimentos que formavam uma grande toalha

O chá estava pronto.

postado por Felipe, às 22:20

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