06.01.2009

O que é caro, ineficiente e burro? Alguém aí gritou "a máquina pública"? Bom, talvez. Mas estou me referindo à reforma ortográfica. É por isso que esse blog não apóia as mudanças e mantém textos escritos na forma antiga, sem mudanças.

Se a moda pegar em todos os países de língua portuguesa (coisa que eu duvido), daqui três anos, quando a nova ortografia passa a ser obrigatória, então começo a escrever da forma "correta", até lá, nada muda.

Charge pescada no Gotas de Limão.

postado por Felipe, às 10:08

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05.01.2009
Gosto dos portugueses. A objetividade das conversas, a não-ambigüidade das frases são um mérito que não tem medida. Por isso, pela obviedade, às vezes eles acabam passando por burros, que, claro, não o são.

Hoje à tarde, depois que saí do trabalho, fui em vários lugares resolver algumas coisas. Depois de andar pra cima e pra baixo, parei numa loja de conveniência de posto de gasolina comprar alguma coisa pra beber. A conversa a seguir jamais aconteceria em terras lusitanas:

- Boa tarde - falei
- Boa tarde - disse o vendedor
- Por favor, me dá uma Pepsi de 600ml
- Não tem Pepsi, só trabalhamos com Coca.

Pausa.

- Só trabalham com Coca? - perguntei
- Só.
- Então se não tiver Coca ninguém trabalha?

Pausa.

- Quê?
- Nada. Me dá a Coca.
- Dois e cinqüenta.


Tá vendo só? Obviedade às vezes faz bem à comunicação. Custa facilitar?

postado por Felipe, às 22:36

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03.01.2009

“Vou caminhar e me deprimir. Eu tô louco pra ficar triste. Eu nunca posso -- tem sempre alguém do meu lado que merece ficar triste mais do que eu. Agora que tá todo mundo bem, eu vou aproveitar e me deprimir. Mas vocês não se preocupem, é coisa de uma hora só, no máximo. Eu caminho pelo mato. Me deprimo. Aí deito deprimido, durmo deprimido e acordo morto de fome.”

Do curta-metragem Estrada, direção de Jorge Furtado.

postado por Felipe, às 20:57

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02.01.2009

Odeio o jeito que você fala comigo;
odeio seu humor,
suas piadas;
odeio suas roupas
e como você corta o cabelo;
odeio seu perfume;
odeio sua beleza;
odeio o toque do seu celular;
odeio sua voz
e as suas músicas;
odeio o modelo do seu carro.
Odeio como você me olha,
com esse olhar arrogante;
odeio quando te pergunto,
e você não responde;
odeio quando não pensa em mim,
ou quando penso demais em você;
odeio o jeito que você termina uma conversa ao telefone,
ou quando não me liga;
odeio ter que te esperar,
eternamente, às vezes.
Odeio quando não me quer,
ou quando te quero demais;
odeio a tua felicidade,
por saber que não se estende a mim,
ou não me inclui,
ou não me cabe.
Odeio saber que a sua vida continua
separada da minha;
odeio ter que te perder,
e te ganhar a cada dia;
odeio chorar por você,
e saber que não choras por mim.
Mas o que eu mais odeio
é não poder te odiar.

postado por Felipe, às 14:05

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01.01.2009

Começando bem o ano, o telefone toca às oito horas da madrugada de hoje. Atendi.

- Alô?
- Bom dia, por favor, o senhor Felipe.
- É ele.
- Senhor, aqui quem fala é Wesley, estou ligando porque a Telefônica venceu uma liminar na justiça e agora todo mundo que tem Speedy tem que assinar um provedor.
- Ãhn?
- Senhor, aqui quem fala é Wesley, estou ligando porque a Telefônica venceu uma liminar na justiça e agora todo mundo que tem Speedy tem que assinar um provedor.
- Bom pra ela.
- O senhor também precisa.
- Da onde você tá falando?
- Do Maranhão!
- Quê????
- Sou do Maranhão!
- Não, não, quero saber de que empresa!
- É da Telefônica.
- Mas a Telefônica não atende só o Estado de São Paulo?
- Sim, senhor.
- Então por que você tá me ligando do MARANHÃO?
- Senhor, é um serviço terceirizado.
- Ah!
- Como eu dizia, estou ligando pra oferecer o provedor UOL porque a senha que o senhor utiliza do Speedy não tem mais validade. E para continuar tendo acesso à internet tem que assinar um provedor.
- Ah, tá. Agora entendi. Mas eu já assino provedor.
- Não, senhor, o senhor assina o serviço de internet, para continuar tendo acesso, precisa assinar um provedor.
- Eu seeeei! Eu já assino a internet E o provedor!!
- Sim, senhor, estou ligando pra oferecer o serviço do UOL. Assinando o UOL, o senhor terá acesso ao conteúdo...
- Espera, espera aí, Welington.
- É Wésley.
- Tá bom, Wésley, presta atenção ver se você entende agora: eu já assino o Speedy da Telefônica e o provedor – assino UOL há anos!
- É?
- É!
- Ha-ham... bem... o senhor assina o UOL?
- É o que parece.
- Então o senhor já tem a senha de acesso ao seu e-mail?
- Eu tenho dez contas de e-mail.
- Ôxi! Éhhh, tudo bem, então, em que mais posso ajudá-lo?

Silêncio.

- Senhor?
- Tô aqui.
- Ouquêi, o senhor precisa de mais alguma coisa?
- Isso é pegadinha?
- Não, senhor.
- Meu, você me liga num feriado, primeiro dia do ano, às 8 da manhã, do MARANHÃO, pra me vender um provedor que eu já assino?
- Ehh, eu acho que aconteceu um problema.
- Eu tenho certeza.
- Bom, o UOL agradece sua atenção e deseja um feli...

Desliguei.

- Quem era?
- O Wésley.
- Quem?
- Wésley, do Maranhão.
- Quê?????
- Ah! Volta a dormir.

postado por Felipe, às 22:36

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